6. AVRUPA-ASYA ULAŞTIRMA KORİDORLARI ÜZERİNDEKİ ÜLKELER
6.1 Güzergâh Üzerindeki Ülkelerin Mevcut Ulaştırma Altyapıları
Sempre que afirmamos que o ser humano é um ser simbólico é preciso considerar que o simbolismo implica numa função social de comunicação e, mantém uma vivência. Toda criatividade humana se expressa, de alguma forma, por meio do simbolismo. Ele está frequentemente evidenciado na linguagem, principalmente na poética e lírica, o real é trans- significado na arte por meio do simbólico183.
Os símbolos revelam níveis da realidade que a linguagem não simbólica desconhece. Vamos interpretar ou explicar essa afirmação em termos de símbolos artísticos. Quando buscamos o sentido dos símbolos, logo percebemos que uma das funções da arte consiste em abrir níveis da realidade; a poesia, as artes visuais e a música
180 Cf. TILLICH, 2005, p. 247. 181 Cf. TILLICH, 2002, p. 37. 182 TILLICH, 2002, p. 37. 183 Cf. CROATTO, 2010, p. 81.
revelam níveis da realidade que não poderiam ser percebidos de outra forma.184
O sentido do termo símbolo passou por diversas modificações no decorrer do tempo; além de serem atribuídas a ele funções como, por exemplo, da alegoria, o símbolo também recebeu funções iconológicas e por isso, foi confundido com emblema. O seu significado já foi resumido como um sinal ou representação de alguma coisa moral, por meio de imagens ou propriedades das coisas naturais. Há por isso, símbolos de várias espécies, tais como hieróglifos, tipos, enigmas, parábolas, fábulas, etc. Entre os cristãos, o termo símbolo denota o credo apostólico e também foi associado ao mistério sendo desta forma, o mistério aquilo de que se fala nos símbolos dos cristãos.185
Quando o símbolo é interpretado, é sua reserva de sentido que emerge em forma de relato, cuja função não é “explicar”, mas “dizer” a experiência vivida. Caso contrário, deixa de ser símbolo e converte-se em logos. E, com isso, perde sua capacidade de “remeter” para o inefável. Quando tudo está claro, já não há símbolo.186
Etimologicamente o termo símbolo (do grego sum-ballo, ou sym-ballo) refere-se à união de duas partes que outrora estavam juntas. Os gregos formalizavam seus contratos repartindo um objeto de cerâmica. Reivindicações posteriores eram legitimadas pela união (“por junto” equivale a symballo) dessas peças. A ideia de juntar as partes também está presente entre os semitas. Para provar que suas intenções com o rei Saul eram de paz Davi apresenta um pedaço da barra do manto do rei (1Sm 24. 5 – 11).187
Isso nos leva a mais uma característica do símbolo: ele faz parte daquilo que indica. A bandeira faz parte do poder e do prestigio da nação a qual ela flutua. Por isso ela não pode ser substituída, a não ser após uma derrocada histórica que modificou a realidade do povo representado pela bandeira. O desrespeito à bandeira é considerado ofensa à dignidade do povo que a constituiu como símbolo.188
No símbolo uma parte remete à outra. Nele estão presentes dois elementos que de algum modo se inter-relacionam. Mas devemos manter-nos no nível do sentido, não no nível das coisas em si mesmas. Cada coisa é única, tem sua própria identidade (uma flor é uma flor), tem sua própria função e é parte de uma estrutura global dentro do cosmo. O
184
TILLICH, 2009, p. 100.
185
Cf. ALLEAU, René. A ciência dos símbolos. Trad. Isabel Braga. Lisboa – Portugal: Edições 70, 2001, p. 25 a 28. 186 CROATTO, 2010, p. 110. 187 Cf. CROATTO, 2010, p. 84. 188 TILLICH, 2002, p. 31.
