33 Tablo 4 Günlere göre bağ dokusu sonuçları
4.1.2. Günlere Göre Kas dokusu Sonuçları
Acertadas todas as providências preliminares, o pesquisador conversou com todos os alunos antes da realização do pré-teste para que todos eles pudessem estar cientes do que seria feito daquele momento em diante. Nem todos os alunos frequentam a sala de recursos no mesmo dia e horário, portanto a conversa preliminar foi feita com os alunos em momentos diferentes, tanto individual como coletivamente.
Quando em contato com o aluno participante, foram explicados os objetivos do encontro e da pesquisa, aproximadamente desta maneira: Sou estudante de pós-graduação em psicologia e estou interessado em conhecer como crianças com deficiência visual aprendem certas coisas. Para isto preciso da colaboração de vocês em algumas atividades que vou propor. A participação de vocês é voluntária e vocês podem perguntar o que sentirem vontade antes de continuar. Desde já agradeço a colaboração sua colaboração!
4.3.5 Delineamento experimental
4.3.5.1 Pré-teste
Cada sujeito foi entrevistado individualmente pelo pesquisador durante um período de 30 minutos na própria sala de recursos, no período de aula do aluno. O material utilizado foi: gravador de áudio para as respostas verbais, figuras desenhadas com pontos em relevo com exemplos dos conceitos, papel sulfite A4, desenhador e lapiseira com ponta de metal para marcar os pontos em alto relevo. O participante e o pesquisador utilizaram as mesas e cadeiras de estudantes presentes na sala. Além disso, cada participante teve uma pasta para o armazenamento do seu material e a ficha de identificação com os dados pessoais e carta de consentimento livre e esclarecido.
Primeiramente foi brevemente explicado ao sujeito o objetivo e procedimento do teste: Gostaria de verificar o que você conhece a respeito de algumas coisas. Para isto irei fazer algumas perguntas, mostrarei alguns desenhos feitos em pontos e pedirei que você faça alguns desenhos utilizando os pontos em alto relevo, como no Braille. Não se preocupe com erros ou acertos, quero que você me mostre como você faz.
A orientação descrita acima é apenas uma aproximação do que foi dito e pôde ser alterado em sua forma dependendo da compreensão que o sujeito apresentou ou dos questionamentos que o mesmo fez.
Uma vez que os esclarecimentos iniciais foram encerrados, deu-se início à testagem com a nomeação dos conceitos e a solicitação de sua definição. Foi feita ao sujeito, oralmente, a seguinte pergunta: Poderia me dizer o que é X? No lugar de X estava, naturalmente, o conceito a ser avaliado. Nos casos em que o sujeito demorou emitir a resposta, o pesquisador repetiu a pergunta, ou modificou sua forma, a fim de assegurar a compreensão por parte do participante. Sempre que a resposta do participante gerava qualquer tipo de dúvida para a compreensão do pesquisador, o mesmo efetuou mais perguntas a fim de esclarecer a resposta do entrevistado.
Em um segundo momento, foi apresentado aos participantes uma série de figuras, desenhadas por pontos em relevo, que eles exploraram pelo tato e tentaram descobrir o que estava representado. O procedimento foi iniciado pelo pesquisador com o devido esclarecimento da tarefa: Agora irei lhe mostrar alguns desenhos feitos com pontos em alto relevo. Sua tarefa é dizer o que o desenho parece ser. Não se preocupe se sua resposta está correta, o importante neste momento é saber o que você acha que o desenho é. Quando considerou necessário, o pesquisado pediu para o participante justificar ou explicar a sua resposta. A ordem da apresentação de cada desenho foi pré-estabelecida pelo pesquisador e manteve-se a mesma para todos os participantes.
Finalmente, o participante foi solicitado a desenhar os conceitos que procurou definir ou reconhecer. As orientações transmitidas pelo pesquisador foram as seguintes: Agora nós vamos fazer desenhos utilizando os pontos em alto relevo. Aqui o desenhador, a caneta e o papel. Eu vou lhe dizer o que deve desenhar. Tente desenhar a forma que lhe vem à mente quando eu lhe disser o que deve ser desenhado. Use o tempo que precisar. O pesquisador fez as perguntas que considerou necessárias a fim de conhecer os processos que
guiaram as ações do sujeito, principalmente nos casos em que o desenho era pouco semelhante à forma convencional (ou visual) de representar o conceito.
A produção dos desenhos encerrou a etapa do pré-teste. Ao agradecer à participação do sujeito, o pesquisador perguntou se o sujeito tinha interesse em encontrar-se mais vezes para desenvolver melhor a técnica do ponto em relevo para fazer e reconhecer desenhos. Todos concordaram e continuaram a participação na pesquisa.
As entrevistas foram transcritas e os desenhos copiados em formato eletrônico (anexo D).
