4. ŞEHBAL MECMUASININ ‘HANIMLAR İÇİN’ KÖŞE YAZILARININ
4.1.3. Görsel Kültür Ve Şehbal Dergisi
Dentro dessa lógica de interação entre os sistemas de transporte de massa e os grandes estádios contemporâneos e os resultados positivos que essa relação pode proporcionar para a cidade, os jogos de Atlanta em 1996 representam um marco negativo na organização dos Jogos Olímpicos.
Os jogos de Atlanta foram idealizados basicamente por membros do mercado privado, que não estabeleceram um plano de metas a serem alcançadas pelas intervenções feitas para os Jogos Olímpicos. Assim, a contribuição das Olimpíadas para o desenvolvimento urbano da cidade e o seu impacto nos sistemas de infraestrutura urbana não faziam parte das prioridades estabelecidas pelos organizadores.
Imagem 15: Sistema genérico de transporte para cidades-sedes de grandes eventos esportivos (BOVY, 2007. Disponível em: http://mobility-bovy.ch. Acessado em: 13/04/2010)
A preocupação inicial da organização dos jogos de Atlanta foi a transformação econômica do centro da cidade, degradado em decorrência da evasão de população para os subúrbios. No caso de Atlanta, essa realidade tornava-se mais grave por conta da postura racista da população branca, que determinava o centro degradado da cidade como uma área de população pobre negra. A postura racista da população teve o respaldo de forças políticas que criaram um sistema de transporte de massa para atender às necessidades de locomoção da população pobre, moradora da região central da cidade, que não tinha acesso ao automóvel particular. Entretanto, esse sistema de transporte não se conectava às áreas suburbanas de maioria branca, em função da desejada separação entre o centro negro da cidade e seus subúrbios brancos.
Assim, ao longo das décadas de 1970 e 1980 a cidade fez grandes investimentos na implementação de um sistema viário de grande capacidade para atender à demanda de tráfego gerada pela população que vivia afastada das áreas comerciais centrais. Essaa prática levou à estagnação do sistema de transporte público da cidade que cobre apenas a sua área central e consolidou Atlanta como uma cidade dependente do automóvel, com grandes volumes de congestionamentos em horários de pico.
Com isso, a preparação da cidade para os Jogos Olímpicos expandiu o sistema viário existente e estendeu a cobertura do sistema de metrô e ônibus que servem a região central. Porém, o dimensionamento do sistema permanente de transporte público ficou abaixo do número de espectadores que compareceram aos Jogos de 1996. Logo, a falta de um sistema de transporte eficiente, aliado à dependência do automóvel particular, gerou grandes congestionamentos nas vias de acesso ao estádio Olímpico de Atlanta, localizado na região central da cidade.
Em um esforço para regenerar o potencial econômico do centro da cidade, a organização dos Jogos de Atlanta distribuiu todas as instalações olímpicas pela região. Essa decisão agravou os problemas de tráfego enfrentados cotidianamente pela cidade, uma vez que ela não dispunha de um sistema de transporte de massa eficiente, que ligasse o estádio olímpico às demais instalações de forma direta. Com isso, houve graves problemas de acessibilidade durante os eventos esportivos, de modo que atletas e profissionais de mídia não conseguiam chegar ao seu destino por causa dos altos níveis de congestionamentos, nas vias que circundavam o estádio olímpico.
Essa falta de conexão entre o estádio olímpico e um sistema de mobilidade urbana eficiente e abrangente determinou a necessidade de grandes áreas de estacionamento nos
arredores do Estádio Olímpico de Atlanta. Isso levou o edifício a ser implantado nos limites do centro comercial da cidade, em uma região de antigos galpões e depósitos. Por ser uma área utilizada no passado para o armazenamento de mercadorias, essa região possui acesso direto a uma das vias expressas que corta a cidade, no entanto é completamente desconectada do sistema de transporte público. Assim, a ausência de conexão entre o sistema de transporte de massas e o estádio e as grandes áreas de estacionamento do seu entorno, além do seu uso atual, exclusivo para o beisebol, enfraqueceram a sua conexão com a malha urbana da cidade e, por consequência, o processo de regeneração da área.
O local de implantação do Estádio Olímpico e a falta de inter-relação entre esse edifício e os sistemas de mobilidade urbana exerceram influência direta no potencial do Estádio Olímpico de Atlanta como uma ferramenta de regeneração do tecido urbano do centro da cidade. Além de não estabelecer um processo de regeneração do seu entorno, o Estádio de Atlanta em pouco colabora para ser tornar um elemento urbano capaz de catalisar desenvolvimentos para os sistemas de transporte público.
Logo, as estratégias utilizadas pelos Jogos de Atlanta não resultaram em um plano capaz de reverter os investimentos gastos em estruturas esportivas e no desenvolvimento dos sistemas de transporte de massa em benefícios para a cidade no longo prazo. O Estádio Olímpico foi parcialmente demolido, dando lugar a um estádio de beisebol, que, assim como
Imagem 16: Estádio Olímpico de Atlanta, próximo às vias expressas I-75 (norte-sul) e I-20 (leste- oeste). O estádio foi reduzido após os jogos de 1996, transformando-se em um estádio de beisebol. Fonte: Google Earth
seu predecessor, encontra-se rodeado de vias expressas e grandes áreas pavimentadas, dedicadas ao estacionamento de veículos que o isolam do tecido de seu entorno. O sistema de transporte de massa, mesmo com as expansões feitas para os Jogos Olímpicos, não o conecta aos subúrbios residenciais ou ao centro comercial, reafirmando a dependência da cidade do automóvel particular.
Diante disso, pode-se afirmar que a principal oportunidade perdida pela cidade tenha sido a possibilidade de, em virtude dos Jogos Olímpicos, colocar em prática um plano de expansão do transporte público de massa, oferecendo à população um sistema de mobilidade mais eficiente que o seu sobrecarregado sistema viário.
Dada a ausência do poder público na organização dos Jogos de Atlanta, perdeu-se a oportunidade de gerar grandes transformações na maneira como as pessoas vão se deslocar pela cidade no futuro. Os investimentos foram destinados primeiramente para a expansão da rede viária e para a criação de um novo sistema de controle de tráfego. As empresas de transporte público fizeram pequenos investimentos na extensão de algumas linhas existentes para os Jogos, sendo que estas expansões já estavam previstas antes do anúncio dos jogos. (KASSENS (2009, p.179 , tradução nossa).