2. KURAMSAL BİLGİLER ve KAYNAK TARAMALARI
2.7. Fotosentez İçin Etkin Işınımın Yapay Işık Kaynakları ile Sağlanması
Os ouvintes reunidos neste grupo – John, Raul, Pablo, Vicenzo e Ana - além de partilharem a escuta das emissoras pesquisadas, moram na cidade e são explicitamente simpatizantes do zapatismo ou aderentes à La Sexta Declaración. Exceto Pablo, todos foram encontrados a partir dos questionários aplicados por Valentin Val. Assim como no grupo anterior, exploro não só os usos das emissoras, como também suas memórias e expetativas, descrevendo as condições do diálogo.
John é professor universitário e assessor de movimento social internacional. Nosso encontro se deu de maneira descontraída porque já nos conhecíamos desde quando fui pela primeira vez em San Cristóbal de Las Casas. Apesar disso, ele demonstrou um pouco retraído para falar sobre questões pessoais. John, mesmo tendo nascido e crescido nos Estados Unidos, também possui nacionalidade mexicana, devido à descendência materna. Formou-se em biologia, tendo seguido a carreira de pesquisador e professor em agroecologia numa universidade de San Cristóbal de Las Casas.
Ele nos revelou que seu interesse pelos movimentos sociais vem de sua participação em organizações estudantis nas décadas de 1960 e 1970, quando militou contra a Guerra do
Vietnã e em solidariedade aos presos políticos dos Panteras Negras163. Neste período, também apoiou a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua164 onde trabalhou como assessor do Ministério da Reforma Agrária e Desenvolvimento Agropecuário durante o primeiro governo revolucionário deste movimento. Entre idas e vindas, acabou estabelecendo-se em San Cristóbal de Las Casas, onde acompanhou a organização do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). “Só não vi o levante de 1o de janeiro de 1994 porque estava em viagem”. A partir de sua militância na região, o zapatismo se tornou uma inspiração. “Creio que a construção da autonomia pelos zapatistas é um exemplo muito distinto do que se tem conseguido em outros lados”165. Para aproximar-se deste movimento e escutar suas vozes, ele passou a ouvir esporadicamente suas emissoras, tendo acompanhado a mudança da Rádio Insurgente para a Radio Rebelde. Segundo ele, esta última reflete a palavra dos povos originários, sendo uma construção a partir das bases. “O próprio slogan 'voz da mãe terra' revela que a emissora tem uma organização popular”166. John explica que escuta principalmente no trânsito. “Uma vez me surpreendi quando tomei um táxi que estava sintonizado na emissora”167. Esta é uma das recordações que ele tem da programação, um debate sobre agroecologia. Apesar de as emissões serem em tsotsil, John compreendia os resumos em espanhol e alguns termos falados na língua europeia, como agrotóxicos, ecologia, químicos, entre outros. Ele também lembra de um debate sobre as mulheres e das mensagens sobre o mau governo dirigidas a comunidades não zapatistas. Agrada-lhe a variedade das músicas e dos temas revolucionários. Considera também importante repetir alguns programas para que possa chegar a um público mais amplo.
163 O Partido dos Panteras Negras surgiu na década de 1960, em Oakland, Estados Unidos, na luta contra
o racismo se diferenciando do pacifismo de Martir Luther King e a religiosidade islâmica de Malcon X. Além dos direitos civis equânimes para negros e brancos, o movimento defendia o direito de autodefesa armada dos oprimidos. Informações do artigo Partido dos Panteras Negras de Wanderson Silva Chaves disponível em <http://www.scielo.br/pdf/topoi/v16n30/2237-101X-topoi-16-30-00359.pdf> acesso 10 de outubro de 2015.
164
A Frente Sandinista de Libertação Nacional foi criada, na Nicarágua, em 1960, sob influência da Revolução Cubana, com o objetivo de derrubar o imperialismo estadunidense e seus aliados no país. Depois de mais de 20 anos de guerrilha, principalmente na zona rural, um de seus líderes, Daniel Ortega foi eleito presidente em 1984, tendo de governar um país arrasado pelos conflitos e pelo bloqueio comercial do Estados Unidos. Informações do artigo Revoluções Sandinistas: sonhos e desilusões, disponível em <http://www.historia.uff.br/nec/sites/default/files/Revolucao_Sandinista_editado_0.pdf>, acesso em 10 de outubro de 2015.
165
Entrevista com John (nome fictício), em 13 de janeiro de 2014, em San Cristóbal de Las Casas. Tradução minha.
166Idem. 167
O sentido da escuta de John liga-se mais a suas vivências recentes do que à memória de sua militância política estudantil ou de sua participação no governo sandinista. Ele possui a crença de que o zapatismo é uma alternativa que deve inspirar outras comunidades, por isso acompanha a organização para partilhar os conhecimentos em suas práticas no movimento social que participa e na docência universitária. Reconhece também um forte vínculo entre a experiência zapatista, suas palavras veiculadas na
Radio Rebelde e a preservação ambiental, conectando assim escuta à consciência
política e à formação profissional.
