• Sonuç bulunamadı

3.2. KURUMSALLAġMANIN TEMEL BĠLEġENLERĠ

3.2.1. FormalleĢme

Este relatório tem como objetivo expor minhas reflexões sobre o ocorrido nas aulas da disciplina “Improvisação Livre” que estive presente, durante este semestre (2014/2). Antes desta disciplina o meu contato com o assunto era praticamente inexistente, e eu não estava ciente da existência dos códigos de regência utilizados nas demonstrações feitas na aula (sound painting, conduction e o método de demonstrar figuras rítmicas com as mãos do Santiago). Portanto, as aulas foram a primeira vez que pude presenciar e participar destes fenômenos em algum nível, tendo visto também algum material extra na internet, após as aulas.

Os métodos utilizados se demonstram muito interessantes por apresentarem uma forma de composição instantânea em grupo, onde o regente exerce algum controle sobre o que lhe é apresentado, porém os instrumentistas ainda exercem grande parte do poder criativo durante o processo, já que estão improvisando o tempo todo. Neste sentido, a disciplina ofereceu uma prática muito importante ao fazer com que os alunos e o professor tivessem que exercitar uma conexão de respeito e atenção ao tocar juntos. As instruções indicadas com os gestos não apresentavam tantas dificuldades para os alunos, com algumas exceções de gestos que apresentam significado um pouco mais subjetivo (como “desenvolvimento”, no conduction). Porém, a junção das ações de estar sempre conectado com o regente e com o resultado sonoro, além de ter que improvisar em seu instrumento, causou alguma confusão entre os alunos e poucas vezes foi possível obter um resultado onde todos estavam sincronizados.

O pedido feito aos alunos para evitarem tocar coisas muito “idiomáticas” causou alguns problemas com a maioria dos alunos. A meu ver, isso ocorreu devido ao tratamento subjetivo da linguagem musical, e à conexão do “idiomático” com o sistema harmônico tonal/modal mais recorrente historicamente, e o uso de motivos rítmicos e ostinatos. O sistema de regência proposto na aula parecia buscar um objetivo semelhante ao da música erudita contemporânea, ao visar se distanciar destes

artifícios e buscar ressaltar outros tipos de aspectos sonoros, como o timbre, as texturas e a interação instantânea entre os músicos. Porém, acredito que este objetivo poderia ter sido melhor alcançado se os alunos tivessem que confrontar o “idiomático” através de questionamentos objetivos sobre o que o define, e quais parâmetros musicais podem ser manipulados para evitar resultados muito semelhantes em cada sessão de improvisação, ou o “monopólio” de manipulação do material musical que ocorria por vezes, já que os materiais propostos algumas vezes apresentavam características muito dominantes em vários aspectos diferentes (ritmo, harmonia, melodia).

O assunto tratado nesta disciplina envolve grande subjetividade, e acho que esta foi a maior dificuldade que se manifestou no processo de transmissão do conhecimento do professor aos alunos. Porém, a música é um assunto onde a subjetividade pode ser muitas vezes tratada objetivamente através de vários parâmetros que são manipulados para gerar o resultado desejado em uma composição, seja ela instantânea ou não. Acredito que os alunos teriam muito a ganhar se fossem realizados mais exercícios que tivessem como objetivo a discussão objetiva de alguns aspectos ao tocar (apenas o ritmo, por exemplo), e a repetição destes exercícios como uma espécie de “treino de fundamento”, onde os instrumentistas aprendam a ouvir o próximo, reconhecer a ordem que lhe foi dada pelo regente, e encontrar seu lugar naquela manifestação sonora de forma a adicionar a ela sem tomá-la para si (a não ser que esta seja a ordem do regente). Fazer com que os alunos tivessem que criar mais de uma forma de traduzir alguns dos códigos mais subjetivos em seu instrumento como uma tarefa extraclasse também poderia ter exibido resultados diferentes. Apesar de esta última proposta retirar um pouco da “improvisação” do contexto apresentado, seria uma boa forma de fazer os alunos trabalharem com um vocabulário que teriam maior familiaridade, permitindo-lhes focar na manifestação sonora em si e nas relações instantâneas entre cada instrumentista, ao invés de estarem sempre preocupados com como lidar com seus instrumentos naquele momento.

O desenvolvimento deste tipo de prática musical exige que os músicos se comportem como um grupo em constante evolução, e também que os instrumentistas pesquisem seus instrumentos a fim de encontrar sempre novas formas de gerar sonoridades distintas que ainda se encaixem dentro dos códigos apresentados pelo regente. Neste sentido foi difícil gerar uma evolução constante na disciplina, já que a cada aula o grupo que participava era diferente. O domínio do instrumento e uma amplitude de vocabulário de técnicas e frases melódicas e rítmicas também é uma espécie de requisito para o bom funcionamento deste sistema de manifestação musical, e acredito que a prática em grupo de criação de novas sonoridades de forma planejada poderia auxiliar os alunos no desenvolvimento destes mesmos aspectos em seus estudos individuais, gerando também um aumento no interesse geral em alcançar o objetivo da disciplina, que é ser capaz de fazer tudo isso em tempo real com a presença de um regente. A presença de material escrito sobre os códigos poderia também incentivar os alunos a estudarem em grupo por conta própria e pesquisarem o uso destas formas de regência fora da classe, através de vídeos.

No geral, acredito que a disciplina foi uma experiência positiva para todos os alunos envolvidos, iniciando um processo de conhecimento destas novas tradições e o possível engajamento de novos músicos a este contexto em uma região onde estas manifestações ainda não são muito fortes. Porém, acredito que este processo é longo e depende muito da bagagem individual de cada aluno – que tem um papel muito importante, diferenciando os processos mentais de cada um ao participar da experiência – dificultando o desenvolvimento de um grupo conciso através de apenas uma prática semanal durante um semestre.

Benzer Belgeler