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Frekans Dağılımlarının Sonuçları ve Yorumu

BÖLÜM 4: METODOLOJİ VE UYGULAMA

4.10. Verilerin Analizi

4.10.2. Frekans Dağılımlarının Sonuçları ve Yorumu

Se a realidade é opaca, existem zonas privilegiadas- sinais, indícios- que permitem decifrá-la. (GINZBURG, 1980, p.177)

Antes de apresentarmos a análise do nosso corpus, julgamos relevante falar um pouco a respeito dos passos dados, nas trilhas da Internet, para chegarmos aos recortes interpretados na próxima seção e, também, àqueles já analisados nos capítulos anteriores. Este percurso teve início após termos realizado uma revisão de leitura acerca dos temas de interesse para esse trabalho, quais sejam, discurso, Internet e biblioteca escolar. Concluída essa primeira etapa, passamos para a coleta de dados, realizada através de constantes pesquisas on-line, tanto em sites especializados da área de Biblioteconomia/Ciência da Informação, quanto em motores de busca como o Google. Nessas buscas, contamos com algumas ferramentas interessantes, que direcionaram o nosso olhar para alguns sítios do ciberespaço, servindo-nos como “tábua de salvação” em meio à pluralidade, à deriva da rede, ajudando-nos a encontrar mais facilmente documentos sobre a biblioteca escolar que nos interessavam analisar. Como exemplo desses recursos utilizados, citamos o cadastro em diversos sites, pelos quais recebemos, periodicamente em nossos correios eletrônicos, mensagens publicadas em listas de discussão (dentre as quais destacamos “Bibamigos”14 e “Bibliotecários, Biblioteconomia,

Bibliotecas”15), além de boletins dos conselhos de biblioteconomia16. Contamos também com um serviço de alerta de sites17, por meio do qual recebemos, diariamente, vários links que nos remetem a novos resultados do Google para o termo “biblioteca escolar”, permitindo-nos ter contato, por exemplo, com uma série de textualizações midiáticas referentes ao nosso tema de pesquisa.

Para as buscas de blogs dedicados às bibliotecas e à Biblioteconomia/Ciência da Informação, utilizamos a ferramenta “Pesquisa Google de Blogs”18, que facilitou a nossa procura nas incontáveis teias da Web; dentre os vários blogs pesquisados, selecionamos algumas postagens publicadas em três: “Librarianship”19, “Diário de uma biblioteca escolar”20 e “Bibliotequices e afins”21. Ressaltamos, por fim, a consulta a um site dedicado à informação jurídica22, no qual buscamos a legislação sobre a biblioteca escolar. Deste modo, com o auxílio de tais recursos, tivemos acesso a uma série de outros documentos, que compuseram um extenso e diverso arquivo sobre a biblioteca escolar, um excesso de dados que reclamava um trabalho de seleção. A partir dessa necessidade de delimitação do corpus, escolhemos analisar, neste capítulo, recortes de blogs e listas de discussão, buscando flagrar as vozes dos sujeitos-bibliotecários construindo sentidos sobre a biblioteca escolar.

Observamos que o trabalho de escolher o objeto, determinar o corpus, selecionar os recortes, descrever a análise, apontar as regularidades discursivas e deixar alguns dados de fora já faz parte da análise. Assim sendo, consideramos que o gesto da interpretação do analista de discurso é sustentado pelo rigor teórico de conhecer as ferramentas com as quais trabalha e desdobra-se em algumas etapas (ORLANDI, 2003b): na primeira, passagem da superfície linguística do texto para o discurso; na segunda, a passagem do objeto discursivo para a formação discursiva e, na terceira e última, o deslocamento em direção ao processo discursivo. Em relação ao corpus a ser interpretado, é importante observarmos que, na Análise do Discurso, ele é visto como:

instável e provisório. A delimitação do corpus não segue critérios empíricos (positivistas) mas teóricos. Desse modo, a questão da exaustividade, como já tivemos a ocasião de dizer, adquire novas determinações, ou seja, a exaustividade deve ser considerada em relação aos objetivos e à temática e não em relação ao material linguístico empírico (textos) em si, em sua

15 Disponível em: <http://www.grupos.com.br/grupos/bibliotecarios>. Acesso em: 5 mar. 2010. 16 Disponível em: <http://repositorio.cfb.org.br/ >. Acesso em: 15 out. 2009.

