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A atividade básica da ciência é a pesquisa em sua indagação, apreensão da realidade social e busca de aproximação com o real. A pesquisa, por meio da problematização, da indagação ou do questionamento, apresenta a capacidade de estabelecer novas explicações para o real. Segundo Demo (1997, p. 36), a pesquisa é o “[...] diálogo inteligente com a realidade, tomando-o como processo e atitude, e como integrante do cotidiano.” Entendê-la como diálogo que se propõe à transformação do real é dotar, também, de qualidade política, o papel do pesquisador. Como princípio social, a pesquisa pode integrar o enfrentamento das desigualdades sociais, traçando a crítica aos processos que as desencadeiam e produzindo elementos que possam subsidiar a resistência social dos seres sociais nela envolvidos ou que dela se utilizarão.

A pesquisa social apresenta algumas características que a particularizam. A primeira característica é o fato de o objeto das Ciências Sociais ser histórico, portanto, a provisoriedade

é característica elementar de todo e qualquer objeto de estudo. A segunda característica, decorrente da primeira, diz respeito à consciência histórica do objeto em estudo, isto é, ao nível de consciência histórica em determinado tempo. A terceira característica é a premissa da existência de identidade entre sujeito e objeto de estudo, que se constitui quando o ser social pesquisador e o ser social pesquisado apresentam a mesma natureza. A quarta característica é que a pesquisa social é intrínseca e extrinsecamente ideológica, ratificando a inexistência de neutralidade na ciência. Por fim, o objeto de estudo das Ciências Sociais é essencialmente qualitativo, pois se expressa na e a partir da realidade social (MINAYO, 2008).

A pesquisa de Doutorado em Serviço Social tratou-se de uma pesquisa bibliográfica, do tipo explicativo e abordagem qualitativa. A pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias abrange “toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo [...]” (MARCONI; LAKATOS, 2002, p. 71). Tem como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com as produções existentes acerca de um determinado objeto de estudo e sua principal vantagem reside no fato de “[...] permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 2008, p. 50). Não se trata de mera repetição, pois propicia a apreciação de um tema sob um novo enfoque ou uma nova abordagem, podendo levar a conclusões inovadoras. Dentre os tipos de fontes bibliográficas, as publicações se referem ao conjunto representado por livros, monografias, pesquisas, publicações avulsas, etc. (MARCONI; LAKATOS, 2002).

O tipo explicativo visa identificar “[...] os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas” (GIL, 2008, p 50). Para Severino (2007, p. 123), a pesquisa do tipo explicativo é aquela que, “[...] além de registrar e analisar os fenômenos estudados, busca identificar suas causas [...]”. A abordagem qualitativa é utilizada para descrever a totalidade de um determinado problema, não envolvendo variáveis quantitativas. Considera a totalidade de componentes de uma situação, suas interações e influências recíprocas (GRESSLER, 2003). Na pesquisa qualitativa utilizam- se informações que não se encontram restritas à aparência, mas, que emergem através de mediações, contradições e desocultamentos. Nesse sentido, na pesquisa qualitativa, “[...] todos os fenômenos são igualmente importantes e preciosos: a constância das manifestações e sua ocasionalidade, a frequência e a interrupção [...]” (CHIZZOTTI, 2006, p. 83). A finalidade real da pesquisa qualitativa é desvendar as diferentes representações sobre um determinado tema, independentemente de as fontes de informações serem verbais ou escritas, em meio concreto (papel) ou digital. Entretanto, sua utilização abrange alguns pressupostos:

[...] Um primeiro pressuposto é o do reconhecimento da singularidade do sujeito. [...] O segundo pressuposto é que essas pesquisas partem do reconhecimento da importância de se conhecer a experiência social do sujeito e não apenas as suas circunstâncias de vida. [...] Isso nos remete ao terceiro pressuposto, que se expressa no reconhecimento de que conhecer o modo de vida do sujeito pressupõe o conhecimento de sua experiência social (MARTINELLI, 2003, p. 22-23).

O recorte histórico da pesquisa compreende o período de 2005 a 2012. O ano de 2005 representa o corte histórico inicial por coincidir com o lançamento do documento de posicionamento da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a adoção de uma abordagem renovada da Atenção Primária em Saúde (APS) nas Américas (OPAS/OMS, 2005). O ano de 2012 representa o corte histórico final, por se tratar do mais recente em termos retrospectivos. O universo ou população da pesquisa, “[...] conjunto de elementos que possuem determinadas características [...]” (GIL, 2008, p. 89), ou o conjunto de seres sociais ou seres inanimados que apresentam certas características em comum, se refere às publicações do Serviço Social representadas por:

1- Dissertações e teses disponíveis no Banco de Teses que integra o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Ministério da Educação (MEC), no período de 2005 a 2012, sobre o trabalho do assistente social no/na: Programa Saúde da Família (PSF), Estratégia Saúde da Família (ESF), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), Atenção Básica em Saúde (ABS) e/ou Atenção Primária em Saúde (APS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

2- Trabalhos publicados nos Anais dos Encontros Nacionais de Pesquisadores em Serviço Social (ENPESS), promovidos pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), no período de 2005 a 2012, sobre o trabalho do assistente social no/na: Programa Saúde da Família (PSF), Estratégia Saúde da Família (ESF), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), Atenção Básica em Saúde (ABS) e/ou Atenção Primária em Saúde (APS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Do universo ou população da pesquisa selecionou-se uma amostra, uma parcela ou um subconjunto de elementos a ele pertencentes, não probabilista intencional, isto é, não objeto de tratamento estatístico e composta por certos elementos do universo ou população que não lhe são representativos (MARCONI; LAKATOS, 2002). A amostra não probabilista intencional diz respeito às publicações do Serviço Social cujos resumos versaram especificamente sobre o trabalho do assistente social na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), no período de 2005 a 2012, selecionadas nas fontes bibliográficas, por

apresentarem informações comuns ao escopo da pesquisa e à reconstituição da realidade profissional. Após afirmar que os livros de leitura corrente são as fontes bibliográficas mais conhecidas, Gil (2008) cita outras fontes de interesse para a realização de pesquisas. Sobre as teses e dissertações observa que “fontes desta natureza podem ser muito importantes para a pesquisa, pois muitas delas são constituídas por relatórios de investigações científicas originais ou acuradas revisões bibliográficas” (ibid., p. 61). Quanto aos anais de encontro científicos, reitera que “os encontros científicos, tais como congressos, simpósios e fóruns, constituem locais privilegiados para apresentação de comunicações científicas [...]” (id.).

4.2 CONSULTA ÀS FONTES106 BIBLIOGRÁFICAS: UTILIZAÇÃO DOS