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II. BÖLÜM

2.7. FUTBOL EKONOMİSİ

2.7.1. Futbol Ekonomisinin Boyutları

A relação entre o poder central, simbolizado pela corte do Rio de Janeiro, e as lideranças regionais das províncias apresentou-se como um tema profícuo em interpretações historiográficas que

50 Relatório do Ministério da Justiça (ministro João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú) do ano de 1862, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libra- ries e Latin American Microform Project <http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/ u1854/000004.html>.

visaram, sobretudo, responder à questão de como a América portu- guesa, com exceção da Cisplatina, manteve-se unida num mesmo Estado. Em estudo recentemente publicado, Miriam Dolhnikoff assevera que a importância conferida pela historiografia às reformas de caráter descentralizador51 e centralizador,52 da primeira metade

do século XIX, relegou ao segundo plano um aspecto fundamental da política imperial – a existência de um pacto de tipo federalista organizado tanto por liberais quanto por conservadores, no seio da monarquia constitucional, que perpassou todo o processo de construção do Estado e permitiu a manutenção de sua unidade. De acordo com a autora, prevaleceu no Império um jogo de negociação e conflito, no qual as elites provinciais se constituíram à medida que conseguiam participar efetivamente do governo central, assumindo compromissos com a construção de um Estado Nacional (Dolhni- koff, 2005).

Escaparia às pretensões do presente capítulo remeter todos os participantes do debate historiográfico a recompô-lo em suas com- plexidades.53 Contudo, mesmo Dolhnikoff, que reavalia o binô-

mio descentralização-centralização, reconhece que a reforma de

51 Reformas corporificadas em duas legislações significativas: a criação do Código do Processo Criminal de 1832, que reforçou a função policial do juiz de paz eleito nas freguesias, e a emenda constitucional (o Ato Adicional de 1834) que extinguiu o Conselho de Estado e criou as Assembleias Legislativas Provinciais com competência para tomar diversas decisões autônomas. 52 Em conjunto, a Lei n.105, de 12 de maio de 1840, que interpretou a reforma

constitucional de 1834 (Ato Adicional) e limitou os poderes das Assembleias Provinciais, a Lei n.234, de 23 de novembro de 1841, que recriou o Conselho de Estado, bem como a reforma do Código do Processo Criminal de 1841 foram apontadas como as grandes reformas do Regresso Conservador. 53 Os debates a respeito do tema datam ainda do século XIX. Contudo, na his-

toriografia brasileira das últimas décadas, é possível destacar, entre outros, três textos fundamentais: Carvalho (1996); Dias (2005), “Ideologia liberal e construção do Estado”; e Mattos (1994). Os dois primeiros foram produzidos na década de 70 do século XX e o último, em meados da década seguinte. Com ênfase na figura do juiz de paz, também participou do debate o aqui já citado estudo de Thomas Flory (1981), originalmente publicado nos Estados Unidos, cuja tradução para o espanhol, pelo Fondo de Cultura Económica, data de 1986.

1841 consolidou o processo centralizador de um setor da burocracia imperial, o Judiciário, embora, para a autora, essa revisão conserva- dora não tenha alterado pontos essenciais do arranjo liberal estabe- lecido logo após a abdicação de Pedro I em 1831 (Dolhnikoff, 2005).

Nesse delicado jogo, estabelecido entre o centro e as províncias, a figura dos presidentes de província54 funcionava como a de dele-

