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Com as mudanças ocorridas ligadas à lógica assistencial do SUS e da RPB, vimos que a exigência da abstinência, aliada aos estigmas e a segregação social

perderam terreno no campo da assistência a essas pessoas. E é neste sentido, que os CAPS AD surgem como novos serviços em substituição ao modelo asilar, que se insere no próprio contexto social dos sujeitos, incluindo-os, junto com as famílias, na responsabilização e condução de seu próprio acompanhamento.

Em novembro de 2009, começa a funcionar o CAPS AD Primavera. Inicialmente se localizando em uma pequena casa na Praça Sólon de Lucena, no centro da cidade e, posteriormente, devido às limitações estruturais dessa sede, mudando-se, em 2011, para uma casa mais ampla, localizada também no centro de Cabedelo.

Considera-se, portanto, que a implantação de um CAPS AD, na cidade de Cabedelo, desponta como uma das prioridades a serem atendidas pela gestão municipal nesse período, contribuindo, assim, para as práticas preventivas, de assistência no ambiente, de diminuição de comportamentos de risco e de cuidado com o uso prejudicial de drogas, auxiliando no enfrentamento dessa questão de ampla magnitude e repercussão social.

Atualmente é considerado como referência do município para o atendimento aos agravos ocasionados pelo consumo de qualquer tipo de SPA (CABEDELO, 2012). Caracteriza-se como um serviço voltado à comunidade, acolhendo os usuários na perspectiva da RD, estimulando a convivência familiar e social e fornecendo apoio às iniciativas de fortalecimento da autonomia por meio da oferta de atendimento especializado.

A seguir, tomando como base o Relatório Anual de Gestão - RAG (CABEDELO, 2012) - do CAPS AD Primavera, transcrevemos as principais atribuições desse centro:

 Realizar acolhimento diário, fazer triagens, admissão e/ou encaminhamento para setor especializado;

 Prestar atendimento diário aos usuários dos serviços, dentro da lógica de RD;

 Trabalhar, junto a usuários e familiares, os fatores de proteção para o uso e dependência de SPA, buscando ao mesmo tempo minimizar a influência dos fatores de risco para tal consumo;

 Trabalhar a diminuição do estigma e preconceito relativos ao uso de SPA, mediante atividades de cunho preventivo / educativo.

 Promover, mediante diversas ações (que envolvam trabalho, cultura, lazer, esclarecimento e educação da população), a reinserção social dos usuários, utilizando para tanto recursos intersetoriais, ou seja, de setores como educação, esporte, cultura e lazer, montando estratégias conjuntas para o enfrentamento dos problemas.

 Gerenciar os casos, oferecendo cuidados personalizados;

 Realizar reuniões e grupos de família e comemorações dos aniversariantes do mês com os usuários do serviço;

 Oferecer de oficinas terapêuticas e elaborais em grupo para pessoas usuárias de álcool crack e outras drogas;

 Realizar Grupos operativos e terapêuticos;

 Dispor de atendimento individual em Enfermagem, Psicologia, Serviço Social, psiquiatria e Clínica geral;

 Acolhimento em leito de observação e repouso;  Realizar visitas domiciliares e busca ativa;

 Acompanhar os usuários em atendimentos em outros centros de saúde;  Trabalhar junto à família do usuário, de forma terapêutica e de orientação, em grupo e/ou individualmente;

 Realizar de reuniões técnicas, com espaço para discussão de casos clínicos, formação teórica, articulação da rede de cuidado e supervisão clínico- institucional;

 Incentivar e promover a Assembleia Geral dos usuários, com a participação dos familiares e técnicos do serviço;

 Realizar capacitação na área de álcool, crack e outras drogas para profissionais da rede de saúde e intersetorialidade;

 Promover espaços de troca de experiências, debates, fóruns, palestras e seminários na área de álcool e outras drogas no sentido de envolver outros setores com a questão;

 Implementar a articulação da rede de cuidado e assistência, colaborando na prevenção e na identificação e/ou compartilhamento dos casos com os serviços da especializada.

A equipe do CAPS AD é composta por profissionais de diferentes campos de atuação e formação, com o objetivo de prestar um atendimento integral. Nesse

sentido, o projeto de trabalho precisa decorrer a partir de uma relação democrática e participativa entre todos os profissionais da equipe e entre esses e a gestão (CABEDELO, 2012). Atualmente, no CAPS AD do município de Cabedelo trabalham desenvolvendo suas funções um total de 23 profissionais, sendo 15 profissionais de nível superior divididos nas categorias da assistência social, enfermagem, medicina psiquiátrica, nutrição, pedagogia, educação física, psicologia e terapia ocupacional e 08 profissionais de nível médio divididos nas categorias de técnico de enfermagem, auxiliar administrativo e recepcionista, entre outros.

A seguir, podemos visualizar o resumo das atividades diárias que acontecem nesse CAPS AD:

Quadro 5 - Cronograma resumido de atividades diárias

Manhã

08:00 - 12:00 Acolhimento / Triagem / Busca Ativa 08:00 Técnico Volante

08:30 Bom Dia

09:00 Lanche

09:20 Oficina ou Grupo Terapêutico 11:00 Oficina de Higiene

11:00 Fechamento das Atividades e Evolução do Prontuário 12:00 Intensivo

Tarde

13:00 - 17:00 Acolhimento / Triagem / Busca Ativa 13:00 Técnico Volante

13:30 Boa Tarde

14:00 Oficina ou Grupo Terapêutico

16:00 Lanche

16:00 Fechamento das Atividades e Evolução do Prontuário Fonte: Cabedelo (2012).

O atendimento nesse serviço ocorre de segunda a sexta-feira, das 08 às 17 horas, exceto na quinta-feira à tarde, quando ocorre a reunião técnica e de 15 em 15 dias a supervisão clínico-institucional. O acolhimento é feito nos dois turnos, com o objetivo de atender as demandas iniciais que esses usuários trouxerem.

Após esse momento de acolhimento inicial, acontece uma triagem, também chamada de 1º atendimento, onde os profissionais poderão compreender de uma maneira mais aprofundada a demanda que cada caso encerra. Caso essa demanda não seja específica para o CAPS AD, esse usuário é encaminhado para outro serviço da rede assistencial.

Aqueles que forem admitidos no serviço passarão por um processo de construção do seu próprio percurso de acompanhamento, utilizando-se o PTS. Dessa forma, pode-se definir a sua participação nos grupos e nas oficinas terapêuticas e/ou em atendimentos individuais, bem como nas diversas possibilidades que fazem parte de seu cotidiano e que estejam disponíveis em seu território.

Além disso, quando necessário, o caso será compartilhado com outros serviços da rede intra e intersetorial. Logo abaixo, observa-se o fluxograma de admissão do serviço.

Figura 4 - Fluxograma de admissão no serviço

Fonte: Cabedelo (2012).

Observa-se acima uma tentativa da descrição do percurso do usuário ao adentrar o CAPS AD Primavera. A equipe relatou que esse fluxograma foi construído coletivamente nas reuniões técnicas, obedecendo às observações diárias e demandas dos usuários. No entanto, observa-se que em algumas situações esse percurso não é necessariamente seguido, exigindo da equipe construções e improvisações a depender dos fatos. Por exemplo, a depender da demanda, o

usuário participará primeiro das atividades terapêuticas, das avaliações clínicas e psiquiátricas, entre outras, e em um segundo momento, terá o seu PTS construído.

Benzer Belgeler