4.3.5.2 Treinamento
A partir da avaliação dos conceitos, foi organizado um programa de treinamento para a aprendizagem dos referidos dos mesmos. O programa foi desenvolvido em três encontros, realizados nas escolas em sessões semanais. O treinamento foi realizado na escola em que os alunos estudavam, dentro da sala de recursos e junto aos demais colegas e professora.
Para ensinar os conceitos, foi utilizada a técnica do ponto em alto relevo, que consiste em construir exemplos do conceito com pontos em relevo, tanto para a produção quanto para o reconhecimento do mesmo. É importante ressaltar que o treinamento para uso do ponto visou desenvolver nos participantes novas maneiras de utilizar a técnica, não relacionadas com a escrita, mas para representar conceitos.
Na primeira sessão cada sujeito foi instruído em relação à utilização do material de desenho, foram dados esclarecimentos sobre objetivos do treinamento e puderam explorar livremente o material (papel, caneta e prancha de apoio). A proposta foi proporcionar ao sujeito um tempo de familiarização com a realização de desenhos em relevo.
Todos os sujeitos já haviam feito desenhos em relevo, mas utilizando materiais diferentes. Sendo assim, a primeira sessão serviu para trabalhar a melhor maneira para segurar a caneta, aprender a posicionar o papel na prancha e praticar a movimentação para a obtenção de diversos tipos de traçado (reto, curvo, ondulado, circular, etc).
Outro aspecto importante foi a questão da verificação que os sujeitos faziam sobre os traços que marcavam no papel. Enquanto uma das mãos segurava e movia a caneta, a outra
acompanhava a marca deixada no papel, permitindo que o sujeito pudesse se localizar no desenho que fazia. Como se pode imaginar, as marcas mais fortes ficam impressas no verso da folha, uma vez que a tela fica localizada sob o papel. Mesmo assim, na parte da frente do papel o traço fica marcado, é uma impressão funda que pode ser percebida pelo cego e que se mostrou eficiente.
Após explorar o material, os sujeitos realizaram desenhos de dois dos conceitos que estiveram presentes no pré-teste: girafa e nuvem. Como a preocupação não foi com a estética do desenho, mas com a qualidade da representação, adotou-se a mesma sequência de desenhos do pré-teste, independente do desenho ser mais simples ou mais complexo do ponto de vista estético.
Foram apresentados aos sujeitos os dois desenhos – girafa e nuvem - feitos pelo pesquisador para que pudessem tatear. Paralelamente, o pesquisador descrevia a figura, com maior destaque para os atributos definidores do conceito. Sendo assim, além do recurso tátil a linguagem verbal também foi utilizada para que os sujeitos pudessem aprimorar suas definições dos conceitos.
Aqui o trabalho não é exclusivamente dedicado ao uso do ponto, mas também à complexidade das construções mentais a respeito dos mesmos. Por isso, os conceitos foram também explorados verbalmente, a fim de construir definições mais completas que permitissem a representação concreta com o ponto. Sendo assim, o pesquisador buscou verbalizar a forma dos conceitos concretos não tateáveis para os cegos. Neste momento, o reconhecimento de conceitos por meio de desenhos em pontos esteve associado ao uso da descrição verbal ou escrita do mesmo. Sabia-se que seria difícil para o sujeito cego captar o objeto representado pelo desenho apenas pelo toque, portanto uma descrição dos traços presentes no papel direcionou de maneira mais efetiva a exploração do desenho.
Depois de tatear a figura, e comentar sobre ela, os sujeitos realizaram os desenhos da girafa e da nuvem, nesta ordem. O tempo médio estipulado para esta sessão foi de 30 minutos. Nas duas sessões seguintes foram trabalhados três conceitos em cada uma delas, seguindo a sequência do pré-teste. Dependendo da necessidade do sujeito, foram retomados os exercícios de traçado, como desenhar linhas retas, onduladas, figuras geométricas simples, etc. A exemplo da primeira sessão, as duas seguintes também tiveram duração média de 30 minutos.
Infelizmente em nenhum dos casos foi possível manter o espaço de uma semana entre uma sessão e outra. Foram diversos os contratempos que os alunos e seus responsáveis tiveram, que os impediram de comparecer às aulas e a, consequentemente, participar da pesquisa dentro do cronograma previsto inicialmente.
4.3.5.3 Pós-teste
Ao final das sessões de treinamento, os sujeitos que participaram foram reavaliados em relação aos mesmos conceitos apresentados no pré-teste, para verificar a efetividade do programa em relação aos conceitos e à utilização da técnica como ferramenta de aprendizagem de conceitos.
Assim como no pré-teste, cada entrevista durou aproximadamente 30 minutos de tempo previsto para cada participante. No entanto este tempo variou de acordo com o sujeito, sendo que a sessão mais longa demorou pouco mais de 60 minutos. As entrevistas foram individuais e realizada na sala de recursos, durante o período de aula e em dias diferentes para cada participante.
Inicialmente foi solicitado ao sujeito que definisse verbalmente, e da maneira mais completa possível, os conceitos enunciados pelo pesquisador. As instruções foram idênticas à etapa do pré-teste. O pesquisador efetuou as perguntas que julgou necessárias para melhor esclarecimento sobre o que os sujeitos expressavam.
