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GARANTİ BELGESİ İLE TANITMA VE KULLANMA KILAVUZUNUN UYGULAMA ESASLARINA DAİR TEBLİĞ

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GARANTİ BELGESİ İLE TANITMA VE KULLANMA KILAVUZUNUN UYGULAMA ESASLARINA DAİR TEBLİĞ

O recorte temporal desta pesquisa, em que se detecta o crescimento de novos produtos imobiliários no município de Eusébio (2000-2010), é marcado por um notório crescimento da produção imobiliária em todo o Brasil. A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) projetou um crescimento do setor imobiliário em torno de 39%, apenas entre os anos de 2009 e 201082.

Os resultados do crescimento do setor imobiliário também têm sido percebidos no mercado de trabalho do País, com o crescimento de postos de trabalho na construção civil. Os dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que o Brasil bateu recorde de contratação na construção civil no ano de 2010, com 2,771 milhões de pessoas trabalhando no setor, e as grandes metrópoles foram responsáveis pela maior parte dos postos de trabalho gerados83. A

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Dados divulgados no site http://www.fea.usp.br/noticias.php?i=520. Acessados em 13/10/2010.

83

Dados divulgados em http://fgvprojetos.fgv.br/sala-de-imprensa/numero-de-trabalhadores-da-construcao-civil- registra-novo-recorde-em-maio. Acessados em 15/10/2010.

escassez de trabalhadores especializados e não especializados – associada a disponibilidades de terrenos nas metrópoles – é apontada com frequência como um dos atuais entraves para o desenvolvimento da produção imobiliária nas principais metrópoles nacionais84.

Dessa forma, nota-se que os fatores responsáveis pelo crescimento imobiliário em nível nacional devem ser destacados, uma vez que as transformações desse setor em escala nacional repercutem sobre as transformações nas configurações dos espaços metropolitanos em todo o Brasil. A interpretação de tais fenômenos torna-se uma tarefa árdua, já que se trata de um fenômeno muito recente.

Todavia, tais transformações não poderiam passar despercebidas nesta pesquisa, visto que elas, certamente, contribuíram para o crescimento da dinâmica imobiliária no espaço metropolitano de Fortaleza, com presumíveis efeitos sobre a dinâmica imobiliária em Eusébio. Os dados divulgados pelo Sindicato das Empresas de Venda e Locações de Imóveis no Ceará (SECOVI-CE), sobre a produção de imóveis na Região Metropolitana de Fortaleza, indicaram que entre os anos de 2009 e 2010 as taxas de crescimento no número de novos empreendimentos giraram em torno de 40%, seguindo uma tendência nacional de crescimento da produção de imóveis.

Na realidade, diversos argumentos (não mutuamente excludentes) apontam as razões para a formação de uma conjuntura favorável aos negócios imobiliários no Brasil, iniciada no final da década de 1990 e consolidada ao longo da década de 2000 (durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva: 2002-2005, 2006-2010). Entre os mais citados estão: a estabilidade e o crescimento da economia nacional85 e uma real elevação no nível de renda da população86 brasileira. Esses fatores certamente repercutiram sobre a formação de um novo contingente de consumidores dispostos a comprar imóveis próprios, aumentando, assim, a demanda por novos imóveis nos centros urbanos nacionais.

Paralelamente, a emergência de um novo ambiente jurídico87 trouxe mais

84

Fonte:http://noticias.r7.com/economia/noticias/faltam-200-mil-trabalhadores-na-construcao-civil- 20100223.html. Acessada em 13/10/2010.

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A estabilidade da economia foi conquistada ainda em 1994, com o a implantação do Plano Real do presidente Fernando Henrique Cardoso.

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Segundo pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos, a renda dos trabalhadores nas Regiões Metropolitanas do País cresceu 14% entre 2003-2009, período do Governo Luís Inácio Lula da Silva.

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garantias aos investidores imobiliários, com a flexibilização dos contratos de compra de imóveis. A lei da “alienação fiduciária” tornou possível a retomada de imóveis de mutuários inadimplentes, de maneira mais rápida, cooperando para a formação de um “clima favorável” aos negócios imobiliários no Brasil e para o fortalecimento da articulação entre o setor financeiro e imobiliário. Esse contexto favoreceu o que vem sendo intitulada retomada do financiamento imobiliário, que, no caso Brasileiro, havia perdido a força desde o final da década de 1980.

Na contemporaneidade, bancos públicos e privados aumentaram a oferta de crédito para financiamento de imóveis. Segundo balanço divulgado pela Associação de Entidades de Crédito imobiliário e Poupança (Abecip), no ano de 2009, os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) bateram recorde, com 302.680 unidades financiadas, e o valor financiado chegou a R$ 34,017 bilhões, dando continuidade a uma tendência existente desde o início da década.

