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Para visualizarmos melhor a estrutura do capítulo Conhecimentos de

espanhol desenharemos o quadro indicativo dos temas e subtemas presentes no mesmo:

Quadro 3 – Conhecimentos de Espanhol nas OCEM/2006 Tópico 2: “Algumas especificidades no ensino

da língua espanhola a estudantes brasileiros” Tópico 3: “Orientações pedagógicas para o ensino de espanhol: sobre teorias, metodologias, materiais didáticos e temas afins”

2.1 O que fazer com a heterogeneidade do Espanhol?

2.1.1 Qual variedade ensinar?

2.1.2 Qual variedade os alunos devem aprender? 2.1.3 O que fazer quando a variedade presente no livro didático é diferente da empregada pelo professor?

3.1 Considerações gerais

3.2 Acerca dos objetivos e conteúdos a serem considerados no ensino do Espanhol

3.2.1 Habilidades, competências, e meios para alcançá-las

3.3 Métodos e abordagens de ensino 3.4 Sobre os materiais didáticos

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2.2 Algumas representações do Espanhol para os brasileiros.

2.2.1 Sobre a proximidade/distância entre o Português e o Espanhol

2.2.2 Sobre os efeitos da proximidade/distância nos processos de aprendizagem. O papel da língua materna na aprendizagem da língua estrangeira 2.2.3 Interferências, interlíngua, mesclas...¿Qué hacemos com el portuñol?

2.2.4 E a gramática?

A análise dos tópicos descritos no quadro será diferente da forma como analisamos o capítulo terceiro Conhecimentos de Línguas Estrangeiras, pois, como já descrito, não há, neste capítulo, uma explanação específica sobre a concepção de leitura e/ou ensino da mesma. Ao se falar de leitura neste capítulo se fala de forma breve e em conjunto com as outras habilidades: compreensão auditiva e comunicação oral. Por isso optamos apresentar esse capítulo de forma conjunta, chamando a atenção para o que consideramos importante para nosso trabalho, ou seja, as possíveis concepções de leitura presentes no texto.

O eixo condutor do capítulo Conhecimentos de Espanhol é a heterogeneidade da língua espanhola: uma língua presente em vinte países, dezenove somente na América Latina. Os teóricos que formularam o capítulo criticam o fato de que a língua espanhola seja estudada como se fosse uma única língua, ou, no máximo, tendo a variedade peninsular como o ponto central e propulsor do estudo do idioma. As demais variedades linguísticas, segundo os estudiosos, seriam tratadas apenas como acessórios e/ou curiosidades linguísticas. Essa forma de abordar o estudo da língua espanhola no Brasil chega a tal ponto que mesmo professores de espanhol de origem latino-americana que estão no Brasil, optam pelo ensino do espanhol peninsular e/ou por um espanhol estándar50.

Contudo, ―a homogeneidade é uma construção que tem na sua base um gesto de política linguística, uma ideologia que leva à exclusão‖ (BRASIL, 2006, p. 135). As OCEM convidam aos profissionais de língua espanhola e demais brasileiros a repensar o conceito de língua e de como ensiná-la. Não se pode continuar ensinando as variedades linguísticas da língua espanhola como um rol de falsos cognatos. Além do mais, seria equivalente a designação de ―un colectivo porteño‖ e ―una guagua

50Estándar: no dicionário Señas, 2006, é definido: ―1.adj. Que copia, repete e segue um modelo; 2.m Tipo ou modelo frequente de algo‖. (Tradução nossa). A intenção de estipular um espanhol

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habanera?‖ ―A que mundo cada um deles nos remete? Que papéis peculiares desempenham nessas realidades com necessidades, valores, culturas e histórias tão peculiares?‖ (BRASIL, 2006, p. 136).

Acreditamos que as diferenças culturais e sociais como as descritas anteriormente, influenciam diretamente na compreensão leitora de um texto em espanhol por leitores brasileiros. A aprendizagem da língua espanhola em nosso território é influenciada por diversos fatores que refletem questões políticas, sociais e culturais entre o Brasil e os países falantes de espanhol, principalmente, os países latino- americanos.

A dita proximidade/semelhança linguística já é um desses fatores que influenciam diretamente essa aprendizagem se pensarmos na compreensão leitora. Considerando que existe um alto número de palavras idênticas entre as duas línguas poderíamos dizer que, consequentemente, existe um nível alto de compreensão leitora. Porém, algumas pesquisas já apontam para diferenças cruciais entre essas línguas e que tendem a colocar em xeque essa proposição. Devemos sempre ter em mente que, ler um texto, principalmente em língua estrangeira, é ler com base na cultura e na visão de mundo dos falantes daquela língua.

A compreensão leitora, nas OCEM, é assim especificada (BRASIL, 2006, p. 151-152):

O desenvolvimento da compreensão leitora51, com o propósito de levar à

reflexão efetiva sobre o texto lido: mais além da decodificação do signo linguístico, o propósito é atingir a compreensão profunda e interagir com o texto, com o autor e com o contexto, lembrando que o sentido de um texto nunca está dado, mas é preciso construí-lo a partir das experiências pessoais, do conhecimento prévio e das inter-relações que o leitor estabelece com ele. Por isso, ler em língua espanhola também é construção de sentidos realizada por meio do (re)conhecimento das diferenças semânticas, sintáticas e morfológicas entre português e espanhol, e entre as diversas variedades espanholas. Cada língua representa social e culturalmente um determinado povo, sua maneira de expressar e dizer sobre sua compreensão de mundo.

Nesta seção buscamos compreender quais são as concepções de leitura presentes nos capítulos Conhecimentos de Línguas Estrangeiras e Conhecimentos de

Espanhol das Orientações Curriculares para o Ensino Médio/2006. Vimos que a

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concepção de leitura nesse documento está consoante com a teoria dos Letramentos, a qual defende que a leitura é uma prática social e cultural e tem como princípio ser um ato de conhecimento e de transformação do indivíduo na sociedade. As OCEM propõem o ensino e a aprendizagem de leitura de forma contextualizada e inseparável das outras habilidades, a compreensão auditiva e a comunicação oral.

O trabalho com leitura hoje também exige conhecimentos extras do professor de línguas. As novas formas de construir textos e ler surgidas com a internet influenciam na formação do leitor. Contudo, não podemos pensar que todas as sociedades e grupos vivenciam essa nova era da mesma maneira, que todos formam uma comunidade com as mesmas características. Neste aspecto nos deparamos com a questão da inclusão e exclusão de tantos indivíduos em nossa sociedade e do papel da escola como uma instituição que deve promover e propiciar a inclusão e o desenvolvimento humano e social dos estudantes, principalmente daqueles que vivem em comunidades menos letradas.

Na análise sobre as Resoluções que parametrizam os cursos de Licenciatura, em particular, de Letras, não encontramos, como vimos, concepções de leitura, porém, as Resoluções e os capítulos estudados nas OCEM, partilham de conceitos direcionados à formação para o desenvolvimento humano e a autonomia do estudante, a sua inserção no mundo do trabalho, a sua preparação para viver na sociedade atual. Essa preparação do estudante para sua inserção social exige que o profissional da educação, conforme as Resoluções, adquira e invista em sua formação inicial e continuada, e aperfeiçoamento de suas competências.

Na próxima seção investigaremos as concepções de leitura presentes no

Projeto Pedagógico de Curso de uma Universidade brasileira e no ementário de

algumas disciplinas.

Benzer Belgeler