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2. DOKUNMATİK EKRAN ELEMENTLERİ

2.6. Gösterge

O curso de Licenciatura em Música da UFC, campus de Fortaleza, foi criado em 02 de setembro de 2005 – e desde a data de sua criação até o ano de 2009, o ingresso ao referido curso era realizado através de vestibular, como nos demais cursos de graduação da UFC. Incorporado à UFC em 2010, o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), se tornaram os novos processos de seleção de alunos e via de ingresso dos estudantes para os cursos de graduação.

Conforme apresentado na introdução deste trabalho, a respeito dos primeiros movimentos musicais ocorridos na CJA, no início do curso, nossos recursos eram escassos e existiam algumas dificuldades. Atualmente, o Curso de Música da UFC já possui melhores condições para um bom funcionamento e apresenta uma boa infra-estrutura com instrumentos musicais variados (teclados, pianos acústicos, violões, flautas, diversos tipos de instrumento de percussão), equipamentos eletrônicos e objetos de aprendizagem (data-show, caixa

amplificada, equipamentos de som), sala de informática com computadores conectados à internet para uso dos estudantes e salas climatizadas.

Importante se faz mencionar que, no primeiro semestre do ano 2012, o Curso de Música da UFC, campus de Fortaleza, recebeu nota máxima dos avaliadores do Ministério da Educação (MEC). Este procedimento de visita das instalações e averiguação do projeto pedagógico pelos técnicos do MEC faz parte da elaboração do relatório para reconhecimento do curso. Nesta ocasião, o curso recebeu nota cinco – o mais alto conceito na escala de avaliação.

Pelo fato dos cursos de música da UFC aceitarem estudantes sem conhecimentos musicais prévios, é de grande responsabilidade, tanto por parte do professor quanto por parte do estudante, desenvolver durante os dois anos iniciais do curso as habilidades necessárias para a leitura e decodificação da linguagem musical ocidental. Este processo de letramento inicial está claro no Projeto Político Pedagógico do Curso:

Percepção e Solfejo é uma disciplina que acompanhará os alunos por dois anos com o objetivo de desenvolver sua capacidade de ler e escrever música sem depender de um instrumento como apoio. A questão da aquisição da capacidade de leitura e escrita musical é um dos pontos mais controversos do ensino de música no Brasil. Propomos que esse “letramento musical” seja conquistado de forma prática não apenas na disciplina de percepção e solfejo, mas também em todas as outras práticas musicais que serão realizadas ao longo do curso. É importante perceber que o processo de aquisição do conhecimento musical desenvolvido ao longo do curso de graduação aqui proposto irá ter ressonâncias profundas na prática profissional dos docentes que nesse curso serão formados e, por isso mesmo, a aquisição da possibilidade de decodificar os signos da escrita musical ocidental não deverá se revestir de uma mitificação que gera medo e prejudica a autoconfiança dos alunos. Tal aquisição deverá ser prazerosa e rigorosa, respeitando-se os ritmos de aprendizagem de cada estudante (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 20).

Portanto, o Projeto Político Pedagógico dos Cursos de Licenciatura em Música da UFC, dos campi Fortaleza, Sobral e Cariri, são unânimes no que diz respeito à aplicação de um teste de aptidão para o estudante que quer estudar música:

Um teste de aptidão musical pode, na melhor das hipóteses, avaliar os conhecimentos musicais prévios e apontar possibilidades de desenvolvimento musical, mas tal procedimento jamais poderá ser exato. Ele não garante, por exemplo, que o candidato tenha a dedicação necessária para o estudo da linguagem musical aliada às questões da educação (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 74).

Sobre as especificidades do Projeto de Formação de Educadores Musicais na UFC, Moraes e Matos (2012, p. 35), apresentam as seguintes considerações:

a) a convicção de que aptidão musical depende de oportunidade de acesso ao fazer música;

b) o entendimento de que há uma necessidade nacional de organização metodológica do desenvolvimento da escrita e da leitura de partituras na formação do músico; c) a compreensão de que na realidade brasileira faz-se urgente o desenvolvimento de estratégias de colaboração nos contextos de ensino e aprendizagem da música; d) a premente necessidade — imposta pela realidade brasileira: escolas básicas sem ensino de música versus ausência de espaços de formação do professor de música — de criação de centros formadores de professores de música para a escola brasileira.

