112 5.2.1.1. Formação, Filiação Institucional e Atuação
Roger Jones é um dos autores-coordenadores do “Foundations of Decision
Making”, o capítulo 2 do quinto relatório do grupo de trabalho II do IPCC. Possui
formação como cientista físico, e atualmente se dedica a uma abordagem interdisciplinar dos riscos decorrentes das mudanças climáticas. É professor do Instituto Victoria de estudos econômicos estratégicos, na Universidade Victoria (em Melbourne, Austrália) (VICTORIA UNIVERSITY, 2016).
Suas especialidades são: avaliação de métodos de risco climático, comunicação em ciência climática (percepção de risco e interface entre ciência e politica e hidrologia, cenários climáticos, histórico de dados climáticos e modelagem de analise das incertezas). Os métodos desenvolvidos por Roger Jones têm sido utilizados na Austrália e no mundo, bem como pelo IPCC. Participou do quarto e do terceiro relatórios desta instituição, e no quarto contribui para síntese para formuladores de politicas (VICTORIA UNIVERSITY, 2016).
5.2.1.2. Analise da Formação, Filiação Institucional e Atuação de Roger Jones
Roger Jones é cientista físico, especializado em avaliação de métodos de risco climático, comunicação em ciência climática, ciência e politica e hidrologia. É filiado a um instituto de estudos econômicos e participou da síntese para policy makers do terceiro e quarto relatórios do IPCC. Embora sua formação e atuação sejam majoritariamente correlacionadas com as ciências físicas, possui especialização em ciência politica, atua em um instituto de economia e participou da síntese para policy
makers em dois relatórios do IPCC. Esse quadro reflete interdisciplinaridade. Passemos
agora a analisar sua produção cientifica, de modo a analisar se sua formação e atuação refletem em sua produção.
5.2.2. Produção de Roger Jones
Com relação a sua produção científica, nos focamos em seus artigos publicados, sendo encontrado, um total de 15. Destes, 12 versam sobre tematicas de estrito dominio das ciencias naturais. Vejamos então o que dizem os três restantes:
113 Applying Risk Analytic Techniques to the Integrated Assessment of Climate Policy Benefits (Aplicação de técnicas analíticas de risco para a avaliação integrada dos benefícios de política climática26)
Roger Jones se propõe a discutir a distancia entre duas tradicionais formas de se analisar o risco em mudança climática. Estas duas abordagens seriam a analise custo- benefício e a abordagem da precaução. Jones apresenta uma seria de gráficos onde mostra os possíveis danos que as mudanças climáticas poderiam causar, diferenciando danos monetários de danos não monetários (JONES; YOHE, 2008).
O autor chega a mencionar que os modelos biofísicos não preveem as possibilidades de adaptações humana, mas a relação com as ciências humanas não vai além disso. Toda a argumentação se baseia em modelos matemáticos
Climate Change and the New World Economy: implications for the nature and timing of policy responses (Alterações climáticas e a nova economia mundial: Implicações para a natureza e o tempo de respostas políticas27)
A proposta é analisar como ficam as respostas politicas com a entrada de nações emergentes em uma economia de alta emissão de gases do efeito estufa. Conclui por fim que os atuais cenários de projeção de aumento de Co2 não tem sido eficazes, e que, portanto deveriam melhorar. Afirma também que não existe tecnologia para deter as mudanças climáticas, e que a ação global reduz os riscos, mas não os elimina (SHEEHAN; JONES et. al, 2008).
Embora sua proposta seja realizar uma análise politica e econômica, esta analise se dá tendo em conta somente modelos de ciências naturais, como formulas matemáticas para calcular o crescimento do uso de energia.
The Relationship Between Adaptation and Mitigation in Managing Climate Change Risks: a regional response from North Central Victoria, Australia (A relação entre adaptação e mitigação das alterações climáticas na gestão de riscos: uma resposta regional a partir de North Central Victoria, Austrália28)
26 Tradução livre
27 Tradução livre 28 Tradução livre
114 Jones analisa a complementaridade entre adaptação e mitigação na gestão dos riscos associados ao aquecimento global, e a absorção da temática pelo IPCC (JONES et. al, 2007).
Embora mencione (e só menciona) o papel das instituições, essa citada complementariedade se daria com mais cooperação entre diferentes áreas das ciências naturais, cruzando métodos e conceitos.
5.2.2.1. Analise da Produção Cientifica de Roger Jones
A produção cientifica de Roger Jones reflete somente a sua formação em áreas correlatas às Ciências Físicas. Em primeiro lugar, de seus 15 artigos publicados, 12 tratam de temas estritamente relacionados a estas áreas, sequer mencionando fatores sociais. Mas mesmo os três artigos restantes, não refletem nenhum grau de interdisciplinaridade com Ciências Sociais ou mesmo Ciências Humanas. Em “Applying
Risk Analytic Techniques to the Integrated Assessment of Climate Policy Benefits”, toda
a argumentação é realizada a partir de modelos matemáticos. O autor somente menciona que modelos matemáticos não podem prever as possibilidades de adaptação humana.
O artigo “Climate Change and the new World Economy: implications for the
nature and timing of policy responses”, como o titulo sugere, tem como proposta
realizar análises politicas e econômicas. Essa analise é feita, mas somente com métodos e conceitos de diferentes áreas das ciências naturais.
E por fim, no artigo “The Relationship Between Adaptation and Mitigation in
managing Climate Change Risks: a regional response from North Central Victoria, Australia”, Jones menciona a importância do papel das instituições na construção de
uma agenda interdisciplinar, mas neste artigo, a interdisciplinaridade somente apareceria entre diferentes domínios das Ciências Naturais.
5.2.3. Roger Jones: conclusão
Como se pode ver, embora o capítulo insista na necessidade de interdisciplinaridade, e reitere a importância das Ciências Sociais, o responsável pelo citado capítulo não parece ter uma atuação nestas áreas. Embora possua atuação institucional em domínios correlatos das ciências sociais, sua produção cientifica -a julgar pelos suas três publicações mais recentes- não reflete esta atuação.
115 A julgar pelas analises realizadas até o presente momento, conclui-se que a auto- apregoada interdisciplinaridade do IPCC consistiria somente de pratica discursiva para se legitimar enquanto comunidade epistêmica.