Anadolu Üniversitesi Açıköğretim Fakültesi’nde Örgütsel Uygulama Model Önerisi, 1987
E. Deniz Güler, “Eğitim İletişimi Kurumu Olarak Çocuk Televizyonu ve Uygulamaları ile Bir Model Önerisi”, 1990
A justificativa econômica consiste em um dos pilares de sustentação do projeto. A expectativa “de preços ascendentes frente à redução das chamadas fontes secundárias”, bem como a existência de uma demanda interna impulsionada pelo PNE 2030, oferece a legitimação econômica em que o EIA do projeto Santa Quitéria diversas vezes se apoia. Sem uma análise crítica sobre o modelo energético do país, ou mesmo acerca da necessidade concreta do empreendimento e a hipótese de sua não realização, o estudo considera, em diversos trechos a “ampliação da produção nacional de concentrado de urânio essencial” (ARCADIS LOGOS, 2014, V.1, p.37).
Mesmo diante dos abalos da indústria nuclear, dos riscos conhecidos (e desconhecidos, conforme será estudado adiante), o estudo de impacto ambiental da mina de Santa Quitéria afirma que o “crescimento mundial da geração elétrica nuclear é inexorável” e conclui que “o Projeto Santa Quitéria, ofertando este bem no mercado nacional ou mesmo internacional, deverá impactar positivamente no resultado da Balança Comercial brasileira” (ARCADIS LOGOS, 2014, V.1, p. 38), reduzindo o item de ‘justificativas’ do empreendimento a uma análise estritamente econômica.
Aqui, observamos a estratégia da inexorabilidade, comentada anteriormente, se associando a uma economicização e universalização da justificativa.
A enunciação destes trechos revela que, para os elaboradores do estudo, não há um problema, questão, dúvida ou incerteza em relação aos benefícios e necessidade do empreendimento. Ainda diante do fechamento de inúmeras usinas, considera que o crescimento da fonte é “inexorável”. Retira do campo do possível uma crítica ao modelo energético que se pretende adotar, assim como retira do cenário das alternativas a construção de outras fontes energéticas, tratando como “essencial” a produção brasileira de urânio.
Além disso, ao afirmar que a construção dos reatores tem ocorrido principalmente nos “países em desenvolvimento, que necessitam de fontes seguras de energia” (ARCADIS LOGOS, 2014, p.38), essencializa e despolitiza o contexto mundial de reprimarização destes países, suas posições de dependência exportadora de recursos socioambientais e os impactos internos desta política; e mitifica a tecnologia como apta a garantir um nível pleno de segurança à energia nuclear, desconsiderando riscos e incertezas.
O que pretendemos observar neste momento, entretanto, concentra-se no elemento da abstração da justificativa econômica que não leva em consideração as economias diversas e locais, mas sim um padrão moldado de desenvolvimento.
Nas audiências, a consultoria repete o aparto ideológico utilizado e reafirma, em suas conclusões, que “A economia e a renda também vão melhorar. (...) tem uma dinamização sim da economia. E por isso também o aumento de possibilidade de melhorias da infraestrutura nesses municípios.” Para quem, entretanto, a renda vai melhorar? Quem acumulará riquezas com o projeto e quem será expropriado, despossuído, impactado negativamente?
Na audiência de Itatira, representante da INB, explicando o motivo do projeto só ter se iniciado agora (embora, desde 2004 a empresa tente licenciá-lo), utiliza o argumento de mercado para concluir que este é o momento certo para sua instalação, “E a solução na verdade, o mercado hoje, a demanda que se tem no nordeste por fertilizante, ela é um momento certo, o momento certo da instalação é esse que nós estamos vivendo agora”, afirma.
No vídeo exibido pela empresa nos três dias de audiência, apresentava-se o projeto:
Para construir o projeto Santa Quitéria serão empregados mais de mil trabalhadores e quando entrar em funcionamento vão ser criadas cerca de 3 mil vagas de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. Assim, Santa Quitéria vai contribuir para a melhoria da vida dos moradores e o desenvolvimento de toda a região. Com mais empregos, cursos de capacitação para o trabalho, mais água nas casas e mais recursos para as prefeituras. Consórcio Santa Quitéria, valorizando as riquezas da nossa terra.
