RAPOR 1. BÖLÜM İÇERİĞİ
C) DİĞER STATÜ VE TALİMAT İHLALLERİ
III. GÜVENLİK TEDBİRLERİ
Entendemos que, para uma maior compreensão das condições laborais do trabalho docente, é necessário compreender quais atividades o professor desempenha, possibilitando verificar se há intensificação do trabalho ou não. Além disso, podemos analisar em qual (ais) atividade (s) o professor destina maior quantidade de tempo.
No caso da UECE, existe a Resolução Nº. 679/ 2009 (CONSU)41, que estabelece normas para a composição do Plano de Atividade Docente - PAD dos ocupantes do Grupo Ocupacional Magistério Superior - MAS da UECE. Nesta resolução, está expresso o fato de que a ocupação da carga horária docente deverá ser distribuída dentre as atividades pertinentes ao magistério superior caracterizando-se por: a) atividades de ensino na forma de aulas; b) outras atividades didático-pedagógicas42; c) atividades de orientação;
d) atividades de pesquisa; e) atividades de extensão; f) atividades de administração, considerando que o docente deverá totalizar a carga horária de acordo com o regime de trabalho em que se enquadra.
Com relação às atividades referentes ao ensino, a composição do PAD deve ser de oito a dez horas semanais na forma de aula para professores com carga horária de 20 horas. Para os docentes com carga horária de 40 horas semanais, independentemente de ser dedicação exclusiva, a composição do PAD deve ser 16 a 20 horas semanais.
41 Conselho Universitário.
42 “As outras atividades didático-pedagógicas correspondem à preparação de aulas e de materiais didáticos, elaboração e correção de instrumentos de avaliação de disciplina, atendimentos extra-classe aos alunos, dentre outras iniciativas que permitam a melhoria da relação ensino-aprendizagem, previamente aprovadas no respectivo colegiado de Curso”. (UECE, 2009, p. 3).
Há redução, no entanto, para seis a oito horas semanais, para professores de 20h, caso seja credenciado pelos Cursos/Programas de pós- graduação stricto sensu acadêmicos recomendados pela CAPES, possuir comprovada produtividade registrada pelas agências oficiais de fomento à pesquisa ou exercer funções administrativas. Para professores de tempo integral a exigência passa a ser de oito a 12 horas semanais de aulas se atenderem as especificidades supracitadas.
De acordo com os questionários, as atividades relativas ao ensino podem ser verificadas na tabela a seguir.
Tabela 10 – Atividades Docentes Referentes ao Ensino no CESA – 2013
Fonte: Pesquisa de Campo.
Percebemos que há grande quantidade de atividades relativas somente ao ensino, significando uma diversificação das atribuições docentes. Além disso, todos assinalaram mais de uma opção.
O primeiro dado a ser considerado é o de que 100% dos professores afirmaram ministrar aulas na graduação43. É notório que este dado confirma o
que já havia sido revelado na Tabela 2 com relação às atividades no ano de 2010 no Brasil, que, segundo INEP (2011), na esfera pública, 93,2% dos
43 No questionário, havia uma indagação acerca da carga horária destinada às aulas na graduação e na pós-graduação, no entanto a maioria não respondeu, o que impossibilitou a análise desta variável.
Atividades Docentes Sim % Não % Informado Não %
Aulas de Graduação 32 100 - - - -
Aulas de Pós-Graduação 10 31,25 18 56,25 4 12,5
Planejamento de Atividades
Docentes 32 100 - - - -
Participação em Grupo de Estudo 13 40,63 18 56,25 1 3,12
Participação em Reuniões de Colegiado 27 84,38 5 15,62 - - Participação em Reuniões de Comissões 15 46,88 17 53,12 - - Orientação de TCC 24 75 8 25 - - Orientação de Monitoria 8 25 24 75 - - Orientação de Estágio em Docência 3 9,38 29 90,62 - -
docentes ministram aula na graduação. Logo, as atividades mais desempenhadas pelos professores do ensino superior no CESA e no Brasil são referentes ao ensino e, mais especificamente, ministrando aulas na graduação. As aulas na pós-graduação, segundo a pesquisa de campo, são ministradas por 31,25% dos professores. No Brasil, no âmbito público, segundo a Tabela 2, 22% são professores da pós-graduação.
