Perante a importância da leitura, considera-se essencial diagnosticar a habilidade de leitura para que se possa reconhecer os seus limites e potencialidades, visto que é através desta que se acede ao conteúdo textual. Presentemente, o maior destaque na compreensão da leitura surge-nos no produto, ou resultado final da interacção entre o leitor e o texto, onde se pretende desvendar de que maneira o conhecimento do leitor se alterou mediante a interacção com o texto. Por outro lado, aparece-nos a compreensão como um processo que se revela de forma instantânea à medida que se recebe a informação (Brito, 2002). Esta posição vê-se reflectida nas técnicas de avaliação do procedimento cloze ou, ainda, no estudo do movimento ocular. Na óptica da autora, a compreensão é o processo e o produto da interacção não só entre o leitor e o texto, mas também entre as condições de produção e as condições de recepção, o que nos permite concluir que o estudo da compreensão leitora tem de ser encarado nesta dupla perspectiva.
De acordo com esta temática, Sousa e Castro (1989: 183) mencionam que se tende a formar os objectivos da disciplina de Português em torno de dois processos, nomeadamente “a produção e o reconhecimento; ao nível da avaliação escrita, o primeiro assume fundamentalmente a forma de exercício de “redacção”, o segundo (…) na compreensão/interpretação de textos, na teoria do texto e da comunicação e na gramática da língua”.
No que se refere aos métodos e técnicas de avaliação da compreensão da leitura, destaquemos alguns como a técnica cloze, baseada em Taylor (1953); a ordenação das frases de um texto, que visa a coerência de um texto, fundamentada por Givon (1995); a informação incompreensível no texto, que aponta para o uso de estratégias cognitivas, detectando os erros num texto, apoiando-se nas ideias de Paris; as perguntas, que se
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assumem como uma das estratégias mais utilizadas na avaliação da compreensão textual, apoiadas por Smith e Barret (1974). Esta estratégia compreende o reconhecimento literal ou reconstituição das informações contidas no texto. Thorndike (1977) defende outro tipo de avaliação que assenta na inferência, em que permite avaliar processos de integração, resumo e elaboração, obrigando o leitor a ir mais além da informação proporcionada pelo texto, ou seja, da compreensão literal. Mediante este processo, o leitor precisará de extrair informação pertinente e elaborar inferências a partir da informação armazenada anteriormente na sua memória.
Relativamente à técnica do Teste Cloze, conhecida pela técnica das lacunas, podemos referir que consiste na selecção de um texto, do qual se omite o quinto vocábulo, como forma mais adequada para o diagnóstico da compreensão. De acordo com Santos, Primi, Taxa e Vendramini (2002), esta técnica revela-se bastante eficaz, não só do ponto de vista prático, tendo em conta a facilidade de elaboração, aplicação e correcção, como também do ponto de vista empírico, em função dos altos índices de correlação positiva entre os resultados e o desempenho dos alunos. Depressa se detectou que a técnica cloze servia não só para avaliar os textos como também os leitores, visto que um bom leitor desvenda facilmente as fracções que faltam num texto e um mau leitor demonstra dificuldades em completar as lacunas.
Brito (2002), fundamentando-se em Artola, apresenta-nos os métodos e técnicas de avaliação da compreensão leitora, categorizando-os em medidas do produto, medidas do processo e medidas metacognitivas. As medidas do produto, que incorporam a compreensão como o produto da interacção entre o texto e o leitor, centrando-se mais no produto final da leitura, encontram-se mais relacionadas com o conteúdo do texto. Para avaliar o produto pode empregar-se uma série de instrumentos, entre os quais se encontra o questionário que, no âmbito histórico, foi o mais aproveitado na avaliação da compreensão leitora. Uma vez que não se consegue observar directamente a compreensão leitora, pede-se ao aluno a realização de uma determinada tarefa que possibilite observar o nível de compreensão leitora alcançado. Neste sentido, recorre-se à tarefa da leitura de um texto e responde-se a determinadas questões. Entre os vários tipos de questionários há os que englobam perguntas directas sobre o conteúdo do texto, perguntas abertas, perguntas de verdadeiro ou falso, perguntas de selecção múltipla de alternativas e, ainda, a evocação ou recordação livre que consiste em pedir ao aluno que leia um texto, ou uma série de textos e que, posteriormente, relembre os textos lidos.
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No que se refere às medidas do processo, que conjecturam que a compreensão é um processo imediato à medida que se recebe a informação, trata-se das medidas que se aplicam durante o processo de leitura e não no seu final. Para alguns investigadores, estas medidas, apesar de serem tomadas durante o processo de leitura, são índices indirectos dos processos de compreensão, uma vez que não revelam explicitamente o que o indivíduo compreendeu, mas sim que determinados comportamentos aconteceram durante o acto de leitura. Estas medidas abrangem o procedimento cloze, a análise de erros na leitura oral e a análise dos movimentos oculares que consiste em assinalar os movimentos do olho à medida que avança pelo texto. Esta técnica, que vem sendo usada com assiduidade, regista alguns factores importantes, tais como a localização e a duração das fixações oculares, a velocidade e aceleração dos movimentos dos olhos, ou ainda, a frequência e as características dos retrocessos.
As medidas metacognitivas dizem respeito à consciência que o leitor possui relativamente às exigências cognitivas das variadas tarefas de compreensão e da relação entre estas exigências e as suas características individuais. De acordo com alguns estudiosos, a capacidade do indivíduo de estar consciente das estratégias distintas e de quando e onde as deve introduzir é tão importante como as próprias estratégias em si. Este tipo de medidas abarca as auto-correcções que nos indica as estratégias metacognitivas que o leitor aplica durante a leitura; a análise de protocolos que se baseia na actividade de ler, processar e pensar em voz alta. O leitor terá que revelar o que se está a passar na sua mente ao mesmo tempo que lê. A detecção de erros, as escalas de confiança e a auto-avaliação são outras técnicas que se agrupam nas medidas metacognitivas (Brito, 2002).