4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.5. Gen Ekspresyon Sonuçları
4.5.1. GAPDH
A Associação Livre de Palavras foi nossa primeira etapa metodológica nessa investida enquanto pesquisadora em processo de formação doutoral, conforme demonstrado no Quadro 1. Trata-se de uma técnica projetiva aplicada no campo das representações sociais desde a década de 1980. Segundo Nóbrega (2003), as técnicas projetivas,
Fornecem representações daquilo que, no indivíduo e para o outro, é desconhecido por outros meios. Constituem uma forma de linguagem e, por isso mesmo, um tipo de leitura sobre o ser humano, acerca das representações que as pessoas fazem do mundo, de si mesmas e de suas experiências de vida [...] fornece ainda a emissão de elementos que se encontram escondidos; o latente que é trazido à superfície, torna-se manifesto o que existe em nós de estável (NÓBREGA, 2003, p. 52).
Para Nóbrega (2007), a associação livre de palavras tem o objetivo de suscitar ideias. E, complementando, Andrade (2003, p. 76) destaca que, “[...] através da associação livre de palavras, identificamos os pontos centrais das representações sociais, possibilitando também entendermos como uma representação se constitui a partir de suas articulações internas [...].”
Daí, então, sua importância como suporte metodológico ao objeto de estudo a que nos propomos entender e, por se tratar de um objeto simbólico, essa técnica nos possibilita o acesso aos campos semânticos das palavras que serão posteriormente utilizados no PCM em suas aplicações livre e dirigida. Usando, ainda as palavras de Andrade (2003), observamos que a associação livre de palavras,
Consiste em desencadear a fala a partir de um mote indutor, demandando dos participantes a produção de ideias que lhes vêm à mente quando apresentada a palavra ou expressão desencadeante. Desta forma, traz à tona o universo semântico do objeto de estudo, permitindo-nos acessar os elementos latentes que seriam ignorados ou mascarados em produções discursivas (ANDRADE, 2003, p. 76).
37 Destacamos, ainda, algumas observações feitas por Nóbrega (2003) ao lembrar que é uma técnica simples e de fácil aplicação, porém demanda alguns cuidados ao pesquisador. Para a autora, “basta pronunciar diante do sujeito uma ou mais palavra(s), denominada(s) indutora(s). Em resposta, o sujeito deve verbalizar o mais rápido possível as primeiras palavras que lhes vêm à mente” (Ibid., p. 59).
Em nossa pesquisa, não usamos palavras indutoras, mas sim expressões que representam o objeto investigado. Desse modo, temos as expressões: Ser professor é...; e, Ser professor em comunidades ribeirinhas é... Desejávamos saber, a princípio, se havia diferença entre as evocações diante das diferentes expressões, dada a singularidade do trabalho no interior da floresta.
Representações que nos interessam compreender e que se encontram no cerne da realidade comum dos professores, nas suas ideias, nas suas práticas. Para Moscovici (2005a), por exemplo, o poder das ideias constitui o problema específico da psicologia social. Gerard Duveen, ao introduzir a obra de Moscovici traduzida no Brasil, Representações sociais: investigação em psicologia social, nos lembra que,
[...] da perspectiva da psicologia social, o conhecimento nunca é uma simples descrição ou uma cópia do estado das coisas. Ao contrário, o conhecimento é sempre produzido através da interação e da comunicação e sua expressão está sempre ligada aos interesses humanos que estão nele implicados. O conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo onde os interesses humanos, necessidades e desejos encontram expressão, satisfação ou frustração [...] (DUVEEN, 2005, p. 08-09).
Nossa entrada em campo tinha exatamente esse sentido, imergir no mundo do conhecimento e de vivência desses professores. Para tanto, estabelecemos uma relação dialógica, demarcando a construção do saber, aprendendo a escutá-los para entendê-los, posteriormente, em suas angústias, anseios, devaneios, realidade. Em nosso primeiro contato, expomos o objeto e objetivos da pesquisa de modo que houvesse uma familiaridade entre nós, sabendo, efetivamente, porque estavam participando desta pesquisa.
Finalmente, a aplicação da TALP. Distribuímos uma folha de identificação (Apêndice A) que foi preenchida pelos professores. Em seguida, distribuímos uma segunda folha com o estímulo SER PROFESSOR É... Pedimos que escrevessem três palavras que lhes viessem à mente ao ouvir o referido estímulo. Depois da escrita das
38 três palavras, pedimos que assinalassem aquela considerada a mais importante para eles justificando-a de forma escrita.
