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FON KULLANICISI VE İHRAÇÇI HAKKINDA BİLGİLER

Lévinas fala da responsabilidade para com outrem como a estrutura fundante da subjetividade, ou seja, de uma subjetividade que é estruturada na relação ética. A responsabilidade por outrem é entendida “como a responsabilidade por aquilo que não fui que fiz, ou não me diz respeito: o que precisamente me diz respeito [...]” (LÉVINAS, 1982, p.87). Essa responsabilidade refere-se ao que não tem relação direta comigo, mas que pela resposta responsável ao Outro, passa a ter completa relação. O Outro já está aí antes da minha vinda ao mundo e, portanto, minha responsabilidade por ele é mais antiga que o começo, vem de um passado imemorial. O passado que não tem registros na memória é aquele que tem um significado sem nunca ter sido presente, “significado a partir da responsabilidade pelo outro e onde a obediência é o modo próprio da escuta do mandamento” (LÉVINAS, 1997, p.221). Desde a minha chegada, sou responsável por outrem, responsável até pela responsabilidade dele.

A subjetividade não é anterior à responsabilidade, como se esta fosse uma simples característica daquela; a responsabilidade para com outrem é a estrutura primeira da subjetividade. Fundada em uma responsabilidade absoluta, a subjetividade humana é inicialmente para o Outro. Para Lévinas (1982, p.88-89),

outrem não está simplesmente próximo a mim no espaço, ou próximo como um parente, mas que se aproxima essencialmente de mim enquanto me sinto – enquanto sou – responsável por ele. É uma estrutura que, de modo algum, se assemelha à relação intencional que nos liga, no conhecimento, ao objeto [...].

A resposta ao outro “eis-me aqui” é a constituição própria do Eu. O Eu existe apenas depois da chegada do Outro, pois só é possível dizer “Eu” em resposta a ele, ou melhor, só é possível dizer Mim, pois o mim é o eu em resposta ao Outro. “Proferir <<eu>> significa possuir um lugar privilegiado em relação às responsabilidades, para as quais ninguém pode substituir- me e das quais ninguém me pode desligar. Não poder esquivar-se – eis o eu” (LÉVINAS, 1980, p.223).

Respondo a outrem sem que, sequer, ele tenha me interpelado. Responsabilidade que vem da bondade: “a bondade – ou seja a humanidade do homem que proíbe matar e obriga a se pré-ocupar com outrem – é testemunho do Infinito” (POIRIÉ, 2007, p.30). Um mandamento que nasceu fora de mim, mas que manda em mim e me obriga a ser responsável pelo Outro. O eu está em condição de refém, “é aquele que, antes de toda decisão, é eleito para carregar toda a responsabilidade do Mundo” (LÉVINAS, 1997, p.93).

A responsabilidade para com outrem é algo intransferível e da qual não se pode fugir. “Sou responsável de uma responsabilidade total, que responde por todos os outros e por tudo o que é dos outros, mesmo pela sua responsabilidade. O eu tem uma responsabilidade a mais que todos os outros” (LÉVINAS, 1982, p.91). Aqui, Lévinas utiliza-se da máxima de Dostoiévski na obra “Os Irmãos Karamázov”: somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros. Somos investidos de uma responsabilidade total, imensa, e nós mais do que todos os outros. Persiste o filósofo lituano:

Sou eu que suporto outrem, que dele, sou responsável. [...] A minha responsabilidade não cessa, ninguém pode substituir-me. De facto, trata-se de afirmar a própria identidade do eu humano a partir da responsabilidade, isto é, é a partir da posição ou da deposição do eu soberano na consciência de si, deposição que é precisamente a sua responsabilidade por outrem. A responsabilidade é o que exclusivamente me incumbe e que, humanamente, não posso recusar. [...] Sou eu apenas na medida em que sou responsável (LÉVINAS, 1982, p.92-93).

É através da responsabilidade irrecusável e intransferível que se dá nossa unicidade, ou seja, no momento em que sou responsável pelo outro, eu sou único. À unicidade da responsabilidade do eu, Lévinas chama de eleição. Apenas sou eu quando convocado a essa responsabilidade irrecusável, quando sou eleito. “A eleição do eu, a sua própria ipseidade, revela-se como privilégio e subordinação – porque não o põe entre os outros eleitos, mas precisamente em frente deles, para os servir, e porque ninguém se pode substituir a ela para

medir a extensão as suas responsabilidades” (LÉVINAS, 1980, p.258). A eleição implica uma sobrecarga de obrigações e não demarca uma felicidade, “mas é uma dignidade [...] e se deve ser grato por ter sido eleito” (POIRIÉ, 2007, p.109). É ser grato pela servidão, gratidão pela subserviência a outrem.

E como fica a responsabilidade dele para comigo? Este é um questionamento recorrente feito acerca da teoria levinasiana. Lévinas rebate que a responsabilidade do Outro para comigo é uma questão somente dele, haja vista que “a relação intersubjetiva é uma relação não-simétrica. Neste sentido, “sou responsável por outrem sem esperar a recíproca, ainda que isso me viesse a custar a vida. A recíproca é assunto dele” (LÉVINAS, 1982, p.90).

Não há reciprocidade na responsabilidade por outrem, sou total rendição e apenas sou sujeito por essa relação de submissão a outrem. O autor denuncia a espera de reciprocidade: “Nenhum reconhecimento pode ser exigido de outrem no tocante às minhas benfeitorias, que jamais são suficientes, que jamais hão de exaurir o Bem, mas, ao contrário, abrem sob meus passos o abismo de ‘tudo o que resta a fazer’” (POIRIÉ, 2007, p.40). A responsabilidade pelo outro vai até a substituição por outrem, assumindo a condição de refém. “A relação com outrem não é simétrica [...] na relação ao Rosto, o que se afirma é a assimetria: no começo, pouco me importa o que Outrem é em relação a mim, isto é problema dele: para mim ele é antes de tudo aquele por quem eu sou responsável” (LÉVINAS, 1997, p.145).

A responsabilidade total, absoluta e não recíproca a que Lévinas nos propõe não traz nenhuma promessa ou proteção, mas o absoluto da exigência. A responsabilidade “não é o que se chama de agradável, certamente não é divertida, mas ela é o bem” (LÉVINAS, 1997, p.270-271). É o valor da santidade, é através dela que nos tornamos santos.

A santidade, para Lévinas (1982), diz respeito à atitude de deixar o Outro sempre em primeiro lugar, desde atos de gentileza no cotidiano até à difícil responsabilidade diante da morte de outrem, ao fato da obrigação em relação a outrem se impor antes de toda e qualquer obrigação. A ética, segundo o autor, é essa vocação para a santidade que se dá de duas formas: pela incondicional prioridade dada ao Outro e pela relação anárquica, assimétrica e hiperbolicamente responsável por ele (LÉVINAS, 1993). “Há santidade, decerto, em preocupar-se com algum outro antes de ocupar-se de si, de velar por algum outro, de responder a algum outro antes de responder a si. O humano é essa possibilidade de santidade” (POIRIÉ, 2007, p.93). Há possibilidade de santidade diante da primazia do outro quando dizemos: Primeiro o senhor!