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Para realizar o estudo de caso múltiplo, foram escolhidas três empresas: BNDES, Grupo CCR e Empresa ABC.

A pedido da administração da Empresa ABC, o nome da instituição e nomes dos entrevistados escritos neste trabalho são fictícios. Todas as outras informações sobre essa organização são reais.

Para poder investigar as mudanças organizacionais trazidas com o movimento de convergência contábil era necessário escolher as empresas para serem analisadas no estudo de caso múltiplo.

Após conversas com professores do Departamento de Contabilidade da Universidade de São Paulo foi feita uma lista com os nomes de cinco grandes empresas brasileiras que estavam passando pelo processo de convergência contábil e que poderiam ser alvo de estudo. Essas cinco empresas foram escolhidas, já que os professores suspeitavam serem empresas com diversos impactos organizacionais nesse processo de implantação.

Na lista existiam empresas de capital aberto nas quais os professores conheciam, com diferentes níveis de profundidade, quer por consultoria e treinamento realizados, quer por participarem de congressos, quer por divulgação na mídia, o processo de implementação do IFRS.

O professor Eliseu Martins tinha um contato em uma dessas empresas listadas e passou o telefone de um advogado do Grupo CCR. Email de 11 de junho de 2011 do Professor Eliseu Martins ao advogado da CCR:

Temos uma aluna da nossa Pós-Graduação em Contabilidade, orientada do Prof. Nelson Carvalho, trabalhando numa pesquisa para a qual a CCR poderia ser fonte muito interessante de dados. Será que você pode atendê-la, se quiser com alguém da Controladoria, para ver se é possível isso? Se sim, posso passar seus e-mail ou telefone para ela?

A resposta do advogado ao professor veio duas horas depois do envio do primeiro email:

Professor,

Sem dúvida alguma podemos atendê-la. Peça que ela entre em contato via telefone ou, se ela preferir, por e-mail. O telefone é melhor, para já agendarmos uma reunião em que ela nos diga como podemos ajudar. Vou acatar a sugestão e solicitar o apoio da Controladoria, já na primeira reunião, visando maior objetividade. Nada a agradecer, é um prazer para nós podermos ajudar, principalmente trabalhos acadêmicos de qualidade.

Depois de alguns telefonemas foi realizada uma reunião entre a pesquisadora, seu orientador de doutorado e um funcionário da Controladoria da CCR, Carl Douglas, indicado por tal advogado. O advogado não pôde comparecer na primeira reunião e a pesquisadora não o conheceu.

Na reunião o orientador, Nelson Carvalho, explicou o escopo do projeto e dias depois Carl Douglas confirmava a participação da CCR como uma das empresas do estudo de caso. O funcionário da Controladoria necessitou da aprovação da administração para que o estudo fosse realizado.

Carl Douglas forneceu uma série de materiais sobre a companhia. Ele foi a ponte entre a pesquisadora e a CCR. Esclarecia todas as dúvidas encontradas, agendava reuniões com os outros funcionários das empresas e participava de todas elas.

O estudo de caso no Grupo CCR foi feito durante os meses de agosto, setembro e outubro de 2011. As reuniões com o objetivo de compreender as mudanças organizacionais da instituição foram todas presenciais e localizadas na cidade de São Paulo e Jundiaí, conforme a Tabela 1.

Tabela 1 – Datas das reuniões

Reunião Data Local

1 12/08/2011 São Paulo

2 29/09/2011 São Paulo

3 15/09/2011 São Paulo

4 22/09/2001 Jundiaí

5 06/10/2011 São Paulo

Fonte: Autora deste trabalho.

A duração média de cada uma das reuniões foi de 3 horas, com a exceção do encontro em Jundiaí de 5 horas. Um funcionário da Controladoria do Grupo CCR acompanhou todo o estudo. Além disso, houve diversos emails trocados entre a pesquisadora e a empresa analisada.

Além de analisar alguns documentos internos, foram entrevistadas as pessoas citadas na Tabela 2.

