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7. EK BİLGİLER

7.2. Görsel sistem

De forma amplamente considerada, pode ser sustentado que o lugar e o papel dos países latino-americanos nas discussões sobre circulação de drogas fora de relevância e protagonismo marginais, durante praticamente os três primeiros quartos do século XX. Em parte talvez pelo próprio lugar político relativamente periférico ocupado pela América Latina nas relações internacionais, mas também, e principalmente, porque se

constituíam em questões profundamente distintas das que marcariam os interesses das potências mundiais. Tanto no que respeita às nuances relativas às tradições e características de produção, quanto, em especial, relativas às constituições de um mercado consumidor interno. Sobre este, se não se pode dizer inexistente, certamente era incipiente e raramente despertou preocupações do ponto de vista da saúde pública. Quanto à produção e cultivo de substâncias psicoativas, merece destaque, principalmente, o despontamento e evolução das demandas por cocaína dos países andinos, à reboque das modificações nos padrões e finalidades de consumo dos produtos derivados da coca nos Estados Unidos da América e nas potências europeias. Assim, os países da América Latina se mantiveram relativamente não aderentes aos acordos primeiros firmados nas conferências, em geral emitindo posições de contrariedade e apontando para outros fatores que não tomassem como foco exclusivo as práticas e os territórios produtores de drogas. Há, inclusive, alguns registros pontuais do posicionamento de Peru, Bolívia e México, países que possuíam tradição produtora profundamente arraigada em alguns aspectos de suas culturas, mas que certamente também enxergavam o prenúncio de ciclos de interesse comerciais que elevariam suas

commodities psicoativas a patamares de produtos de exportação. De certa forma

antevisando o alargamento das questões relativas às intenções de gerenciamento da circulação de drogas no mundo, estes países se posicionaram de modo a criticar o enfoque limitado sobre a oferta, enfatizando que com esta visão se ignorariam as fundamentais questões envolvendo pobreza e desenvolvimento. Silva (2013) coloca que tais argumentos não fizeram eco nem tampouco nos próprios colegas latino-americanos, tornando claras as diferenças de capacidade de articulação em torno dos interesses a serem defendidos, especialmente se comparados às posições de países europeus como Holanda, Alemanha e Suíça, cujas representações se mostraram vigorosas na defesa de suas já sólidas indústrias de fármacos. Desta forma, a autora argumenta que as vias para o multilateralismo nas decisões internacionais incidentes sobre a questão das drogas fora paulatinamente sendo superadas pelo entendimento relativo à posição unilateral emanada principalmente pelos EUA, com certa margem aos interesses econômicos fortemente representados pelas diplomacias das potências mundiais.

A região se manteria, ainda por décadas, relativamente ausente não apenas dos debates internacionais sobre regulação das drogas, mas, principalmente, do exercício de qualquer protagonismo em termos mundiais, seja do ponto de vista da produção ou consumo. Este cenário ficaria inalterado até o momento em que passaria a sentir os

efeitos da brusca modificação e intensificação de comportamentos e hábitos de consumo de drogas catapultados pelos movimentos sociais de contracultura, em especial nos EUA. Os anos 1960 implicaram em impactos tais na organização social estadunidense, em especial sobre a população jovem, que uma forte demanda por importação e consumo de drogas levaria a exercer influência nos padrões culturais de plantio e consumo internos de alguns países latino-americanos, em especial os andinos e o México. Os primeiros viram e sentiram os efeitos de crescimento vertiginoso no interesse pela sua milenar commoditie, a coca; e o segundo, além de apresentar alternativa de plantio e rota de derivados da papoula (cujos produtos, embora reconhecidamente de menor qualidade que o ópio oriental, encontraram mercado), viu também a expansão e até a migração de plantadores de cannabis para regiões de fronteira com os EUA, ocasionando, inclusive, ofensivas contra o uso desta droga fortemente atreladas a um caráter étnico e de controle de fronteiras. O combate aos hábitos de uso de cannabis nos EUA esteve, em sua gênese, fortemente amalgamado a questões de política migratória, racial e territorial. E a crescente demanda por drogas estimulada pelos ares da contracultura dos anos 1960 modificaria, de forma irreversível, o papel dos países latino-americanos no cenário internacional de circulação de drogas. Marca significativa na história do papel dos países latino-americanos na circulação de drogas ao redor do mundo se encontra na atuação da Colômbia, a partir dos anos 1970. A combinação de distintos fatores, internos e externos, tanto de ordem econômica como social e cultural, nos auxiliam na compreensão do desenvolvimento do lugar da Colômbia como ator internacional na circulação de drogas. Em primeiro lugar, há um cenário em que os EUA lograram relativo sucesso no combate a plantações de cannabis no território colombiano. Como desdobramentos imediatos, mais uma vez proclamadores da não efetividade de controles sobre a oferta, as principais consequências foram a retomada de plantios no México, impulsionados pela constância da demanda por consumo, e também o desenvolvimento de plantios de coca e refino de cocaína no território colombiano, que viriam a substituir a cannabis como produtos para exportação. A Colômbia usaria todo um know-how de comércio e escoamento, adquiridos principalmente pelo contrabando de café, gado e esmeralda, além da estrutura e das práticas de tráfico estabelecidos no período de vigência do forte comércio da cannabis. Somado a isto, o governo colombiano, enfraquecido por conflitos civis e um contexto de instabilidade conhecido como La Violencia, que vigorara entre as décadas de 1950 e 1960, viu surgir um movimento armado e