O interesse pelo zapatismo de outro entrevistado, Raul, também surgiu pela relação entre o meio ambiente e a organização política. Ele vem de uma colônia no Distrito Federal mexicano que possuía muitos bosques, degradados durante sua infância e adolescência. O que comoveu a toda a família dele. “Assim, quando tive acesso a um comunicado indígena dos zapatistas notei a preocupação deles com a terra, os irmãos e a cultura da família”168. Desde então despertou o interesse pelo movimento. Mas só quando cursou comunicação na Universidade, adquiriu uma consciência política crítica, iniciando a participação em movimentos como a greve estudantil da Unam na década de 2000 e a Coluna de Oaxaca. Desde então, tornou-se ouvinte das emissoras que transmitiam informações sobre estes movimentos, como a rádios Ké Huelga169 e a
Platón. Em 2003, mudou-se para San Cristóbal de Las Casas para cursar mestrado em
Antropologia, passando a apoiar mais proximamente o zapatismo e a viver num coletivo autônomo. Começou a escutar assiduamente emissoras livres que conseguia sintonizar,
Radio Insurgente, Radio Rebelde, Frecuencia Libre e Votón Zapata. Nas duas primeiras,
buscava informações sobre as comunidades autônomas e gostava dos contos do subcomandante Marcos. Já na Frecuencia Libre acompanhava sempre o noticiário apresentado pela manhã, que não mais existe, e, na Votón Zapata, a transmissão dos eventos. Segundo ele, sua relação com o rádio sempre foi bilateral porque, gosta de escutar e produzir. O que lhe levou logo a apresentar um programa na Frecuencia Libre entre 2011 e 2012.
168 Entrevista com Raul (nome fictício), em 17 de julho de 2014, em San Cristóbal de Las Casas. Tradução
minha.
169 A Radio Ké Huelga transmitia na Cidade Universitária, em 102,1 FM, no ano de 1999, por cargo do
Conselho Geral da Greve da Unam. A emissora continua a transmitir na internet em <http://www.kehuelga.org>, acesso em 12 de outubro de 2015.
Nosso encontro foi durante um seminário realizado na Universidade da Terra em julho de 2014. Ele trabalhava na transmissão pela internet em tempo real do evento e também ajudava a cuidar do filho de uma amiga, por isso a conversa foi interrompida várias vezes, mas rendeu quase uma hora. O sentido da escuta de Raul está relacionado à sua militância cotidiana no coletivo que, além de aderente à Sexta Declaração, constantemente faz coberturas de mobilizações zapatistas, como a Marcha do Silêncio, a Escuelita e a homenagem ao professor Galeano170. As emissoras o aproximam não só das vivências cotidianas do engajamento político, trazendo informações das comunidades aderentes e o espírito rebelde do zapatismo, mas também fortalece sua esperança de construir um mundo mais justo e sustentável, onde o meio ambiente seja respeitado e outros bosques não sejam destruídos como foi o da sua comunidade quando adolescente.
Ana também participa de um coletivo aderente à Sexta Declaração em San Cristóbal de Las Casas que trabalha com a produção de vídeos alternativos. Ela é cantora, tendo vindo da cidade de Querateno, localizada no centro-norte do México. Mesmo tendo-lhe enviado vários e-mails sem resposta, consegui entrevistá-la também durante o Seminário na Universidade da Terra, em julho de 2014, porque foi localizada por colegas. Ela demonstrou-se desconfiada e fechada, evitando de falar sobre sua vida pessoal e com respostas muito curtas e secas. O que me levou a não insistir neste assunto, por isso não tive conhecimento das memórias que podem relacionar-se à sua escuta.
No entanto, Ana revelou que ouve a Frecuencia Libre porque a emissora traz “coisas diferentes de outros tipos de rádios, coisa diferente que te fazem ter consciência, informação do que está passando nos outros lados, coisas que não vão transmitir em outros meios comerciais, da gente, a realidade que se vive”171. Além de informar, a emissora serve para motivá-la no engajamento pela autonomia. “A rádio livre é uma possibilidade de chegar à população e com esta informação que transmitem para contar
170 Professor Galeano é o pseudônimo de José Luis Solís López que lecionava na Escolita Zapatista. Ele
foi assassinado em 2 de maio de 2014 no território zapatista do Caracol de La Realidad. A Junta de Bom Governo informou que foram paramilitares pertencentes à Central Independente de Obreros Agrículas y Campesinos Histórica (CIOAC-H), ao Partido Verde Ecologista de México (PVEM) e ao Partido Acción Nacional (PAN). Segundo o informe, ele foi alvejado com três tiros quando estava rodeado, desarmado e rendido.