A ênfase nos supostos benefícios65 do projeto se soma com um processo de economicização de sua justificativa, cuja eficácia se potencializa pela utilização de duas estratégias: a primeira consiste em matematizar os benefícios, nos quais destacaremos, a partir do que foi enfatizado nas audiências, o emprego, a geração de impostos e o estímulo à agricultura, “afinal, a ilusão da objetividade pela via da “matematização” e da quantificação é o que caracteriza o discurso econômico” (DEBORAH, 2011, p.185); a segunda consiste em abstrair os sujeitos sociais de suas relações assimétricas, dando a
65 Em estudo sobre os licenciamentos ambientais, Deborah Bronnz (2011, p.83) afirma que “a ação
empresarial é guiada por um conjunto de pressupostos morais em que se apoiam os argumentos voltados à valorização dos “benefícios” que a participação nos processos capitalistas pode propiciar individualmente
e ao bem comum. Este conjunto de moralidades constitui o “novo” ethos empresarial da responsabilidade
impressão de que todos se beneficiarão igualmente do projeto, que consiste na estratégia de universalização dos supostos benefícios.
No primeiro sentido, vejamos.
4.3.1 Os empregos
Na primeira ida a campo, quando perguntamos para uma agente da Cáritas, entidade que desenvolve trabalhos de estímulo à convivência com o semiárido na região, sobre qual era o principal benefício que o projeto trataria na perspectiva das comunidades, a resposta foi imediata: o emprego.
Durante as idas a campo desta e das demais pesquisas do Núcleo Tramas, sentimos a ênfase que a geração de empregos assume na crença de que o projeto irá beneficiar os moradores da região.
A migração de jovens diante da “falta de oportunidade” para concluírem os estudos ou para ingressarem em um mercado de trabalho formal é um dos elementos que nos auxilia a compreender como a possibilidade de emprego “para os nossos filhos e netos” funciona também como um acalento para as famílias. A juventude, aqui, representa uma chave compreensiva para a eficácia do discurso da geração de empregos.
A complexidade do tema envolve a fetichização da vida urbana, a negação do modo de vida camponês, a ausência de políticas de convivência com o semiárido, aspectos que não nos cabe aprofundar. Neste momento, daremos prioridade na reflexão de como esta narrativa se insere no contexto do licenciamento ambiental.
Segundo o discurso dos empreendedores e da consultoria ambiental, a “baixa empregabilidade dos jovens” se soma ao alto índice de informalidade das relações de trabalho e criam o ambiente de “carência” no qual a chegada dos empregos se torna uma “oportunidade”. O vídeo exibido pela empresa nas audiências públicas para “explicar” o projeto logo anuncia a criação das três mil vagas de trabalho.
A consultoria, nas três audiências, bem como no EIA, destaca na caracterização de Santa Quitéria e Itatira que “da população ocupada, que tem trabalho, apenas 20% tem empregos formais, ou seja, tem carteira assinada”.
A geração de empregos é avaliada como um benefício positivo, e esta análise leva em conta prioritariamente critérios quantitativos. A qualidade, a durabilidade, a
segurança e o ambiente do trabalho não se inserem no discurso da consultoria e dos empreendedores.
Bom, e o que é que vai mudar para as pessoas? Primeiro a geração de empregos conforme já se falou. Em torno de 900 ou 1000 trabalhadores, na fase de implantação. Em torno de 600 empregos diretos ou terceirizados na fase de operação. [Representante da empresa de consultoria na audiência de Santa Quitéria]
“Bom, emprego é um impacto positivo”, categoriza a consultoria ambiental. Com um tom assertivo, cria-se um pressuposto de que a afirmação é consensual, inibindo os horizontes de problematização e reduzindo a geração destes postos de trabalho a uma simplificação unidimensional, binária da vida: aqui o impacto é apenas bom. Trata-se de um desdobramento da doxa do desenvolvimento. Uma espécie de topois argumentativo, em tese reconhecido e partilhado entre os presentes, criado não pela força da lógica, mas sim pela força simbólica do discurso que associa emprego- progresso-desenvolvimento-salvação.
O impacto “positivo” do emprego foi, diversas vezes, valorizado. “Mesmo assim a gente faz, propõe medidas que permitem potencializar esses impactos positivos”, continua a consultora em narrativa. A potencialização se apresenta na forma de priorizar a contratação da mão de obra local, conforme foi numerosas vezes mencionado pela consultoria e empreendedores.
