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Gayrimenkulün İmar Bilgileri, Mevcut Durum

As diretoras das escolas femininas foram pioneiras na administração da educação e davam testemunho do exercício do magistério com sua dedicação, sabedoria e continuidade administrativa. A maioria demonstrava que, na direção das Escolas Públicas, não exerciam uma função paralela, mas sim, a função central de suas vidas.

Presentificar o passado de uma atuação é refazer um caminho, mas, ao refazê-lo, estamos caminhando novamente e, por mais que o tenhamos feito, haverá uma nova forma de fazê-lo. Esta nova forma fundamenta-se no trajeto já percorrido e dela emerge um novo trajeto.

Conforme Certeau (1996, p.151), “subindo, descendo e girando em torno dessas práticas, algo escapa sem cessar, que não pode ser dito nem ensinado, mas deve ser praticado”. No ato de trazer a experiência passada ao presente, muito há que se experienciar novamente, pois estabelece-se uma relação entre o ontem e o hoje, cujo ponto de referência é a realidade presente e não mais aquela na qual se deram as experiências narradas.

O discurso, elaborado pela memória situa-se pelo lado de fora do contexto dos fatos e seus conteúdos, tendo como fonte a observação apreciadora. Assim, ao falarmos do que já fizemos, não falamos do fazer em si, mas da apreciação que temos desse já feito, e quando falamos do fazer do outro “e em dizer daquilo que o outro diz de sua arte, e não um dizer dessa arte” (CERTEAU, 1996, p. 152).

Ao trazermos a prática do passado ao presente, o exercício dessa prática dá- se por meio da linguagem. Portanto, a memória traduz-se na arte de dizer, na qual está submersa a arte de pensar. É um pensar hoje sobre o efeito de ontem e traduzir num dizer que se constitui num fazer. Em outras palavras, é a narrativa de uma teoria em elaboração.

“A narrativização das práticas seria uma maneira de fazer textual com seus procedimentos e táticas próprias” (CERTEAU, 1996, p. 152). É dessa forma que, ao narrar o que fizemos, estamos fazendo novamente, porém, utilizando agora uma nova forma de fazer que é o texto oral. Podemos afirmar, então, que há uma relação direta e estreita entre a arte de dizer e a arte de fazer, que acabam por ser uma só prática narrada pelo afastar-se ou aproximar-se da prática vivida, conforme seja manipulada pelo locutor, segundo seu juízo e tato. É neste sentido que Certeau se refere ao narrador como um “dançarino disfarçado de arquivista”.

Narrar é o eu falando de um outro eu. Não se fala de si mesmo, mas de si já ido, já feito, já praticado. No discurso do eu presente que analisa o eu passado, muitas vezes encontramos conclusões atuais para práticas de outrora.

Assim, a narrativa é comparada por Certeau (1996) a um jogo de xadrez no qual a “memória dos lances antigos é essencial a toda partida”. Ao fazer a jogada atual, o jogador tem que voltar à anterior e, a partir dela elabora outra, que é inteiramente nova e surpreende o adversário. Assim também o faz o narrador ao narrar suas práticas, criando uma nova atuação a partir das experiências passadas,

dando-lhes nova roupagem, porém, sem descaracterizá-las. Portanto, não se trata de maquinar o já feito, mas de refazer-fazer a partir da volta, do giro, da dança em torno do feito.

A memória mediatiza transformações espaciais. Segundo o modo do momento oportuno, ela produz ruptura instauradora. Sua estranheza torna possível uma transgressão da lei do lugar. Saindo de seus insondáveis e móveis segredos, um ‘golpe’ modifica a ordem local (CERTEAU, 1996, p. 161).

Fica claro então que, ao trazer à tona as experiências mergulhadas no passado, instauramos uma prática que não obedece às leis físicas do tempo e do espaço, e sim, outras leis que se estabelecem pelo momento do exercício da memória das marcas deixadas. Narrar, então, passa a ser como que um viajar ao passado que, voltando o presente, abala os fatos, o tempo e o espaço.

O tempo presente é um outro tempo em relação àquele em que se deram os fatos narrados.Fatos concretizados ontem e narrados hoje dão origem a uma outra espécie que mantém ligação com aquela já praticada, porém não inteiramente a mesma. A memória é então a enciclopédia dos atos que, quando narrados, são transformados-formados na transcendência entre tempo passado e o tempo presente.

No dizer de Certeau (1996, p. 163), “longe de ser o relicário ou lata de lixo do passado, a memória vive de crer nos possíveis, e de esperá-los, vigilante, à espreita”. A memória, portanto, armazena não apenas fatos, mas também o invisível, as marcas por eles instauradas. Ao rememorarmos, trazemos fatos e marcas de ontem que se deslocam de seus contextos de origem, se instalam e instauram num outro tempo, numa outra história com novas marcas. Trata-se de um encontro de tempos e marcas, de textos e contextos, e nesse encontro, gesta-se um discurso que espera conceber novas práticas.

A memória não se reduz à descrição do já acontecido, antes, é regulada pelas circunstâncias e, por isso, altera-se conforme estas, até o momento em que, não se podendo mais relacionar-se com o contexto atual e, portanto, tornando-se incapaz de alterá-lo, transforma-se em mera repetição, desvinculada de fato e de juízo.

Constituída de clarões e detalhes, a memória fornece-nos um conjunto repleto de faltas que são preenchidas pela análise do presente. Esses detalhes não são simples fragmentos, pois fornecem um conjunto; não constituem algo já pronto, pois são alterados na arte do dizer - fazer. Talvez sejam marcas, toques, sentidos, impressões registradas capazes de re-citar o ontem vestido pelo hoje e, assim, já não puramente o ontem, nem puramente o hoje e, muito menos, uma mistura desajeitada de ambos; torna-se assim, um novo tempo e uma nova prática, regidos pela lei própria da memória.

É preciso atentar para o fato de que ao ouvirmos ou lermos um discurso de memória, faz-se necessário discernir o dito do feito e o novo feito a partir do dito. “O ouvido apurado sabe discernir no dito aquilo que aí é marcado de diferente pelo ato de dizê-lo aqui e agora, e não se cansa de prestar atenção a essas habilidades astuciosas do contador” (CERTEAU, 1996, p. 166).

Benzer Belgeler