Ao final de cada definição verbal o sujeito fez um desenho correspondente ao conceito em questão. Portanto, esta etapa diferiu um pouco do pré-teste, pois os sujeitos fizeram os desenhos logo após as definições verbais correspondentes.
Terminado o último desenho de cada sujeito, dava-se por encerrada a etapa do pós- teste. O pesquisador agradeceu a participação dos alunos voluntários pela importante colaboração com a sua pesquisa.
As definições verbais foram transcritas e os desenhos copiados em formato eletrônico (anexo D).
CAPÍTULO 5
RESULTADOS
5.1 Juízes
Na avaliação das definições verbais e dos desenhos realizados pelos sujeitos, no pré e pós-testes, foram considerados dois aspectos: o aprimoramento das definições verbais e o aumento da representatividade dos desenhos em relação aos conceitos, pela utilização do desenho em relevo.
Foram utilizados três juízes para a avaliação dos dados coletados. Adotou-se um número ímpar de juízes a fim de evitar eventuais situações de empate ou impasse.
Os juízes receberam, como material para análise, a transcrição de todas as definições verbais das etapas de pré e pós-teste, bem como os desenhos realizados pelos sujeitos nestas mesmas etapas. Todo este material foi dividido pelos conceitos pesquisados, formando, ao todo, oito conjuntos com definições verbais e conceitos.
Cada conjunto, correspondente a um conceito, foi acompanhado de uma tabela de avalição na qual os juízes atribuíram os valores aos materiais avaliados (anexo E). Sendo assim, cada juiz recebeu oito conjuntos, referentes aos oito conceitos, com uma tabela de avaliação.
Nas tabelas de avaliação dos juízes estavam arrolados todos os 5 sujeitos que participaram da pesquisa, juntamente todas as definições verbais e todos os desenhos das etapas de pré e pós-teste.
A fim de reduzir possíveis interferências no julgamento dos juízes, nenhum dos dados sobre os sujeitos ou sobre a etapa na qual o material foi produzido foram revelados. Para isso, foram atribuídos códigos a estes materiais, por meio dos quais apenas o pesquisador podia identificar o sujeito que emitiu a definição verbal e que realizou o desenho, assim como a etapa correspondente ao material em análise (pré ou pós-teste).
Dessa maneira, cada definição verbal e cada desenho foi identificado com um código, composto por: 1 letra, 1 número, os sinais “.” ou “-”, e mais duas letras. Cada código
corresponde a uma definição verbal e um desenho, que representam o mesmo conceito, como pode ser visto na Figura 2.
Figura 1 – Exemplo da tabela de avaliação utilizada pelos juízes.
Ao todo, foram criados dez códigos que representam cinco sujeitos nas etapas de pré e pós-teste. A sequência dos códigos obedeceu a uma alternância das etapas e os sujeitos. Isto pode ser observado, por exemplo na figura acima. A primeira letra representa o sujeito, o “.” significa pré-teste, e o “-” pós-teste.
Os juízes foram escolhidos dentre os psicólogos conhecidos pelo pesquisador. Os psicólogos deveriam ter alguma proximidade com a psicologia da aprendizagem, com educação ou com educação especial.
A juíza 1 é psicóloga, vidente, mestranda em Educação: História, Política e Sociedade pela PUC-SP. Desenvolve sua pesquisa na área de inclusão educacional de pessoas com deficiência É professora de Psicologia do Desenvolvimento para o curso de graduação em Psicologia em uma faculdade particular da cidade de São Paulo. Possui experiência em educação especial e inclusiva. Além disso, atua como psicoterapeuta infantil.
A juíza 2 é psicóloga, vidente, mestranda em Educação: História, Política e Sociedade pela PUC-SP. Desenvolve pesquisa sobre a utilização de tecnologias no processo educacional. Atua como psicóloga clínica de adolescentes e adultos.
O juiz 3 é psicólogo, cego adventício, Mestre em Psicologia Comportamental pela PUC-SP e Doutor em Educação pela USP. É especialista em educação de crianças com
deficiência visual. Atua nos serviços de educação especial do estado de São Paulo e presta consultoria para projetos de educação inclusiva.
As juízas 1 e 2 receberam todo o material impresso, incluindo os desenhos, que foram copiados em um scanner. Para que o desenho ficasse visível, o pesquisador passou giz pastel na cor preta nas linhas em relevo. O juiz 3 recebeu as folhas de avaliação e as definições verbais em arquivos no formato .doc, que podem ser lidos por softwares de sintetização de voz. Para este juiz foram entregues os desenhos originais, para possibilitar o uso do tato na avaliação.
É importante destacar que, para garantir a compreensão dos desenhos pelo juiz 3, o pesquisador acompanhou o juiz na avaliação dos desenhos, com a função de descrevê-los verbalmente enquanto eram explorados pelo tato.