gados do poder central nas diferentes partes do Império, encarrega- dos da negociação com as lideranças regionais. Sua existência estava prevista na Constituição de 1824 e suas atribuições foram alteradas de acordo com a criação de novas instituições e cargos provinciais. A emenda constitucional de 1834 estabeleceu como competência dos presidentes sancionar as leis aprovadas nas Assembleias Legis- lativas Provinciais ou devolvê-las para serem revistas e novamente votadas. Os presidentes eram também encarregados de subme- ter à Assembleia Provincial as propostas de reforma ou criação de novas posturas, conforme as solicitações enviadas pelas câmaras municipais, ou mandá-las executar em caráter emergencial até que pudessem ser votadas pelo legislativo da província. Suas diversas atribuições correspondiam às de todo o gabinete ministerial res- tritas à sua circunscrição administrativa e à relação hierárquica do Executivo. Entre as inúmeras competências dos presidentes de província estava a comunicação dos problemas apontados pelas autoridades policiais e judiciárias das comarcas, termos e municí- pios aos ministros da Justiça, bem como a mobilização de soldados permanentes e guardas nacionais para o combate às revoltas e aos crimes individuais considerados de maior gravidade, por gerarem comoções nas povoações (São Vicente, 2002).

54 O cargo de presidente provincial foi criado com a Constituição de 1824, o pro- jeto chegou a ser discutido na Assembleia dissolvida em 1823. Ao interpretar o artigo constitucional que regulamentava a livre nomeação e demissão dos presidentes, afirma Pimenta Bueno: “Esses agentes da administração central são os motores, as sentinelas avançadas da ação executiva, os encarregados de esclarecer o governo geral, de guardar a ordem, a paz pública, de promover os interesses, o progresso, o bem-ser das províncias, de coadjuvá-lo enfim em suas importantes e variadas funções” (São Vicente, 2002, p.395).

Em especial, é a função de autoridade executiva com alçada nos assuntos vinculados aos delitos públicos e particulares na província que torna o presidente um elo fundamental para o entendimento das transformações nas concepções do problema da criminalidade no período imperial, sob o olhar administrativo. Em São Paulo, como de resto nas demais províncias, os relatórios regularmente emitidos pelos presidentes eram apresentados nas sessões de aber- tura da Assembleia Legislativa Provincial. Em relação à crimi- nalidade, alguns presidentes, especialmente na segunda metade do século, preferiram realizar considerações gerais e anexar a seus relatórios os textos produzidos pelos chefes de polícia.

Assim como ocorria nos relatórios dos ministros da Justiça, antes de passarem à narração do “estado da segurança individual e da propriedade”, os presidentes referiam-se à situação da “tran- quilidade pública” na província. Nesse item, as notícias de revoltas de escravos ocupavam várias laudas dos relatórios dos presidentes de São Paulo. Apesar de tornarem-se mais frequentes na segunda metade do século, as informações a respeito da suspeita do plane- jamento de levantes escravos percorriam a província de um lado a outro, durante boa parte do período Imperial, espalhando-se mesmo pelas localidades que produziam apenas para o consumo de seus moradores e um pequeno comércio regional, onde as autorida- des sequer conseguiam indiciar vinte escravos para que se configu- rasse legalmente a prática do crime de Insurreição conforme os pre- ceitos do Código Criminal de 1830 (cf. Ferreira, 2005a, p.98-103).

Já no segundo relatório de 1848, o presidente Vicente Pires da Motta55 comunicou aos legisladores ter recebido notícias a respeito

do receio de insurreições em Campinas, Piracicaba e Itu (perten- centes respectivamente às regiões identificadas com os números

55 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente Vicente Pires da Motta) segundo de 1848, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libra- ries e Latin American Microform Project <http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/ u1085/index.html>.

XI, XVII e XIII no mapa “Província de São Paulo” – Figura 2). Os inúmeros ofícios remetidos à presidência pelas autoridades locais informavam que os fazendeiros da Freguesia de Indaiatuba, com medo, teriam abandonado suas residências. Soldados foram deslo- cados da capital para a região, mas nada foi encontrado. Apesar de não se ter confirmado a suspeita, o presidente advertiu os legislado- res de que a combinação de uma revolta de escravos com a delicada situação política do país poderia causar “males incalculáveis”.

Foi, porém, especialmente a partir dos anos 1860, com o aumento das denúncias e informações enviadas à presidência da província pelas autoridades locais a respeito de escravos que se insurgiam contra seus senhores ou feitores e logo após entregavam-se à prisão, que os chefes de polícia intensificaram suas críticas quanto à não aplicação da pena de morte prevista na lei de 10 de junho de 1835.

