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Güncel Sanatın Makro Mikro Kaotiği

1. MAKRO MĠKRO YAKLAġIMLAR VE GÜNCEL SANAT

1.3. Güncel Sanatın Makro Mikro Kaotiği

As retretas da banda eram um dos poucos momentos de entretenimento público da cidade. Mais tarde, com a chegada do rádio em Uberlândia, passa a ter mais um meio de lazer à sociedade.

A primeira rádio inaugurada na cidade de Uberlândia, em 1939, foi a Rádio Difusora P.R.C.6 (DÂNGELO, 2005, p. 26), numa época em que “se   

despontava como símbolo da modernidade e do progresso, em contraposição ao tempo nostálgico de lazer e de sociabilidade vividos na praça” (DÂNGELO, 2005, p. 20). Para esse autor, tal rádio chegou à cidade para colaborar no progresso, “simbolizando numa moderna e revolucionária forma de comunicação” (DÂNGELO, 2005, p. 22).

Ainda de acordo com esse autor, quando a rádio foi inaugurada, a cidade já sofria desigualdades no que se trata da circulação de jornais, livros e telefones. As emissões radiofônicas seriam distribuídas a um público ainda restrito, público esse que teria condições de comprar o aparelho. Porém, tenderiam atingir um número grande de pessoas em suas próprias casas.

Quando se trata dos programas da rádio, pode-se dizer que tinham como principais objetivos oferecer informações e entretenimento, tendo também uma possibilidade de educação, especialmente às classes analfabetas. Para Dângelo (2005)

na trajetória da radiodifusão educativa encontramos várias referências sobre a função civilizatória do rádio, procurando levar aos mais diversos lares, escolas e demais espaços urbanos e rurais, o aprendizado cívico, patriótico e técnico que pudesse dar conta da “falta de espírito brasileiro” (DÂNGELO, 2005, p. 28).

Já no que se refere à música na rádio, Dângelo (2005) afirma que era reservado espaço para a música popular e espaço para “educar o ouvido à boa música”. Além disso, a rádio de Uberlândia retransmitia não só programas das rádios do Rio de Janeiro e São Paulo, mas também irradiava os eventos culturais que aconteciam na cidade:

Justo é que se acentue a colaboração valiosa de P.R.C.6 prestada ao Ginásio, oferecendo lhe os seus “studios” para a realização de suas sessões domingueiras e irradiando-as graciosamente, visando exclusivamente a elevação do índice cultural dos seus radio-ouvintes (Jornal O Repórter, 30 de abril de 1941)180.

Portanto, a rádio passa também a difundir as manifestações musicais, sob a forma de concertos que aconteciam nas escolas ou nos salões nobres da cidade. Com os anos, as escolas passaram a ter um espaço na rádio para seus   

eventos, incluindo os eventos litero-musicais, que começaram a ser irradiados para toda a cidade.

Com a inauguração da Rádio Difusora PRC 6 muitos desses eventos litero-musicais passaram a ser irradiados. Não só os eventos escolares, mas diversos outros que contavam com apresentações musicais tiveram a rádio como um meio para divulgação na cidade: “Segundo noticia o nosso confrade ‘O Estado de Goyaz’, os professores do Gymnasio Mineiro local organizaram um programma littero musical que será irradiado pela diffusora desta cidade, iniciando-se ás 13 horas de hoje” (Jornal O Repórter, 11 de agosto de 1940)181.

Em um jornal de 1941 encontrou-se referência a um programa na rádio reservado para eventos escolares, especialmente, do Ginásio de Uberlândia. Esse programa, que era chamado de “Hora Cultural do Ginásio”, constava de momentos musicais, palestras, textos e/ou declamações:

No ultimo domingo dia 27, a “Hora Cultural do Ginásio” constou de uma palestra feita pelo prof. Oswaldo Vieira Gonçalves reitor do estabelecimento, versando sobre o simbolismo. Ao piano, a ginasiana Natercia Guimarães. A aluna Isa Vieira recitou “A luva”, de Schiller (Jornal O Repórter, 30 de abril de 1941)182.

Esses eventos tinham por objetivo oportunizar aos ouvintes “uma vês por semana, sessenta minutos de boas músicas executadas ao piano por alunos do Ginásio, e o prazer de ouvir palestras literárias, pronunciadas por professores do mesmo educandário” (Jornal O Repórter, 30 de abril, 1941, p. 3)183.

Nesse contexto, a rádio, como meio de comunicação e divulgação dos muitos tipos e esferas da organização da cidade, foi um espaço muito importante na difusão da música pianística que, além dos eventos escolares passou a irradiar “momentos culturais” diversos da cidade, tendo muitas apresentações de pianistas em seus programas.

Aos poucos foram surgindo outras rádios, como a Rádio Educadora (fundada em 1952), e os pianistas foram se “espalhando” por elas. Os jornais   

181 [Artes e diversões]. Jornal O Repórter, n. 329, 11 de agosto de 1940, p. 6. 182 [Hora Cultural do Ginásio]. Jornal O Repórter, n. 379, 30 de abril de 1941, p. 3. 183 [Hora Cultural do Ginásio]. Jornal O Repórter, n. 379, 30 de abril de 1941.

citam pianistas que se apresentavam nessas rádios, tais como: Nininha Rocha, Luzia Borges, Almira Chaves, Cora Pavan Capparelli, entre outras. Porém, não se sabe como eram selecionadas essas pianistas e como os programas eram “escolhidos” para serem transmitidos.

Os eventos culturais da cidade e especialmente das escolas em que o piano estava presente, ao longo do tempo, passaram a serem irradiados em programas nas rádios e possibilitaram que a música chegasse também às casas das famílias que não podiam frequentar salões da elite para apreciar e conhecer a música pianística.

Aos poucos o rádio tornou-se acessível à boa parte da população. Inicialmente tinha função civilizatória com o objetivo de levar à sociedade “imagens de uma nação social e culturalmente regenerada” (DÂNGELO, 2005, p. 28), em que a música pianística, que também era “arte educadora”, passou a ocupar e entrar nos lares das famílias. Posteriormente passou a ser vista e utilizada também como lazer e diversão para a sociedade.

Sabe-se que passou a ser costume da rádio realizar um contrato formal com músicos, talvez para facilitar a procura semanal por artistas na cidade. É possível perceber essa prática, a partir da nota que se segue: “Por mais que procuremos, não achamos um motivo razoável para que a P.R.C. 6 não tenha ainda feito um contrato com Aldo Sartine” (Jornal Correio de Uberlândia, 8 de dezembro de 1940)184. Aldo Sartini era cantor de rádio e ainda não tinha contrato com a rádio local.

Alguns músicos e conjuntos tinham contrato na rádio: “Todos os astros que constituem o quadro permanente de P.R.C.6. Locutores, cantores, orchestra typica, portaram-se a altura de suas tradições...” (Jornal O Repórter, 1 de setembro de 1940)185. Todavia, não foi encontrado um artigo nos jornais

que nos levasse a afirmar que havia também pianistas contratados pela rádio.

Benzer Belgeler