2. OPTİMİZASYON HAKKINDA GENEL BİLGİLER
2.2. Fizik Tabanlı Sezgisel Optimizasyon Algoritmaları
5 .1 . Fa u st o
Goet he, o Olím pico, ( ...) disse que Mozart era o único m úsico capaz de com preender Faust o e de sentir Margarida. ( Eça de Queirós) 12
Para com ent ários e análises do Faust o I , ut ilizam os o livro t raduzido por Jenny Klabin Segall, que est á edit ado na versão bilíngüe: port uguês e alem ão. Escolhem os esta versão por ser um a das m elhores e cont er not as do professor Marcus Vinicíus Mazzari e nas análises de Faust o I I , ut ilizam os a versão em port uguês, t raduzida t am bém por Jenny Klabin Segall ( edit ora Vila Rica) , e a versão alem ã da edit ora Ernest Klet t .
Nest e est udo, darem os um panoram a geral da obra Fausto e farem os recortes do texto em questão, que serão relevantes para m ostrar a intertextualidade com os textos de Eça de Queirós.
Com eçam os a nossa análise pela cena “ Prólogo no céu” , pois nest a cena t em os as linhas gerais da tragédia e a visão sobre a hum anidade e o m undo dada pelos Arcanj os, por Deus e por Mefistófeles. O prólogo se m ostra fundam ent al com o prem onição para o desenlace de t oda a t ragédia, à m edida que se pode observar nesta cena a insinuação da redenção de Fausto, que
12 MATOS, A. Cam pos ( org) . Dicionário de Eça de Queirós. Lisboa: Ed.
Cam inho, 1988,p.52.
ocorrerá na segunda part e da peça. Tal redenção j á é ant evist a pelo Senhor ou Alt íssim o:
Wenn er m ir j et zt auch nur verworren dient , So werd’ich ihn bald in die Klarheit führen.
Se em confusão m e serve ainda agora,
Daqui em breve o levarei à luz.
( GOETHE, 2004: 53)
Nest a cena t em os, t am bém , um diálogo int ert ext ual com o m it o bíblico de Jó, no qual o Diabo t em a perm issão divina para “ t entar” o servo de Deus. No Livro de Jó, o diabo apresent a- se ao Senhor, j unt o com os filhos de Deus, e desafia a fé que Jó t em em Deus. O diabo diz para o Senhor que se ele perdesse t udo, com cert eza am aldiçoaria Deus. Ent ão, Deus dá perm issão ao diabo para provar a fé de Jó e est e t ira a riqueza dest e e o deixa doent e. Depois disso, o diabo acredita na fé do servo de Deus e diz a est e que m esm o nest a t errível sit uação, Jó nunca am aldiçoou Deus.
No livro de Jó, o diabo é cham ado com o sendo um dos filhos de Deus e no Fausto de Goethe tem os Mefistófeles presente na convocação prom ovida por Deus, no prólogo.
Podem os perceber o diálogo que a obra de Goet he faz com a t radição bíblica, no fat o de que em am bos os textos o diabo é recebido sem qualquer ant agonism o. E em am bas as hist órias o 36
diabo recebe perm issão divina para colocar os servos de Deus à prova.
A cena “ Prólogo no céu” de Faust o com eça com t rês dos Arcanj os: Miguel, Gabriel e Rafael curvando- se ant e o Senhor. Eles est ão cant ando a m úsica das esferas, em adoração a Deus. E Goethe, apresenta o Arcanj o Gabriel dizendo:
Und schnell und unbegreiflich schnelle Dreht sich um her der Erde Pracht ; Es wechselt Paradieseshelle
Mit t iefer, schauervoller Nacht ;
E em ronda arrebat ada e et erna Gira o esplendor do t érreo m undo; Radiant e luz do céu se alt erna
Com m ant os de negror profundo; ( ...) ( GOETHE, 2004: 49)
Nest as palavras de Gabriel, vem os a noção de polaridade – luz e escuridão - fazendo part e de um a unidade, ist o é, são forças com plem entares, que produzem o m ovim ent o da criação. Podem os notar nestas palavras de Gabriel que, para os Arcanj os, o m undo feito por Deus é com posto de forças polares opostas, m as em perfeit a harm onia. Depois do cant o individual de cada um dos três Arcanj os, tem os a opinião conj unta dos três, afirm ando que desde o prim eiro dia, a obra divina se m ovim ent a em perfeit a harm onia.