Tabela 2 – Entrevistados

Nome do entrevistado Área

André Tecnologia da Informação

Anna Trainee Engelog

Carl Douglas Controladoria

Diego Trainee Engelog

Hélio Contabilidade

Kelly Trainee Engelog

Luana Trainee Engelog

Luana Trainee Engelog

Marco Orçamento

Mariana Trainee Engelog

Mario Engelog

Nara Engelog

Rafael Trainee Engelog

Outra empresa da lista era a ABC. O contato inicial foi feito com um funcionário da contabilidade por email. Seu email foi obtido por meio de consulta a sítios de busca da internet. O email foi enviado em 27 de julho de 2011. A resposta veio de outro funcionário da companhia em 28 de julho de 2011:

Referente à ajuda sobre informações do CPC para seu doutorado, estou à disposição. Se quiser bater um papo, pode me ligar no xxxxxxx ou podemos falar via email.

A complementação da ajuda oferecida veio em 03 de agosto.

Caso você queira realizar um estudo de caso sobre a ABC, estamos à disposição para atendê-la, inclusive procurando disponibilizar pessoal para entrevistas ou aplicação de questionários. O caso da ABC é mais específico ainda em função de ser concessão e, por consequência, estar dentro do escopo da ICPC01 – contratos de concessão; com certeza, temos vários assuntos para conversarmos. Pode me ligar (caso eu não esteja na minha mesa, pode conversar com a Cintia pelo mesmo telefone). Desta forma, podemos combinar visitas ou outras coisas de que necessite.

Após algumas conversas por telefone, foi agendada uma reunião com a Cintia. Nessa reunião foi explicado pessoalmente e com mais detalhes o escopo da tese. A Cintia apresentou a companhia e relatou seu histórico de participação no projeto IFRS.

O autor dos dois emails não participou do estudo de caso. Todo contato entre a pesquisadora e empresa ABC foi feito com a Cintia. Contudo, ela não participou das outras conversas realizadas. Cintia indicou as pessoas para serem entrevistadas, forneceu materiais, esclareceu dúvidas encontradas ao longo de processo de elaboração do trabalho.

Ocorreram alguns encontros presenciais, conversas por telefone e diversos emails trocados. As reuniões tiveram duração média de 1 hora, com exceção da primeira e da quarta, que duraram 4 horas cada, conforme a Tabela 3, a seguir.

Tabela 3 – Reuniões

Reuniões Data Área

Cintia8 20/09/11 Contabilidade

Renata 20/09/11 Relacionamento com

Investidores

Juliano 05/10/11 Regulatório

Sandro 28/11/11 Contabilidade

Elisa 07/12/11 Tecnologia da Informação

Tadeu 10/12/11 Mercado de Capitais

Leonardo 13/12/11 Planejamento e Controle

Fonte: Autora deste trabalho.

Da lista inicial das 5 empresas, somente CCR e ABC foram as companhias escolhidas. O contato com as outras empresas não avançou. A escolha do BNDES veio por uma conversa por email com o auditor Aquiles Bergamini, colega da pesquisadora, que sugeriu a companhia.

A pesquisadora, ainda na fase inicial de elaboração da tese, enviou um email ao Aquiles Bergamini, em 27 de julho de 2011. A resposta de Aquiles veio no mesmo dia. E o trecho em que o auditor comenta do BNDES no email é o seguinte:

Outra ideia seria focar no BNDES. Devido aos diversos investimentos que o banco possui e dada à necessidade de alinhar as práticas contábeis, o banco teve que fazer um árduo trabalho de adaptação. Nesse caso, eu sugeriria falar com a contadora chefe (Vânia Borgerth, pode citar meu nome). A Vânia também é acadêmica e acho que ajudaria com prazer.

O contato com a Vânia foi feito em 28 de julho e sua resposta aceitando a participação foi em 02 de agosto de 2011.

Será um prazer poder ajudar. Estou copiando o meu Gerente, Alexandre Cordeiro, que é o responsável pelo projeto no Banco, para que possamos verificar a melhor forma de te atender.

Alexandre, por fim, indicou Janaina Senra para a pesquisadora conversar. Após alguns emails trocados, a pesquisadora foi ao Rio de Janeiro para uma primeira reunião com Janaina.

Janaina entendeu o tema da tese, apresentou sugestões para o estudo e explicou o processo de convergência do Banco.