O planejamento de atividades docentes foi assinalado por 100% dos docentes. Tal função é contabilizada como atividade didático-pedagógica. Desta forma, segundo a Resolução nº 679/ 2009 (CONSU), o docente deverá alocar uma hora semanal em outras atividades didático pedagógicas para cada hora semanal ministrada no ensino em cursos de graduação e em cursos de pós-graduação stricto sensu acadêmicos.
Portanto, se o professor possui seis horas de carga horária semanal em aulas de graduação, serão contabilizadas mais seis horas para o planejamento destas aulas, totalizando 12 horas; no entanto, como o docente tem inúmeras atribuições, destina esta carga horária do planejamento para outras atividades. A preparação das aulas é realizada, muitas vezes, nos finais de semana, em casa.
Isso foi perceptível no questionamento acerca da realização de atividades docentes no fim de semana em casa, em que 65,62% afirmaram realizar. Dentre as atividades mais citadas aparecem o planejamento e a preparação de aulas, como se observa nos relatos abaixo.
Sim. Planejamento de aula, elaboração e correção de provas, e preenchimento de diários de classe. Porque o período da semana não comporta todas as obrigações docentes, principalmente, pelo tempo de horas em sala de aula. (JÚLIA - Professora substituta, 40h).
Sim. Elaboração de aulas. Porque na semana não dá tempo. (ELIS -
Professora substituta, 40h).
Sim, correção de monografias, dissertações, preparação de aula.
A professora Júlia diz utilizar os fins de semana para atividade docente, como o planejamento de aula e até mesmo atividades burocrático- administrativas, como preenchimento dos diários de classe.
O tempo que deveria ser destinado ao descanso e lazer confunde-se com o trabalho, verificando-se que embora nas IES públicas o foco da produção não seja o lucro, mesmo assim há exploração do trabalhador. Alguns professores alegam que a carga horária de trabalho não é suficiente para realizar todas as funções, em razão, especialmente, do tempo destinado as aulas.
As professoras Elis e Maria confirmam que realizam atividades docentes nos finais de semana, como a preparação de aula. Elis justifica tal prática, declarando que, durante a semana o tempo não é suficiente para o cumprimento de tudo o que é exigido. Há, portanto, uma sobrecarga de trabalho, pois os professores possuem uma demanda cada vez maior de atividades, além de existir carência de docentes.
Dentre as atividades relativas ao ensino, verificou-se que 40,63% participam de grupo de estudo, 84,38% de reuniões de colegiado e 46,88% de reuniões de comissões.
Relativamente à orientação44 de TCC45, 75% afirmaram realizar tal
atividade. Esta é também uma das atividades executadas nos finais de semana de alguns professores, como se verifica na resposta à pergunta se o docente trabalha além da carga horária e o porquê. Uma professora afirmou:
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“As atividades de orientação consistem no auxílio ao aluno no desenvolvimento de monitoria acadêmica, iniciação científica, trabalho de conclusão de curso – TCC/monografia de graduação, dissertação de mestrado e tese de doutorado”. (UECE, 2009, p. 4).
45“Para cada aluno em TCC/monografia de graduação, o docente poderá alocar 1 (uma) hora semanal durante, no máximo, 2 (dois) semestres letivos, respeitando-se o número máximo de orientações por docente estabelecido no Projeto Político-pedagógico do Curso de graduação e no Regimento do respectivo Centro/Faculdade” (UECE, 2009, p. 4). Ainda de acordo com o PAD, no caso de orientação de dissertação de mestrado acadêmico, o docente poderá alocar 2 (duas) horas semanais durante, no máximo, 4 (quatro) semestres letivos e para a orientação de tese de doutorado, o docente poderá alocar 3 (três) horas semanais durante, no máximo, 8 (oito) semestres letivos. Destaca-se a carga-horária alocada às atividades de orientação não poderá ultrapassar 25% do regime de trabalho do docente.
Sim. Porque a forma como o Plano de Atividades Docentes – PAD está estruturado e a Portaria que regulamenta nossa carga horária na UECE não contempla as horas de trabalho fora da sala de aula. Exemplo: se eu tenho um orientando no meu PAD só conta 1h destinada aquela atividade, sendo que eu devo levar em média 4, 5 horas para passar material, corrigir, avaliar e orientar presencialmente o aluno. (ANTÔNIA - Professora substituta, 40h).
A professora Antônia faz uma crítica ao PAD e propõe que ele seja repensado, exemplificando com as orientações de trabalhos de conclusão de curso, em que ocorre uma discrepância entre as horas computadas no PAD e a quantidade de horas realmente dispensadas para execução de tal atividade. Evidencia-se, mais uma vez, a intensificação do trabalho do professor.
