IV. GÜNEYDOĞU ANADOLU BÖLGESİ’DEN ÖRNEK OLARAK
4.7. Gül Yüzlü
então presidente do clube, na qualidade de preparador físico e o que encontramos foi uma situação de insatisfação por parte dos atletas com o trabalho de condicionamento físico desenvolvido até então, trabalho esse bastante diferente do que havíamos aprendido no curso que acabáramos de con- cluir, bem como nas experiências que tivemos nos estágios práticos pelos quais havíamos passado, como por exemplo:
– mesma atividade e mesma carga de esforço preconi- zado, sem distinção, para todos os atletas, em detri- mento de suas funções em campo e, principalmente, das suas individualidades biológicas;
– inexistência de um programa de treinamento para os atle- tas e quaisquer resultados de avaliações que porventura tivessem sido realizadas no início da temporada, atitude
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que possibilitaria o estabelecimento de parâmetros para um de plano de treinamento da equipe;
– supervalorização de massagens, tanto antes, quanto após os treinamentos e do próprio jogo;
– utilização, antes do jogo, de injeções endovenosas contendo medicamentos a base de glicose e outras substâncias energéticas, tais aplicações realizadas coletivamente com seringas e agulhas não descar- táveis, causaram a transmissão do vírus da hepatite C em grande parte dos jogadores, levando, poste- riormente, grande número a óbito. Naquela época existência do referido vírus ainda era desconhecida pela medicina;
– atletas cujas condições gerais de saúde eram incompa- tíveis com a prática esportiva, tais como: amigdalites, focos de infecções dentárias, sinusites, verminoses, dentre outras patologias crônicas.
Vale nesse momento registrar que vários atletas, prin- cipalmente os que tinham mais idade e haviam jogado em grandes clubes da região Sul e Sudeste do país, como por exemplo, Mario Braga, Scala, Gilson Porto e Odélio, carrega- vam em seus corpos lesões musculares adquiridas no pas- sado, lesões estas que lhes provocaram profundas cicatrizes musculares na região do quadríceps, adutores e posteriores da coxa.
Tal constatação demonstra a inefi cácia dos treinamen- tos nos clubes pelos quais passaram, uma vez que, também naquelas regiões, os conhecimentos acerca da preparação física para a prática do futebol ainda eram insufi cientes.
Dadas às circunstâncias, inicialmente realizamos testes de fl exibilidade, resistência muscular, determinamos o vo- lume máximo de oxigênio de cada atleta de forma indireta, através do Teste de Cooper, aferimos peso e estatura para
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estabelecimento de valores de massa muscular e, a partir daí, estabelecemos um planejamento de treinamento quase que individualizado, levando em consideração todos esses aspec- tos. Como resultado dos trabalhos físico/técnicos realizados, o América/RN foi bi campeão estadual nos anos de 1974 e 1975, sendo uma das vezes invicto, e na disputa do campe- onato Nacional nos colocamos em 34º e 25º lugar, respec- tivamente, dentre os 40 clubes participantes. Acrescente-se, ainda, o fato de nesse período nenhum atleta sofreu contusão muscular grave, sequer uma contratura, o que possibilitava a utilização de qualquer atleta em substituição a outro, caso se fi zesse necessária, por entorses, traumatismo ou mesmo, por questões de ordem técnicas ou táticas, a critério do treinador.
Pode-se afi rmar com plena segurança que nesse período o futebol norte-rio-grandense viveu momentos de grandeza, quando o estádio Humberto de Alencar Castelo Branco (Cas- telão), posteriormente nominado João Machado (Machadão) era invariavelmente palco de memoráveis partidas regionais e interestaduais e, juntamente com as jogos envolvendo ABC/ RN e América/RN, tinha sua capacidade de lotação máxima frequentemente atingida.
