4. DENEYSEL ÇALIŞMALAR
4.5. Forsterit Karakterizasyonu
Foi com o advento das sinagogas59 que o judaísmo começa a se fragmentar em partes de tolerável divergência entre si. O fato de ter se estabelecido na posição de uma instituição, fez com que as sinagogas se tornassem o meio pelo qual a adoração comunitária fosse efetivada até que se consumasse a reconstrução do Templo sob a liderança de Zorobabel.
Entretanto, mesmo que se apontasse o momento do aparecimento das sinagogas60, isso ainda não responderia a pergunta sobre as mudanças de culto naquela época. O que influenciou mesmo foram as formas interpretativas na Lei
57 MAXWELL, Willian D. El Culto Cristiano. Buenos Aires, Methopress, 1963, p. 17. 58 PORTO, Humberto. Op. Cit., p. 55-58.
59 Segundo a exposição descritiva acerca de uma sinagoga, BARRET expõe o seguinte: A sinagoga típica era
um auditório retangular com uma plataforma elevada para o orador, por detrás da qual havia uma arca portátil (...). Defronte de rostos voltados para a congregação, assentavam-se os dirigentes e anciãos da sinagoga. Quando das orações todos se erguiam de pé. (...). Havia ampla liberdade no fraseado da Liturgia. A
congregação inteira adicionava o seu amém ao final (...). Os primeiros cristãos, mui naturalmente adotaram o sistema de organização da sinagoga como um sistema básico para suas igrejas locais. BARRET, C.K. The
New Testament Background: Selected Documents. London: S.P.C.K. 1958. p. 29-36.
60 MAXWELL, Willian D. El Culto Cristiano. Buenos Aires: Methopress, 1963, p 16. O autor vai dizer o
seguinte: El origem de la sinagoga es obscuro, pero se sabe que se desarrolló en la dispensasión, para preservar su vida distintiva y para darle continuidad, los judios necesitaban como pueblo, tener acceso constatne a sus libros sagrados. La instituicion de la Sinagoga surgió de esta necesidad.
(Torá) e na tradição oral (Mishná)61. Sendo assim, o aparecimento das sinagogas
homologa a fragmentação dos cultos, possibilitando dessa forma, uma libertação do modelo único, outrora ditado pelo Templo de Jerusalém.
Desde o retorno do exílio, quando os sacrifícios foram deixando o lugar central da liturgia judaica, com as sinagogas institucionalizadas, o estudo da Torá passa a ocupar a posição antes usufruída por eles – os sacrifícios.
Nenhum dos estudiosos citados neste texto definiu precisamente quando os sacrifícios foram perdendo o lugar central para o conhecimento teológico, mas todos concordam que foi um ato gradativo, e como coloca Bright62, este ato foi marcado principalmente pelo momento em que o Pentateuco e a Lei eram centralizados na comunidade e aceitos como a autoridade final.
Através deste ponto de vista, é possível aceitar o seguinte fato; a comunidade de Israel começa a ser direcionada religiosamente por uma determinada elite conhecedora dos textos bíblicos, classe esta inaugurada após Neemias ter voltado da Babilônia e direcionado o país no estudo da palavra. Esta época em questão, por si só, já demanda uma pesquisa específica. Deste modo, é mister fazer um recorte histórico apenas no período que compreende o judaísmo da época final do Antigo Testamento.
Portanto, a formação das seitas (endossada pelas sinagogas) durante esta época em questão, explica como Israel passou a ter como liderança central os
61 “Como a Lei Oral era transmitida de mestre a discípulo no decorrer dos séculos por instrução oral, tornou-
se evidente a necessidade de dispor e dar redação final à matéria”. in STEINSALTZ, Adin. O Talmud
Esencial. Rio de Janeiro, Koogan Editora, s/d. p. 44.
conhecedores da Torá e da Mishná, ao invés do Sumo-Sacerdote que era detentor de uma única tradição: o culto sacrificial63.
Steinsaltz declara que a própria mudança foi estabelecida pelo Sumo Sacerdote (Joshua Ben Gamala), que estabeleceu escolas de ensino às faixas
mais amplas da população64. Houve, segundo ele, uma proliferação de
professores tal, que gerou uma gama de formas de expressão e métodos diferentes. Cada mestre tinha seu próprio método e enunciava as leis orais à sua própria maneira. Quando os sábios se encontravam já não se registrava uma única e uniforme tradição. Existiam ainda certos ensinos orais que o próprio Talmud atribuía ao tempo de Neemias, ou seja, o princípio da era do Segundo Templo. Forster confirma a mesma idéia quando declara o seguinte:
Conforme os círculos da comunidade judaica na Nação de Israel se tornaram cada vez mais secularizados, começando pelos próprios sacerdotes e os ricos, aqueles que pretendiam aderir à lei de forma mais profunda acabaram se isolando em comunidades mais fechadas. Os sacerdotes deixaram de ser os ensinadores da sabedoria, dando lugar aos estudiosos da lei, os quais meditavam nelas dia e noite65.
Para desfecho desta parte, cabe dizer que as sinagogas alimentaram as comunidades judaicas espalhadas por toda a Nação de Israel. Jesus fez uso
63 STEINSALTZ, Adin.Op. Cit. p. 48. 64 STEINSALTZ, Op. Cit. p. 47.
65 FORSTER, Werner. From the Exile to Christ: A Historical Introduction to Palestinian Judaism.
constante do Antigo Testamento como nutriente de sua própria vida e como base de seus ensinos.
Também os numerosos gentios que foram atraídos para a religião judaica, foram alimentados pelas sinagogas locais. As seitas, nesta época de fragmentação do judaísmo, vão representar um papel de grande importância. O tempo que compreende desde o nascimento das sinagogas (mais ou menos após o retorno da Babilônia) até a queda do Templo de Jerusalém vai servir como palco para atuação do cristianismo, que nasceria já com uma característica proveniente do judaísmo pós-exílio: o estudo e interpretação da palavra escrita e o sustento em sua existência através de uma forma fragmentada.
A fragmentação do Judaísmo não ocorreu de forma instantânea e curta, e o advento das sinagogas sustentou o início do que seria um processo que atravessaria a Nação de Israel em meio à história pouco anterior e posterior ao nascimento do Cristianismo.
O judaísmo rabínico (centrado no estudo da palavra) veio a ser o primeiro grande estilhaço neste processo fragmentário, e a partir dele várias outras seitas iriam se estabelecer na região da nação de Israel e arredores. A cada comunidade estabelecida pode-se dizer que alguma novidade, seja na forma de interpretar as escrituras, seja na forma de prestar culto, ia sendo adicionada. Como exemplo temos que, as lamentações, prantos e choros, antes de Neemias e do exílio, não faziam parte de uma liturgia oficial (mas sim de momentos individuais dos profetas
ou de reis), posterior ao exílio, entretanto, tornam-se momentos da adoração e prestação de culto do judaísmo66.
Comentando acerca destes séculos correspondentes, Oesterley67 diz que, “o judaísmo como conhecemos antes da destruição do Templo de Jerusalém pelo Império Romano, era mais uníssono do que posteriormente, quando o judaísmo rabínico se tornou apenas um entre tantos outros elementos”, reforçando a idéia de uma fragmentação daquela religião.