Yin (2010) explica que o estudo de caso tem o poder de lidar com múltiplas formas de evidências. Indo além, o autor exorta a importância de utilizar várias fontes para confronto e constatação, técnica também conhecida como triangulação, para garantir a confiabilidade dos dados e permitir conclusões plausíveis. Nesse sentido, Yin (2010) destaca seis fontes de evidência mais comumente usadas em estudos de caso: documentação, registros em arquivo, entrevistas, observações diretas, observação participante e artefatos físicos.
Figura 7 – Convergência de múltiplas fontes de evidência
Fonte: Yin (2010) (Adaptado)
a) Documentação
Para Yin (2010), a informação documental é provavelmente a mais relevante para estudos de caso. Esse tipo de informação pode tomar diferentes formas. O autor inclui nessa categoria:
a) cartas, memorandos, correspondência eletrônica e outros documentos pessoais; b) agendas, anúncios e minuta de reuniões e outros relatórios escritos dos eventos; c) documentos administrativos, como propostas, relatórios de progresso e outros
registros;
d) recorte de notícias e outros artigos que aparecem na imprensa de massa ou jornais comunitários.
Yin (2010) destaca a estabilidade como ponto forte desse tipo de evidência, pois pode ser revista repetidamente. Além disso, é um dado discreto, porque não foi produzido em consequência do estudo de caso. Também apresenta exatidão, contendo nomes e detalhes fidedignos de um evento. Por outro lado, tal fonte apresenta desvantagem de ser de difícil recuperação e problemas para se ter acesso a ela.
FATO
Convergência de Evidências (Estudo único)
Observação
(direta e participante) Entrevistas focais
Entrevistas abertas Registros em arquivo Documentos Entrevistas e levantamentos estruturados
A partir de documentos é possível fazer inferências, que podem ser tratadas como indícios dignos de aprofundamento durante a coleta de dados em campo. Nos estudos de caso, o uso mais importante dos documentos é corroborar ou aumentar a evidência de outras fontes. No estudo de caso, serão pesquisados os Planos de Desenvolvimento Institucional e outros documentos que esclareçam como essas IFES estão desenvolvendo seu processo de internacionalização.
b) Registros em Arquivo
Os registros de arquivo podem ser usados, juntamente com outras fontes, na produção de um estudo de caso. Sua relevância variará de caso para caso. Quando o pesquisador considerar um registro de arquivo como uma evidência importante, torna-se importante confirmar sob quais condições ele foi produzido, assim como sua exatidão. A maioria dos registros de arquivo é produzida com finalidade específica e para um público específico diferente da do estudo de caso, e isso deve ser levado em conta na interpretação da utilidade e exatidão dos registros.
Yin (2010) inclui nessa categoria:
a)arquivos de uso público, como censo, e outros dados estatísticos disponibilizados pelos governos federal, estadual e local;
b)registro de serviços, como os que mostram o número de clientes atendidos durante um determinado período de tempo;
c)registros organizacionais, como o orçamento ou os registros pessoais;
d)dados de levantamentos, como os dados previamente coletados sobre funcionários, residentes ou outros participantes.
No estudo de caso, serão analisados os anuários e outros arquivos produzidos pelas IFES que mostrem, de forma quantitativa, os serviços e parcerias realizadas pelas IFES que impulsionem a internacionalização universitária.
c) Entrevistas
As entrevistam representam uma das fontes mais importantes para o estudo de caso, porquanto os entrevistados, se bem-informados, podem proporcionar informações preciosas. Obviamente, as entrevistas estão sujeitas a problemas de parcialidade, má lembrança ou
respostas pobres ou sem exatidão. Por isso, é necessário triangular os dados da entrevista com outras fontes de evidência.