Entretanto, para quem seriam estes empregos? A população local estaria habilitada para assumir estes postos? As questões, levadas às audiências, assumiram considerável parte do debate e, para elas, a empresa tinha respostas formuladas. Dentre as funções que os moradores poderiam ocupar, estavam as de pedreiros, carpinteiros, eletricistas, motoristas, mecânicos “e diversas outras funções, chegando até algumas funções mais específicas como operadores industriais, manutenção industrial, entre outras funções que vão ser necessárias para o projeto”, afirma o representante da Galvani.
Além de existirem funções desempenháveis pelos moradores, a empresa apresentou outras duas estratégias para potencializar o benefício: a capacitação profissional e a prioridade para mão de obra local. Uma intimamente relacionada à outra.
E têm outras funções que vão exigir alguma capacitação técnica mais específica que junto com o governo do estado a gente tem todo o interesse em viabilizar, em capacitar essa mão de obra para que a gente possa dar preferência da contratação local e dessa forma vocês também participarem
junto conosco deste empreendimento. [representante da Galvani na audiência de Santa Quitéria]
Então tem um programa de gestão de mão de obra que prevê essa capacitação e que já elenca uma série de instituições a serem envolvidas na capacitação. Isso não está pronto ainda, mas já tem ali algumas direções. [representante da Consultoria, na audiência de Itatira]
O Estado teria um papel de subsídio para garantia da geração de empregos, qual seja, realizar parcerias para a capacitação da mão de obra local. Aqui podemos identificar o que será um traço das narrativas dos empreendedores: o Estado como parceiro do projeto.
Embora o empreendedor afirme que vai fazer a capacitação, como algo inequívoco, durante a audiência de Itatira, ao ser questionado sobre quando a qualificação da mão de obra seria iniciada, afirma que “o protocolo de intenções que foi firmado, o acordo que foi firmado junto ao governo do estado, ele prevê o início das conversas após estarmos com a licença prévia em mãos”, ou seja, não há certeza ou previsibilidade. Na performance de seu discurso, o possível aparece como dado, as intenções surgem como fatos. Em debate, alguns pontos desta teia são desfeitos.
Nos encontros após as audiências, um dos moradores relata que gostaria de ter falado para pedir ao prefeito que abrisse uma escola para preparar as pessoas, para abrir uma “oportunidade pra esse pessoal se aperfeiçoar pra trabalhar aqui, porque os malefício nós vamo ter que engolir né, então vamo ganhar um pouquim também do que presta se tiver”.
O emprego como oportunidade aparece, portanto, nas falas de distintos sujeitos sociais, ainda que com motivações distintas: para os empreendedores, gerar convencimento e aceitação; para os moradores, aproveitar algum benefício, diante da aparente inexorabilidade do projeto.
Na pesquisa de campo, percebemos que os camponeses sabem, entretanto, que este trabalho não é adequado para seus conhecimentos, suas habilidades com a agricultura camponesa. Mas pode ser para seus filhos, permitindo uma fixação das novas gerações no território.
O emprego, portanto, torna-se um elemento de divisão das opiniões nas comunidades.
Ademais, o assunto foi discutido nas audiências sob diversos enfoques, havendo inclusive questionamento sobre a empregabilidade das mulheres, sobre as formas de incorporação dos jovens sem experiência de trabalho e sugestões de
priorização para a mão de obra local. Houve, ainda, uma crítica explícita à ideia de que a geração de empregos beneficiaria os moradores da região.
“Por que vocês então não botam fichas, numa forma assim de falar, na agricultura familiar?” questionou uma pesquisadora argentina, após narrar as experiências negativas com os projetos de mineração em seu país. Defendendo o trabalho gerado pela agricultura familiar “que gera renda, emprego, é sustentável socialmente, economicamente, ecologicamente” sua fala evidenciou os distintos projetos de futuro em disputa: um urbano-industrial, cuja população precisa ser “capacitada” para o emprego; outra, baseada na valorização da agricultura familiar e do modo de vida camponês.
