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Form ve Çizelge Düzenleme Teknikleri

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4. FORM VE ÇİZELGELERİ DÜZENLEME

4.4. Form ve Çizelge Düzenleme Teknikleri

Um dos maiores problemas do cárcere, especialmente nos países em desenvolvimento, é a sua condição precária. A precariedade existe em todo sistema e é vista em vários fatores como a superlotação, falta de alimentação adequada, falta de higiene básica, falta de assistência jurídica, médica e religiosa, enfim, as condições em que são alojados os presos desrespeitam completamente qualquer noção de dignidade humana.

De acordo com o relatório estatístico referente ao período de dezembro de 2010 colhido do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias – InfoPen no site do Ministério da Justiça, o Brasil conta com uma população carcerária de 496.251 presos, quase meio milhão de presidiários. Ocorre que o mesmo relatório indica que em todo o território nacional, somando-se delegacias e penitenciárias estaduais e federais só existem 298.275 vagas no sistema carcerário brasileiro, ou seja existe um déficit de quase duzentas mil vagas. Então onde estão esses prisioneiros já que para eles não existem vagas? Atulhados uns em cima dos outros em ambientes superlotados e promíscuos.

Sobre o problema da superlotação dos presídios Vitor Gonçalves Machado36 comenta:

“Dessa maneira, é inegável que o alto número de condenados, às vezes maior que o dobro da capacidade do presídio, se traduz como o pior problema existente no sistema penitenciário brasileiro, o qual acarreta ainda outros problemas intimamente ligados a essa superlotação, tais como a falta de higiene, a alimentação precária e a violência física e sexual.

36 MACHADO, Vitor Gonçalves. O fracasso da pena de prisão. http://jus.uol.com.br/revista/texto/13381/o- fracasso-da-pena-de-prisao/1. Acessado em 06/05/11

Todos esses problemas, além da frágil estrutura física dos espaços carcerários e da disseminação das drogas e dos aparelhos celulares, são realidades facilmente perceptíveis nos presídios das grandes cidades brasileiras, sem mencionar a caótica situação das Delegacias de Polícia.”

Não existe vontade política para mudar a situação já que a maioria dos encarcerados são de jovens de baixa renda e não podem votar pois a condenação penal suspende os seus direitos

políticos. Já a população assiste calada enquanto o espetáculo do terror se desenrola dentro dos presídios. Impera na sociedade uma tolerância absoluta em relação aos direitos dos presos, mostrando-se indiferente quanto à situação do sistema carcerário, os prisioneiros são imaginados apenas como a escória que não tem direitos. O pensamento que predomina é que aparentemente a condenação penal tem também um segundo efeito de retirar a personalidade e os direitos referentes à dignidade humana do preso.

A superlotação e a dificuldade da visita íntima gera toda uma série de distúrbios da personalidade relacionados a sexualidade. A sexualidade é muito importante no psiquismo da pessoa, ao ser privado do contato íntimo o condenado reprime seus instintos o que acaba resultando em perversões e violências de toda sorte. Somando-se isso com a falta de condições de higiene e saúde e temos estimativas de que 20% da população carcerária possui AIDS.

Geder Gomes37 aborda o aspecto da sexualidade no sistema penitenciário brasileiro da seguinte forma:

“A sexualidade do recluso é bastante afetada em virtude da alta limitação sexual por que passa o preso, praticamente desprezando-se a importância que a regular atividade sexual tem na vida humana o que, por via de consequência, deságua em perversões e alterações da personalidade do detento, comprometendo sua saúde psíquica e física.”

Ainda sobre o problema da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida Maurício Kuhene38 também comenta:

“Pode-se sentir que, muito embora banida de nosso ordenamento jurídico – a Pena de Morte - , é esta aplicada de forma oficiosa, visto que os condenados, quando submetidos a sevícias de ordem sexual (não raras vezes), são condenados também à medida extrema, a médio ou longo prazo, com a transmissão do mal do século, a AIDS.”

Sobre a falência estrutural do sistema carcerário brasileiro César Barros Leal 39nos convida a uma viagem virtual ao interior do cárcere, ao iniciar o percalço são estas as suas palavras:

“Se não tiver a sorte de arribar a uma ilha de graça num oceano de dor e desgraça – porque ela de fato existe - cruzarei provavelmente as portas de um estabelecimento decrépito, superlotado, promíscuo, onde, sob a vigilância de pessoas habitualmente sem preparação e corrompidas, serei somente um algarismo, um João Ninguém, e vegetarei sem tratamento individualizado (o que simboliza a falência do sistema), desprovido de adequada assistência material, médica, social, religiosa e jurídica, sem trabalho, sem ter acesso a qualquer atividade educativa, sem direito a remir minha pena, sem separação dos presos iracundos, pervertidos, homicidas, sequestradores, estupradores, delinquentes de luva e colarinho branco, usuários e traficantes de drogas, numa mistura flagrantemente contrária às leis (idílicas a juízo de Elias Neuman), cuja invocação é risível por sua clamorosa inoperância.”

O texto acima trata de um grave problema brasileiro, a falta de respeito que a lei sofre por parte dos governantes. Temos uma das melhores leis sobre Execução Penal na América Latina, a Constituição Federal Brasileira é uma das mais avançadas do globo em relação aos direitos humanos, entretanto é cristalino que muitas vezes a Carta Magna distancia-se tanto da

38KUHENE, Maurício. Op. Cit. 39LEAL, Cesar Barros. Op. Cit. p.86

realidade em que vivemos que chega ser quase utópica. Não é uma questão apenas de Legislação, mas sim de mudança de cultura popular e vontade política. Como dito anteriormente vivemos na ironia de ver o Estado prendendo quem descumpre as leis no mesmo tempo em que descuida dos direitos dos presos, desrespeitando ele mesmo suas própria leis.

3.4 OCIOSIDADE

Dentro da Instituição Carcerária o condenado deve ter a sua disposição atividades de ensino, tanto fundamental e médio como profissionalizante, além de atividades laborativas. O trabalho e o estudo promovem a autoestima, diminuem a ansiedade e a violência e garantem a capacitação profissional, proporcionando condições de o presidiário prover seu próprio sustento ao sair do cárcere. Ocorre que, apesar de amplamente citado na legislação brasileira, o trabalho e o estudo são ferramentas aplicadas de forma tímida e precária na Execução Penal Brasileira, são poucos os presídios que possuem espaço adequado para o exercício de atividades laborativas e, quando o possuem, as atividades são exercidas em condições precárias sendo o material utilizado muitas vezes fornecido pela própria família do preso. Vejamos como a Lei de Execução penal trata o trabalho do apenado, in verbis:

“ Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva.

Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário mínimo.

§ 1° O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender:

a) à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e não reparados por outros meios;

b) à assistência à família;

c) a pequenas despesas pessoais;

d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção do condenado, em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação prevista

nas letras anteriores.”

Já dizia o poeta que 'sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra se morre, se mata', o que é muito correto pois a atividade laborativa trabalha o sentimento de comunidade, o preso, que muitas vezes nunca exerceu nenhuma atividade profissional, passa a se sentir uma engrenagem útil da sociedade.

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