Gil (2002) classifica as entrevistas em quatro tipos, a partir do seu nível de estruturação: i) entrevistas informais – tipo menos estruturado possível, que só se distingue de uma conversa informal por causa da coleta de dados. O objetivo desse tipo de entrevista é a obtenção de uma visão geral do entrevistado sobre o tema e suas características pessoais. É recomendada para estudos exploratórios, em que a realidade é pouco conhecida pelo pesquisado; ii) entrevista focada – é o tipo de entrevista que há um tema específico, mas ainda assim há bastante liberdade do entrevistado para falar livremente, desde que se atenha a falar sobre o tema. Esse tipo de entrevista é bastante utilizado quando se pretende obter experiências vividas pelos entrevistados em condições precisas, sob situações experimentais; iii) entrevista por pautas – há certo grau de estruturação, posto que o entrevistador tenha pontos de interesse que irá explorar ao longo da conversa. As pautas devem ser ordenadas e guardar relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas e somente intervém se houver um desvio por parte do entrevistado das pautas acertadas; iv) entrevistada estruturada – desenvolve-se a partir de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados, que geralmente são em grande número. Utiliza-se esse tipo de entrevista em levantamentos sociais, que envolva tratamento quantitativo de dados e serem mais rápidas de execução.
A pesquisa de campo utilizou o terceiro tipo, a entrevista por pautas, para a coleta de dados. Dado que o objetivo do trabalho é investigar o processo de internacionalização da UFC a partir de pontos específicos e a partir da realidade vivida por cada entrevistado, esse tipo de entrevista revela-se como a mais adequada.
As entrevistas executadas nesta pesquisa tiveram como referência o roteiro desenvolvido e validado por Miura (2006), com a finalidade de coletar as percepções dos atores envolvidos diretamente ou indiretamente no processo de internacionalização da UFC. O roteiro das entrevistas (anexo) consta dos seguintes tópicos: prioridades e formulação de políticas de internacionalização; razões e ações da internacionalização; catalisadores do processo; obstáculos e resistências à internacionalização; benefícios e riscos.
As entrevistas foram realizadas no período de 20 de junho a 13 de julho do ano corrente com os gestores institucionais e coordenadores de pós-graduação, todas foram gravadas com o consentimento dos entrevistados. A entrevista mais curta teve duração de 25 minutos e a mais longa durou 1 hora e 20 minutos.
d) Observação Direta
Tendo em vista que o estudo de caso necessita da presença do pesquisador no ambiente do fenômeno, a observação direta representa excelente ferramenta para se obter mais dados. Os instrumentos observacionais podem ser postos no protocolo de estudo de caso e o pesquisador pode investigar a ocorrência de determinados comportamentos, por exemplo, em reuniões, em uma sala de aula, em uma coordenação de curso, tudo isso durante a fase de entrevistas e ou de outro instrumento de coleta de dados.
A evidência observacional tem utilidade para fornecer informação adicional sobre um tema estudado. Para Yin (2010), a observação traz a vantagem de cobrir os acontecimentos em tempo real e dentro contexto, porém alerta do custo do tempo envolvido e da seletividade envolvida quando se tem apenas um observador.
Selltiz et. al. (1987) ressaltam que as observações são válidas desde que atendam as seguintes premissas: a) que a observação seja amparada por um objetivo de pesquisa; b) que seja planejada de maneira sistêmica; c) que seja continuamente registrada e relacionada a proposições gerais; d) que seja submetida a controle de validade e verificações.
e) Observação Participante
A observação participante é aquela que o pesquisador pode assumir vários papéis no estudo de caso e participar realmente nos eventos sendo estudados. Esse tipo de instrumento fornece oportunidades incomuns para coletar informações no estudo caso, que de outras formas seriam inacessíveis. Além disso, permite que o pesquisador veja a realidade sob a perspectiva interna, de quem vivencia a situação, proporcionando a formação de um retrato mais preciso da realidade. Ao mesmo tempo em que insere o observador dentro do ambiente, há o risco potencial de parcialidade produzida. Outra possibilidade é a dispersão dos objetivos, uma vez que o investigador lidará com múltiplas realidades e situações.
f) Artefatos Físicos
Os artefatos representam todos os instrumentos passíveis de serem observados visualmente e que forneça evidências do ambiente sobre o fenômeno estudado. Pode ser um aparelho tecnológico, uma ferramenta, uma imagem, uma obra de arte ou qualquer outra
evidência física. Geralmente, essa evidência é potencialmente pouco usada em estudos de caso (Yin, 2010).