ENGELLİLERE SAĞLANAN DİĞER VERGİ AVANTAJLARI
A. GÜMRÜK VERGİSİNDE SAĞLANAN VERGİ AVANTAJLARI
Desde as primeiras visitas e em todo decorrer da inserção no campo, precisamente durante os diálogos informais e as entrevistas, identificamos inúmeras associações ou grupos organizados que de algum modo representaram ou representam interesses da população da Sabiaguaba. Esses interesses emergem num contexto de tensões que fiam a história e o cotidiano do lugar, dialogando essencialmente com outras esferas, como por exemplo, o poder público, iniciativas privadas que especularam e especulam o espaço em questão. Interesses esses, que inferiram e inferem na vida daqueles que juntamente com os ambientes naturais são parte do todo Sabiaguaba, ora mais próximos e diretamente relacionados à vida local, ora inculcados por interesses externos, teceram as concepções e as atuações nas instâncias coletivas da Sabiaguaba.
A ocupação e o povoamento do lugar, os impactos ambientais, a necessidade de suprir as necessidades básicas, frente às precariedades características de qualquer região periférica e o reconhecimento da ecodinâmica fomentaram, numa perspectiva histórica, organizações sociais que contribuíram para articular a dimensão social da localidade.
Algumas surgiram para fortalecer movimentos populares, como foi o caso da Associação Verde é Vida, fundada para endossar a luta pelos direitos dos desprivilegiados de morarem e permanecerem na Sabiaguaba. Outras surgiram para defender os interesses daqueles que foram responsáveis pelas maiores mudanças na cena natural do lugar, os especuladores imobiliários, assim Associação dos Proprietários de Imóveis da Sabiaguaba, preocupou-se em barrar as invasões nas áreas periféricas para que as mesmas não chegassem aos loteamentos, que acolheram uma população com maior poderio aquisitivo, bem diferente daqueles que se estabeleceram no lugar a partir das invasões, que circunvizinharam os privilegiados ao longo da história de uso e ocupação do espaço Sabiaguaense.
A fim de suprir as demandas que surgiram com o aumento populacional, tais como atendimento médico, creche, iluminação pública, transporte coletivo, educação formal básica gratuita, atividades sócias culturais e recreativas, levou a alguns moradores da Sabiaguaba e da Lagoa Redonda fundarem a Associação Beneficente da Lagoa Redonda, esta durante muito
tempo exerceu o papel de centro comunitário na Região, atualmente funcionando como Creche e espaço de interação para a população idosa da localidade, desenvolvendo oficinas, cursos e atendimento clínico e odontológico para crianças e idosos da Sabiaguaba e circunvizinhanças, localiza-se em um espaço anexo da Escola Josefina Parente de Araújo. Algumas dessas organizações forjaram-se apadrinhadas por terceiros, esses com algum tipo de influência, fossem políticas, religiosas e ou monetárias. E que de algum modo cobravam esses apadrinhamentos, em momentos políticos ou em inculcações de discursos, que em nada privilegiava ou contemplava aqueles que o reproduziam cegamente para atender as intenções dos que os elaboravam.
Nos anos 2000, com o início das obras de construção da Ponte que propunha ligar o litoral oeste ao litoral leste, que tinha como principal papel promover uma malha viária alternativa que desafogasse o trânsito da parte sul de Fortaleza e viabilizasse o escoamento das cargas e mercadorias pesadas dos portos do Ceará, a população sofreu grandes ações antrópicas, tendo como carro chefe, o alargamento da via principal e a construção dos pilares da ponte na foz do Rio Cocó.
Construção da Ponte no Rio Cocó. Fevereiro de 2009
Nesse período, destacam-se o surgimento do movimento Salve Sabiaguaba, a criação da Associação dos Amigos da Sabiaguaba e a criação da Associação dos moradores e Amigos da Sabiaguaba, marcando assim as novas demandas do lugar, demandas essas que incluíam a dimensão ecológica, já que a partir daquele momento, a região tornou-se área de interesse ambiental do município de Fortaleza.
É preciso discutir os novos rumos da Sabiaguaba, além de dinamizar novas perspectivas para a relação homem-cultura-natureza, a partir da interlocução entre o local e o global, para isso as participações de ambientalistas, artistas e intelectuais foram importante
como uma ponta pé inicial na discussão de outro paradigma, consequentemente era preciso novas formas de organização que pudessem resgatar, restituir ou reinventar as organizações sociais na Sabiaguaba.
Crianças da ruaJassanan no movimento salve Sabiaguaba
Para Brandão (2005), vivemos um tempo onde as experiências humanas se dividem entre o individualismo e a individuação, onde nos fechamos em nós mesmos e utilizamos o outro, a sociedade e a natureza para obtermos o máximo de proveito. Os movimentos e as organizações sociais seriam alternativas privilegiadas de encontrarmos o nós verdadeiro, a partir da interação ética com o outro e com o mundo.
Os autores epistêmic@s desse trabalho apresentam em suas falas a relevância dessas organizações ou movimentos a partir do que foi marcadas nas/ pelas experiências, estas carregadas de valores para os mesmos, fruto do que foi vivido, assim como o descredenciamento de outras; face ao não envolvimento dos mesmos com os temas e as bandeiras que não os tocaram por não terem experienciado as problemáticas e as lutas encampadas por essas.
O reconhecimento da necessidade e da dificuldade em organizar-se apartir das lutas pelos direitos não é e nunca foi tarefa fácil, pois os mesmos são conquistados a duras penas, com muito suor e sacrifício e muitas vezes negados mesmo que garantidos na forma legal, demonstra a infinidade complexa das dificuldades, dos motivos e dos esforços que caracterizam os temas e as bandeiras que mobilizaram e mobilizam a população da Sabiaguaba, contudo a fragilidade dessas organizações sociais estampou-se nas falas, e nas faces dos Marcadores do discurso do lugar, aqui reconhecidos como interlocutores.
Segundo nossos parceir@s, a falta de participação contínua dos envolvidos, nesses processos de conquistas dos direitos, a desmobilização das instâncias de participação e diálogo da e na comunidade, e o descaso do poder público, tornaram as ações encampadas em ações pontuais, fadadas ao ativismo e a falta de reflexão potencializadora de transformações efetivas e significativas no caminhada do Ser Mais Sabiaguaense.
É necessário reconhecer a importância dessas articulações sociais, os motivos que desencadearam as mesmas, a importância dos autores sociais que se envolveram nos eventos tensores onde suas participações e experiências foram de extrema relevância para a história e a vida da comunidade, contudo faz-se necessário avançar na busca de potencializar essas articulações sociais e seus autores, problematizar os eventos que envolvem as situações- limites, os autores e atores do processo e as possibilidades inéditas, possibilitando a viabilidade das mesmas, frente aos novos rumos para o lugar, onde reconhecer as limitações e a necessidade da criação de uma rede social na busca de tracejar uma outra lógica, seja mola de impulso, regada pelo afeto e pelo respeito, na busca permanente de uma teia de significados e sentidos para a vida daqueles que fazem parte da complexa Sabiaguaba.