coração é um órgão do corpo; ele é responsável pelo bombeamento de sangue para levar oxigênio ao cérebro e por fazer a circulação sanguínea em todo corpo. Tem seu próprio sentido. Contudo, o ser humano é capaz de “ir além” desse primeiro sentido para ver nas coisas de sua experiência fenomênica um segundo sentido. Ao falar sobre o coração o ser humano pode representar nele suas emoções. O coração pertence a uma realidade profana, mas pode chegar a ser simbólico: ele tem um “segundo sentido” captado por meio do primeiro no cotidiano. O “segundo sentido” não está objetivado nas coisas, mas é uma experiência humana e impar em cada ser humano; as coisas não são simbólicas em si mesmas, e nem sempre chegam a sê-lo. São constituídas simbolicamente por algum tipo de experiência humana.189
As imagens, os símbolos e os mitos não são criações irresponsaveis da psique; elas respodem a uma necessidade e preenchem uma função: revelar as mais secretas modalidades do ser. por isso, seu estudo nos permite melhor conhecer o homem. “o simplesmente”, aquele que ainda não se compos com as condições da história.190
Existem linguagens que são similares ao símbolo, mas que não são idênticas. No entanto, essa similaridade muitas vezes distorce a compreensão do símbolo, por isso é preciso distingui-lo da metáfora, da alegoria e do signo. O símbolo remete a outro nível da realidade. Ele não é a repetição do que expressa a linguagem comum. Ele difere da metáfora, ainda que esta palavra corresponda-lhe etimologicamente “leva mais adiante” (grego: meta-fero), i.e., para outro significado. O sentido ‘mais a diante’ indicado pela metáfora apoia-se somente no sentido direto. Quando dizemos que certo atleta voa na pista de corrida não imaginamos tal pessoa voando como uma ave, mas pensamos em tal individuo e na ideia nitidamente aludida da velocidade, objeto de uma experiência anterior. O símbolo, de modo inverso, não atribui algo conhecido. Ele é intuição do desconhecido. A metáfora é uma comparação ao ponto que o símbolo é uma trans-significação.191
A metáfora figura entre as “mudanças de significação” na parte “histórica” de um tratado cujo eixo central é fornecido pela constituição sincrônica dos estados da língua. A metáfora põe em jogo a aptidão da lingüística sincrônica de dar conta de fenômenos de mudanças de sentido.192
189
Cf. CROATTO, 2010, p. 85
190
ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos. Trad. Sonia Cristina Tamer. São Paulo: Martins Fontes, 1991, p. 8.
191
Cf. CROATTO, 2010, p. 92
192
O símbolo tampouco se confunde com a alegoria (grego: allo-agoreuo), visto que essa figura da linguagem “diz outra coisa”; da mesma forma o símbolo “diz outra coisa”, mas se orienta para uma direção oposta; a alegoria transporta um “segundo sentido” para um “primeiro sentido”, ou seja, envolve um sentido com uma aparência comum de significação obvia e comum. A alegoria é um recurso que permite a interpretação de acontecimentos ou realidades conhecias ou que se permitem conhecer por meio de uma explicação. A tradução da alegoria implica o seu esgotamento, o segundo sentido está contido no primeiro sentido; não se espera nada mais além disso. No símbolo o “segundo
sentido” é inexaurível.193
A alegoria é simultaneamente um processo retórico e uma atitude hermenêutica ligada ao discurso e à interpretação, ou seja, a uma expressão e um pensamento, enquanto que o símbolo reconduz o significante e o significado ao próprio significador.194
Em aspectos distintos, o signo coincide com a alegoria e com o símbolo; a sua semelhança com a alegoria se dá pela suposição “que se conhece” o segundo sentido, que também se apresenta “traduzido”. Algo será signo se for signo de algo conhecido. A conexão pode ser de algo convencional ou arbitrário e precisa ser elucidado, ou pelo menos experimentado, antes de constituir signo, e.g. a nuvem, como signo da chuva; a fumaça como sinal de fogo. O segundo sentido, ao qual o signo remete antecede à sua formalização. Pegadas no chão no remete aos passos desse ou daquele animal; é um signo, pois existe um conhecimento prévio do efeito das pegadas. Os símbolos lógicos por serem convencionados e suporem um aprendizado anterior ao seu uso também são considerados signos.195
O uso do signo na vida cotidiana (no plano profano) é muito mais comum no que o uso do símbolo. A linguagem em códigos – sejam eles códigos de escrita, de gestos, da sinalização de transito, da química, da informática ou de outro campo semiótico – é um fenômeno tão freqüente que não lhe damos atenção. Na ordem da Natureza ou da práxi humana, tudo que é “efeito” pode ser, em algum momento, signo de sua “causa” (a fumaça do fogo etc.).196
As modificações de significado do símbolo no decorrer dos tempos são, sobre tudo, mudanças culturais que possuem nos seus pilares questões existenciais. Portanto, é preciso aceitar que a importância do símbolo se correlaciona com a maneira que uma pessoa ou
193 Cf. CROATTO, 2010, p. 94. 194 ALLEAU, 2001, p. 119. 195 Cf. CROATTO, 2010, p. 97. 196 CROATTO, 2010, p. 98.
grupo compreende a existência deste símbolo, e também aceitar que na medida em que as compreensões a respeito do símbolo vão se alterando ele pode até mesmo deixar de existir.