A penalidade imposta pela referida Lei tem sido burlada, prin- cipalmente no Júri da Capital; condescendência ou escrúpulo dos jurados que evitam sempre concorrer para imposição da pena capi- tal; entendendo alguns erradamente que ela só pode ser aplicável, concorrendo testemunho ocular com a confissão dos réus. A conse- qüência desgraçada deste prejuízo ou fraqueza, é que a penalidade ordinariamente aplicada a tais delitos se converte em estímulo para os escravos assassinarem seus senhores, como um meio de chegar as galés, que alguns referem ao cativeiro. Em vão se tem feito sentir isso no Júri da Capital.56

Os motivos para a não aplicação da referida lei, e em especial da pena de morte nela prevista como grau máximo, obedeciam a pelo menos duas ordens de questões. Por um lado, houve a prática,

56 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente Antonio José Henriques) de 1861, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libraries e Latin American Microform Project <http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/998/000046. html>.

incentivada pelo próprio imperador Pedro II, de se promover a sistemática comutação das penas de morte – por meio das prerroga- tivas de Clemência (recurso de graça) conferidas pela Constituição de 1824 ao detentor do Poder Moderador – em outras penas, tais como: prisão com trabalhos no caso de réus livres ou, como ocorria frequentemente no caso dos réus escravos, em galés perpétuas.57

Por outro lado, não interessava a alguns senhores que cativos de vultoso custo fossem perdidos por uma condenação à morte. Para evitar o transtorno havia entre senhores de Campinas e Taubaté, por exemplo, a tentativa de descaracterizar em juízo a condição de feitor da vítima (Machado, 1987) para que o seu cativo réu não fosse condenado com base na severa lei de 1835, mas sim pelo Código Criminal.58 Caso a estratégia fosse bem-sucedida, ao cativo conde-

nado em penas que não fossem de morte caberiam outros recursos jurídicos, além da comutação das penas de prisão em açoites.

Ainda a respeito desse tema, há um aspecto jurídico digno de nota. Tanto nos relatórios administrativos da época, como visto antes, quanto na historiografia que tratou do tema da criminalidade escrava, afirmou-se que muitos escravos no Sudeste na segunda metade do século XIX atentavam contra a vida de senhores e fei- tores e depois se entregavam à polícia por preferirem a prisão e as galés ao rigoroso cativeiro das plantations. Dependendo das condi- ções em que se dava o cativeiro esse argumento é bastante plausível. Entretanto, em seus comentários ao Código do Processo Criminal

57 “Art. 46 – A pena de prisão com trabalho obrigará aos réus a ocuparem-se dia- riamente no trabalho que lhes for destinado dentro do recinto das prisões, na conformidade das sentenças e dos regulamentos policiais das mesmas prisões [...] Art. 44 – A pena de galés sujeitará os réus a andarem com calceta no pé e corrente de ferro, juntos ou separados, e a empregar-se nos trabalhos públi- cos da província onde tiver sido cometido o delito à disposição do governo” (Código Criminal do Império do Brasil, comentado e anotado pelo conselheiro Vicente Alves de Paula Pessoa. 2.ed. (aumentada). Rio de Janeiro: Livraria Popular de A. A. da Cruz Coutinho, 1885, artigo 46, p.119 e artigo 44, p.115, os grifos são nossos).