Janaina Senra foi a ponte entre o BNDES e a pesquisadora. Ela indicou diversas pessoas para serem entrevistas, forneceu materiais e esclareceu dúvidas. No entanto, não acompanhou as outras entrevistas. A pesquisadora entrevistou Vânia Borgerth, mas não conversou com Alexandre Cordeiro.

Para entender as mudanças organizacionais no BNDES causadas pelo processo de implementação das normas internacionais foram feitas seis reuniões e entrevistas presenciais e por telefone na instituição. Além disso, foram trocados diversos emails entre a pesquisadora e os funcionários da instituição. O enfoque dado, neste estudo, foi analisar o BNDES como preparador de demonstrações contábeis.

As entrevistas tiveram duração média de 1 hora, com a exceção da de 31/08/2011 que demorou cerca de 4 horas.

Tabela 4 – Participantes do estudo

Participante Área Data

Janaina Senra Financeira 31/08/2011

Rafael Peixoto Tecnologia de Informação 17/10/2011

Leonardo Brazão Gestão de Riscos 24/20/2011

Sandro Cavalcante Capital Empreendedor 02/12/2011

Vânia Borgerth Financeira 05/12/2011

Alexandre Machado Mercado de Capitais 07/12/2011 Fonte: Autora deste trabalho.

As conversas do estudo de caso nas três empresas foram feitas de forma presencial ou por telefone. Elas não foram gravadas. Foram feitas entrevistas com funcionários, lidos documentos internos, analisadas as demonstrações contábeis publicadas e os relatórios para investidores, além de terem sido feitas diversas consultas aos sítios das instituições.

Não houve uma estrutura fixa de perguntas a serem feitas nas organizações. Elas foram surgindo conforme o desenrolar das reuniões, de acordo com o cargo, tipo de respostas, grau de contato com o assunto, disponibilidade de cada entrevistado. Mas houve um propósito inicial de seguir as cinco questões seguintes.

1 - Relate o histórico da participação de sua área no projeto IFRS.

2 - Quais foram as principais alterações em relação a antigas políticas contábeis? 3 - Quais foram as mudanças no cotidiano de sua área sentidas com o projeto? 4 - Os novos procedimentos refletem melhor a realidade da instituição? 5 - O número em IFRS é utilizado no dia a dia de sua área?

As perguntas não estruturadas servem a pesquisas voltadas para o desenvolvimento de conceitos, o esclarecimento de situações, atitudes e comportamentos, ou o enriquecimento do significado humano deles. Nesse tipo de pesquisa não é possível ignorar o efeito da presença e das situações criadas pelo entrevistador sobre a expressão do entrevistado. (MATTOS, 2006, p.348-349)

Tais perguntas, bem como a consulta de pesquisa documental e bibliográfica, ajudaram a pesquisadora a responder aos três objetivos específicos deste estudo: analisar as mudanças organizacionais; compreender seus impactos na cultura, estrutura, sistemas e pessoas e verificar se houve resistência à mudança.

Todas as conversas realizadas nas empresas foram transcritas em word e o documento final foi enviado para as companhias para conferência e validação.

No BNDES, o documento final desta tese sobre a instituição passou pela validação de:

• Janaina Senra, em 15 de dezembro de 2011; • Vânia Borgerth, em 16 de dezembro de 2011; • Rafael Peixoto, em 22 de dezembro de 2011; • Leonardo Brazão, em 04 de janeiro de 2012.

O pedido para autorização da divulgação ao BNDES foi feito em 15 de dezembro de 2011 para Vânia Borgerth:

Você me autoriza a divulgar, por favor, o nome da instituição e o nome dos entrevistados em minha tese?

A sua resposta veio em 16 de dezembro de 2011:

Na empresa ABC, a validação foi feita pela Cintia em 17 de janeiro. Nesse email ela informou sobre a não divulgação do nome da instituição e dos entrevistados. Na CCR, Carl Douglas validou o documento em 02 de fevereiro de 2012, e autorizou a divulgação do nome da companhia em 13 de setembro de 2013:

Quanto à autorização da citação dos nomes, sem óbice para citar o nome da CCR e o meu nome.

4 RESULTADOS EMPÍRICOS DA PESQUISA

A seguir detalham-se os resultados encontrados em cada uma das empresas analisadas no estudo de caso, CCR, ABC e BNDES.

Benzer Belgeler