17 Disponível em: <http://www.google.com/alerts>. Acesso em: 7 abr.2010.

18 Disponível em: <http://blogsearch.google.com.br/blogsearch>. Acesso em: 24 mar.2009. 19 Disponível em: <http://biblio20.wordpress.com/>. Acesso em: 13 ago.2009.

20 Disponível em: <http://diriodeumabibliotecaescolar.blogspot.com/ >. Acesso em: 21 fev.2009. 21 Disponível em: <http://bibliotequiceseafins.blogspot.com/ >. Acesso em: 5 abr.2009.

extensão. Esse material se organiza em função de um princípio teórico, segundo o qual a relação entre o linguístico e o discursivo não é automática, não havendo biunivocidade entre marcas linguísticas e os processos discursivos de que são o traço (as pistas). (ORLANDI, 2003c, p.10).

Em nosso corpus, buscaremos flagrar as regularidades, as repetições e os deslocamentos, marcas que nos possibilitem refletir sobre como os sentidos são construídos. Analisaremos, portanto, o modo como as pistas significam no discurso, indiciando as relações tecidas entre os diferentes discursos e sujeitos presentes nos vários textos observados. Realizaremos, assim, um trabalho investigativo, reflexivo, buscando os rastros deixados pelos sujeitos, considerando os textos como movimentos discursivos e não os analisando integralmente, pois trabalhamos com recortes, entendidos como a maneira de se instaurar a pertinência e relevância:

São recortes que nos interessam, colocando em relação textos diferentes e que nos mostram propriedades importantes em relação ao tema de nossa pesquisa, na medida em que indicam características dos processos de significação. Esses recortes, por seu lado, não são o fato do analista, mas da relação do analista com o material de análise, na detecção dos processos significativos que nele se inscrevem. Uma vez detectado um processo significativo relevante para o tema e o objetivo da pesquisa, ele deve ser procurado ao longo do corpus, pelos recortes. (ORLANDI, 2003c, p.10-11) Ressaltamos que não buscamos, através dos recortes selecionados, realizar um simples mapeamento do que foi dito sobre biblioteca escolar. Entendendo a língua como uma prática social, procuraremos analisar as relações existentes entre os sentidos sobre a biblioteca escolar, que foram produzidos por sujeitos filiados a diferentes formações discursivas que nos remetem, por sua vez, às formações ideológicas em jogo com as formações imaginárias, regulando as posições assumidas pelo sujeito para enunciar. Dessa maneira, poderemos observar, no discurso, as relações de poder existentes entre os sujeitos, que determinam o que é possível de ser enunciado sobre a biblioteca escolar, de que modo ele é instado a (se) significar na sociedade, produzindo sentidos que não são transparentes, naturais ou ingênuos, já que se sustentam em relações ideológico-imaginárias, o que incluem os jogos de antecipação de sentidos pelos quais se constroem imagens do/sobre o outro e o objeto discursivo, no nosso caso, a biblioteca escolar.

Buscamos, também, flagrar como alguns sentidos sobre a biblioteca escolar são repetidos e ressignificados por diferentes sujeitos, constituindo um já-dito cristalizado e legitimado. Enquanto isso, outros sentidos são interditados, mas aparecem nas bordas do dizer e, também, no silêncio, que, para nós, é tão significativo quanto a presença de palavras; assim,

muito mais do que signos virtualizados em uma tela, trabalhamos com a materialidade do funcionamento discursivo, atravessando a cortina do evidente e procurando romper com a literalidade do sentido dominante; vejamos, a seguir, como isso funciona nos recortes analisados.

Benzer Belgeler