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2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. Kavramsal Çerçeve

2.1.3. Ölçme Değerlendirme

2.1.3.3. Günümüzde Ölçme ve Değerlendirme

No mundo inteiro, são mais de 1500 escolas salesianas gerenciadas por salesianos e salesianas. No Brasil, as escolas estão organizadas na chamada Rede Salesiana de Escolas (RSE), hoje composta por 132 escolas e 16 instituições de ensino superior. Tradicionalmente, as instituições educativas salesianas mantinham-se como centros autônomo de gestão em tudo que dissesse respeito ao interesse local, inclusive nas opções didáticas e metodológicas das escolas. Porém, as exigências do século XXI, exigiram que salesianos e salesianas mais uma vez dessem as mãos e trabalhassem juntos para um fim comum na remodelação-atualização das propostas educativas das escolas.

Assim, percebeu-se que, atuando em Rede, poderiam surgir algumas vantagens no trabalho, como estreitar laços e criar pontes entre as escolas associadas; aumentar as oportunidades de diálogo e de debate dos problemas comuns; favorecer a unidade de pensamento e de práticas pedagógicas; facilitar e sistematizar a partilha de experiências e conhecimentos; dinamizar o esforço de atualização e aperfeiçoamento constante dos educadores.

Além de um material próprio, produzido para a realidade do Brasil salesiano a partir das orientações governamentais, a RSE possui uma proposta educativa unificada, baseada nos mesmos valores que Dom Bosco defendia. Para a RSE, a escola é lugar de aprendizagem e

convivência, de reflexão e ação, de solidariedade e respeito pelas diferenças, de cuidado com as relações interpessoais e a inclusão, centrando-se assim na formação do aluno para a autonomia e para a identidade ativa e solidária, na qual suas potencialidades são estimuladas. Esta preocupação se reflete diretamente nos materiais didáticos, cujos conteúdos atendem aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), e visam, consequentemente, um aprendizado global e transdiciplinar: todas as áreas estão afinadas no cultivo de um núcleo de habilidades escolares comuns.

Nesta perspectiva, o Marco Situacional do Projeto Pedagógico da RSE afirma que a escola salesiana deve estar sintonizada com os desafios e programas educacionais do Brasil e com o carisma e a missão salesiana, baseado no carisma da Congregação: educação baseada nos valores cristãos e pautada no paradigma de educar pelo amor, sob o prisma da inclusão e da reciprocidade. A escola salesiana é um espaço educativo para aprender a aprender, aprender a fazer aprender a ser, aprender a conviver e aprender a crer – tudo isso pensando a escola num espaço privilegiado de comunicação de idéias e ideais, reflexão e ação, solidariedade e respeito às diferenças. (PROJETO PEDAGÓGICO, 2005)

Apesar de adequada às exigências civis e seguindo todas as normas do Ministério da Educação e Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, a escola salesiana possui um diferencial: um sistema educativo abraçado pelo próprio fundador desde os inícios de sua obra, ou segundo Hess (1983) e Modesti (1975), desde o seu sonho profético aos nove anos: o Sistema Preventivo de Dom Bosco. Apesar de as experiências serem positivas e os resultados bastante visíveis, este sistema nunca foi detalhado em forma escrita por ele, a não ser por um breve texto de nove páginas, datado de 1887 e incluso nas Constituições dos Salesianos de Dom Bosco, chamado “O Sistema Preventivo na educação dos jovens”9.