Em seguida à opinião dada pelos Arcanj os sobre a criação, tem os a visão de Mefistófeles sobre o hom em :
Von Sonn’ und Welten Weiss ich nicht s zu zagen, ( …)
Ein wenig besser würd’ er leben,
Hät t st du ihm nicht den Schein des Him m elslicht s gegeben;
Er nennt ’s Vernunft und braucht ’s allein, Nur t ierischer als j edes Tier zu sein.
Er scheint m ir, m it Verlaub von Euer Gnaden, Wie eine der langbeinigen Zikaden,
Die im m er fliegt und fliegend springt
Und gleich im Gras ihr alt es Liedchen singt ; Und läg’ er nur noch im m er in dem Grase! I n j eden Quark begräbt er seine Nase.
De m undo, sóis, não t enho o que dizer, ( ...)
Viveria ele algo m elhor, se da celeste Luz não t ivesse o raio que lhe dest e; De razão dá- lhe o nom e, e a usa, afinal, Pra ser feroz que t odo anim al.
Parece, se o perm it e Vossa Graça, Um pernilongo ganhafão que esvoaça Salt ando e vai salt ando à t oa
E na erva a velha cant arola ent oa;
E se j azesse ainda na erva o t em po int eiro! Mas seu nariz ent erra em qualquer at oleiro. ( GOETHE, 2004: 51)
38 Vem os nesta form ulação, a opinião de Mefist ófeles, que se cont rapõe a dos Arcanj os. Ele não t em com ent ário a fazer sobre o m undo “ de m undo sóis não tenho o que dizer” , m as percebe com o o hom em , “ o pequeno Deus da t erra” se at orm ent a desde o prim eiro dia. A raiz desse t orm ent o est á no fat o de o hom em
t er recebido a razão com o dádiva do Senhor. Segundo Mefist o, a luz divina, cham ada pelo hom em de razão ( “ de razão dá- lhe o nom e” ) , em lugar de ser um benefício, faz com que fique cada vez m ais anim alesco: “ e a usa, afinal,/ Para ser feroz m ais que t odo anim al” . Assim , m ovido pela razão, o hom em anseia pelo infinit o ( “ gafanhão que esvoaça/ Salt ando e vai salt ando à t oa” ) para, infeliz, term inar por enterrar o nariz na terra, a única dim ensão dest inada ao ser hum ano. Diant e de t ant as crít icas sobre a organização do m undo, Deus pergunt a se Mefist ófeles não acha nada direit o na t erra, ao que ele responde:
Nein, Herr! I ch find’es dort , wie im m er, herzlich schlecht .
Die Menschen dauern m ich in ihren Jam m ert ragen, I ch m ag sogar die arm en selbst nicht plagen.
Não m est re! Acho- o t ão ruim quão sem pre; vendo- o assim
Coit ados! Em seu t ranse de hom ens j á lam ent o, Eu próprio, at é, sem gost o os at orm ent o.
( GOETHE, 2004: 53)
Mefist ófeles dem onst ra sent ir pena dos m ort ais, pois não crê na harm onia da criação, j á que os hom ens, apesar de ansiarem pelo infinito, estão presos ao m undo finit o e por isso, segundo ele, em desarm onia com o m undo criado por Deus.
Para se contrapor a Mefisto, o Senhor “ põe em j ogo” Faust o, a quem cham a de seu servo “ Meinen Knecht !/ Meu servo, sim ! ”
( GOETHE, 2004: 53) . Podem os ver, pelo argum ent o do Senhor, que a divindade lança m ão de um represent ant e de seu m undo, “ seu servo” Faust o, para provar a perfeição da criação. Assim , Faust o personifica, nest a t ragédia, t oda a hum anidade. Mefist ófeles, conhecendo e reconhecendo Faust o, descreve a personalidade do “ servo” do Senhor at ravés das forças ant agônicas e ext rem as que caract erizam sua alm a:
Fürwahr! Er dient Euch auf besondere Weise. Nicht irdisch ist des Torent rank noch Speise. I hn t reibt die Gärung in die Ferne,
Er ist sich seiner Tollheit halb bewusst;
Vom Him m el fordert er die schönst en St erne Und von der Erde j ede höchst e lust ,
Und alle Näh’und alle Ferne
Befriedigt nicht die t iefbewegt e Brust .
