2.1. Menstrual döngü
2.1.1. Foliküler faz
As análises discursivas realizadas nos mostraram que as principais atitudes expressas pelos locutores nos momentos de ataque ao ethos e de desqualificação adversária foram a crítica e a ironia, sendo a primeira atitude expressa pelos quatro candidatos. Nas próximas seções, veremos como a prosódia se comporta na expressão da crítica para o conjunto de locutores, no que respeita os três parâmetros prosódicos descritos para cada locutor individualmente.
5.7.1.1 F0
Nossas análises nos mostraram que os locutores realizaram ajustes nos pontos de F0, aumentando os valores de frequência fundamental nos momentos em que expressaram a crítica. No gráfico abaixo, apresentamos resultados sintetizados que dizem respeito aos pontos em que os ajustes foram recorrentes para os quatro locutores.
Gráfico 9: média de F0 inicial, F0 final, F0 máxima, F0 mínima e F0 média para o
conjunto de locutores na crítica (coluna vermelha) e no neutro (coluna azul).
Apesar de, em algumas vezes, os ajustes locais terem sido realizados com registros de frequências diferentes pelos locutores, se tomados individualmente, temos que, de maneira geral, os valores médios de F0 inicial, de F0 final, de F0 máxima, de F0 mínima e da média de F0 tendem a ser maiores na crítica. Assim, entendemos que o uso de registros mais altos de frequência fundamental é uma característica dessa expressão atitudinal. Cabe ponderarmos que a tessitura não figura entre os dados do gráfico acima, pois não foi um elemento que se mostrou relevante para a caracterização da crítica na fala de um dos locutores.
Um resultado importante encontrado durante nossas análises diz respeito aos valores obtidos para o desvio padrão. Em todos os pontos de F0, o desvio padrão sugere que existe maior variação de frequência quando há expressão da crítica. Nos enunciados neutros, por sua vez, os valores ficam bem próximos da média.
Quanto ao movimentos finais, observamos um padrão predominantemente descendente para a crítica. Agrupando os dados dos quatro locutores, encontramos os seguintes resultados:
Gráfico 10: movimentos melódicos finais da crítica e do neutro para o conjunto de
locutores.
A partir da análise do gráfico, podemos dizer que os movimentos finais acontecem em níveis mais altos de F0 nos momentos em que há expressão da crítica por parte de todos os locutores analisados neste trabalho. Os valores de F0 mensurados na crítica foram, em média, de 11,49 st/100Hz, no início da queda melódica, e de 2,84 st/100Hz, ao final do movimento. Para o neutro, os valores médios nesses pontos foram mais baixos, se comparado à crítica: 6,89 st/100Hz para a F0 inicial, e -1,15 st/100Hz, no final da descida melódica.
Em 2007, Antunes estudou a expressão da crítica, além de outras atitudes, na fala do locutor em questões. A autora observou que essa atitude pode ser caracterizada com valores mais altos de F0, principalmente no início dos enunciados. Apesar de nosso estudo ter sido realizado com outra modalidade frasal (a declarativa), podemos dizer que nossos resultados corroboram/complementam os achados da autora. Sintetizando os resultados obtidos para a crítica nos debates políticos analisados, podemos dizer que essa expressão atitudinal se caracteriza por apresentar tendências a valores mais elevados de F0, sobretudo no início do enunciado e no ponto máximo de F0, além de movimentos melódicos finais descendentes, que se realizam com registros mais altos de frequência.
5.7.1.2 Duração
Após cotejarmos as análises de duração para os quatro locutores, notamos que parece haver uma tendência a uma fala mais lenta na expressão da crítica. Ao agruparmos as médias das taxas de elocução e de articulação, temos os seguintes resultados:
Gráfico 11: média das taxas de articulação (TA) e de elocução (TE) da
crítica e do neutro para o conjunto de locutores.
As médias das taxas de articulação e de elocução nos mostram que os locutores adotam uma fala menos acelerada quando expressam a crítica. O gráfico apresentado acima nos permite inferir que há presença de pausas na crítica, uma vez que a TA e a TE foram diferentes na expressão atitudinal. Essas pausas tiveram duração média de 268ms, para o conjunto dos locutores.
Outra característica encontrada nas expressões críticas foram os prolongamentos de algumas sílabas tônicas, a fim de dar ênfase no que estava sendo enunciado. As médias de duração dessas sílabas foram maiores, quando comparadas às demais tônicas do enunciado. Encontramos prolongamentos silábicos que duraram 387ms, enquanto as outras tônicas tiveram duração média de 188ms. Assim, acreditamos que esses elementos prosódicos foram utilizados para realçar algum elemento discursivo na construção retórica da crítica.
Apesar de os resultados nos parecerem relevantes para a caracterização de algumas questões relacionas à velocidade de fala na crítica, é valido ponderarmos que esses achados dizem respeito ao conjunto de três locutores, uma vez que o loc. 04 expressou crítica com uma velocidade de fala mais acelerada (não lenta, como os demais locutores), em oposição ao neutro. Os prolongamentos silábicos não foram encontrados para esse locutor.
5.7.1.3 Intensidade
O estudo da intensidade não pode ser realizado de maneira detalhada neste trabalho, pois não tivemos controle sobre as gravações, o que, de certo modo, asseguraria uma análise confiável desse parâmetro. Assim, nos ativemos à média por enunciado, a fim de sinalizar
possíveis contribuições da intensidade para o reconhecimento e a caracterização das atitudes estudadas.
De maneira geral, podemos dizer que os ajustes de volume aconteceram de maneira bastante individual. Por exemplo, temos o loc. 04 aumentando a intensidade em 10dB, em média, quando expressa a crítica, enquanto o loc. 03 adota um registro de volume mais baixo do que o neutro para a expressão atitudinal. Desse modo, não pontuamos uma tendência a ser seguida para esse parâmetro quando os locutores expressaram crítica e acreditamos que a intensidade funcione de maneira mais individualizada. Vale ponderarmos que, assim como para a F0, os valores de desvio padrão apontam uma maior variação de intensidade quando os locutores expressaram a crítica.