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A coleta de dados é a etapa da pesquisa em que se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas selecionadas para se efetuar a coleta dos dados previstos. Exige do pesquisador paciência, perseverança e esforço pessoal, além do cuidadoso registro dos dados (MARCONI;LAKATOS, 2005).

Iniciei a coleta de dados desta pesquisa fazendo contato com a direção da PUCRS Virtual, quando apresentei a proposta do trabalho e solicitei permissão para realizá-lo.

Os dados desta pesquisa foram coletados através de entrevista e da análise de documentos.

2.2.1. Entrevista

Segundo Lüdke e André (1986), a entrevista representa um dos instrumentos básicos para a coleta de dados e é uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais. É importante atentar para o caráter de interação que permeia a entrevista, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, nas quais não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista. Triviños (1990) acrescenta que a entrevista semi- aberta

parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante (p.146).

A entrevista, de acordo com Duarte (2005), é um recurso metodológico que busca obter respostas a partir da experiência subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informações que se deseja conhecer. Seu objetivo está relacionado ao fornecimento de elementos para compreensão de uma situação ou estrutura de um problema. Deste modo, o objetivo muitas vezes está mais relacionado à aprendizagem por meio da identificação da riqueza e diversidade, pela integração das informações e síntese das descobertas do que ao estabelecimento de conclusões precisas e definitivas. A entrevista é uma técnica dinâmica e flexível, útil para apreensão de uma realidade tanto para tratar de questões relacionadas ao íntimo do entrevistado, como para descrição de processos complexos nos quais está ou esteve envolvido.

A grande vantagem da entrevista, considerada por Lüdke e André (1986), é que ela permite a captação imediata e corrente da informação. Como é utilizada de maneira exclusiva, a entrevista permite correções, esclarecimentos e adaptações que a tornam sobremaneira eficaz na obtenção das informações desejadas.

Para Duarte (2005), uma possibilidade interessante, utilizada para obter informações de pessoas, por outros meios inacessíveis, é o contato simultâneo de entrevistador e entrevistado através da internet pelo uso de chats ou blogs, onde entrevistador e fonte podem combinar um horário determinado para conexão e travar o envio e o recebimento contínuo de mensagens, de maneira a garantir mais profundidade e naturalidade nas respostas.

Os recursos de msn Messenger (um software de mensagens instantâneas) e chat, disponíveis na internet, possibilitam que se registre toda a conversa entre o entrevistador e o entrevistado. As entrevistas semi-estruturadas foram então

registradas, com o consentimento dos participantes, para posterior análise. Em relação a este aspecto, Marconi e Lakatos (2005) orientam que as respostas devem ser, se possível, anotadas no momento da entrevista, para maior fidelidade e veracidade das informações. O registro deve ser feito com as mesmas palavras que o entrevistado usar, evitando resumi-las.

Os onze participantes receberam uma mensagem por e-mail com um convite para participar da pesquisa e com informações sobre a sua finalidade e sua relevância e retornaram este e-mail, mostrando-se dispostos a colaborar. As entrevistas foram agendadas previamente com cada um dos participantes e foram realizadas individualmente por msn ou chat, em dia e horário combinado com cada um. Optei por realizar as entrevistas por estes meios eletrônicos pois cinco dos alunos não residem na cidade de Porto Alegre, onde foi desenvolvida a pesquisa e a idéia era poder retratar a percepção de alunos distantes também. Sempre que possível, dei prioridade às entrevistas pelo msn onde não existe a possibilidade de outras pessoas interagirem na conversa. Nas duas entrevistas realizadas por chat, apenas porque as participantes não tinham msn, foi utilizado o recurso de conversa em particular, para evitar que outras pessoas visualizassem o que estava sendo escrito.

Durante as entrevistas desta pesquisa procurei criar um ambiente que estimulasse e que levasse o entrevistado a ficar a vontade e a falar espontânea e naturalmente, sem tolhimentos de qualquer ordem, assegurando-lhe o caráter confidencial de suas informações, conforme sugerido por Marconi e Lakatos (2005).