De form a est ranha ele vos serve, Mest re! Não é do louco, a nut rição t errest re. Ferm ent o o im pele ao infinit o,
Sem iconsciente é de seu vão conceit o; Do céu exige o âm bit o irrest rit o
Com o da t erra o gozo m ais perfeit o, E o que lhe é perto, bem com o o infinito, Não lhe cont ent a o t um ult uoso peit o. ( GOETHE, 2004: 53)
Mefist o, m ais um a vez, contest a e ironiza a escolha do Senhor, m ost rando que o “ servo” t em um a m aneira m uito peculiar de honrar a divindade; “ De form a est ranha ele vos serve, Mestre!” . Segundo Mefistófeles, O hom em ( Fausto) quer o
infinit o, m as t am bém t odas as coisas boas da t erra. Nada o cont ent a, fazendo com que sua alm a perm aneça em conflit o.
O Senhor, quase que resignado, t em que adm it ir que o hom em erra, m as que, na lut a e procura durant e t oda a exist ência, na sua aspiração infinit a, acaba cam inhando inst int ivam ent e para a luz:
Wenn er m ir j et zt auch nur verworren dient , So werd’ich ihn bald in die Klarheit führen.
Weiss doch der Gärt ner, wenn das Bäuchen grunt , Dass Blüt ’ und Frucht die künft ’gen Jahre zieren.
Se em confusão m e serve ainda agora, Daqui em breve o levarei à luz.
Quando verdej a o arbust o, o cult or não ignora Que no fut uro frut o e flor produz.
( GOETHE, 2004: 53)
Eis aqui o indício de que Faust o, com o represent ant e da hum anidade, será salvo. O Senhor est á cient e de que Fausto o serve de m aneira confusa, adm it e os erros com et idos pelo hom em , m as assegura a Mefist ófeles que levará o hom em para a Luz. “ Daqui em breve o levarei à luz.”
Mefist ófeles, ent ão, para provar seus argum entos, pede para conduzir Faust o pelo seu cam inho e propõe a aposta para Deus:
Was wet t er I hr? Den sollt noch verlieren, Wenn I hr m ir die Erlaubnis gebt ,
I hnm eine St rasse sacht zu führen!
Que apost ais? Perdereis o cam arada; Se o perm it irdes, t enho em m ira Levá- lo pela m inha est rada! ( GOETHE, 2004: 55)
Deus, convicto de que o ser hum ano o serve, m esm o que por cam inhos tortuosos, aceita a aposta e esclarece a causa dos erros do hom em :
Ein gut er Mensch in seinem dunklen Drange I st sich des rechten Weges wohl bewusst .
Que o hom em de bem , na aspiração que, obscura, o anim a,
Da t rilha cert a se acha sem pre par. ( GOETHE, 2004: 55)
O Senhor vê a sua obra com o perfeita, pois o hom em erra porque anseia por “ algo” , e esses erros fazem part e do aprendizado, cont udo, est á conscient e do cam inho cert o: “ Da t rilha cert a se acha sem pre par” . Port ant o, o Senhor perm it e que Mefist o conduza o hom em por seus cam inhos e que o desvie da sua “ fonte inata” , na cert eza de que hom em , m esm o no seu “ ím pet o obscuro” , é “ bom ” .
A cena “ Prólogo no céu” t erm ina com a fala de Mefist ófeles:
Es ist gar hübsch von einem grossen Herrn,
So m enschlich m it dem Teufel selbst zu sprechen.
É de um grande Senhor, louvável proceder
Most rar- se t ão hum ano at é para com o dem ônio. ( GOETHE, 2004: 57)
Nestas palavras de Mefist o, vem os a originalidade de Goet he, que m ost ra um relacionam ent o am igável ent re Deus e o dem ônio, o que é lógico dentro da obra, j á que o Senhor criou t udo e crê que t oda a sua obra est á em harm onia. Ent ão, não poderia proceder de out ra form a com Mefist o, que é parte de sua criação. A prim eira apost a da t ragédia est á feit a, e o dem ônio t em a perm issão divina para t ent ar Faust o.
A segunda aposta da t ragédia de Goet he acontece na cena “ Quarto de Trabalho” . Agora a aposta se realiza entre Fausto e Mefist o. O diabo irá t ent ar sat isfazer o hom em , à m edida que o conduz por seus cam inhos. Nos term os dessa nova aposta, Mefistófeles será declarado vencedor se Faust o, em m eio a sua busca t it ânica, encont rar um m om ent o de sat isfação, um m om ent o t ão pleno que ele não queira passar para o m om ent o seguint e, com o m ost ra o diálogo ent re Faust o e Mefist ófeles:
Faust : Werd’ich beruhigt j e m ich auf ein Faulbert legen, So sei es gleich um m ich getan!
