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Gayrimenkulün Bulunduğu Bölgenin Analizi ve Kullanılan Veriler

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4. GAYRİMENKULÜN FİZİKİ ÖZELLİKLERİ

4.1 Gayrimenkulün Bulunduğu Bölgenin Analizi ve Kullanılan Veriler

Com o início da época moderna, os ideais novos do renascentismo se imiscuíam com as práticas contrárias em vigência e que já foram supra destacadas.

A tortura judiciária, no século XVII, funciona nessa estranha economia em que o ritual que produz a verdade caminha a par com o ritual que impõe a punição.O corpo interrogado no suplício constitui o ponto de aplicação do castigo e o lugar de extorsão da verdade. E do mesmo modo que a presunção é solidariamente um elemento de inquérito e um fragmento de culpa, o sofrimento regulado da tortura é ao mesmo tempo umamedida para punir e um ato de instrução.96 (grifo nosso)

Para se efetivar a confissão, a “probatio probatissima” se recorria a várias espécies de tortura, o que Beccaria, em 1764, reservou os mais

95 MAGALHÃES GOMES FILHO, Antonio, ob.cit., p.25. 96 FOUCAULT, Michel, ob.cit., p.38.

candentes ataques, qualificando-a de “fria atrocidade”, “industriosa crueldade”, “inútil prodigalidade de suplícios”; posto que nas ordenações de 1254 na França, e em todas subseqüentes adotou-se o interrogatório com tormentos.

Na Alemanha, na Itália, e em Portugal, por toda parte, se torturavam normalmente os acusados e até as testemunhas não merecedoras de fé; e ainda mais, nos crimes atrozes os juízes ficavam livres para condenar em base de elementos bem precários.

Retornando ao objeto deste trabalho que clama em reafirmar que, a busca alcançável da verdade fática, dentro de regras processuais pré- estabelecidas, por certo, deve preceder a aplicação do direito, fica nesse contexto histórico alijada, e ademais no status quo ante “o fim justifica qualquer tipo de meios”97. O suplício se inseriu tão fortemente na prática judicial da época porque:

(...) é revelador da verdade e agente do poder, promovendo a articulação do escrito com o oral, do secreto com o público, do processo de inquérito com a operação da confissão(...).Faz também docorpo do condenado o local da vindita soberana, o ponto sobre o

97 Este posicionamento é atribuído a Nicolau Machiavel (1469-1527).O pensamento de Machiavel contribuiu

para a criação de justificativas para os governos absolutistas e divinizados dos séculos XVII e XVIII, rompendo com a política medieval; e a sua obra “O príncipe”, é uma espécie de manual da arte de governar, onde se coloca a lógica do poder como a lógica da força, nesta dinâmica o príncipe virtuoso será o que aproveitar a situação par realizar as mudanças necessárias e alcançar seus objetivos (V. Gabriel Chalita, Vivendo a Filosofia .São Paulo:Atual, 2002, p.100-103).

qual se manifesta o poder, a ocasião de afirmar a dissimetria das forças.98

Esse sistema prestigia o espírito vingativo por ocasião dos julgamentos propiciando simultaneamente a emergência do inconformismo de alguns iluministas. Beccaria, em 1764 inspirado em ideais que se preconizarão na Declaração do Homem e do Cidadão em 1789, relata com argumentos plausíveis uma necessária transformação das crueldades dos julgamentos da época assinalando sobre a origem do direito de punir.

O autor ao aludir a respeito do “pacto social” e de seu surgimento, preleciona que, fatigados os indivíduos de só encontrarem inimigos sacrificam parte de sua liberdade, para usufruirem o restante dela com mais segurança. Com a finalidade de sufocar o espírito despótico de cada indivíduo, este concede parte dessa liberdade, surgindo, entrementes, as penas para os infratores das leis.

Do pensamento de Beccaria temos então que a somatória dessas partes de liberdades sacrificadas ao bem geral, constitui a soberania das nações, e o fundamento do direito de punir, onde o soberano fica encarregado das leis e se mantém como depositário dessas liberdades.

Portanto, mais justas serão as leis quanto mais inviolável for a segurança e maior a liberdade. Todo exercício de poder que se afasta dessa

dinâmica se constitui em abuso e não justiça ou “usurpação e não poder legítimo”.99

Rousseau, em Discursos100, completando a idéia e atribuindo um sentido mais amplo se expressa: “fundamental de todo direito político”, que os povos deram a si mesmos chefes para defender sua liberdade e não para sujeitar (“se temos um príncipe”-dizia Plínio a Trajano-“é para nos preservar de ter um senhor”), afirma que, relativamente à liberdade, ocorre o mesmo que com a inocência e a virtude, “cujo preço só se sabe quando as gozamos nós mesmos e cujo gosto se perde logo que a perdemos”.

Os julgamentos, à época, acompanhavam um ambiente hostil e de crueldades onde na praça pública se assistia os espetáculos do horror, da tortura, e de suplício o que era um acontecimento, para o embrutecimento popular.

Conforme Nicolau Maquiavel101 quando trata da “Crueldade e da Piedade” escreve :

(...) importar ao príncipe a qualificação de cruel para manter seus súditos unidos e com fé, porque, com raras exceções, é ele mais piedoso do que aqueles que por muita clemência deixam acontecer

99 BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas .Trad. Torrieri Guimarães. São Paulo: Martin Claret, 2004,

p.18-20.

100 ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre as ciências e as artes e sobre a origem da desigualdade,

Atena: São Paulo, p.153.

101 MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe.Os Pensadores. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 70

desordens, das quais podem nascer assassinos ou rapinagem. É que estas conseqüências prejudicam todo um povo, e as execuções que provêm do príncipe ofendem apenas um indivíduo.

O direito de punir, como meio de estabelecer a força absoluta do poder, passou a incluir a presença do povo, que se fazia primordial como espectador, sendo convocado para assistir às exposições, às confissões públicas onde os pelourinhos, as forcas e os cadafalsos eram erguidos nas praças públicas ou à beira dos caminhos, onde, normalmente, os condenados eram executados nos próprios lugares que cometiam os delitos, pelos quais pagavam, e sob o clamor do público e com a presença de carrascos e cavalos, que contribuíam para que a saga de sangue e horror se desenrolasse.102

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