ĠSTANBUL VE ANKARA ĠLĠNDE DÖKÜM TEKNĠĞĠNĠ UYGULAYAN ATÖLYELERDE TASARIM-ÜRETĠM VE
EK 2 GÖZLEM FORMU
O que se observa, em Isaías, é que boa parte desse pacto de santidade está ligada à ideia de justiça e harmonia social, como as análises do capítulo anterior já sinalizaram. Esses valores do contrato são iluminados na sanção observada em diferentes trechos do livro, que apontam para uma série de mazelas sociais que “maculam” o grupo, como se pode ver nos seguintes excertos:
16 Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal;
17 aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. [...]
21 Como se fez prostituta a cidade fiel! ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas.[...]
23 Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. (ISAÍAS, 1: 16, 17, 21 e 23).[...]
7 [...] esperou que exercessem juízo, mas eis aqui derramamento de sangue; justiça, e eis aqui clamor (ISAÍAS, 5: 7).
Essa sanção toca principalmente a classe dirigente. É essa a classe encarregada de governar com justiça e de manter a harmonia social, sendo, por isso, contra ela que se volta a sanção, o que fica mais claro nos excertos a seguir:
12 [...] Ah, povo meu! os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas.[...]
14 O Senhor entra em juízo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus príncipes; sois vós que consumistes a vinha; o espólio do pobre está em vossas casas.
15 [...] Que quereis vós, que esmagais o meu povo e moeis o rosto do pobre? (ISAÍAS, 3: 12, 14 e 15) [...]
8 Ai dos que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra! [...] 23 dos que justificam o ímpio por peitas, e ao inocente lhe tiram o seu direito! (ISAÍAS, 5: 8 e 23) [...]
1 Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades;
2 para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! (ISAÍAS, 10:1-2)
Os fragmentos destacados mostram que essa classe (“os que te guiam”; “os anciãos”; “os que decretam leis”; “os escrivães”) é julgada a partir de um fazer próprio do antissujeito (“...te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas”; “esmagais o meu povo e moeis o rosto do pobre”; “justificam o ímpio por peitas, e ao inocente lhe
tiram o seu direito”; “ decretam leis injustas”; “escrevem perversidades”), na medida em que é contrária ao pacto de santidade que prevê um governo justo71. Essa sanção cognitiva ocorre no discurso, ainda, como maldição dirigida pelo profeta aos infiéis (“ai dos que...”), apontando para a sanção pragmática determinada pela instância divina.
O pacto de santidade envolve ainda outros aspectos, em especial a fidelidade religiosa, como já foi mencionado nas análises do capítulo 2. Isso fica evidente pela sanção sobre os que ignoram a instância divina e/ou sobre aqueles que se voltam para práticas religiosas diferentes, estrangeiras, como comprova o fragmento a seguir:
11 Ai dos que se levantam cedo para correrem atrás da bebida forte e continuam até a noite, até que o vinho os esquente!
12 Têm harpas e alaúdes, tamboris e pífanos, e vinho nos seus banquetes; porém não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras das mãos dele. [...] (ISAÍAS, 5: 8,11)
6 Mas tu rejeitaste o teu povo, a casa de Jacó; porque estão cheios de adivinhadores do Oriente, e de agoureiros, como os filisteus, e fazem alianças com os filhos dos estrangeiros.[...]
Também a sua terra está cheia de ídolos; inclinam-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que os seus dedos fabricaram.
(ISAÍAS, 2:6-8)
A manutenção do contrato com o destinador, desse modo, depende da retomada do programa narrativo esperado. É preciso deixar o fazer observado até o presente, fazer esse tido como próprio do antissujeito, e se reintegrar ao contrato previsto num processo de purificação. Assim:
16 Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal;
17 aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
18 Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.
(ISAÍAS, 1:16-18)
Observamos, desse modo, que o contrato entre o destinador (manipulador) divindade e o destinatário-sujeito – o grupo de fiéis – é regido por um dever fazer, isto é, uma obrigação de manter a correção moral e a fidelidade religiosa. Isso é o que dá contorno ao que chamamos de pacto de santidade, pacto esse que precisa ser refeito,
71
Lembramos que por antissujeito pode-se entender tanto aquele que se opõe ao sujeito e disputa com ele o mesmo objeto de valor (cf. BARROS, 1988, p. 43), quanto aquele que age em desacordo com o programa inicialmente proposto ao sujeito (cf. TATIT, 2002, p. 194). É nesse segundo sentido que tomamos aqui esse papel actancial.
como se vê, já que o grupo é sancionado cognitivamente (por um destinador-julgador que coincide com o destinador-manipulador), sendo o seu fazer considerado próprio do antissujeito – “[...] as suas obras são contra o Senhor, para afrontarem a sua gloriosa
presença” (ISAÉAS, 3:8), diz o narrador, em referência ao templo que abriga a arca da
aliança72.