Kannst du m ich schm eicheld j e belügen, Dass ich m ir selbst gefallen m ag,
Kannst du m ich m it genuss bet rügen, Das sei für m ich der letzte Tag!
Die Wet t e biet ’ich! Mephist opheles: Topp!
Faust o: Se eu m e est irar j am ais num leit o de lazer, Acabe- se com igo, j á!
Se m e lograres com deleit e E adulação falsa e sonora,
Para que o próprio Eu preze e aceit e, Sej a- m e aquela a últ im a hora!
Apost o! E t u? Mefist ófeles: Topo! ( GOETHE, 2004: 169)
Segundo Eloá Heise, “ o cerne da apost a com o diabo reside no desafio de conseguir que Faust o, sat isfeit o, diga ao m om ent o ‘perm aneça t ão belo que és’ e deit e- se, assim , num a ‘cam a de preguiça’, ou sej a, interrom pa sua ação, paralise- se através da inércia.” ( HEI SE, 2001: 53)
A m esm a int erpret ação é dada por Jaeger ( 2004)13:
A criação genial de Goet he consist e num a variação do velho assunt o fáust ico, que ele configura com o caricat ura do ideal m oderno de progresso e dinam ism o. Faust o obriga- se pelo pact o a um m ovim ent o incessant e, vert iginoso, e, se ele parar por um inst ant e, se conceder a si m esm o um m om ent o de reflexão, t erá perdido a própria apost a e a própria vida. Não cansam os de adm irar a exat idão “ sim ográfica” , as qualidades clarivident es do t ext o goethiano.
Desta form a, segundo Heise, acordados os term os da apost a, Faust o, conduzido pelo diabo, irá procurar plenit ude através de experiências do “ pequeno m undo” ( Faust o I ) e do “ grande m undo” ( Faust o I I ) , sem encont rar sat isfação. Poder,
13 JAEGER, Michael, Hist ória das catástrofes, Folha de São Paulo, 16 de m aio de
2004, Tradução Marcus V. Mazzari, Caderno Mais! p.03)
riqueza, realizações, fam a, sexo, et c. nada, cont udo, nunca o sat isfaz.
No fim da prim eira part e da t ragédia, Faust o est á com o espírit o quebrant ado pela desgraça que, por sua causa, abat eu- se sobre Margarida, sua infeliz am ant e. A personagem , involunt ariam ent e, m at a a m ãe e, enlouquecida por t er sido abandonada por Faust o, t orna- se t am bém assassina do próprio filho e é condenada à m ort e, m as ent rega sua alm a ao Senhor obt endo a sua salvação:
Dein bin ich, Vat er! Ret t e m ich! I hr Engel! I hr heiligen Scharen,
Lagert euch um her, m ich zu bewahren!
Sou t ua, Pai no et erno t rono!
Salva- m e! Anj os, vós hoste sublim e, Baixai ao m eu redor, cobri- m e! ( GOETHE, 2004: 521)
Nos episódios que com põem o Faust o I I , ( após a m ort e e salvação da Margarida em Faust o I ) , Mefist o cont inua em sua tarefa de tentar satisfazer a Faust o. Tent a- o, inicialm ent e, com poder e fam a. Fausto torna- se conselheiro do im perador. Mas, tam bém , isso não o sat isfaz. At endendo ao desej o do im perador, Fausto consegue m aterializar, por m eio da m agia, as figuras de Paris e Helena, com o represent ant es da beleza. Sent e- se arrebat ado pela beleza de Helena e anseia por possuí- la, m as essa m iragem m ágica desaparece ao seu toque. Sua fant asia conseguira ult rapassar as front eiras da realidade e criara, na 45
art e, um a realidade supra- real, na figura de Helena. O pont o cent ral do Faust o I I é o casam ent o de Faust o com Helena. Nessa relação est aria sim bolizada a união do m undo da fantasia a da beleza ( Helena) com o hom em m oderno, na sua procura incessant e de conhecim ent o e de ação ( Fausto) . Mas o m undo da fant asia é o m undo do sonho, um m undo aparent e, do qual Faust o irá despert ar. Assim fam a e beleza não o conduzirão ao conhecim ent o absolut o. Com o tem po Faust o vai ficando paulat inam ent e m ais am adurecido percebendo que, com o hom em , não est á fadado a penet rar na m ais profunda com preensão da exist ência.
