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O Brasil, no período Vargas, foi marcado por dois golpes de Estado e uma guerra mundial. O Primeiro golpe, de 1930, que determinou o fim da República Velha e o início de um período de quinze anos de domínio político de Getúlio Vargas, inicialmente como chefe

do Governo Provisório de 1930 a 1934, depois como presidente eleito indiretamente de acordo com as regras da Constituição de 1934 a 1937 e, finalmente, a partir de novembro de 1937 a 1945 como ditador, governou o Brasil à frente do Estado Novo.

A partir de 1939 tem início o conflito mundial, em que o Brasil assumiu uma posição neutra na Segunda Guerra Mundial, esta posição de neutralidade acabou em 1942 quando algumas embarcações brasileiras foram atingidas e afundadas por submarinos alemães no Oceano Atlântico. Em 1945, em outro golpe, Vargas foi deposto, tendo início a “Terceira República” que não é o foco deste estudo.

No Ceará, a estrutura econômico-social desse período era construída em cima de uma sociedade agrária, baseada no latifúndio e no binômio pecuária-cotonicultura. Os “coronéis”, considerados os donos das terras alencarinas, davam sustentação política ao poder público amealhando votos para o chefe do Executivo e aos membros do Legislativo, assegurando-lhes a eleição de seus sucessores. A Revolução de 30, que foi articulada no Ceará por civis e militares, sob a coordenação Juarez Távora, promoveu a rearticulação política no Estado, pois assumiram o poder várias ideologias com motivação ao mesmo tempo libertária e nacionalista que defendiam a formação de uma sociedade de cooperação e harmonia, sem as perniciosas lutas de classes.

Em relação ao contexto social, o estado do Ceará, durante o governo de Getúlio Vargas (1930 a 1945), foi o enfrentamento de duas grandes secas: 1932 e 1942. Nesses dois momentos distintos, as ações emergenciais diferiram em modo e em intensidade, conforme as circunstâncias do contexto histórico nacional e internacional. Em 1932, milhares de pessoas pereceram de fome, de sede e de doenças, tendo em vista a pouca assistência por parte do governo. As ações se limitavam ao alistamento de sertanejos para trabalhar na construção de açudes e estradas, trabalho realizado de sol a sol sob investigação dos feitores e sem direito a recebimento de salários em espécie (FARIAS, 1997, p.186).

A situação política no Ceará modificou-se bastante com a Revolução de 1930. O Estado era governado por interventores do Governo Federal e, junto a sua capital, Fortaleza, vivenciou todo um processo de transformação ideológica e estrutural que era advindo desde o início do século XX, e que ganharam novos ares com a chegada de Vargas.

A realidade cearense, na perspectiva educacional, ainda era bastante precária, pois os anos da década de 1930 vão mostrar uma grande desorganização e falta de estruturação educacional no Estado que iniciava suas primeiras intervenções de políticas públicas voltadas à educação.

Nesse contexto, a partir deste período surgiram as primeiras regulamentações do ensino através da instrução pública, tais como: Decreto 473 de 08 de fevereiro de 1932 creando (sic) o Conselho da Educação do Estado e os Conselhos Escolares dos Municípios e vários outros regimentos da educação, já que na criação da constituição de 1934 por Getúlio Vargas ocorreram mudanças significativas como os 11 artigos dedicados à educação no Titulo V, Capítulo II, Da Educação e da Cultura da referida constituição.

Ainda sobre a constituição de 1934, se posicionou Paulo Nathanael, que salienta: (...) a mais extensa referência ao tema jamais feita pelas constituições brasileiras, quer as anteriores, quer as que vieram depois. (SOUZA, 1986 . p 28.), portanto, a carta constitucional de 1934 passou a ser uma das mais bem aceitas por contemplar mudanças significativas na educação.

Enquanto isso, no cenário social, as irregularidades pluviométricas de 1932 foram percebida como um fenômeno social inserido nas redes de relacionamentos políticos e socioeconômicos, em que as condições de pobreza, de uma parcela significativa da população do semiárido, eram gravemente acentuadas em momentos de crise. No entanto, tratada sempre como um fenômeno da natureza, a seca fortalecia suas raízes na sociedade brasileira e reforçava uma teia política e social. Para gerenciar as consequências desse fenômeno foi criado um amplo programa de campos de concentração, com total apoio da Interventoria Federal no Ceará, onde os retirantes eram induzidos a entrar e proibidos de sair, com a alegação de que os flagelados “levavam doenças, desordem e maus hábitos por onde iam” (Ibid, p.186).

Este era o cenário social e político naquele período que desembocou, na década seguinte, com as reformas esperadas e necessárias, com o objetivo de atender aos desafios colocados pelo estágio de desenvolvimento que atravessava o país.

Essas ditas reformas, ocorridas entre 1942 e 1946, ficaram também conhecidas como Leis Orgânicas do Ensino ou Reforma Capanema, composto por onze decretos-leis que estabelecem orientações para o ensino industrial, o ensino secundário, o ensino comercial, o ensino primário, o ensino normal e o ensino agrícola, promovendo as mudanças no ensino.

Quatro destes decretos são editados durante o Estado Novo, são eles: 1) Decreto- lei 4.073, em 30 de janeiro de 1942 (Lei Orgânica do Ensino Industrial); 2) Decreto-lei 4.048, em 22 de janeiro de 1942, cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), 3)

Decreto-lei 4.244, em 9 de abril de 1942 (Lei Orgânica do Ensino Secundário) e 4) Decreto- lei 6.141, em 28 de dezembro de 1943 (Lei Orgânica do Ensino Comercial.

Após 1945, foram publicados mais quatro decretos-lei: I) Decreto-lei 8.529, em 02 de janeiro de 1946 (Lei Orgânica do Ensino Primário); II) Decreto-lei 8.530, em 02 de janeiro de 1946 (Lei Orgânica do Ensino Normal); III) Decreto-lei 8.621 e 8.622, em 10 de janeiro de 1946, criam o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e IV) Decreto-lei 9.613, em 20 de agosto de 1946 (Lei Orgânica do Ensino Agrícola).

A intenção de Gustavo Capanema, de acordo com Horta (2010, p. 69), era apresentar o Plano Nacional de Educação como a solução para a falta de orientação e de disciplina existentes na educação brasileira. Assim, para resolver estes problemas, o ministro juntamente com um grupo de educadores preparou um longo questionário, que foi enviado, no início de 1936, às Secretarias de Educação dos Estados e às associações de educação, que serviria como base para elaboração das leis orgânicas.

Sobre esta reforma de Gustavo Capanema, Ghirardelli Jr. (2001) se posicionou afirmando que foi uma reforma marcadamente elitista e conservadora, com nítidas distinções entre o trabalho intelectual para as classes favorecidas, e o trabalho manual e o ensino profissionalizante para as classes desfavorecidas, mantendo a discriminação ente as elites e as camadas populares.

Benzer Belgeler