Em seguida, distribuímos a terceira folha com o estímulo SER PROFESSOR EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS É... Com o mesmo indicativo, era necessário que escrevessem as três palavras que lhes viessem à mente ao ouvir a expressão. Pedimos, mais uma vez, que destacassem a palavra mais importante e explicassem o porquê da escolha. Aqui, lembramos que as folhas, com exceção da folha de identificação, foram colocadas emborcadas na carteira dos alunos (professores/participantes). Após a distribuição para todos, pedimos que a desemborcassem. Falamos o estímulo que, também, estava escrito no papel. Foram cuidados antevidos à aplicação da associação livre de palavras, pois, se todas as folhas fossem distribuídas ao mesmo tempo, os participantes ficariam sabendo do estímulo e, obviamente, o que teriam que fazer antes que todos tivessem recebido. Como se trata de uma técnica projetiva, queríamos saber o que eles pensavam no momento em que ouviam o estímulo, sem tempo para raciocinar qual seria a melhor palavra a ser dita para a professora/pesquisadora. Nóbrega (2003, p. 59) ressalta que o pesquisador deve ter “[...] cuidado em relação ao período de latência e o tempo total, isto é, não permitir que haja tempo para elaboração das respostas, estas devem ser enunciadas de forma mais rápido possível.”
Para o estudo em pauta, o importante é perceber como esses professores estão lidando com o estímulo integrante do cotidiano de suas vidas e trabalho. A aplicação da TALP, de forma escrita, atingiu os trinta participantes ao mesmo tempo. Conforme Tabela 1 a seguir, é possível visualizar o demonstrativo de idade, gênero, curso, estado civil e religião – variáveis externas presentes na folha de protocolo (Apêndice A).
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Tabela 1 – CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO PARTICIPANTE DA TALP
IDADE
GÊNERO CURSO ESTADO
CIVIL
RELIGIÃO
M F Letras Peda
gogia Geografia Matemática Biologia História S C V C E
20 a 30 7 9 2 11 1 1 7 9 10 5 31 a 40 1 7 2 6 1 1 7 4 5 41 a 50 1 1 1 1 1 1 1 51 a 60 3 1 1 1 3 2 1 Acima de 61 anos 1 1 1 1 TOTAL 9 21 5 19 2 1 1 1 9 20 1 18 12 30 30 30 30
Legenda: Estado civil: S- solteiro(a); C- casado(a); V – viúvo(a). Religião: C- católico(a); E – evangélico(a).
Fonte: Protocolo de pesquisa – TALP (Apêndice A).
Observando a tabela, vemos que há mais professoras que professores no exercício da docência. São jovens, homens e mulheres com menos de 30 anos, em sua grande maioria, que adentram à carreira do magistério às margens dos rios acrianos, mais precisamente na região do Vale do Juruá – lócus de nossa investigação.
Por esse demonstrativo, observamos a presença de seis cursos de Graduação/Licenciatura (Letras, Pedagogia, Geografia, Matemática, Biologia, História). Contudo, queremos destacar que não definimos a priori o curso, antes, porém, que os participantes estivessem fazendo o PROFIR, exercesse a docência em comunidades ribeirinhas e atuassem no Ensino Fundamental – critérios previamente definidos em função do objeto da pesquisa.
Salta-nos aos olhos a disparidade entre o número de participantes por curso, mas como dissemos, a participação deles ocorreu por adesão. Fizemos o convite aos professores que foram chegando ao Centro de Florestania (espaço da SEE cedidos para a UFAC no interior do Estado, quando da realização do PROFIR), lembrando que essa etapa, conforme observamos no Quadro 1, foi realizada no município de Mâncio Lima. Informamos, ainda, que o curso de Pedagogia possui mais turmas que os demais, por isso, há maior número de participantes.
O estado civil retrata o contexto de cidades pequenas e interioranas do Acre: Casa-se cedo. Os professores e professoras, em sua maioria, vão para as comunidades solteiros(as), mas, logo, encontram um companheiro(a). Parceiros e solidários diante das dificuldades do isolamento na floresta, no companheirismo inerente à vida. Ali,
40 constituem família e enquanto ensinam os filhos dos ribeirinhos a ler e escrever, ensinam, também, seus próprios filhos em idade escolar16.
Para esse grupo de professores pesquisado todos têm religião, seja católica ou evangélica. Com predominância para a religião católica. Na ausência de padres ou pastores, os próprios professores, além da docência, são chamados pela comunidade para celebrar a palavra de Deus quando de seus cultos dominicais. Aqui vale a ressalva de que essa não é a função dos professores se considerarmos, no curso da história, a luta por uma escola laica, contudo, são os elementos do contexto da realidade que empurram os professores ao tudo fazer na comunidade e, ao que parece, com isso, garantir seu emprego de professor.