Após esse período, clubes como Cosern, Ferroviário, Atlético e Riachuelo deixaram de participar dos campeonatos promovidos pela federação potiguar, dando lugar aos clubes do interior do estado, principalmente da cidade de Mossoró. Nesse ínterim, a UFRN já tinha seu curso superior de Educação Física em pleno funcionamento, momento em que foi instalado em suas dependências o laboratório de avaliação física, com equipamento doado pela Associação Brasileira de Medicina Esportiva, constituído basicamente de adipômetro, balança de precisão, estadiômetro, bicicleta ergométrica, eletrocardiógrafo, trena e compasso de Lange®, material necessário para o início de avaliações biométricas e fi siológicas. Infelizmente, o médico responsável pelo referido
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laboratório faleceu precocemente, não tendo tempo sufi ciente para preparar alguém que o substituísse.
Em 1978, formava-se a primeira turma de professores de Educação Física. Neste ano, a UFRN deu início ao seu programa de interiorização, o que gerou o imperativo de contratação, através de exame de seleção, de professores colaboradores para atendimento dessa necessidade.
Através do plano de pós-graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CA- PES), os egressos do curso selecionados para esta função, deslocaram-se, principalmente, para as universidades de São Paulo e do Rio Grande do Sul, no Brasil e University of Iowa, nos EUA, a fi m de aprofundarem seus conhecimentos, iniciando-se na pesquisa da educação física e dos desportos. Todos retornaram com as respectivas titulações em níveis de especialização, melhorando signifi cativamente a qualidade do corpo docente as UFRN nessa área do conhecimento.
Mais adiante, um dos egressos do curso, abraçou a carreira de técnico de futebol, tendo levado a equipe da UFRN a sagrar-se vice-campeã dos Jogos Universitários Brasileiro, realizados em Natal. Esse mesmo profi ssional, por duas ve- zes exerceu a função de técnico de Beach Soccer da seleção brasileira e em uma delas conquistou o título de campeão mundial da modalidade.
Na década de 80, outro egresso do curso e também atle- ta de futebol profi ssional, dedicou-se aos estudos da fi siologia do exercício e detentor dos conhecimentos adquiridos nos diversos cursos de aperfeiçoamento e especialização que re- alizou, prestou relevantes serviços ao ABC/RN no campo da preparação física, mas em função das parcas condições de tra- balho oferecidas, abandonou o esporte, passando a dedicar-se à atividade de personal training, direcionando seus conhe- cimentos científi cos adquiridos à prevenção, manutenção e
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reabilitação de indivíduos sedentários, ou portadores de patologias.
Na década de 90, transferiu-se da UFPR para a UFRN, um professor entusiasta do futebol, pesquisador e portador do título de doutor que, juntamente conosco, criou uma base de pesquisa e nela um grupo de estudos, transformado pos- teriormente em linha de pesquisa, voltada exclusivamente para a o futebol. Tal iniciativa, motivada pela existência de uma equipe de futebol universitário do CEUFRN, na categoria sub-20, participou de dois campeonatos amadores da FNF, obtendo excelentes resultados.
Esse laboratório vivo e a disponibilidade que o curso de Educação Física oferecia – físico, humano e material – despertaram em um signifi cativo grupo de alunos o interesse pelo futebol, enquanto campo de trabalho promissor para o profi ssional egresso da área.
Essa equipe de estudos do futebol realizou nos la- boratórios do DEF/UFRN inúmeras avaliações, na fase de pré-temporada, em atletas profi ssionais pertencentes a vá- rios clubes de Natal e nos Jogos Universitários Brasileiros contribuindo para a elaboração de seus planos anuais de treinamento físico.
O referido professor esteve por uma temporada na Es- panha, cumprindo seus estudos doutorais e, paralelamente, participando de estudos universitários sobre o futebol, tra- zendo em sua bagagem de conhecimentos a moderna visão do treinamento físico, técnico e tático. Motivado, o grupo anteriormente formado, passou a desenvolver e apresentar em eventos científi cos os resultados de suas investigações científi cas passando a constituir o primeiro grupo de estudos dedicados especifi camente ao aprofundamento nos estudos do futebol.
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