58 Esse tema será tratado no Capítulo 3, que aborda mais detidamente as puni- ções de cativos indiciados como réus pelo Judiciário.

do Império do Brasil, o jurista Vicente Alves de Paula Pessoa acres- centa um outro aspecto relevante. De acordo com o autor, segundo o Aviso de 30 de outubro de 1872:

O direito dominical [do proprietário] sobre o escravo desapa- rece pelo fato da condenação definitiva do mesmo escravo a pena de galés perpétuas; e assim uma vez perdoado, e considerada a pe na extinta, não pode o condenado voltar à escravidão.59

Paula Pessoa cita ainda, no mesmo sentido, um parecer dado em resposta a uma consulta à Seção de Justiça do Conselho de Estado, publicado no segundo número da Gazeta Jurídica de 1873:

O perdão conferido pelo Poder Moderador anula a condição social dos escravos condenados a galés perpétuas que não podem voltar à escravidão; visto como em seu benefício, e não no interesse do antigo senhor, cessa por virtude da Graça, a perpetuidade da pena.60

Ou seja, pelo menos em teoria, caso um escravo fosse condenado às galés perpétuas pelo assassinato de um feitor ou senhor, e ainda assim, por habilidade das argumentações de seu defensor, fosse merecedor da Graça Imperial, ele se tornaria um homem livre. Esse era um expediente à mão dos interessados em ajudar os cativos a conquistar a liberdade por meio dos tribunais. Já é conhecida da historiografia brasileira a atuação de advogados e juristas simpati- zantes da abolição para a libertação de escravos por meio de proces-

59 Código do Processo Criminal de Primeira Instancia do Império do Brasil com

a Lei de 3 de dezembro de 1841 n.261, comentado e anotado pelo conselheiro

Vicente Alves de Paula Pessoa. Rio de Janeiro: Jacintho Ribeiro dos Santos Livreiro-Editor, 1899, nota 3206, p.499.

60 Código do Processo Criminal de Primeira Instancia do Império do Brasil com a

Lei de 3 de dezembro de 1841 nº. 261, comentado e anotado pelo conselheiro

Vicente Alves de Paula Pessoa. Rio de Janeiro: Jacintho Ribeiro dos Santos Livreiro-Editor, 1899, nota 1644, p.271.

sos cíveis.61 Contudo, se em muitos casos o direito penal servia aos

interesses de controle e punição a serviço dos senhores, em outros não estava descartada a sua utilização como “arena receptível e acessível às demandas escravas” (E. Azevedo, 2003.p.57).

A criminalidade escrava, sob o olhar administrativo, sempre tomou a feição das notícias de insurreição e atentados contra pro- prietários de escravos e seus prepostos. Contudo, no alvorecer da segunda metade do Oitocentos, o executivo da província paulista fazia coro com a sede do Império, no que respeitava à segurança individual. O mesmo presidente Pires da Motta, que em 1848 alertou os legisladores quanto à possibilidade de novas revoltas de escravos, manifestou na reunião de abertura da Assembleia Pro- vincial, anos depois, suas precauções quanto aos crimes violentos cometidos pela população em geral, os quais, em diferentes cir- cunstâncias do cotidiano, envolviam livres, libertos e escravos, mas não eram assim especificados no relatório. Em seu discurso relativo ao ano de 1850, o presidente Pires da Motta asseverou:

Estão quase extirpados os últimos restos da revolta em Pernam- buco [Praieira], e todas as províncias gozam de paz. Nesta Província [de São Paulo] a ordem e a tranqüilidade permaneceram inalteráveis, e devemos esperar que continue esse estado feliz. Se, porém, não tem aparecido crimes, que ameacem o sossego público, é muito para lamentar, que o mesmo se não possa dizer dos atentados contra a segurança individual. Não são raros os delitos contra a propriedade, mas a freqüência das violências contra as pessoas assusta e horroriza. Constantemente recebem-se participações de homicídios, alguns acompanhados de circunstâncias as mais agravantes, e odiosas.62

61 Dentre as obras que estudaram a libertação de escravos por meio de ações cíveis, destacam-se: Grinberg (1994 e 2002); Chalhoub (1990); E. Azevedo (1999). No tocante às estratégias jurídicas de libertação de escravos no con- texto da lei dos sexagenários, ver Mendonça (1999).

62 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente Vicente Pi- res da Motta) do ano de 1850, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Li- braries e Latin American Microform Project <http://brazil.crl.edu/bsd/ bsd/984/000003.html>.

