• Sonuç bulunamadı

2.1. ZEKÂ ĠLE ĠLGĠLĠ KAVRAMLAR

2.1.2. BaĢlıca Zekâ Kuramları

2.1.2.6. Gardner Çoklu Zekâ Kuramı

Ao longo da trajetória da Extensão Rural brasileira, pôde-se perceber que os formatos assumidos pelas agências de ATER pública, mais especificamente o caso da EMATER-MG, acabam subordinando-se primeiramente aos imperativos do Estado, aos interesses político- partidários dos principais atores sociais e órgãos superiores, e posteriormente aos reclames da sociedade, quando esta se organiza e mobiliza-se para ser “escutada”. Por conseguinte, o que veio à reboque são as relações contraditórias dos processos interventivos pelos quais a Extensão Rural é peça central e por essa razão fruto de um ambiente dinâmico, instável e que envolve múltiplos atores.

No caso específico desta pesquisa cujo o objetivo principal era descrever e analisar como tem sido estruturado e operacionalizado os serviços de ATER no contexto de atuação de uma agência pública de Extensão Rural, pode-se concluir que o trabalho na implementação das diversas políticas públicas para a Agricultura Familiar, especialmente as de cunho federal, converteram-se no leme dos trabalhos dos extensionistas da Unidade Regional EMATER-MG de Viçosa. Portanto, as consequências da expansão de políticas públicas para Agricultura Familiar, mais fortemente a partir do ano de 2003, recaíram, principalmente, em cima dos trabalhos daqueles que lidam diretamente com a sua implementação, ou seja, as organizações públicas que operacionalizam os serviços de ATER. Isso quer dizer que, a assistência técnica desvinculada de programas e políticas do governo e dirigidas pela demanda dos agricultores, são ações menos expressivas em relação a operacionalização dos serviços ligados à ATER pública.

Sobre esse panorama, pode-se dizer que o papel da Extensão Rural, através da figura da UREGI da EMATER-MG em Viçosa, como representante e como uma extensão da presença do Estado nas localidades nas quais está presente, deu uma grande guinada nas suas diretrizes a partir do período acima destacado. A reestruturação e criação de instituições que envolvem a coordenação da ATER pública brasileira, o aumento nos investimentos para financiamentos da ATER pública e a ampliação de políticas para campo, foram os caminhos traçados para uma maior inserção, influência e capilaridade do trabalho desenvolvido. Por sua vez, por conta dessa nova realidade, UREGI da EMATER-MG em Viçosa – caracterizada por uma sobrecarga de trabalho ainda maior – também passou a ser cobrada e enxergada como uma das principais responsáveis pela introdução e promoção de melhorias nos municípios em que seus escritórios

estão instalados. Deste modo, é válido destacar que apesar da presença de outras organizações que executam os mesmos tipos de serviços, a Unidade Regional da EMATER-MG em Viçosa é notadamente marcada pelo seu protagonismo nos municípios aos quais está inserida.

Nesse âmbito, onde a maioria das ações de ATER são de origem pública, o aumento da responsabilidade veio acompanhada pelo aumento das cobranças por resultados, acompanhado da ênfase quantitativa e, por conseguinte, aumento de metas a serem alcançadas. Isso acabou gerando uma dificuldade em relação a continuidade e ao planejamento sistemático das ações no longo prazo e comprometeu a escolha – por parte dos extensionistas – das metodologias de trabalho participativas, já que estas demandam um maior tempo de planejamento, execução e envolvimento, tanto dos extensionistas, como dos agricultores. Desse modo, a partir das observações feitas durante a pesquisa, acredita-se que, em vista da preocupação em cumprir com a implementação de um maior número de programas e políticas, os extensionistas ainda pouco se utilizam de metodologias participativas, já que as mesmas impossibilitam uma maior padronização, feedback e rapidez na prestação dos serviços.