O contrato, no que diz respeito à parte do destinador divindade, envolve como contrapartida uma proteção aos fiéis. Isso é explicitado pela sanção que determina a retirada da proteção divina sobre o grupo descumpridor do contrato:
1 Porque eis que o Senhor Deus dos exércitos está tirando de Jerusalém e de Judá o bordão e o cajado, isto é, todo o recurso de pão, e todo o recurso de água;
2 o valente e o soldado, o juiz e o profeta, o adivinho e o ancião;
3 o capitão de cinqüenta e o respeitável, o conselheiro, o artífice hábil e o encantador perito;
4 e dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles. 8 Pois Jerusalém tropeçou, e Judá caiu; porque a sua língua e as suas obras são contra o Senhor, para afrontarem a sua gloriosa presença (ISAÍAS, 3:1-4 e 8).
Essa proteção envolve ainda as intervenções necessárias na história em benefício dos fiéis, explicitando, assim, a ideia de eleição, que parece marcar o discurso messiânico. A correção religiosa, nesse sentido, implica inclusive a fé na proteção divina no que diz respeito às decisões políticas, como se vê no já comentado relato do encontro do profeta com o rei Acaz a propósito da investida da Síria contra Judá:
3 Então disse o Senhor a Isaías: saí agora, tu e teu filho Sear-Jasube, ao encontro de Acaz, ao fim do aqueduto da piscina superior, na estrada do campo do lavandeiro,
4 e dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem te desfaleça o coração por causa destes dois pedaços de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim e da Síria, e do filho de Remalias.
5 Porquanto a Síria maquinou o mal contra ti, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo:
6 Subamos contra Judá, e amedrontemo-lo, e demos sobre ele, tomando-o para nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeel. 7 Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá. 8 Pois a cabeça da Síria é Damasco, e o cabeça de Damasco é Rezim; e dentro de sessenta e cinco anos Efraim será quebrantado, e deixará de ser povo.
9 Entretanto a cabeça de Efraim será Samária, e o cabeça de Samária o filho de Remalias; se não o crerdes, certamente não haveis de permanecer. (ISAÍAS, 7:3-9)
72
Lembramos que o discurso expressa aqui a crença dos hebreus numa aliança com a instância divina, algo simbolizado pela arca da aliança que o templo de Jerusalém abrigava.
O que esse trecho demonstra, em última instância, é uma confrontação do sujeito com os valores do contrato com o destinador divindade. A correção religiosa, aqui na forma da confiança na proteção divina ligada ao contrato/eleição, é exigida por meio do destinador-manipulador delegado, que é o profeta. Não sendo produtiva a tentativa de manipulação, o sujeito é sancionado cognitivamente com uma determinação de castigo futuro (sanção pragmática), como se vê a seguir:
14 Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.[...]
17 Mas o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que Efraim se separou de Judá, isto é, fará vir o rei da Assíria.[...]
20 Naquele dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, que está além do Rio, isto é, com o rei da Assíria, a cabeça e os cabelos dos pés; e até a barba arrancará (ISAÍAS, 7: 14, 17e 20).
A sanção negativa do rei envolve o chamado anúncio messiânico, pela referência ao nascimento da criança, como já foi explicado anteriormente. Se para o grupo que mantém o pacto de santidade o anúncio revela uma futura sanção pragmática positiva: a interferência divina em favor destes, para o rei, no entanto, significa uma sanção cognitiva negativa, na medida em que aponta para a sucessão do trono. Isso é reforçado pelo castigo prometido para o grupo de modo geral: sofrer nas mãos do inimigo, a Assíria. Ela é chamada, por isso, de “navalha alugada”, com a qual a divindade humilharia o grupo (“rapará o Senhor [...] a cabeça e os cabelos dos pés; e até a barba arrancará”).
Tudo isso aponta para um contrato em que, na perspectiva de uma eleição pela instância divina, implica de sua parte (em geral, por meio de intervenções na história) a proteção do grupo, que, por sua vez, deve manter uma correção moral e religiosa. Esse simulacro de contrato revela-se, no texto em exame, na sanção cognitiva pelo destinador-julgador delegado profeta, que aponta de modo geral para uma performance tida como contrária aos valores do destinador: adoção de práticas religiosas estrangeiras, desvios morais na vida social e política.
3.1.3 As triagens social e religiosa: exclusão dos incluídos e assimilação do