Uma pesquisa pode ser classificada em diferentes formas, tais como: o tipo de problema a ser analisado, o tipo de pesquisa empregado e o método utilizado.
5.1.1 Os tipos de pesquisa
Para CERVO & BERVIAN (1996), o interesse do homem pelo saber, o conduz a investigar a realidade sob os mais diversos aspectos e dimensões, por outro lado, cada abordagem admite níveis diferentes de aprofundamento e enfoques específicos, conforme o objeto de estudo e os objetivos do trabalho.
Desta forma, o autor divide inicialmente as pesquisas em pura e aplicada, que se diferenciam basicamente pela aplicabilidade de cada uma delas.
Na pesquisa básica ou pura, o pesquisador tem como meta o saber, buscando satisfazer uma necessidade intelectual pelo conhecimento, ou seja, nesse tipo de pesquisa não há necessidade de uma aplicabilidade prática imediata para justificar a realização do estudo;
Já na pesquisa aplicada, o investigador é movido pela necessidade de contribuir para fins práticos, podendo ser imediatos ou não, buscando soluções para problemas concretos.
Tanto as pesquisas puras, quanto as aplicadas, são necessárias ao progresso científico e tecnológico de uma civilização, uma vez que as duas não se opõem ou se anulam, mas se complementam para formar o conhecimento científico.
5.1.1.1 Pesquisa Bibliográfica
Segundo CERVO & BERVIAN (1996), a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente, ou como parte de uma pesquisa descritiva ou experimental. Em ambos os casos buscam-se conhecer e analisar as contribuições culturais e científicas do passado, existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema.
De acordo com LAKATOS & MARCONI (2006), a pesquisa bibliográfica pode ser dividida em oito fases:
• Escolha do tema. Depende de fatores internos (aptidões, interesse pelo assunto e qualificação pessoal do pesquisador) e externos (disponibilidade de bibliografias, tempo e possibilidade de acesso a pessoas e informações);
• Elaboração do plano de trabalho. Normalmente um plano de trabalho elaborado no início dos trabalhos de pesquisa são alterados durante seu desenvolvimento, mas não por isto torna-se dispensável na fase inicial da pesquisa;
• Identificação. É a fase do reconhecimento dos assuntos pertinentes ao trabalho proposto;
• Localização. Feita através de fichas bibliográficas de bibliotecas ou por redes de computadores;
• Compilação. É a reunião sistemática do material contido em livros, revistas, publicações científicas em geral;
• Fichamento. Consiste em organizar as informações obtidas através de fichas onde as buscas futuras poderão ser feitas com bastante facilidade;
• Análise e interpretação. Toda referência bibliográfica deve passar por uma interpretação crítica, de como foi conduzido aquele trabalho, como se obtiveram as informações ali dispostas, se as informações ainda são válidas após os últimos avanços científicos e tecnológicos na área. Para textos em língua estrangeira, deve-se verificar se as traduções foram bem conduzidas e se realmente expressam o que o autor havia descrito;
• Redação. Varia de acordo com o tipo de trabalho científico que se pretende desenvolver, monografia, dissertação, ou tese.
5.1.1.2 Pesquisa descritiva
Para CERVO & BERVIAN (1996), a pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los.
Segundo o mesmo autor a pesquisa descritiva pode assumir diversas formas, entre as quais se destacam:
Estudos explanatórios: estudos amplos que normalmente não dependem de uma hipótese, servindo de partida para a identificação de uma proposta de pesquisa por outra forma;
Estudos descritivos: consistem no estudo das características, propriedades ou relações existentes em uma sociedade, assim como no estudo explanatório, normalmente favorecem a uma pesquisa mais ampla;
Pesquisa de opinião, procura identificar preferências, opiniões, atitudes e pontos de vista. Através de uma quantidade grande de investigações pretende-se identificar tendências e reconhecer interesses em uma determinada população;
Pesquisa de motivação, procura identificar quais os motivos que levam uma população a tomar determinadas atitudes;
Estudos de caso, é a pesquisa sobre um indivíduo, uma organização, um grupo ou uma comunidade para analisar aspectos variados de sua vida. De acordo com MARTINS (1994), os estudos de caso são validados pelo rigor do protocolo estabelecido. Segundo PARRA FILHO & SANTOS (2001), neste tipo de pesquisa deve-se obter o máximo possível de informações sobre o grupo em estudo, é importante observar como, o que e porque os fatos
ocorrem. Deve-se ainda, tomar o cuidado de observar a freqüência e a importância de cada fenômeno para o grupo como um todo;
Pesquisa documental. Por meio da pesquisa de documentos, identifica-se tendências, diferenças e outras características da população estudada. Diferente da pesquisa histórica o que se busca são fatos presentes.
5.1.1.3 Estudo de caso
De acordo com Lazzarini citado por FERRARI (2002), o estudo de caso caracteriza-se por apresentar um maior foco na compreensão dos fatos, do que propriamente na sua mensuração.
Segundo Westbrook citado por FERRARI (2002), o mérito do estudo de caso é ser integrador, envolvendo importantes variáveis, numa análise do mundo real.