Sobre a hipótese de trabalho, que defendia que mesmo com as mudanças preconizadas em torno de um novo paradigma da extensão rural, apoiado na institucionalização da Lei de ATER, a organização estudada, a partir da figura dos extensionistas, não mais se guiava pela orientação produtivista. Os fatores ligados à qualidade da produção, preocupação com conservação e recuperação dos recursos naturais, o trabalho junto as mulheres e jovens rurais e entre outros, apontaram para superação desse traço que marcou por muitos anos a Extensão Rural brasileira. Contudo, a reorientação dos serviços de ATER, ligado ao processo de aplicabilidade e efetivação da Lei de ATER, ainda é pouco acionada devido ao baixo e/ou nenhum conhecimento por parte dos técnicos e ao baixo incentivo, por parte da Organização, em se trabalhar de acordo com a lei – como é demonstrado nos dados da pesquisa.

Por esse motivo, foi percebido que a lei de ATER ainda não é uma referência prática, nem uma ferramenta que provocou grandes modificações na forma de atuação dos extensionistas da agência pública de extensão rural estudada. Ainda que ela veio direcionar a priorização dos atendimentos aos Agricultores Familiares e inovar com o processo de descentralização da prestação dos serviços de ATER por parte de outras organizações, as cobranças em torno de resultados quantitativos, a carência de um quadro mais estruturado de profissionais, o excesso de atribuições, políticas, programas e metas, tornaram-se um fator apontado como limitante para a realização de um trabalho pautado na sua operacionalização.

Diante dessa realidade, outros limitantes encontrados, a partir da observação das mudanças preconizadas nos diferentes ciclos políticos e econômicos aos quais a Unidade Regional EMATER-MG em Viçosa esteve inserida, estão ligados às instabilidades institucionais que está diretamente ligada à baixa flexibilidade da estrutura organizacional. Também foi observado que, por mais que as atividades executadas pela organização não se pautem mais na orientação produtivista, a herança do modelo de agricultura modernizante brasileira, impôs certos perfis de profissionais, principalmente, das ciências agrárias que acabou por restringir a inserção de um leque de profissionais advindos de outras áreas. Nesse sentido, devido as mudanças ocorridas nos paradigmas de extensão rural, bem como, das orientações metodológicas exigidas, ainda é constatada uma baixa multidisciplinaridades em relação à formação do quadro de extensionistas.

A partir desse cenário, onde as organizações de ATER pública sofrem com o número deficiente de profissionais para trabalhar com a grande demanda e com o excesso de atribuições; a urgência por um quadro mais estruturado e variado de profissionais; a preocupação em cumprir com metas estabelecidas; a necessidade de incentivos para participação em cursos de capacitação, atualização profissional e treinamento; a vasta quantidade de atribuições que os técnicos tem que lidar; a cobrança vigorosa quanto a implementação das políticas e programas trabalhados; são alguns dos pontos que caracterizam a operacionalização da ATER pública da Unidade Regional da EMATER-MG do município de Viçosa.

Ressalta-se que realidade observada no presente estudo, à qual exprime a operacionalização dos trabalhos da UREGI da EMATER-MG em Viçosa, serve como referência quando esta reafirma os resultados encontrados no estudo realizado pela FAO, juntamente com o MDA, em 2003, intitulado de "Diagnóstico das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural", no qual as consequências do excesso de atribuições, estão ligados, principalmente, a baixa adoção de novos métodos de trabalho e falta de renovação do quadro de funcionários. Na conclusão desse estudo, foi proposto que seria importante estimular tais organizações a realizarem processos de avaliação e monitoramento de seus serviços, bem como a integração inter e intrainstitucional para a melhoria das ações executadas. Contudo, percebe- se que anos após a publicação deste documento, os problemas encontrados neste trabalho continuam sendo recorrentes e que alguns deles, como já citados, fazem parte da realidade da Unidade Regional da EMATER-MG em Viçosa.

Finalmente, é válido destacar que a importância no desenvolvimento de estudos de caso acerca da identificação, descrição, discussão e análise da ATER pública brasileira torna-se relevante quando estes possibilitam à sociedade uma visão diferenciada para além do que é apresentado nos relatórios e documentos institucionais advindos das organizações responsáveis pela coordenação e execução destes serviços. Dessa forma, tais instrumentos de compartilhamento de informações promovem a possibilidade de gerar um senso crítico, criar alternativas para as limitações encontradas, identificação de lacunas existentes e contribuição para os debates na direção do aperfeiçoamento das políticas de assistência técnica e extensão rural, além do estimulo ao exame dos procedimentos, métodos e processos aos quais a empresas adotam de modo a promover a modernização e melhorias organizacionais.

Benzer Belgeler