Acrescentam-se mais atividades relacionadas ao ensino, pois 25% relataram orientar alunos de monitoria46, 9,38% alegaram orientar estágio em docência e 15,62% informaram realizar tutoria de educação a distância.
A universidade não pode se reduzir ao ensino, restringindo-se ao à ministração de aulas. A pesquisa científica é o maior diferencial desta instituição em meio à diversificação crescente das IES. Deste modo, a investigação de campo buscou elementos de análise acerca desta atividade.
Tabela 11 – Atividades Docentes Referentes à Pesquisa no CESA – 2013
Fonte: Pesquisa de Campo.
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“A carga-horária para as atividades de orientação de monitoria acadêmica, para efeito de cômputo, será de 1 (uma) hora semanal por monitor, respeitando-se o limite máximo de duas (2) horas semanais, pela orientação de mais de 1 (um) aluno”. (UECE, 2009, p. 4).
Atividades Docentes Sim % Não %
Não Informado % Elaboração de Projetos 16 50 15 46,88 1 3,12 Participação em Grupo 14 43,75 17 53,13 1 3,12 Coordenação de Grupo 8 25 23 71,88 1 3,12 Orientação de Alunos de Iniciação Científica 4 12,5 26 81,25 2 6,25
É fácil observar que 50% dos professores elaboraram projetos de pesquisa, no entanto, as horas dispensadas para a realização de tal atividade não constam no PAD, ou seja, o docente realiza tal atividade, mas não é contabilizada como carga horária.
Como o professor pode participar dos editais de pesquisa sem ter elaborado o projeto? Quando o professor elabora o projeto de pesquisa científica, ele está realizando um trabalho que não será remunerado pelo Estado. Embora a universidade pública não busque a obtenção de rentabilidade econômica, observa-se que a lógica do empresariado está norteando alguns âmbitos desta IES, como se pode observar na contabilidade da carga horária do docente, em que horas trabalhadas não são contabilizadas. Dessa forma, o docente se utiliza, muitas vezes, do horário destinado ao planejamento de aulas para execução de outras atividades. Esta é causa, na maioria das vezes, dos 65,62% afirmarem desempenhar funções docentes nos finais de semana.
Caso o projeto seja aprovado, então constará a carga horária do professor para desempenhar o cronograma das atividades do projeto de pesquisa, no entanto, as horas empregadas na elaboração continuarão sem constar no PAD.
Quanto à participação em grupos de pesquisa, 43,75% informaram participar e 25% disseram que coordenam tais grupos. Neste caso, há diferenciação da carga horária tanto das atividades do professor que participa quanto do que coordena. Para a resolução nº 679/ 2009 (CONSU), a carga horária atribuída ao coordenador de projeto será de, no máximo, seis horas semanais por projeto, e a dos demais professores vinculados ao mesmo projeto não poderá exceder a duas horas semanais. No concernente à orientação de alunos de iniciação científica47, 12,5% disseram realizar tal atividade.
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“A carga-horária para as atividades de orientação de iniciação científica, para efeito de cômputo, será de 1 (uma) hora semanal por orientando, respeitando-se o limite máximo de duas (2) horas semanais, pela orientação de mais de 1 (um) aluno”. (UECE, 2009, p. 4).
Para cumprir o tripé da universidade, é necessário também realizar atividades no âmbito da extensão. A extensão compreende a interação da universidade com a sociedade, buscando o desenvolvimento das comunidades com base no conhecimento e na experiência. A Tabela abaixo mostra a execução desta atividade.
Tabela 12 – Atividades Docentes Referentes à Extensão no CESA – 2013
Fonte: Pesquisa de Campo.
Observamos que somente 25% dos professores responderam elaborar projetos de extensão, diferentemente do campo da pesquisa científica, em que 50% relataram elaborar projetos de pesquisa. Da mesma forma, esta atividade não é computada no PAD.
Segundo o INEP (2011), em 2010, nas IES públicas, 39,9% dos professores realizavam pesquisa científica e 23% desempenhavam atividades relativas à extensão. Com isso, as funções docentes relacionadas à pesquisa são mais executadas do que as de extensão. Da mesma forma, acontece com os professores do CESA.
No caso da participação em grupo de extensão, 34,38% expressaram participar e 9,37% afirmaram coordenar. Acontece o mesmo no grupo de pesquisa, havendo distinção da carga horária do docente que participa e do que coordena.