A representante do MST também confrontou o modelo de desenvolvimento e de emprego que estavam sendo postos, “Que tipo de emprego? Que tipo de desenvolvimento vai trazer?”. Novamente, a exemplo da fala do agente da Cáritas sobre a valorização do modo de vida local, exposta no primeiro tópico, surge uma disputa sobre os significados que se atribuem ao desenvolvimento, anunciando dois projetos distintos de sociedade. “Nós somos a favor de desenvolvimento, porque quem trabalha quem sabe o peso de uma enxada, são os camponeses e camponesas. Portanto nós queremos desenvolvimento. Mas não um desenvolvimento que nos tire dos campos e que nos matem”, ou seja, as políticas desejadas envolvem a permanência do agricultor no campo, o cuidado com a saúde, a justiça hídrica, o investimento na convivência com o semi árido e em políticas de direitos para a população, elementos que apareceram nas falas de oposição ao discurso do emprego-desenvolvimento hegemonizado.
A forma quantificada de apresentar a complexa relação social que envolve a questão do trabalho também foi questionada. Pesquisador do Núcleo Tramas, na audiência de Itatira, questionou os dados do diagnóstico social que enfatizam o índice de trabalho informal, identificado como mecanismo de desqualificação do trabalho camponês ao compará-lo sob as métricas urbanizadas e formalizadas de atividade laboral.
Em seguida, o pesquisador questiona outra dimensão da matematização do discurso, a ideia implícita de que os empregos gerados seriam contínuos ao longo do tempo.
A instalação, o pico da instalação são 920 empregos, 920 empregos no pico que equivale a 7,5 meses dentro destes 25 meses de duração. Sete meses equivale a 28%, então você vai ter o pico apenas em sete meses, o resto você tem meses aí com 50 trabalhadores, 100 trabalhadores, 200 trabalhadores. Isso não foi colocado, isso é uma coisa. Outra coisa, na operação são 635
empregos, 515 próprios isso é o termo que é colocado, e o resto é terceirizado. Não há uma transferência direta dos trabalhadores que trabalham na instalação, na obra, para os trabalhadores na operação. Isso não existe, por quê? São funções diferentes.
No debate, a consultoria, que vinha respondendo pelas intenções e compromissos dos empreendedores, reconhece que sim, existe um histograma, uma curva na geração de empregos que começa com 50 até chegar aos 500, no período de um ano. Para a consultora, “é um número significativo de empregos e é um tempo suficiente para que se pense em investir na capacitação, em desenvolver as pessoas e no aproveitamento da mão de obra da construção sim, nas atividades de mineração”. Afirma que este é o “princípio” da empresa, trazendo uma dimensão axiológica para o debate no sentido de reforçar um sentido ético do empreendimento, cumprindo o que Bronz (2011) identificou como um papel “moralizante” das consultorias nos licenciamentos ambientais.
Para fins de compreensão, destacamos as informações trazidas pelo EIA do projeto que prevê, para a fase de operação, a mais duradoura, um efetivo de 635 funcionários, dentre os quais 120 serão terceirizados (EIA, V.I, p.351). Deste total, a distribuição dos cargos ocorre da seguinte forma: Mina: 11 funcionários; Unidades industriais: 244 funcionários; Manutenção: 87 funcionários; Gerência: 42 funcionários; Laboratório: 49 funcionários; Controle Radiológico Ambiental: 21 funcionários; Utilidades/almoxarifado: 61 funcionários (EIA, v.I, p. 351-353).
Os questionamentos da plateia abordam, ainda, a dimensão de futuro, afinal, após os vintes anos previstos para o funcionamento da mina, para onde irão seus trabalhadores?
Novamente, planos e projeções são apresentados. Sem explicitar o método ou que medidas serão desenvolvidas, a consultoria afirma que
algumas ações estão previstas também para essa fase, tentando buscar, tanto na fase de finalização de obra, como nessa finalização de operação, uma recolocação para mão de obra, que vai ter sido capacitado e vai ter uma experiência relevante para buscar nova colocação.
A resposta, portanto, fica adiada para o por vir, creditando ao processo de capacitação uma solução individualizante de um problema coletivo, por meio do mérito para buscar novo emprego, após a “relevante” experiência com um grande empreendimento que, entretanto, é absolutamente incomum na região. Observamos, ainda, que a resposta é maracá por expressões genéricas como “algumas ações” (quais
seriam?) que “tentarão buscar”, nos dando pistas que alertam para a fragilidade do compromisso com a empregabilidade futura da população.
