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3. Fosfat grubu (Fosforik asit) :
Com o objetivo de sustentar retornos para os produtores dos Estados Unidos, o governo tem políticas próprias para o açúcar. A indústria norte-americana do produto é descrita como a mais forte sustentação da atividade agrícola desse país.
Há dois elementos principais das políticas de açúcar: a provisão de preços básicos sustentados para os produtores de açúcar (a taxa de empréstimo) e o sistema de quotas tarifárias para importação. Não há, por sua vez, suporte governamental direto para produtores de HFCS e outros adoçantes e substitutos do açúcar (Sheales et al., 1999).
2.1.3.1.2.1 A taxa de empréstimo
A taxa de empréstimo (“loan rate”) é o preço do açúcar considerado como base pelo governo dos EUA para realizar empréstimos para usineiros e processadores de açúcar com o objetivo de manter estoques de açúcar. Aqueles empréstimos são obtidos da Commodity Credit Corporation (CCC) e tem um período de restituição de nove meses. O açúcar de cana bruto e o açúcar de beterraba refinado são usados por usineiros
e processadores como garantia para os empréstimos (Sheales et al., 1999 e USDA, 1999).
Nesse programa, quando o açúcar é vendido, os usineiros e processadores restituem o empréstimo para o CCC. Antes da ação de 1996 do Federal Agriculture Improvement and Reform (FAIR), aqueles empréstimos poderiam ser pagos com entrega de seus estoques de açúcar, caso os preços de mercado estivessem abaixo ou idênticos ao valor equivalente ao empréstimo. Como resultado, a taxa de empréstimo tendia a colocar um teto sobre os preços domésticos. Tendo sido garantido um preço mínimo no mercado doméstico para seu açúcar, usineiros e processadores deveriam pagar aos produtores um preço mínimo fixado para a cana e a beterraba. A Tabela 14 mostra valores de empréstimo para açúcar de cana e de beterraba, de 1994 a 1998.
Tabela 14. Média das taxas de empréstimo dos EUA, em US$/kg; período: 1994 a 1998. 1994 1995 1996 1997 1998 Açúcar de cana bruto 0,397 0,397 0,397 0,397 0,397 Açúcar de beterraba refinado 0,517 0,505 0,505 0,505 0,505 Fonte: USDA (1999)
Com o FAIR em 1996, os empréstimos só poderiam ser pagos com o produto se a quota tarifária de importação em qualquer ano excedesse 1,36 milhões de toneladas. Nesse caso, haveria uma penalidade de US$ 22,0463/t sobre qualquer estoque que fosse transferido aos setores do governo para desonerar o empréstimo. Isso poderia reduzir o preço doméstico a um nível inferior ao da taxa de empréstimo. Entretanto, se quotas de importação caíssem abaixo de 1,36 milhões de toneladas, o estoque do produto não poderia ser utilizado como pagamento do empréstimo. Nesse caso, o empréstimo deveria ser compensado com pagamento à vista, e a obrigação pela manutenção dos estoques decairia sobre os processadores.
Em 2002, o Congresso norte-americano encaminhou o Farm Security and Rural Investment Act (FSRIA), substituindo o FAIR, um ano antes do final do programa. No
FSRIA de 2002, os produtores domésticos obtiveram sucesso em prolongar as políticas de suporte do açúcar. A taxa de empréstimo foi conservada para os níveis de 1996. A multa foi eliminada, a taxação adotada previamente para suprir uma pequena receita ao governo foi finalizada, e a taxa sobre os empréstimos do CCC foi reduzida, fazendo o programa do açúcar mais lucrativo para os produtores (Orden, 2002).
Conforme pode ser observado na Figura 9, o preço doméstico para o açúcar bruto (indicado pelo preço estabelecido no contrato no 14 da Bolsa de Nova Iorque) esteve sempre acima do preço estabelecido pela taxa de empréstimo. Isto ocorre por causa da combinação dos efeitos da taxa de empréstimo e da quota tarifária, limitando a oferta de açúcar nos EUA e elevando, conseqüentemente, seu preço.