Os temores pareciam não ser de todo injustificados. Se no final dos anos 1840 o avanço da criminalidade preocupava as autorida- des administrativas provinciais, duas décadas mais tarde (1870), no auge da expansão da produção cafeeira, São Paulo figurava na estatística policial do Império como a terceira colocada na lista das províncias com maior número total de delitos praticados. Na época, segundo o relatório do chefe de polícia, São Paulo perdia apenas para Pernambuco, cuja população era maior “na razão de um terço”, e para o Ceará, que tinha metade dos habitantes da pro- víncia paulista.63

O então futuro ministro da Justiça José Thomaz Nabuco de Araújo tomou posse na presidência de São Paulo em 27 de agosto de 1851, quando ainda pertencia ao Partido Conservador. No ano seguinte, da mesma maneira como faria logo a seguir à frente da pasta da Justiça na corte, providenciou a preparação das estatísticas criminais e judiciárias da província. Os padrões constantes nos mapas de São Paulo não destoavam daquele apresentado em relação ao restante do Império. Consta que foram submetidos aos tribunais do júri de primeira instância em São Paulo, no ano de 1851, 176 cri- mes em 151 processos.64 Mais de 80% tratavam de crimes particula-

res, e dentre esses, quase 90% se referiam a homicídios e ferimentos. Mais recorrentemente do que ocorria nos mapas criminais do Ministério da Justiça, no entanto, na província de São Paulo o número de réus escravos era, em alguns casos, divulgado separa- damente dos réus livres e libertos. Ainda assim, entre os processos julgados nas comarcas de São Paulo em 1851, o pequeno número

63 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente José The- odoro Xavier) do ano de 1874, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libraries e Latin American Microform Project <http://brazil.crl.edu/bsd/ bsd/984/000003.html>.

64 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente José Thomas Nabuco de Araújo) do ano de 1852, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libra- ries e Latin American Microform Project.

de réus cativos (11,1%)65 em relação aos livres ratificou a tendência

entre os números apurados para o país como um todo. Nos anos seguintes, mesmo considerando-se que ora constavam estatísticas criminais preparadas pela secretaria de polícia, ora o número de processos-crime julgados pelos tribunais do júri de cada comarca, a participação cativa manteve-se em torno de 10% do total. Anexada ao relatório de 1871, uma listagem intitulada “Crimes cometidos na Província de São Paulo em 1870”66 apresenta um total de 389

réus listados, dos quais 26 (6,68%) eram cativos. Com base nessas informações, é possível inferir que, independentemente das varia- ções locais entre a população livre e escrava, manteve-se a tendência geral na província de os escravos comporem uma pequena fração do total de réus.

Ainda no relatório de 1871, foi apresentado um recenseamento dos “presos existentes nas cadeias da Província de São Paulo em 1870”.67 A listagem totalizou 292 encarcerados, dos quais 114 eram

escravos. Adiante falaremos mais detalhadamente das cadeias da província paulista; por ora, vale ressaltar que, num período em que os ataques violentos à autoridade senhorial em São Paulo sofre- ram um grande incremento, o recenseamento menciona 52 (45,6%) cativos condenados pelos crimes da lei de 10 de junho de 1835, ou

65 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente José Thomas Nabuco de Araújo) do ano de 1852, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libra- ries e Latin American Microform Project.

66 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente Antonio da Costa Pinto Silva) do ano de 1871, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Re- search Libraries e Latin American Microform Project <http://brazil. crl.edu/bsd/bsd/1012/000152.html> até <http://brazil.crl.edu/bsd/ bsd/1012/000159.html>.

67 Relatório dos Presidentes da Província de São Paulo (presidente Antonio da Costa Pinto Silva) do ano de 1871, disponível na página eletrônica do Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Re- search Libraries e Latin American Microform Project <http://brazil. crl.edu/bsd/bsd/1012/000142.html> até <http://brazil.crl.edu/bsd/

Benzer Belgeler