5.SONUÇ VE ÖNERİLER
6) Gıdalardaki pestisit kalıntılarının zararlı etkilerini ortadan kaldırma
No tópico anterior enfatizou-se a construção da configuração territorial da cidade de Ceará-Mirim considerando os objetos artificiais implantados desde o período de sua fundação. Hoje, partes desses objetos se configuram como rugosidades no espaço-tempo na cidade. Nesse contexto, apesar do declínio da produção canavieira no município a concentração fundiária ainda se apresenta como definidores no uso e ocupação do solo na região.
Os núcleos populacionais, além dos limites da sede municipal, se desenvolveram sob diversos processos e morfologias. Segundo Lopes (2008) algumas localidades foram ocupadas de maneira espontânea, outras apresentam traçado regular e outras, ainda, seguem o traçado de rodovias e da ferrovia (Figura 10). Muitos desses distritos resultam de ocupações aos redores de engenhos, enquanto outras se desenvolveram próximas a terras favoráveis ao cultivo de lavouras, algumas mantendo-se ainda hoje suas bases produtivas.
Figura 10 – Distribuição dos núcleos de ocupação em Ceará-Mirim.
Fonte: IDEMA, 2006, editado por Lopes (2008).
A concentração fundiária, característica da economia açucareira implantada no vale do rio Ceará-mirim, implicou no limite da expansão urbana da sede do município no sentido norte, já que nessa região há terras pertencentes a Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim. Segundo Araújo e Clementino (2006), diante do estoque de terras desocupadas, Ceará-Mirim apresenta uma grande concentração fundiária, a maior da Região Metropolitana de Natal, além de ser o município que detém o maior número de assentamentos rurais da região.
Diante disso, com o desmonte da agroindústria, os vetores de crescimento da mancha urbana do município mostram que nas últimas décadas os sentidos sul, leste e oeste de crescimento da sede municipal apresentam eclosão considerável, justamente nos setores não ocupados pela indústria canavieira, demonstrados na figura a seguir:
Figura 11 – Vetores de crescimento urbano de Ceará-Mirim por décadas.
Fonte: ARAÚJO; CLEMENTINO, 2006, editada pelo autor.
A partir da figura acima é possível observar que os vetores de crescimento da sede municipal a partir da década de 1980 direcionam para o sentido sul, o que denota uma expansão ao longo da principal avenida da cidade, onde atualmente estão concentrados os principais estabelecimentos de comércio e de serviços, como resultado do desenvolvimento comercial (LOPES, 2008, p.34). Já na década de 1990 com a implantação de conjuntos e loteamentos habitacionais, os setores leste e oeste surgem com principais áreas de expansão.
Em 2001, a cidade continua crescendo nos sentidos leste e oeste, sendo que a mancha urbana já apresenta concentração considerável nas margens da BR-406. Em 2004, segue o ritmo de crescimento Leste-Oeste e agora com crescimento sul, no sentido da BR 406.
Para que possamos entender como se configura atualmente o crescimento urbano da sede municipal, consideramos o plano diretor de Ceará-Mirim (2006) como marco na definição das macrozonas do município. Segundo o mesmo, o
município se divide entre as macrozonas urbana, rural e de expansão urbana. Neste trabalho nos deteremos àquelas que compreendem a cidade, no caso, a macro zona urbana e a macro zona de expansão urbana.
A macro zona urbana é caracterizada pela
área do território municipal ocupada, decorrente do processo de urbanização, com características propícias a diversos usos, com infraestrutura básica já instalada e sistema viário definido, que permite a intensificação controlada do uso do solo. (CEARÁ MIRIM, 2006, p. 20).
Essa área descrita corresponde a área da sede do município ocupada desde o século XIX até o início dos anos 2000. Essa região apresenta uma infraestrutura consolidada com equipamentos e serviços urbanos organizados em setores administrativos, subdivididos em sete bairros como mostra a Figura a seguir.
Figura 12 – Macro zona Urbana de Ceará-Mirim.
Fonte: CEARÁ-MIRIM, 2006.
Os bairros de Santa Águeda, Novos tempos, Centro, São Geraldo, Passa e Fica, Luís Lopes Varela e Planalto representam no plano diretor a delimitação da sede municipal de Ceará-Mirim. Todas as novas áreas urbanas são consideradas extensão dos bairros já estabelecidos, porém regulamentadas por outra macrozona segundo o plano diretor; a macro zona de expansão urbana.
A macro zona de expansão urbana é representada pelos novos arranjos urbanos da sede municipal, encontrados fora dos bairros delimitados pela macrozona urbana. A região de expansão é caracterizada como “não submetida a processo de urbanização”, com baixa densidade e com sistema viário projetado onde se permite a instalação de infraestrutura por programas e projetos voltados a essa finalidade.