As entrevistas foram realizadas no período de fevereiro a maio de 2005, tiveram duração de aproximadamente uma hora e foram realizadas em horários sugeridos pelos participantes, inclusive uma delas foi feita num domingo na parte da tarde. Antes da entrevista, os participantes receberam, por e-mail, um termo de consentimento livre e esclarecido (apêndice A) por meio do qual tiveram ciência de

seus direitos relativos às normas que regem a pesquisa com seres humanos no Brasil. Trata-se de um documento que representa a

anuência do sujeito da pesquisa e/ou de seu representante legal, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação, após explicação completa e pormenorizada sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa acarretar, formulada em um termo de consentimento, autorizando sua participação voluntária na pesquisa (BRASIL, 1996, II. 11).

A aplicação de questionários por e-mail vem sendo utilizada a um certo tempo em algumas pesquisas, mas as entrevistas realizadas através de meios eletrônicos como chats e msn ainda são pouco exploradas em pesquisas científicas, tanto que encontrei apenas em Duarte (2005) referência sobre a utilização da internet na coleta de dados. Mas com o desenvolvimento das modernas tecnologias acredito que estes meios para coleta serão utilizados cada vez com mais freqüência, principalmente quando o contato presencial com os participantes for dificultado pela distância ou por outros fatores.

Por isso, considero interessante também relatar algumas situações que ocorreram durante a coleta dos dados desta pesquisa. Primeiramente, ao enviar e- mails para os alunos que cancelaram sua matrícula nos cursos, muitos dos e- mails retornaram sem chegar à caixa de entrada do destinatário, provavelmente porque mudaram de endereço eletrônico e não comunicaram ao curso ou porque a caixa de entrada encontrava-se cheia de mensagens. Marquei as entrevistas com os alunos que retornaram os e-mails, entretanto, duas participantes não compareceram no dia e horário combinado e nem se comunicaram comigo. Fiz então contato por telefone com cada uma para saber se ainda estariam dispostas a participar. Uma das alunas referiu ter esquecido da entrevista combinada e outra relatou que teve um compromisso profissional no momento da entrevista, por isso não compareceu. Questiono-me se essas ausências teriam acontecido caso as entrevistas tivessem sido feitas de forma presencial. Como mostraram-se

interessadas ainda em colaborar, foi então combinado outro dia e horário, quando consegui realizar as entrevistas.

Duarte (2005) argumenta que as pessoas raramente têm oportunidade de falar abertamente sobre suas experiências, opiniões e percepções e tendem a ser cooperativas com entrevistadores informados e perspicazes, se percebem que as perguntas são bem fundamentadas e oferecem a possibilidade de refletir sobre o assunto. Como os alunos que cancelaram sua matrícula não foram consultados pelas equipes dos cursos sobre os motivos que os levaram à desistência, percebi, durante as entrevistas, que alguns participantes mostraram-se satisfeitos em serem ouvidos e terem constatado que suas opiniões tinham importância.

2.2.2 Análise de documentos

Segundo Yin (2001), os estudos de caso não costumam ficar limitados a uma única fonte de evidências, a maioria dos estudos baseia-se em uma ampla variedade de fontes. Por serem as entrevistas sujeitas a problemas como memória fraca e articulação pobre ou imprecisa dos participantes, devem ser consideradas como “relatórios verbais”. Sugere então corroborar os dados obtidos nas entrevistas com informações obtidas através de outras fontes, como, por exemplo, os documentos.

Quanto à análise documental, Ludke e André (1986) afirmam que pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema. Os documentos constituem também uma fonte importante de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. Representam ainda uma fonte natural de informação, surgindo num determinado contexto e fornecendo dados sobre esse mesmo contexto. A escolha dos documentos não se faz de forma aleatória,

há em geral alguns propósitos, idéias ou hipóteses guiando a sua seleção. Selecionados os documentos, o pesquisador procederá à análise propriamente dita dos dados.

De acordo com Yin (2001), os documentos desempenham um papel fundamental em qualquer coleta de dados, ao se realizar estudos de casos, devido ao seu valor global. Buscas sistemáticas por documentos relevantes são importantes em qualquer planejamento para a coleta.

Neste estudo foram analisados documentos como as páginas dos três cursos, os resultados de uma sondagem com os alunos sobre as expectativas em relação ao curso e os fóruns das diferentes disciplinas porque possibilitaram enriquecimentos ao entendimento do fenômeno investigado.

Benzer Belgeler