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Além da legislação tradicional, incluímos os dois Planos Diretores do mercado de capitais brasileiro, elaborados em 1991 e em 2002, pois se configuraram em propostas de políticas para este mercado.

Do plano redigido em 1991, destaca-se uma diretriz básica observada no mesmo: a intenção de promover um “maior controle e participação na gestão das empresas por parte dos sócios acionistas, mediante a emissão crescente de ações ordinárias, valorização das preferenciais, melhoria da política de dividendos e proteção ao minoritário” (BRASIL, 1991, p.8-9, grifo nosso). Dentre as 50 medidas que seriam efetivadas, podemos destacar:

a) Revisão e simplificação do fechamento de capital, preservando-se os interesses

dos minoritários24.

b) Redução dos custos de abertura e manutenção do registro, para estimular a abertura e a capitalização das empresas25.

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Por exemplo, uma seta para baixo poderia significar uma medida mais significativa do que duas setas para cima, e vice-versa.

24 Esta medida seria efetuada imediatamente por uma Instrução da CVM e visaria a simplificação. Realmente a simplificação do fechamento foi efetuada, mas isto resultou em perda de poder dos minoritários.

c) Indução à emissão e demanda por ações ordinárias e valorização das ações preferenciais, com restrição gradual à emissão de ações preferenciais. O objetivo disto era democratizar o controle das empresas26.

d) Avaliação do direito de retirada pelo valor real do patrimônio líquido (de

mercado, de venda), visando a proteção ao minoritário27.

e) Retorno do direito de retirada nas incorporações, fusões ou cisões de empresas, novamente para proteger o minoritário. Esta alteração seria efetuada em até 1 ano, pela revogação da Lei 7.958/89, a criticada Lei Lobão. Isto demonstra que, em 1991, o próprio

Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, que elaborou este Plano Diretor, considerava que esta Lei continuava em vigor28.

f) Dar direito de retirada ao minoritário na emissão de partes beneficiárias29.

g) Induzir a ampliação da transparência das atividades e demonstrativos das

sociedades anônimas de capital fechado, a partir de um determinado porte, pois seriam

empresas de grande importância na economia30 (BRASIL, 1991, p.10-8).

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Esta alteração seria efetuada em curto prazo, de até 1 ano, por uma alteração na lei. Seria interessante verificar se na prática isto foi feito, pois os gestores de ações entrevistados continuam reclamando das altas taxas. Esta reclamação também ocorreu com as organizações estudadas por Rocca e Carvalho (1999, apud Carvalho, 2000, p.36). Contudo, em estudo elaborado pela Bovespa (BOLSA DE VALORES DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2003), foi verificado que, enquanto a anuidade mínima cobrada por esta instituição é de R$5.000,00, nos Estados Unidos o mínimo cobrado é de US$10.710 na Nasdaq e de US$32.340 na Bolsa de Nova Iorque.

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Novamente, isto seria efetuado no curto prazo, também por alteração na lei. 27

Mais uma vez, seria realizado por alteração da lei em até 1 ano. Tal alteração não foi efetuada como pretendida. Como pudemos notar na evolução da legislação societária, a atual Lei das S/A permite que possa ser efetuado o pagamento do direito de retirada por valor inferior ao patrimonial, desde que calculado pelo valor econômico. Ou seja, o valor pode ser inferior ao patrimonial. Isto não protege o minoritário, pelo contrário. 28 Como será visto na seção 4.4.3.1, há autores que afirmam que esta lei nunca chegou a vigorar, por problemas técnicos na sua criação.

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Apesar de não estudada neste trabalho, notamos aqui uma intenção de aumentar as hipóteses do direito de retirada, por meio de alteração em curto prazo da Lei das S/A.

30 Outra medida não efetivada. As companhias de capital fechado continuam tendo uma transparência mínima, sendo difícil para um minoritário permanecer mantendo ações de companhias que fecham o capital. Esta medida seria realizada em curto prazo, por alteração na Lei. É interessante verificar o ponto de vista de Lameira (2002, p.8), ao afirmar que a Lei das S/A oferece uma proteção genérica, quando objetiva atender a todos os acionistas, e uma proteção específica, quando se volta exclusivamente ao minoritário da companhia aberta, “já que a figura do acionista minoritário é menos importante no âmbito das companhias fechadas”. Pensamento semelhante é encontrado em Carvalhosa (2003a, p.868), quando trata do direito de retirada: “Ademais, manteve a lei de 1976 o direito tanto para os acionistas de companhias fechadas como abertas, mesmo porque nesta última categoria é que o direito de recesso mais se impõe em face do distanciamento existente entre os controladores e sua administração de um lado, e os minoritários de outro”. Contudo, deve-se observar que, pelo critério da

Em 2002, foi elaborado outro Plano Diretor do mercado de capitais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO MERCADO DE CAPITAIS; INSTITUTO BRASILEIRO DO MERCADO DE CAPITAIS, 2002). Mesmo sem referenciar o Plano Diretor anterior, este também trazia novamente 50 medidas para desenvolver este mercado.

Como uma das condições de eficiência necessárias, este plano apontava o tratamento eqüitativo entre os agentes econômicos, com adequada proteção aos investidores, por meio da legislação. Este plano assumia que o mercado de capitais brasileiro não representava uma alternativa de captação de recursos para a maioria das empresas, atraindo poucos investidores. O fraco desempenho do mercado seria causado por obstáculos econômicos, culturais e institucionais, como, por exemplo: as altas taxas de juros; as distorções do sistema tributário; o incentivo à economia informal; e a deficiente proteção aos investidores.

Dentre as diretrizes e medidas a serem realizadas, destacam-se:

a) Promoção do acesso ao mercado do maior número possível de empresas, por meio de diversas vertentes, como a redução dos custos31.

b) Proteção ao investidor. Assumindo que o Novo Mercado caminha no sentido de proporcionar adequados níveis de proteção, de boas práticas de governança corporativa e uma maior transparência. Incentivar as empresas a aderirem ao Novo Mercado.

c) Reversão da imagem negativa do mercado de capitais.

d) Melhorar a proteção aos minoritários, no contexto já existente. Consolidar os

dispositivos já aprovados na Lei das S/A de 2001.

e) Ampliar as aberturas de capital, simplificando o acesso das empresas de menor porte ao mercado. Tornar o mercado menos oneroso para estas empresas, reduzindo as taxas de registro e fiscalização da CVM.

quantidade de acionistas, as companhias abertas têm realmente maior relevância do que as companhias fechadas. Contudo, pelo critério de proteção satisfatória, esta relação se inverte, pelos motivos já explicitados.

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Podemos notar que algumas das propostas do Plano Diretor de 1991 não foram implementadas, sendo, inclusive, novamente formuladas na versão de 2002.

Este capítulo demonstrou a evolução da legislação societária, nos aspectos referentes ao direito de retirada nas reestruturações societárias. Além da legislação tradicional, também foram inclusas as duas propostas de políticas para o mercado de capitais brasileiro, constantes nos dois Planos Diretores deste mercado.

Benzer Belgeler