No fim da vida, j á velho, invoca as forças diabólicas sob seu com ando para criar um a região, em ergi- la do m ar e fazer um a Nova Terra. Ele sonha com um a ut opia, pret endendo que est e sej a um lugar de um povo livre que habite esta terra em frat ernidade, esforçando- se conj unt am ent e para conquistar est a liberdade. Quando, por fim , t em a m iragem do obj et ivo a ser alcançado, est á cego, velho e desiludido.
E ao se dedicar a um proj eto que visa trazer liberdade e frat ernidade para m ilhões de pessoas, enche- se de alegria. Convence- se, finalm ent e, que isso poderia ser o vislum bre de um ideal. E com a vont ade de ver o result ado de suas obras, ele quer reter a visão até que tudo est ej a com plet ado e seu ideal convert ido em realidade. Diant e da visão da t erra surgindo do
m ar e o povo vivendo em fraternidade, ele parece proferir as palavras em blem át icas do seu pact o com Mefist ófeles:
Nur der verdient sich Freiheit wie das Leben, Der t äglich sie erobern m uss.
Und so verbringt , um rungen von Gefahr,
Hier Kindheit , Mann und Greis sein t ücht ig Jahr. Solch ein Gewim m el m öcht’ ich sehn,
Auf freiem Grund m it freiem Volke stehn
Zu m Au ge n blick dü r ft ’ ich sa ge n : ( grifo nosso)
Verweile doch, du bist schön!
Es kann die Spur von m einem Erdet agen Nicht in Äonen unt ergehn. –
I m Vorgefühl von solchem hohen Glück Geniess’ ich j et zt den höchst en Augenblick.
( GOETHE, 1981: 220)
À liberdade e à vida só faz j us
Quem t em de conquist á- las diariam ent e. E assim , passam em luta e dest em or,
Criança, adult o e ancião, seus anos de labor. Quisera eu ver t al povoam ent o novo,
E em solo livre ver- m e em m eio a um livre povo. Sim , ao m om ent o ent ão diria:
Oh! pára enfim – és t ão form oso! Jam ais perecerá de m inha t érrea via, Este vestígio portent oso! –
Na im a presciência desse alt íssim o contento, Vivo ora o m áxim o, único m om ent o.
( GOETHE, 1991: 436)
Pelos t erm os da apost a, quando Faust o proferisse est as palavras, t eria dado a vit ória a Mefist ófeles. Cont udo, há um a pequena nuança sem ânt ica no díst ico em blem át ico, Faust o usa o
verbo no condicional, ist o é, est e m om ent o era t ão m aravilhoso que ele “ diria: / Oh! pára enfim – és t ão form oso! ” . Em alem ão, o uso da form a verbal no conj untivo I I “ Dürft ’ ich sagen” expressa, m ais claram ent e, essa idéia de possibilidade, m as de irrealidade, algo não concret izado. Port ant o, esse m om ent o pleno exist e no plano do irreal. Sob este aspecto, Mefisto não vence a aposta; Fausto não será condenado à danação dos infernos.
Um out ro fat or im port ante de sua redenção é que Faust o não desej aria deter a m archa do tem po com o obj etivo de desfrut ar os prazeres sensuais, nem de sat isfazer desej os apenas pessoais, com o foi com binado anteriorm ente na aposta. Ele desej aria deter a hora que passava para a realização de um ideal alt ruíst ico. Por conseguint e, est á realm ent e livre de Mefist ófeles. Em seguida, um a bat alha ent re as forças angélicas e as forças dem oníacas t erm ina finalm ent e com o t riunfo das prim eiras, que conduzem a alm a de Faust o:
Chorus Mysticus:
Alles Vergängliche I st nur ein Gleichnis; Das Unzulängliche, Hier wird’s Ereignis; Das Unbeschreibliche, Hier ist ’s get an;
Das Ewig- Weibliche Zieht uns hinan.
( GOETHE, 1982: 236)
Tudo o que é efêm ero é som ente
Preexistência;
O Hum ano- Térreo- I nsuficient e Aqui é essência;
O Transcendente- I ndefinível É fato aqui;
O Fem inil- I m perecível Nos ala a si.
( GOETHE, 1991: 451- 2)
Nesta estrofe o Chorus Mysticus diz que “ Tudo o que é efêm ero é som ent e / Preexist ência” . Quer dizer, as form as m ateriais que est ão suj eit as à m orte são apenas um a ilusão. “ O Transcendente- I ndefinível/ É fato aqui” , ist o é, o que pareceu im possível na Terra é consum ado no céu.