2.1.3.1.2.2 Quotas tarifárias
A quota tarifária sobre importação é o principal instrumento de proteção para a indústria de açúcar dos EUA. As quotas tarifárias são usadas para limitar a oferta de açúcar no mercado doméstico, com o objetivo essencial de impedir que os preços domésticos de açúcar caiam abaixo da taxa de empréstimo. A quota tarifária é estabelecida anualmente pela Secretaria de Agricultura dos EUA, em acordo com o acesso de mercado estabelecido pela OMC. A Tabela 15 ilustra as maiores quotas estabelecidas pelos EUA de 1995/96 a 2001/02.
O comitê da OMC sobre acesso ao mercado provém a quota tarifária de importação do açúcar para os EUA para um mínimo de 1,139 milhão de toneladas ao ano, sendo os 1,117 milhão de tonelada de açúcar bruto e 22 mil toneladas de açúcar refinado. A alocação das quotas tarifárias para os países ofertantes tem sido baseadas sobre a proporção de suas participações médias de importação de açúcar bruto dos EUA durante os anos 1975-1981, excluindo anos de alta e de baixa. Neste período as importações dos EUA de açúcar foram relativamente irrestritas.
Tabela 15. Limites das quotas tarifárias “in” para os países com os maiores acessos no mercado norte-americano, em toneladas; período: 1995/96 a 2001/02.
1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 Austrália 185.044 168.386 126.552 89.912 87.408 87.408 87.402 Brasil 323.271 294.169 221.084 157.076 152.700 152.700 152.691 Rep. Dominicana 350.940 357.060 268.350 190.657 185.346 185.346 185.335 Guatemala 107.014 97.380 73.186 51.997 50.549 50.549 50.546 Filipinas 237.422 273.881 205.837 146.243 142.169 142.169 142.160 Subtotal - açúcar de cana bruto 2.167.160 2.100.001 1.600.000 1.164.937 1.135.000 1.117.195 1.117.195
Total para açúcar 2.189.160 2.122.001 1.625.000 1.189.937 1.170.000 1.260.983 1.288.983
Fonte: USDA (2002b)
Entretanto, o mercado mundial de açúcar tem mudado significativamente desde que as proporções das quotas tarifárias foram determinadas. Conseqüentemente, alguns países, como o Haiti, Barbados e Gabão, não têm ofertado qualquer de suas quotas nos últimos anos. Outros exportadores, como Austrália, Brasil e Tailândia, são capazes de ofertar suas quotas correntes alocadas e muito mais. Isto sugere que variações na tarifa extra-quota para o Brasil são importantes para provocar variações na quantidade de açúcar comercializada entre esses países. Com a introdução do sistema de quotas em 1982, as exportações de açúcar brasileiro para os EUA recuaram 60% (Brasil, 2003c).
Segundo Brasil (2003c), as exportações de açúcar bruto sujeitam-se a uma tarifa específica intra-quota de US$ 14,60/t, cujo equivalente ad valorem estimado é de até 10,1%. Os países da América Central e os Andinos estão isentos de tarifas; entretanto, por considerar que o Brasil possui vantagens comparativas nesse produto, ele é o único
país latino-americano não beneficiado pelo Sistema Geral de Preferências (SGP)13. As tarifas extra quota estão sujeitas a US$ 338,70/t, que para preços entre US$ 200,00/t e US$ 250,00/t significam tarifas ad valorem de 140% a 170%. O México paga tarifa extra quota de US$ 282,47/t, devendo ter livre acesso em 2008, em função de sua inserção no NAFTA.
Segundo Sheales et al. (1999), em adição às tarifas dentro e fora da quota, os EUA podem também aplicar uma terceira camada tarifária (a qual não é aplicada para o México e Canadá) como uma proteção a mais para a importação de açúcar. Esta proteção é particularmente relevante quando os preços mundiais estão baixos, como uma ação para não haver importação de açúcar fora da quota.
Com a proteção imposta, os preços mundiais devem ser extremamente baixos perante o açúcar importado para poder ser competitivo com o açúcar produzido domesticamente. Estudo realizado por Boyd et. al. (1996) revelou que os benefícios trazidos por uma remoção na política de quotas de açúcar nos EUA, que é o maior componente do programa de açúcar, excederiam em peso as perdas para a economia como um todo daquele país.