2.2. Yürütücü İşlevler
2.2.1. Frontal Loblar ve Yürütücü İşlevlerle İlişkisi
cláudio mesquita: [...] vai jogar golfe, tênis...esporte de massa é assim no mundo inteiro!! [...] 300
Como demonstra a citação acima, a segunda linha de pensamento identifica o vôlei, assim como o futebol, enquanto um esporte de massa. É colocado, também, em oposição os tênis e ao golfe301, esportes de elite. A representação socialmente difundida
297 Apesar de não haver clareza se a defesa do leitor-comentarista é pela não transmissão da partida como
forma de punição, acho pouco provável que ele esteja apoiando que a televisão assuma, como um critério para a transmissão ou não de jogos de um clube, o comportamento dos habitantes do município que o abriga.
298 VÔLEI Futuro critica multa dada ao Cruzeiro e ironiza STJD. Folha de São Paulo. 14 de abril de
2011. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/esporte/902694-volei-futuro-critica-multa-dada-ao- cruzeiro-e-ironiza-stjd.shtml>. Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
299 Como já previamente discutido, essa posição é questionada por muitos leitores-comentaristas que
apontam que essa defesa do Vôlei Futuro busca beneficiar-se de uma outra punição, a perda do mando de quadra do Cruzeiro.
300
Comentário da reportagem do site do Estado de Minas intitulada “Vôlei Futuro vence o Cruzeiro em casa e força o terceiro jogo, em Contagem”, de autoria de Patrick Vaz, de 9 de abril de 2011. Disponível em: <http://www.rj.superesportes.com.br/app/1,15/2011/04/09/noticia_volei,181416/volei-futuro-derrota- cruzeiro-em-casa-e-forca-terceiro-jogo.shtml>. Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
301
da elitização de tais esportes pode ser associada tanto a seus praticantes, como aos seus torcedores/assistentes. No caso dos praticantes, é notável em nosso país o baixo número ou a total inexistência de espaços públicos para a sua prática e o alto custo de seus equipamentos, o que dificulta ou inviabiliza a prática pelas camadas populares, justificando o imaginário. Tratando, por sua vez, dos torcedores, tanto o golfe quanto o tênis são modalidades nas quais a torcida tradicionalmente não demonstra apoio por meio de gritos e cânticos. Além disso, neles não é comum que haja vaias ou qualquer manifestação visando atrapalhar o atleta adversário. Tal comportamento da torcida é entendido, assim, como típico de um esporte de elite, como descreve o leitor- comentarista:
otavio viegas: A intenção era desestabilizar o jogador para que seu time perdesse a partida. Só isso. É um jogo de vôlei, e a torcida quer derrubar o time adversário. Não era um jogo de tênis em que os
torcedores se comportam como lords.302
Assim, a figura do rico, elegante e educado lord é usada para definir o já citado comportamento dos torcedores de esportes de elite. Outro comentário que opõe massa e elite traz novas questões:
eu eueu: por essas e outras que perderemos competições importantes que poderiam ser feitas no Brasil...a educação que é a base está podre, então, quem vai a estádios e ginásios, solta o seu lado animal para intimidar. Não considero torcedor, considero uns ignorantes e olha que tem gente letrada no meio, mas xinga por xingar. Por isso não tem muita torcida em jogo de cricket, polo, golfe, xadrez, tiro, hipismo, pois são competições que exigem inteligência, destreza, concentração, raciocínio, conhecimento.303
O(A) leitor(a)-comentarista entende que o comportamento agressivo dos torcedores é fruto de uma má educação. Os “letrados” são colocados como exceção, que “xingam por xingar”, aparentemente conduzidos pelo contexto. Em oposição aos esportes que alimentam o “lado animal” desses “ignorantes”, temos os jogos que desenvolvem a destreza, a inteligência e a concentração. Para o(a) autor(a) do comentário, o motivo de tais esportes não possuírem torcida seria o baixo número de pessoas devidamente educadas para entendê-los e apreciá-los.
302 Comentário da reportagem do site da Folha de São Paulo intitulada “Vi um ginásio inteiro gritando
'bicha', diz Michael”, de autoria de Mariana Bastos, de 6 de abril de 2011. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/esporte/898787-vi-um-ginasio-inteiro-gritando-bicha-diz-michael.shtml>. Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
303 Comentário da reportagem do site da Folha de São Paulo intitulada “Vôlei Futuro reclama de
homofobia em Minas; Cruzeiro rebate”, de autoria da editoria do site, de 4 de abril de 2011. Disponível
em: <http://www1.folha.uol.com.br/esporte/898237-volei-futuro-reclama-de-homofobia-em-minas-
É claro perceber que a oposição apresentada entre o vôlei ou futebol (não há clareza sobre qual deles se trata) e “cricket, polo, golfe, xadrez, tiro, hipismo” é uma categorização, sobretudo, entre modalidades consideradas, no Brasil, como de elite e modalidades populares. Ao propor que modalidades tradicionalmente populares não exigem atributos preponderantemente cognitivos, o(a) leitor(a)-comentarista caracteriza o pobre como ignorante, incapaz de praticar atividades que exijam algo além esforços físicos.
A afirmação da necessidade de um comportamento considerado apropriado como pré-requisito para sediar competições internacionais é bastante lembrada em outras citações. Em função da proximidade da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no país, o caso é apontado como motivo de preocupação até mesmo por um dos procuradores responsáveis por julgar o caso, Fábio Lira:
Recebi a denúncia com tristeza. É difícil ver, em 2011, atitudes como esta em um país que vai receber a Copa do Mundo e a Olimpíada em alguns anos304
Uma série de leitores-comentaristas também demonstra tal receio.