politicamente organizado, que até o presente possui papel central na produção de cocaína no mundo: trata-se das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC. As transformações acarretadas pela entrada da Colômbia na produção e fornecimento mundial de cocaína se desdobraram, ainda, no fato de que este negócio, comercial e industrialmente falando, saltou de um patamar caseiro, do tipo fundo de quintal, para um empreendimento internacional bilionário, que passaria a expandir seu poder e atuação política, combinadas ao recrudescimento da violência e às estruturas de negócio sofisticadas, envolvendo produção, refino, armazenagem, transporte e rotas de distribuição. A profissionalização organizacional e a militarização funcional passariam a ser a marca dos cartéis colombianos em desenvolvimento nos anos 1980.

A posição do Brasil, em particular, fora também, até mais da metade das décadas do século XX, tímida. País sem tradição no cultivo de alcaloides em escala significativa, e com um mercado interno consumidor quase insignificante em termos de saúde pública, o Brasil se manteve reticente na gênese dos acordos internacionais sobre a questão. Internamente, o uso de drogas, embora presente desde o final de século XIX13, na forma

de fármacos e elixires à base de ópio, mostrou-se restrito e limitado a certa parcela da população e não teria suscitado maiores impactos. Na configuração dos acordos internacionais, pode-se dizer que o Brasil enredou-se diplomaticamente a partir de meados da década de 1930, tendo como expressão política interna dessa disposição a criação, em 1936, da Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes.

O Brasil se manteria, como já fora dito, relativamente alijado e ausente em termos de posicionamento e protagonismo internacionais no tocante às drogas, durante quase todo o século XX. Marco regulatório-legal de maior monta e impacto se daria apenas em 1976, com a Lei 6.368, de 21 de outubro deste ano. Esta lei vigoraria até a entrada da atual Política Nacional para Álcool e outras Drogas, objeto de nossa consideração mais adiante. Somente a partir da década de 1980, com a criação do Conselho Nacional de Entorpecentes, CONFEN, seria dado início a ciclos de entendimento sobre a questão das drogas nos planos interno e das relações exteriores. Em suas composições iniciais, o Conselho fora colegiado por principalmente juristas, nomeados diretamente pelo Ministro da Justiça, resguardadas autonomia e independência funcional. O caráter jurídico-político de suas composições emprestara às orientações do Conselho determinado viés diplomático, sobremaneira alinhado com as posições do Itamaraty.

13 Não se verifica, nesta tese, intenção de considerar os diferentes tipos e padrões de uso que se poderia dize à p - ode os ,àpossivel e teàe o t veisàe àdife e tesàfo açõesàeàt adiçõesài dígenas.

Assim, tem-se que a equalização do Brasil junto às decisões sobre as drogas no plano internacional se daria via CONFEN. Este alinhamento se fez presente, por exemplo, em acordos de cooperação entre o Conselho Nacional e o Bureau para drogas e crime da ONU, o United Nations Office for Drugs and Crime, UNODC. Relações de financiamento, apoio logístico e percursos formativos se deram entre ambos os níveis de atuação e regulamentação. Este momento coincide com a guinada absoluta na redefinição do papel da América Latina no mercado mundial de drogas. Fomentada pelo crescimento vertiginoso na demanda por cocaína, esta transformação marcaria substancialmente as décadas finais do século XX.

Benzer Belgeler