Desde os anos 2000 loteamentos e projetos habitacionais estão se instalando nessa região, a maioria desses se encontra às margens da BR 406. O mapa a seguir destaca a região citada como área de expansão dos anos 2000 até os dias atuais.
Figura 13 – Expansão urbana de Ceará- Mirim: Vetores de crescimento por décadas.
Fonte: LOPES, 2008.
Como o crescimento urbano das novas áreas de expansão junto a sede municipal são consequência do avanço imobiliário, nem sempre o poder público acompanha a demanda que exige serviços básicos e equipamentos urbanos destinados a população residente nesses locais.
É imprescindível a noção de espaço e de seus elementos no planejamento urbano, principalmente no que diz respeito à oferta de equipamentos que favoreçam
um crescimento urbano com desenvolvimento local e qualidade de vida para a população. Em estudos recentes sobre a integração espacial das novas áreas aos serviços urbanos básicos constata-se a falta de abrangência dos principais equipamentos relacionados à saúde, educação, comércio e transporte.
O descompasso entre o planejamento urbano e o processo de urbanização também é visível nas áreas de crescimento e expansão em Ceará-Mirim. Ao elaborar estudos referentes a abrangência dos serviços urbanos na cidade Siqueira Neto (2011) considerou tamanho, capacidade do equipamento urbano, faixa etária do usuário e densidade populacional para gerar buffers a partir de ferramentas de Sistema de Informação Geográfica que mostrem a distância desses equipamentos urbanos em relação as novas áreas.
Considerando serviços básicos como comércio, escolas de ensino Fundamental e Médio postos de saúde e transporte, percebeu-se que apesar do surgimento de novos loteamentos e projetos de habitação, os serviços ainda se concentram na sede da cidade como observado nos produtos do estudo de Siqueira Neto (2011).
Os loteamentos analisados compreendem essa nova área de expansão urbana ceará-mirinense às margens da BR 406. Identificou-se até então oito empreendimentos relacionados ao programa habitacional Minha Casa Minha Vida do Governo Federal, são eles: Novo Horizonte, São José, Condomínio Residencial Adriano, Natureza 1, Natureza 2, Maninho Barreto, Aloysio Franco e Guararapes, destacados na figura a seguir:
Figura 14 – Abrangência de equipamentos de comércio
Fonte: SIQUEIRA NETO, 2011.
Figura 15 – Abrangência de escolas de ensino fundamental.
Figura 16 – Abrangência de escolas de ensino Médio.
Fonte: SIQUEIRA NETO, 2011.
Figura 17 – Abrangência de linhas de transporte
Figura 18 – Abrangência de postos de saúde
Fonte: SIQUEIRA NETO, 2011.
O estudo de Siqueira Neto (2011) mostra que o crescimento urbano ocasionado pela especulação imobiliária apresenta também contradições dialéticas de produção desigual em todas as suas esferas de reprodução do espaço. Foi considerado no estudo acima equipamentos de serviços urbanos básicos e seus respectivos raios de abrangência que são
referidos como buffer de abrangência, serve como um indicador, uma referência à distância máxima que o usuário deveria trilhar para obter determinado serviço urbano, levando em consideração um tempo de deslocamento satisfatório (SIQUEIRA NETO, 2011, p. 48).
Percebe-se então que principalmente os equipamentos relacionados à Saúde, comércio (supermercados e lojas especializadas) e transporte não abrangem de maneira satisfatória os novos loteamentos localizados na macrozona de expansão urbana da cidade. Considerou-se também nessa avaliação a inexistência de um de transporte público interbairros regulamentados na cidade, o que resulta na concentração de serviços nas áreas com infraestrutura consolidada.
Destaca-se então a importância do planejamento urbano como uma ferramenta para intervenção na localização de equipamentos de serviços urbanos,
visto que estes mantêm relação com aspectos físico-espaciais e sociais. Nesse ponto, a disponibilidades e acesso aos equipamentos urbanos torna-se essencial para a diminuição de fenômenos como a segregação residencial.
No que se refere a segregação residencial, segundo Sabatine (2006) o mercado imobiliário e as racionalidades que nele se produzem são o centro de gravidade principal da evolução da segregação residencial nas cidades e no nosso continente. Diante disso, Castells (1981, p. 203-204) afirma que a distribuição das residências no espaço “produz sua diferenciação espacial e há uma estratificação urbana correspondente a uma expressão espacial, ocorre a segregação urbana. ”
Essas novas áreas urbanas seguem o modelo centro-periferia de urbanização, característico dos países subdesenvolvidos, onde a concentração dos serviços urbanos é estruturada no centro da cidade, enquanto que a periferia se urbaniza desprovida de planejamento e subequipada.
Portanto, a forma e o uso do espaço se configuram como elementos fundamentais para o entendimento da dinâmica urbana. No próximo capítulo analisaremos os principais usos do espaço urbano ceará-mirinense e suas implicações sociais.