Ao mesmo tempo, a partir de meados da década de 2000, grandes incorporadoras nacionais abriram capital na bolsa de valores, ampliando o volume de capital disponível para construção de imóveis e possibilitando um fortalecimento das tendências de expansão das atividades para outras regiões do País. Atualmente, 19 empresas do setor de construção civil possuem ações negociadas na Bovespa.

Na RMF, a atuação de empresas externas (sobretudo do eixo Rio-São Paulo), em parceria com empresários locais, intensifica-se a partir de meados da década de 2000. A entrada dessas empresas tem sido responsável pela implantação de grandes investimentos imobiliários na capital e nos municípios periféricos88, atuando sobretudo em empreendimentos turísticos e residenciais, conforme detectou a pesquisa de Rufino (2009).

Além desses fatores, deve-se destacar a implantação do Programa Minha casa, minha Vida, criado em 2009, pelo governo federal, como medida utilizada para conter o ciclo de crise econômica; incentivar a construção civil; aumentar os níveis de emprego; diminuir o déficit habitacional para segmentos populares. Esse programa oferece subsídios para a casa própria de famílias com renda de até 10 salários mínimos, como também possibilita a redução de impostos para a produção de imóveis voltados à população com menor faixa de renda.

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Entre as principais empresas de origem externa à RMF estão: Inpar, Rodobena, Tecnisa, Rossi, Cyrela, Gafisa. MRV.

Nota-se que o conjunto de mudanças do setor imobiliário, apesar de ocorrerem nas esferas econômicas, políticas e jurídicas, ganham materialidade pela formação de novos arranjos espaciais nos espaços metropolitanos. Entre esses arranjos destaca-se o crescimento extensivo das ofertas residenciais, partindo das metrópoles em direção a municípios periféricos.

A elevação do preço do solo nas capitais, efeito do atual “aquecimento do setor

imobiliário”, tende a fortalecer ainda mais as tendências de deslocamento das atividades de

incorporação imobiliária, abrindo novas fronteiras de expansão para essas atividades em grande parte das regiões metropolitanas do País.

Fortaleza tem apresentado um elevado crescimento do preço dos imóveis, ao longo dos últimos anos, acompanhando, dessa forma, uma tendência nacional de crescimento no preço dos imóveis nas capitais nacionais. Tal fator tem contribuído para uma maior distribuição das atividades de incorporação imobiliária na RMF, conforme indica a citação extraída de um jornal local89:

O boom imobiliário vivido pelo mercado nos últimos anos não deixou de fora localidades próximas a capital, que se apresentam cada vez mais como alternativa para a descentralização residencial. Entre 15 municípios da RMF destaca-se Eusébio, Aquiraz, Maracanaú e Caucaia.

Desse modo, verifica-se que fatores endógenos, relacionados a mudanças no âmbito nacional, contribuíram para o reforço das tendências de expansão territorial das metrópoles em função das estratégias imobiliárias.

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Matéria publicada no jornal O Estado, caderno de imóveis, em 13 de janeiro de 2011, disponível em http://clubehouse.com.br/noticias/mercado-imobiliario-ocupa-a-regiao-metropolitana-de-fortaleza/. Acessada em 10/03/2011.

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EUSÉBIOCOMOA“BOLA

DAVEZ”

NOMERCADODE

IMÓVEISDAREGIÃOMETROPOLITANADEFORTALEZA

No capítulo 3, foram apresentadas algumas características do setor imobiliário, seus principais agentes, assim como suas formas de atuação nas transformações dos espaços metropolitanos. No mesmo capítulo, também foram indicadas algumas transformações recentes do setor imobiliário, em âmbito nacional.

Neste capítulo, inicialmente, é realizada a identificação dos principais agentes que atuam na produção dos novos produtos imobiliários em Eusébio (condomínios e loteamentos fechados). Em seguida, baseado em entrevistas com os profissionais do setor imobiliário que atuam no município (incorporadores, gerentes das empresas e corretores), analisa-se o

conjunto de fatores que contribuíram para que o município seja considerado “a bola da vez no mercado imobiliário da RMF” 90

. Posteriormente, são identificadas as principais características dos novos objetos imobiliários implantados em Eusébio, ao longo da década de 2000, e do público a que este tipo de imóvel busca atender.

Por fim, a partir dos dados cedidos pelo SINDUSCON-CE e pelas incorporadoras imobiliárias, são realizadas reflexões sobre a crescente elevação do preço dos imóveis no município e a consequente ampliação das vantagens de seu uso especulativo, ao longo da década de 2000.