Está claro, a respeito do tipo de formação que o estudante de Música da UFC vivencia, que “Uma formação que vise unicamente o desenvolvimento de capacidades de expressão musical não se coaduna com o objetivo maior do Curso de Educação Musical da UFC.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 15). Portanto, não é o objetivo do curso formar músicos solistas ou concertistas. A formação do educador musical se diferencia, neste sentido, por

[...] contemplar a expectativa de formação de um profissional para o exercício do ensino da música que seja detentor de rigoroso cabedal de conhecimentos musicais que lhe propicie uma atuação crítica e criativa diante de uma sociedade em constante processo de transformação (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 21).

A identidade do educador musical do licenciando em Música da UFC está pautada na prática de um agente social transformador na perspectiva de formação de uma educação crítica e emancipadora, e não na abordagem de um ensino puramente instrumental. Assim, o intuito dos cursos de Música da UFC é “Formar o professor de música, em nível superior, com conhecimentos de pedagogia e linguagem musical, capaz de atuar de maneira crítica e reflexiva interagindo com o meio em que atua enquanto educador musical.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 13).

Sendo, então, um dos objetivos do curso de música da UFC Campus de Fortaleza [...] entender o processo de formação do professor de música, quais as competências que este precisa ter, quais os espaços que solicitam a sua intervenção” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 10), criar condições para a elaboração das competências do músico- profissional da educação são, assim, ações coerentes às exigências do seu Projeto Político Pedagógico.

A partir do percurso histórico de desenvolvimento das atividades musicais a nível acadêmico na Universidade Federal do Ceará, são compreensíveis os motivos que fazem da expressão vocal coletiva a centralidade do Projeto Político Pedagógico dos cursos de Música da UFC, no qual se pode ler: “A prática de expressão vocal coletiva será o eixo condutor da

formação do Licenciado em Educação Musical na UFC e, portanto, terá caráter de obrigatoriedade.” (DIAS, 2007, p. 76). O estudante passará dois anos, ou seja, quatro semestres no total, cursando a disciplina Canto Coral.

Em conjunto com a disciplina de Canto Coral haverá nos dois semestres iniciais a disciplina de Técnica Vocal onde o aluno além de adquirir conhecimentos para lidar com o seu próprio instrumento, também estará adquirindo a fundamentação para realizar, em sua prática profissional, a educação vocal de seus alunos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 17).

Além das possibilidades do Canto Coral e da voz como possibilidade de trabalho do futuro educador musical, o licenciando em música da UFC deverá optar entre três instrumentos musicais para realizar a disciplina de prática instrumental, sendo eles a flauta- doce, o violão ou o teclado. O papel da disciplina prática instrumental é proporcionar um apoio ao exercício da docência de modo que, de acordo com a necessidade do estudante, este possa utilizar um dos três instrumentos para servir de amparo pedagógico para sua aula.

Dentre as várias possibilidades de instrumentos musicais da cultura ocidental, elegemos o teclado eletrônico, o violão e a flauta-doce para serem as primeiras possibilidades de escolha a serem oferecidas ao aluno que ingressa no curso. No primeiro semestre do curso a disciplina Prática Instrumental I será o espaço pedagógico para que aluno, uma vez feita a sua opção, dê inicio a um trabalho de aprofundamento de sua técnica instrumental ao mesmo tempo em que se insere num contexto coletivo de execução (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2010, p. 17-18).

Conforme a citação anterior, a inserção dos estudantes num contexto coletivo de execução promove o incentivo de práticas musicais coletivas. Ao aprender em grupo, o estudante parte da compreensão de que a perspectiva de trabalho coletivo vai potencializar suas possibilidades de aprendizagem, estas construídas através da interação com seus pares. Uma estrutura curricular por mais abrangente que seja não alcançará todas as possibilidades formativas possíveis. Portanto, tornar o currículo flexível é ponto crucial a ser desenvolvido, posto ser neste âmbito específico que se configuram as principais medidas de transformação a serem realizadas dentro de uma instituição universitária.

No próximo capítulo apresentaremos a discussão teórica que servirá de base para a análise e interpretação dos dados coletados no decorrer da pesquisa.

Benzer Belgeler