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As áreas de coleta de solo foram escolhidas com base nas descrições de solos realizadas em levantamentos exploratórios anteriores nos estados do Rio Grande do Norte (EMBRAPA, 1971) e Paraíba (EMBRAPA; 1972), onde foi possível identificar zonas de ocorrência de solos hidromórficos, com associação de Gleissolos e Organossolos. No Ceará estas áreas eram pontuais, localizadas dentro do campus da UFC, e foram identificadas pelo professor do Departamento de Solos da própria instituição, Gustavo Souza Valladares (informação pessoal).

Os pontos de coleta em cada área definida foram selecionados com base em amostragem por conveniência. No Rio Grande do Norte e na Paraíba, a população local auxiliou na busca indicando os locais onde havia a presença destes solos, popularmente

chamados de “paú”. Além disso, foram observados os trechos da paisagem com relevo

mais deprimido, associado a maior saturação por água e com a presença de vegetação hidrófila (principalmente tifáceas). Através da tradagem foram observados os pontos com maior prevalência de material orgânico. Com base nestes critérios foi possível a identificação de dois perfis em cada estado, totalizando seis perfis de estudo (Figura 4; Tabela 1).

Figura 4: Localização dos perfis coletados nos Estados do Ceará (CE1 e CE2), Rio Grande do Norte (RN1 e RN2) e na Paraíba (PB1 e PB2).

O trabalho de campo ocorreu em setembro de 2010, onde foram descritos e coletados todos os perfis, de acordo com normas preconizadas no Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo (SANTOS et al., 2005). Na descrição das características morfológicas do perfil, também foi realizado o teste de Von Post para a determinação do grau de decomposição do material orgânico, segundo citado por Santos et al. (2006).

Tabela 1: Localização e características das áreas de estudo dos solos com

elevados teores de matéria orgânica da Região Nordeste do Brasil.

Perfis Localização Coordenadas

geográficas Drenagem

Altitude (m)

CE1 Fortaleza/CE 38º 34' 23" W; 3º 44' 21" S

Muito mal drenado - sem drenagem

artificial. 16

CE2 Fortaleza/CE 38º 34' 54" W; 3º 44' 32" S

Muito mal drenado - com drenagem

artificial. 13

RN1 Ceará- Mirim/RN

35º 23' 57" W; 5º 36' 21" S

Muito mal drenado - com drenagem

artificial. 5

RN2 Rio do Fogo/RN

35º 24' 46" W; 5º 22' 27" S

Muito mal drenado - com drenagem

artificial. 13

PB1 Alhandra/PB 34º 52' 44" W; 7º 26' 25" S

Muito mal drenado - com drenagem

artificial. 4

PB2 Caaporã/PB 34º 53' 39" W; 7º 30' 03" S

Muito mal drenado - com drenagem

artificial. 6

O perfil CE1 (Figura 5) está em área de inundação sazonal, localizado próxima ao açude Santo Anastásio, no campus do Pici da UFC, onde há a presença e mangueiras (Mangifera indica) e vegetação espontânea (gramíneas e convolvuláceas lianas). Essa área não se encontra em uso agrícola e nem foi submetida á drenagem, por isso pode ser afirmado que encontra-se em melhor condição de conservação, quando comparada aos demais perfis de solos coletados.

Já a área do perfil CE2, próxima ao Departamento de Zootecnia, também no Campus do Pici da UFC, foi destinada ao pastejo rotacionado de caprinos, com drenos que mantém o lençol freático a aproximadamente 40 cm de profundidade. Nesta área são observadas alterações da camada superficial do solo, provavelmente em função do seu revolvimento.

Os locais de coleta desses perfis estão localizados próximos a um riacho, afluente do rio Cocó, em cuja zona estuaria ocorre extensos manguezais. Em função da proximidade e da interferência marinha atual, pelo contato com o lençol freático, essas duas áreas apresentaram maior influência de materiais sulfúricos, manifestado através do caráter tiomórfico.

Figura 5: Área de coleta do perfil CE1, localizado dentro do Campus do Pici da UFC,

Fortaleza-CE (foto do autor).

A área do perfil RN1 (Figura 6), no município de Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte, está localizada em uma planície de inundação formada no baixo vale do rio Ceará-Mirim, com relevo predominantemente plano. Esta área encontra-se em propriedade particular e vem sendo cultivada com cana-de-açúcar a mais de dez anos. Segundo relatos do proprietário, essa foi a época aproximada em que o solo foi drenado e o lençol freático é mantido a cerca de 30 cm de profundidade. No momento da coleta das amostras do perfil, a área estava com plantio de mandioca, usada como cultura intercalar antes da renovação do canavial.

A área do perfil RN2 (Figura 7) está inserida na bacia hidrográfica do rio Punaú, no Município de Rio do Fogo, localizada na microrregião homogênea Litoral Nordeste do Estado do Rio Grande do Norte (FELIPE & CARVALHO, 1999). Também se encontra em propriedade particular, havendo em determinadas áreas o plantio rotacional de culturas tais como abóbora e milho, com uso de práticas agrícolas convencionais, adubação de cobertura, preparo do solo com arado, grade e capina. Além destas áreas, outras eram destinadas apenas ao plantio de coqueiros e bananeiras. A ocupação e início do uso agrícola destas áreas ocorreram a cerca de 30 anos, favorecido pela drenagem artificial, que mantém o lençol freático a aproximadamente 40 cm de profundidade.

Figura 6: Área de coleta do perfil RN1, localizado no município de Ceará-Mirim – RN

(foto do autor).

Figura 7:Área de coleta do perfil RN2, localizado no município de Rio do Fogo – RN

(foto do autor).

A área do perfil PB1 (Figura 8) está localizada no município de Alhandra, Estado da Paraíba, na bacia do rio Ibiaí, e apresentou os maiores indícios de degradação em virtude do uso. Consiste em uma área de várzea drenada e que foi destinada ao pastejo extensivo de bovino, com práticas inadequadas, onde o pisoteio excessivo de animais e falta de manejo da pastagem favoreceram a degradação do solo. Como evidências observam-se a pequena espessura do horizonte orgânico (40 cm), o avançado

estágio de decomposição do material orgânico (sáprico) e o baixo teor de matéria orgânica contido nas amostras desse perfil.

A área seguinte localizada no município de Caaporã (Figura 9), também no Estado da Paraíba (PB2), e situa-se em um vale encaixado, na porção inferior da paisagem, que apresenta relevo suave ondulado, numa região chamada de Depressão Ibiaí (FURRIER et al., 2006). De acordo com um dos proprietários, a área está em uso a mais de 20 anos, com profundidade do dreno para manter o lençol em cerca de 50 cm de profundidade e é destinada ao plantio de bananeiras, coqueiros, mandioca e hortaliças para fins comerciais e para subsistência dos agricultores.

Figura 8: Área de coleta do perfil PB1, localizado no município de Alhandra – PB (foto

Figura 9: Área de coleta do perfil PB2, localizado no município de Caaporã – PB (foto

do autor).

Benzer Belgeler