171
Entrevista com Ana (nome fictício), em 15 de julho de 2014, em San Cristóbal de Las Casas. Tradução minha.
a realidade que está passando com a gente (...) então é uma motivação”172. Em sua opinião, a autonomia é uma meta a alcançar, a partir das práticas diárias, “não depender do sistema, do capitalismo”. Os zapatistas são exemplos nesta luta, porque “estão em nível mundial logrando bastante neste caminho até a autonomia”173. Desta maneira, o programa de sua preferência na Frecuencia Libre é “La Hora Sexta” no qual, em 2010, chegou a contribuir participando da produção e apresentação.
Ainda que hoje dia dificilmente consiga sintonizar a emissora, porque está morando numa colônia onde o sinal não chega, o sentido de sua escuta está relacionado com a militância no coletivo. A rádio lhe traz informações necessárias para participar das mobilizações e subsídios para sua formação política. Também motiva a esperança na conquista da autonomia que, para ela, é uma construção cotidiana e coletiva. O rádio cumpre o papel de motivar e partilhar as vivências.
“Mundos posibles” é o coletivo de defesa da agroecologia do qual participa Pablo e o levou a fixar-se em San Cristóbal de Las Casas. Ele é antropólogo e, assim como Pedro, veio de Madrid. Sua militância neste grupo o levou a ser entrevistado várias vezes na
Frecuencia Libre. A emissora lhe chamou a atenção porque “é mais crítica e com vários
pontos de vista, creio. (…) inclusive com programas culturais que não tem (...) em outras rádios. Fala de poesia, de cultura local, porém não oficial, a que está criando alternativas. É o que gosto mais”174. Desde então, a estação lhe serviu de referência para saber o que acontecia na região, conectado-o com o país. O programa “Poesia e Música”, o jornalístico matutino – que não são mais apresentados - e as canções contestatórias foram os conteúdos que mais o levaram a se identificar com a emissora, mas, assim como Jacob, logo se aborreceu com a repetição musical. Atualmente pouco escuta a emissora, mas reconhece a importância de uma rádio como a Frecuencia Libre. “Creio que o importante é conectar os grandes discursos com a cotidianidade. Creio que a rádio tem um bom papel nisso. (…) é importante para dar pluralidade e romper com o sentido hegemônico”175. 172 Idem. 173 Ibidem 174
Entrevista com Pablo (nome fictício), em 15 de julho de 2014, em San Cristóbal de Las Casas. Tradução minha.
175
A escuta da emissora liga-o com sua militância social em defesa da produção agroecológica e com crença de que a sustentabilidade ambiental só pode existir com democracia e dignidade, “o básico do ser humano”. Além disso, resgata a memória da atuação política contestatória na adolescência. Ele lembrou que seus amigos lhe influenciaram para ter uma perspectiva mais crítica quando participavam da luta contra o serviço militar obrigatório na Espanha e pelo pacifismo, tendo em seguida despertado o interesse para o meio ambiental.
Eu já pensei várias vezes sobre isso. Foi sobretudo por amigos. Quando era jovem de 15 e 16 anos e havia amigos que tinham problema porque tinham que fazer o serviço militar e a havia um movimento de insurreição e anti-
militarismo por ai onde fui aprendendo. Fui participando. Então, no final de 80 e 90, ai foi quando fui pouco a pouco me envolvendo em movimentos políticos com o anti-militarismo176.
Esta entrevista foi muito tranquila, sendo realizada num café no Centro Histórico, sugerido por mim. Ele, além de muito atencioso com as perguntas, também foi muito solícito com minha investigação, inclusive ajudando-me a localizar outros ouvintes a serem entrevistados. Mesmo eu tendo evitado perguntar sobre autonomia devido à sua condição de migrante, ele falou espontânea e abertamente que o zapatismo foi um dos motivos que o fez mudar-se para San Cristóbal de Las Casas. Veio apaixonado pelo movimento principalmente porque deu um “ar fresco” à esquerda, depois da queda do socialismo soviético. Para ele, os zapatistas “romperam com muitos cercos fechados de muitos discursos e da forma de fazer, de ser mais transversal sobre o terreno onde estar. Mais do que conseguir uma utopia, que também é importante, é trabalhar onde estás, com a gente que está”177.
Vicenzo é outro migrante europeu que apoia o zapatismo e é engajado num coletivo em San Cristóbal de Las Casas que ajuda a construir padarias e fornos em comunidades autônomas. Ele também trabalha como pizziaolo num restaurante, sendo procedente de Roma. Chegou em 2006 ao México a fim de acompanhar a Coluna de Oaxaca. Na Itália, já militava em movimentos anarquistas libertários, como “Ocupa”, onde escutava uma rádio livre de Roma. Por isso, “quando vim para cá sabia que tinha de sintonizar isso, que a informação boa é a não comercial”178. Conheceu, em sua militância na Itália, o
176
Ibidem.