Nesse breve opúsculo, Dom Bosco explicita sua escolha por um sistema preventivo em oposição ao sistema repressivo adotado pela maioria das escolas públicas italianas da época. Este sistema tinha como base o castigo, aplicado àqueles que desobedeciam as regras; tinha como princípio a observação, a ameaça e a punição. Já o sistema preventivo, que lhe era oposto, consistia

em tornar conhecidas as prescrições e as regras de uma instituição, e depois, vigiar de modo que os alunos estejam sempre sob os olhares atentos do diretor ou dos assistentes. Estes, como pais carinhosos, falem, sirvam de guia em todas as circunstâncias, dêem conselhos e corrijam com bondade. Consiste, pois, em colocar os alunos na impossibilidade de cometerem faltas. (BOSCO, 1887/2003, p. 267)

Dom Bosco, todavia, não elaborou um sistema pedagógico, mas fez uma opção, que julgou mais apropriada aos tempos e à juventude que se ocupava. São contemporâneos deste mesmo sistema preventivo São Marcelino Champagnat e os Irmãos Maristas, Santa Tereza Verzeri e as Filhas do Sagrado Coração de Jesus, São João Batista de la Salle e os Irmãos Lassalistas entre outros fundadores e congregações que se dedicaram à educação (BRAIDO, 2004). Contudo, o diferencial de Dom Bosco está no tripé no qual pôs seu sistema preventivo: a razão, a religião e o amor. Este tripé reflete sobretudo a personalidade do próprio Dom Bosco inculcada no sistema.

Bianco (1984) explicita cada um dos elementos deste sistema. O primeiro é o amor, denominado por ele amorevolezza, e corresponde à virtude da caridade cristã – a virtude cristã por excelência. Não se trata de um amor qualquer, mas da bondade, que conduz à familiaridade, afeto e confiança, que precisa ser expressa na conduta do educador. “Não basta amar os jovens, é preciso que eles sintam que são amados” é uma das máximas de Dom Bosco que ilustra este pilar de seu sistema.

O segundo pilar é a razão, explícita, segundo Braido (1984), pelo diálogo. Estar presente entre os educandos, saber ouvi-los e ter prazer em estar com eles transforma um simples diálogo em um processo de confiança e aproximação. Scaramussa (1993) acrescenta que, com o princípio da razão, Dom Bosco queria que o educador aceitasse o jovem como ele é e acreditasse em suas capacidades. Explica Moreira (2008): “Para Dom Bosco, razão é sinônimo de razoabilidade, vista em oposição à pressão e a imposição. Ela ajuda a avaliar todas as coisas com sentido crítico e a descobrir o valor autêntico das realidades terrenas, respeitando-lhes a autonomia e a dignidade”.

Finalmente, o pilar mais importante para Dom Bosco era a religião. O Santo não promoveu nenhuma obra que não tivesse o foco na evangelização dos jovens e, por isso, a religião era o elemento que impregnava a razão e a amorevolezza.

Dom Bosco entendia a religião como instrumento de salvação e também como elemento fundamental da educação. Como instrumento de salvação a religião (para ele só a católica) oferece os canais da graça (sacramentos) e a doutrina que guia neste caminho seguro. Como meio educativo a religião tem a força de motivar e transformar as pessoas. (...) A religião cumpria então uma dupla finalidade: formar a pessoa para o convívio humano e social, e formar a pessoa para o seu destino transcendente. (SCARAMUSSA, 1993, p. 2)

Dom Bosco queria que a religião fosse uma segunda natureza para ajudar nas lutas da vida: insistia na Confissão e na Eucaristia, de modo que a religião se tornasse um hábito, porém vivo e natural (MODESTI, 1975). Nanni (2003) sintetiza a religião salesiana como

uma religião popular, que vai ao essencial – amor a Deus e ao próximo – ao mesmo tempo buscando o sentido da vida, da educação, de todas as coisas que se fazem no dia-a-dia.

Desta forma podemos compreender, nas palavras de Scaramussa (1993) que o sistema preventivo de Dom Bosco possui três metas bem delineadas: a salvação do jovem ou a sua realização total; a transformação da sociedade a partir da educação do jovem, em solidariedade com o pobre e a formação de bons cristãos e honestos cidadãos. Concluo, pois, reafirmando a idéia inicial desta seção, utilizando as palavras de Aubry (1979): “A pedagogia de Dom Bosco não é outra coisa senão um elemento do carisma global de Dom Bosco” (p. 10), ou seja, o sistema preventivo é o próprio Dom Bosco (idem, p. 9)