Questões previdenciárias, a descaracterização do trabalho rural, a intermitência e a insegurança do trabalho também foram questionadas no debate. Em específico, os pesquisadores do painel acadêmico-popular exploraram sua dimensão qualitativa e a relação com os impactos para a saúde do trabalhador.
Uma das pesquisadoras aborda a questão sob o ponto de vista da ausência de informações no EIA. Faltam os dados sobre exposição radioativa continuada, o que inviabiliza a análise sobre a exposição ocupacional. As informações teriam sido encaminhadas para CNEN, pois pertenceriam ao licenciamento nuclear, e não ambiental. Para o pesquisador, o estudo é falho, pois só trata das situações de risco nuclear nas unidades de processamento, mas na mina não. “Isso causa uma preocupação porque esse pessoal vai ficar exposto, tá certo? A sabe-se lá o quê, quando durante a operação”, questiona.
Tais pesquisadores, somados a outros de diferentes regiões do país, produziram um Parecer (documento em anexo) acerca do EIA no qual demonstram a preocupação com os impactos do projeto sobre a saúde humana.
Apenas no que tange à saúde do trabalhador, o Parecer apresenta as seguintes insuficiências do EIA, expostas aqui de forma sintetizada:
1. Minimização dos Riscos decorrentes da emissão de radiação ionizante proveniente da exploração do minério urânio e de toda a sua série de decaimento;
2. A análise da transferência dos radionuclídeos é focada na Unidade de Processamento de Urânio, desconsiderando a mina, a Unidade de Processamento de Fosfato, a barragem de rejeitos, a pilha de estéril e a pilha de fosfogesso;
3. Na análise de riscos à saúde dos trabalhadores, o quadro apresentado apresenta de forma homogênea a exposição ao ruído, às vibrações e às radiações ionizantes – agentes cuja nocividade à saúde humana é distinta; 4. Descontextualização da análise sobre o perfil epidemiológico das populações diretamente e indiretamente afetadas pelo empreendimento, em relação ao processo produtivo e de trabalho;
6. Risco da liberação não-natural do gás radônio com as atividades de escavação mecânica e de desmonte por explosivos, transporte e processamento dentro das unidades de fosfato e urânio e nas pilhas de estéril e de fosfogesso;
7. Ausência de informações sobre a exposição continuada dos/as trabalhadores/as;
8. Não apresenta os fatores relacionados ao ‘banho radioativo’ pelos radionuclídeos presentes no processo produtivo;
9. Diversos riscos de grandes desastres, acidentes no transporte e acidentes de trabalho, relacionados com a manipulação de explosivos; caldeiras; diversas bases e ácidos.
As preocupações sobre saúde serão analisadas em item específico, cabendo aqui trazer o contra ponto colocado à perspectiva quantitativa da geração de empregos. A questão posta pela pesquisadora do Núcleo Tramas em tempo de fala concedido nas audiências públicas, permanece baseando e funcionando como ponto conflitivo nas narrativas de justificação da obra, afinal, “vale a pena justificar o empreendimento pelos 635 empregos para os poucos jovens daqui deixarem na mina, sua juventude, sua saúde, a sua vida?”.
4.3.2 Geração de impostos
Neste processo de economicizar e quantificar os benefícios do projeto, o discurso da geração de impostos aparece associado à geração de empregos, inclusive como decorrência da formalização de postos de trabalho.
Uma das ferramentas da narrativa do desenvolvimento é exatamente esta, conforme fica explícito nas falas da empresa Galvani.
“Caso todos os trâmites do licenciamento ocorram dentro do prazo previsto”, anuncia o representante da Galvani em seminário realizado em 2013, “a mina de Itataia deve gerar uma receita anual de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão”66, afirma referindo-se ao montante que se estima gerar de ICMS. Sob seu discurso, a geração de receita fica subordinada aos prazos do licenciamento ambiental, relação criada para subentender o
66 http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/mina-de-itataia-vai-gerar-receita-de-ate-
licenciamento como uma “etapa” que deve ser “superada” para a obtenção das vantagens do projeto. Ademais, o cumprimento ou não de prazos no licenciamento não possui relação direta com o volume de receitas geradas por um projeto, receitas estas que foram apresentadas com pouca precisão, sob um amplo leque que varia de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão de reais. De outra feita, os custos dos impactos ambientais, da pressão sobre políticas públicas, da demanda de uso do Sistema Único de Saúde não são