177
Ibidem.
178
Entrevista com Vicenzo (nome fictício), em 16 de julho de 2014, em San Cristóbal de Las Casas. Tradução minha.
zapatismo e, por isso, decidiu fixar-se no México a fim de contribuir com esta luta. De acordo com ele, a autonomia
(...) é uma inspiração, um horizonte, ou seja, é o caminho que estamos, por isso, em Chiapas, estamos com os zapatistas que representam uma sociedade autônoma, ou seja, as pessoas decidem o que querem (…) em assembleias mais horizontais possíveis. Tomam decisões coletivas. E quando há divergências se conformam com o que decidem em paz.179
As rádios livres já se constituem, para ele, em uma manifestação de autonomia. “(…) a disciplina de ter uma rádio, de fazer uma rádio, ter assembleias já é fazer política desde abaixo. Já é ser coletivo. Já é ser autonomia”180. Ele destaca também a capacidade de diálogo das emissoras com a base, ou seja, são expressões de uma comunidade.
Vicenzo conheceu a Frecuencia Libre através de cartazes fixados nas ruas, quando chegou à cidade. Passou a ouvir principalmente os programas do sábado, como “Hablemos Chiapas” e “La Hora Sexta”. “O que mais gosto é no sábado que passam as notícias dos movimentos sociais. Às vezes, não tenho tempo de ler os jornais, me chega uma informação e outra informação mais específica dos movimentos sociais em San Cristóbal”181. A escuta da emissora não só lhe traz notícias alternativas como complementa sua formação política. “Às vezes topas com uma boa transmissão que alguém te conta algo que não sabes nada desse argumento ou, às vezes, alguém está trabalhando igual a ti e não conhecias (...)”182.
O sentido da escuta de Vicenzo liga-se sobretudo à sua vivência e militância nos movimentos sociais da região. Além de atuar neste coletivo, ele está sempre presente em marchas, manifestações, seminários, conferências e eventos da região. Sua participação, muitas vezes, não se restringe à assistência. Acompanhei intervenções e atuações dele em várias manifestações. Sua crença na autonomia como um horizonte a atingir e seu histórico de militância em movimentos políticos na Itália completa sua apropriação da
Frecuencia Libre. Seu imaginário está fortemente marcado com a convicção que a
construção autonômica deve-se não só pelo discurso, mas também pelo exemplo cotidiano da prefiguração, isto é, de colocar em prática as crenças políticas, que as
179 Idem. 180Ibidem. 181Ibidem. 182 Ibidem.
rádios livres dão quando se organizam coletivamente. A compreensão destes sentidos culturais dele foi possível por conseguir sua participação espontânea e aberta na entrevista. Vicenzo não se importou, por exemplo, em falar sobre política e sobre militância, mesmo que sua condição de migrante não permita manifestações públicas sobre o tema no México. Ao final da entrevista, ele pediu para não publicar algumas informações. Tranquilizei-o garantindo não só o sigilo das mesmas como também seu anonimato. Nosso encontro aconteceu durante um seminário na Universidade da Terra e lá mesmo conversamos, cerca de 30 minutos, enquanto ele cuidava de uma banca onde vendia livros zapatistas.
A participação em coletivos autônomos na cidade marca o sentido da Frecuencia Libre destes ouvintes. A vivência da autonomia em territórios urbanos não só é peculiar como possui uma série de limitações. Como comenta Vicenzo, “na cidade está difícil. Difícil porque vivemos num tecido de interindependência, de zonas do governo, do mercado e de tudo. Então o que buscamos… o que tentamos é ter uma visão de autonomia”183. Há um claro reconhecimento destes ouvintes sobre a dificuldade da construção da autonomia na cidade, o que torna este projeto muito mais um horizonte e uma meta. As rádios livres cumprem então o papel de fortalecer esta visão não só com as informações dos movimentos autônomos, mas com o imaginário das mensagens, dos contos e das canções revolucionárias conforme lembradas por estes receptores.
Diferente dos ouvintes reunidos em “Outra informação, outra cultura”, este grupo não só claramente reconhece as emissoras como expressões da autonomia zapatista, como as usam para suas militâncias políticas em defesa do movimento, participando da programação para informar sobre as mobilizações e formar politicamente a audiência. Em comum, os ouvintes apresentados até aqui possuem uma relação com as rádios por meio da matriz cultural simbólico-dramático das canções, poesias e contos, que alimentam seus desejos, sonhos e esperanças num mundo mais justo. Também reconhecem o elemento racional-iluminista das emissoras, nas quais as informações, as críticas, os debates e os questionamentos são os principais endereçamentos buscados na escuta.
183