Segundo CHIZZOTTI (2001), o estudo de caso é uma caracterização abrangente, para designar uma diversidade de pesquisas, que coletam e registram dados de um caso particular ou de vários casos, a fim de se organizar um relatório ordenado e crítico de um experimento, ou avaliá-la analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou propor uma ação.
De acordo com o mesmo autor, o caso é tomado como unidade significativa do todo, portanto, suficiente para fundamentar um julgamento e propor intervenções. Os estudos de caso podem ser divididos em 3 etapas: Seleção e delimitação do caso, o trabalho de campo e a organização e redação do relatório.
A seleção e delimitação do caso são decisivas na análise da situação estudada. O caso deve ser significativo para merecer a investigação, e por meio de comparações aproximativas, possam ser feitas generalizações.
O trabalho de campo visa reunir e organizar um conjunto de informações. A coleta de informações pode exigir negociações prévias e depender da anuência da hierarquia das organizações. As informações poderão ser obtidas em materiais escritos, entrevistas ou qualquer outra forma de transmissão de informações.
A organização e a redação do relatório poderão ter um estilo narrativo, descritivo, analítico, ser ilustrado ou não. Seu objetivo é apresentar os múltiplos aspectos que envolvem o problema em estudo.
De acordo com YIN (1994), o estudo de caso é caracterizado por responder questões do tipo “como?” e “por quê?”, diferenciando-se dos surveys que pretendem quantificar os fenômenos com questões do tipo “Quanto?” e “Quem?”.
5.1.1.4 Pesquisa quantitativa
Segundo CHIZZOTTI (2001) a principal forma de pesquisa quantitativa, ou seja, aquela que se propõe a avaliar a intensidade e quantificar os acontecimentos, nas ciências sociais, é a pesquisa de avaliação ou survey. Neste tipo de pesquisa os dados normalmente são coletados através de questionários, que podem ser aplicados pessoalmente, implicando em um maior detalhamento e direcionamento das informações, ou através de correio convencional ou eletrônico.
Em qualquer um dos casos, os surveys dependem de uma quantidade grande de entrevistas, quando comparado com outros métodos de pesquisa aplicado às ciências sociais ou empresariais. A amostra deve ser de tamanho suficiente para se obter uma representação significativa do universo que se pretende estudar. Em universos muito heterogêneos, a alternativa para reduzir o tamanho das amostras é fazer um recorte na população, direcionando o foco do trabalho a apenas uma parte da população.
Para PARRA FILHO (2001), os surveys apresentam como principal vantagem a quantificação das características avaliadas, e uma maior possibilidade de generalização dos resultados a toda a população, objeto do estudo.
5.1.1.5 Pesquisa experimental
De acordo com DENCKER & VIÁ (2001), a pesquisa experimental consiste em investigações empíricas, que tem como principal finalidade testar hipóteses que dizem respeito a relações de causa e efeito. Envolvem: grupos de controle, seleção aleatória e manipulação de variáveis independentes.
Para CERVO & BERVIAN (1996), caracteriza-se por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o estudo. Através das situações de controle, procura-se evitar a interferência das variáveis externas. Desta forma interfere-se diretamente na realidade, manipulando-se a variável independente, a fim de observar o que acontece com a dependente.
Para atingir estes resultados, os pesquisadores utilizam técnicas e procedimentos em ambientes que propiciem o controle das variáveis, e não apenas a mensuração das mesmas.
Segundo DENCKER & VIÁ (2001), o método experimental é preferencialmente utilizado nas ciências factuais, por exemplo, nas pesquisas biológicas. Nas ciências humanas e sociais, porém seu uso é limitado por motivos éticos, uma vez que para estabelecer as variáveis de controle, o pesquisador, muitas vezes, deveria interferir no comportamento cultural e organizacional do grupo em estudo.
De acordo com CERVO & BERVIAN (1996), as pesquisas experimentais devem ser realizadas em diversas fases: escolha do assunto, delimitação do assunto, justificativa da escolha, revisão de literatura, formulação do problema, enunciado da hipótese, definição operacional das variáveis, amostragem, instrumentos, procedimento, análise dos dados, discussão dos resultados, conclusão, bibliografia e anexos.
O autor destaca inicialmente as fases de escolha e delimitação do assunto, uma vez que o assunto deve ser significativo ao nível de trabalho que se pretende realizar, e na delimitação do assunto, o autor coloca como uma importante etapa, que torna possível se estabelecer à abrangência e profundidade que o tema será tratado, sendo quanto maior abrangência do trabalho o mesmo tende a ser menos aprofundado, e vice-versa.
Em uma fase mais avançada, o autor destaca a fase de revisão de literatura, local em que o pesquisador conhece a situação atual do problema, verifica trabalhos semelhantes desenvolvidos sobre o mesmo tema, evitando desta forma a realização de pesquisas em duplicidade.
Destaca-se ainda a importância da amostragem, para que se possa trabalhar com parte de uma população e os resultados possam ser aplicados a toda esta população.