Além das atividades relacionadas ao tripé da universidade, também há outras atividades burocráticas, como as relativas a administração de centros e cursos, que também são desempenhadas por professores. Neste caso, a carga horária é distinta.
Atividades Docentes Sim % Não %
Não
Informado %
Elaboração de Projetos 8 25 23 71,88 1 3,12
Participação em Grupo 11 34,38 19 59,37 2 6,25
Logo, no questionário, o tópico referente às atividades relacionadas à gestão, 3 (9,8%) professores assinalaram que são coordenador/ vice coordenador de Centro de Estudos ou coordenador / vice coordenador de curso48.
Relativamente à participação em conselhos superior, 12,5% afirmaram participar de pelo menos um dos conselhos, a saber: Conselho Pesquisa, Ensino e Extensão (CEPE), Conselho Universitário (CONSU), Conselho Diretor de Centro (CONCEN). Além disso, 28,1% disseram participar de comissão permanente ou temporária.
Apesar da realização das atividades mencionadas, os docentes ainda desempenham funções exigidas pelo “mercado acadêmico” e até mesmo pela comunidade acadêmica que, na maioria das vezes, não são contabilizadas como hora trabalhada; desta forma, o trabalho não é recompensado financeiramente, sendo uma expropriação do trabalho do professor.
Embora a Resolução 679/2009 (CONSU) compreenda que as atividades extras podem ser inseridas como atividades didático-pedagógicas, considerando serem ações que contribuem para melhoria da relação ensino- aprendizagem, o tempo ainda é insuficiente para o desempenho das inúmeras atividades exigidas ao professor.
Neste sentido, 100% dos docentes relataram desempenhar atividades extras49, distribuídas em: 78,13% elaboram e/ou participam de
seminários e congressos50; 62,5% realizam palestras; 78,13% elaboram/
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“A alocação de carga-horária para as atividades administrativas obedecerá aos seguintes limites: I. Reitor, Vice-Reitor, Pró-Reitor, Diretor de Centro/Faculdade e Instituto Superior, Diretor de Departamento Administrativo e de Função Comissionada, quando exercidas por professores: até 40 (quarenta) horas semanais; II. Vice-Diretor de Centro/Faculdade e de Instituto Superior, Coordenador de Curso de graduação e de pós-graduação stricto sensu acadêmica: até 24 (vinte e quatro) horas semanais”. (UECE, 2009, p. 6).
49 Destaca-se que total das atividades extras é superior a 100%, pois todos os professores assinalaram mais de uma opção.
50“O docente, na qualidade de Coordenador e/ou organizador de eventos técnico-científicos, tais como semana universitária, semana acadêmica dos Cursos etc., poderá alocar carga- horária de 1 (uma) hora semanal enquanto durar a validade da portaria emitida pelo Diretor do Centro/Faculdade”. (UECE, 2009, p. 5).
publicam artigos; 56,25% realizam atividades burocrático-administrativas; 50% participam do SindUECE e/ou Sindesp51; 9,37% participam de movimentos sociais e 18,75% realizam outras atividades.
A elaboração e participação em seminários, encontros, palestra e demais eventos científicos e elaboração de artigos fazem parte da rotina de trabalho do professor do ensino superior, pois a maioria respondeu que é uma atividade realizada.
Devemos refletir também acerca da participação constante em inúmeros encontros, projetos, eventos, cada vez mais divididos nas suas áreas e subáreas, muitas vezes, não deixam ao professor o tempo necessário à reflexão, apropriação e socialização dos conhecimentos adquiridos nesses momentos.
Percebemos também que a carência de funcionários técnico- administrativos na UECE repercute sobremaneira no trabalho docente, pois o professor passa a ter mais atribuições, como o “preenchimento de diários de classe”, mencionado por Júlia.
Constata-se ainda que muitos dos professores enfrentam tamanha precarização do trabalho e travam resistência à mercantilização da educação superior por meio da participação de sindicatos da categoria, pois metade dos docentes dizem participar do SindUECE e/ou Sindesp. Verifica-se também que menos de 10% participam de movimentos sociais.
Constata-se que há intensificação do trabalho docente em razão das mudanças acontecidas na rotina de trabalho, sobretudo naquilo que os docentes devem produzir como suas principais atividades, o ensino, a pesquisa e a extensão; além de desempenharem atividades extras, exigidas ao docente pelo “mercado acadêmico”, mas que não são contabilizadas em sua carga horária.