Na sequência, temos o Quadro 2 que apresenta o demonstrativo do campo semântico das palavras da TALP, que teve por estímulo, SER PROFESSOR É...
Quadro 2 - CAMPO SEMÂNTICO DA TALP COM O ESTÍMULO SER PROFESSOR É... Palavra Frequência Palavras Frequência
01. Amigo 10 11.Conhecedor 5 02. Educador 7 12. Herói 4 03. Responsável 7 13. Dedicação 4 04. Amor 7 14. Desafio 3 05. Prazeroso 6 15. Transmissor 3 06. Guia 6 16. Compromisso 3 07. Coragem 5 17. Dificultoso 2 08. Massacrado 5 18. Criativo 1 09. Competente 5 19. Progredir 1 10. Compreensivo 5 20. Missionário 1
FONTE: Dados da TALP.
Já no Quadro 3, apresentamos o campo semântico proveniente do estímulo: SER PROFESSOR EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS É...
16 Essa é uma referência indicativa da realidade local. Realidade típica das cidades interioranas da Amazônia e relembrada pelos participantes tanto no PCM quanto nas entrevistas.
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Quadro 3 – CAMPO SEMÂNTICO DA TALP COM O ESTÍMULO SER PROFESSOR EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS É ...
Palavra Frequência Palavra Frequência
01. Prazeroso 10 13. Dedicado 2 02. Difícil 9 14. Criatividade 2 03. Corajoso 10 15. Conhecimento 2 04. Sofrimento 8 16. Competente 2 05. Amigo 8 17. Acreditar 2 06. Colaborador 7 18. Autoridade 1 07. Educar 5 19. Instrutor 1 08. Solidariedade 3 20. Necessidade 1 09. Responsável 7 21. Paciente 1 10. Mediador 3 22. Planejar 1 11. Compreender 3 23. Pontualidade 1 12.Valorização profissional 2 Fonte: Dados da TALP.
Nos Quadros dois (2) e três (3), as palavras foram agrupadas por campo semântico, a partir das evocações às expressões indutoras: Ser professor é...; Ser professor em comunidades ribeirinhas é..., respectivamente. Pensamos, a princípio, haver uma diferença em relação aos dois estímulos. Por isso, usamos os dois na aplicação da associação livre de palavras. Nossa análise, no entanto, mostra uma proximidade de sentido. Portanto, optamos pela junção/cruzamento dos dados estabelecendo um só quadro com foco no Ser professor em comunidades ribeirinhas é... Destacamos, ainda, que, nos quadros anteriormente mostrados, assim como no subsequente, não consta apenas a lista de palavras evocadas na TALP, mas sim, o campo semântico desta; em seu total, havia 90 palavras para cada estímulo, uma vez que cada participante evocou três e justificou a mais importante, como dissemos antes. Todavia, temos, com essa etapa da pesquisa, o objetivo de conhecer o campo semântico, que é feito a partir da junção das palavras evocadas, e que tenham sentidos similares levando-se em consideração, também, as justificativas das mesmas, dada pelos participantes. Em resumo, é isso que nos importa saber com a associação livre de palavras – possibilidade de acesso ao campo semântico e posterior aplicação do Procedimento de Classificações Múltiplas.
Devido, à proximidade de sentido, observamos, na sequência, o demonstrativo desse cruzamento de dados.
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Quadro 4 - CAMPO SEMÂNTICO DA TALP COM OS ESTÍMULOS: SER PROFESSOR É... E, SER PROFESSOR EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS É...
Palavra Frequência Palavra Frequência
1. Amigo 18 15. Herói 4 2. Prazeroso 16 16. Mediador 3 3. Corajoso 15 17. Criativo 3 4. Responsável 14 18. Compromisso 3 5. Sofrimento 13 19. Solidariedade 3 6. Educador 12 20. Valorização- profissional 2 7. Difícil 11 21. Acreditar 2 8. Amor 9 22. Autoridade 1 9. Compreensivo 8 23. Necessidade 1 10. Transmissor 8 24. Paciente 1 11. Colaborador 7 25. Planejar 1 12. Guia 7 26. Pontualidade 1 13. Competente 7 27. Progredir 1 14. Conhecimento 7 28. Missionário 1
Fonte: Dados da TALP.
Efetivados os campos semânticos, acima especificados, estes nos permitiram identificar algumas dimensões da realidade do ser professor – uma análise preliminar do objeto da investigação – a representação social do ser professor em comunidades ribeirinhas a partir dos dados da TALP. No Quadro 5, é possível visualizar essas dimensões: atributos afetivos, dificuldades da docência, atributos técnicos, modelos de professor e além-floresta.
Quadro 5 – DIMENSÕES DO SER PROFESSOR RIBEIRINHO APÓS A