Luís Queiroz: Imagine se ele fosse um atleta estrangeiro na copa do mundo? A nossa torcida pode execrar motivada pela opção sexual pessoal do atleta? 305
Assim como na citação acima, vários comentários avaliam que a manifestação seria mais grave caso ocorresse na Copa ou nas Olimpíadas, pois julgam que tal atitude teria repercussão internacional negativa. Não foi encontrada nenhuma fala que contraponha essas afirmações, defendendo que esse padrão seria visto com naturalidade. Houve, contudo, um leitor-comentarista que apresentou outro ponto de vista:
Paulo Bruno Cardoso: Vergonha é esse seu pensamento. Já teve copa do mundo no Brasil e a única vergonha foi o Brasil ter perdido a final para o Uruguai. Em 2007 teve Panamericano no Rio, exceto Oscar, ex-atleta da seleção brasileira de basquete, ter vaiado atletas de outros países em provas de ginástica, nada ocorreu que envergonhasse o Brasil. Esses casos de homofobia se acentuaram desde as eleições, por conta da PEC 122/06 lei da homofobia e pastor Malafaia com seus discursos histéricos.306
304
BARSETTI, Sílvio. Cruzeiro recebe punição inédita por homofobia. O Estado de São Paulo. 14 de abril de 2011. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cruzeiro-recebe-punicao- inedita-por-homofobia,706055,0.htm>. Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
305 Comentário da reportagem do site de O Estado de São Paulo intitulada “Se ficar calado, todo mundo
vai achar que é normal, diz Michael”, de autoria da editoria do site, de 9 de abril de 2011. Disponível em: <http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=85E170506925492D8546CBC5492D715E> . Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
306 Comentário da reportagem do site da Folha de São Paulo intitulada “Equipes trocam acusações em
Assim, Paulo Bruno Cardoso, a partir de exemplos recentes, não acredita que o Brasil irá desempenhar um papel vergonhoso. Contudo, lembrando dos Jogos Panamericanos, ele afirma que a “exceto Oscar, ex atleta da seleção brasileira de basquete, ter vaiado atletas de outros países em provas de ginástica, nada ocorreu que envergonhasse o Brasil”, demonstrando que ele também considera que determinadas manifestações – ainda que no caso, não proferidas pela torcida – são, sim, motivo de constrangimento à nação.
Essas duas categorias, esporte de massa ou esporte de elite, carregam consigo, assim, uma série de valores. A partir dos textos analisados nesta pesquisa, o primeiro é reconhecido como um esporte popular, cujo público é pobre, não civilizado, sem educação, agressivo. Já o segundo é um esporte de público seleto, cortês, disciplinado. Assim, percebe-se que, para alguns leitores-comentaristas, a naturalização ou não das manifestações contra Michael está relacionada ao enquadramento do voleibol enquanto um esporte de massa ou um esporte de elite. Assim, associar uma suposta entrada de torcedores de futebol à ocorrência manifestações agressivas nos ginásios de voleibol é não só enquadrar o futebol ou o vôlei dentro de um conjunto de características, mas associar todos os esportes de massa a tais padrões, demonstrando um julgamento de valores referente a classes sociais. Essa visão pode, também, ser observada na citação de Raul Plasmann, publicada em matéria do Estado de Minas:
Entendo o caso do vôlei como grande oportunismo do time paulista.
Esse tipo de ofensa, normal no futebol, está chegando agora ao outro esporte porque este se popularizou. O torcedor de futebol virou também torcedor do vôlei e carrega essa cultura do campo para a quadra. Até no tênis lembro que aconteceu isso numa Copa Davis no
Rio. Sinto também que às vezes há exagero.307
No relato, a permissividade às ofensas homofóbicas é creditada à popularização do voleibol. Assim, a transformação do contexto dessa modalidade teria ocorrido pela inserção desse novo grupo, da massa, que carregaria consigo a cultura de agressividade já normalizada no futebol.
Além disso, o torcedor popular, associado ao futebol, é apontado como o transmissor de um determinado comportamento, marcado exclusivamente pelas ofensas.
<http://www1.folha.uol.com.br/esporte/899157-equipes-trocam-acusacoes-em-caso-de-homofobia-no- volei.shtml>. Acesso em: 15 de janeiro de 2012.
307 Raul Plasmann, entrevistado em Reportagem do site de O Estado de Minas intitulada “Nos tempos de
Vanderléa”, de autoria de Ivan Drummond, de 14 de maio de 2011. Disponível em: <http://www.rj.superesportes.com.br/app/1,15/2011/04/14/noticia_volei,181822/nos-tempos-de-
Questiono, contudo, a justificativa simples de que são os torcedores de futebol que passaram a frequentar outros espaços, difundindo a “cultura do campo”. Será que, na Copa Davis no Rio, as pessoas que se portavam de uma maneira considerada inapropriada para o tênis eram torcedores de futebol? Ou eram pessoas quaisquer que, inseridas na sociedade brasileira e vivenciando seu contexto esportivo, estão acostumadas a vibrar com um ponto (gol, cesta) e vaiar para o adversário?
Novamente “esse tipo de ofensa” é visto como natural. Dessa forma, a atitude do vôlei futuro é vista como oportunista e exagerada.