2. GENEL BİLGİLER
2.16. Fitokimyasalların Gastroprotektif Etkileri ve Altında Yatan Mekanizmalar
Os argumentos desta seção de capítulo orientam-se segundo dois objetivos. O primeiro e principal deles é abordar de maneira sucinta o processo pelo qual o solo urbano é produzido segundo a lógica capitalista, a fim de compreendermos como os problemas
localidades européias a partir do pós-Guerra, o que rendeu o acúmulo de experiências em diversos âmbitos de apreensão dos problemas urbano-regionais.
urbano-ambientais são gerados a partir dessa dinâmica econômica. O segundo objetivo é explorarmos um pouco mais as bases teórico-conceituais que orientam o padrão da reforma urbana redistributiva, a fim de elaborar subsídios para a discussão de aspectos atinentes à implementação do Estatuto da Cidade e o enfrentamento dos problemas urbano- ambientais, que faremos no capítulo III. Como o leitor poderá constatar, a compreensão das desigualdades e dos direitos sociais por meio do discernimento dos meios lícitos e ilícitos na produção da cidade capitalista baseia-se, em linhas gerais, na argumentação que dispomos a seguir.
Para realizarmos esta breve explanação, recorremos a Pereira (2001), que reuniu contribuições de Lefébvre, Harvey, Castells e Gottdiener para explicar a dinâmica econômica urbana. A autora defende que a degradação ambiental e a desigualdade social são resultantes do processo de (re)produção das relações dominantes de produção. Nesse processo, também chamamos a atenção ao papel que a atribuição de parâmetros técnicos às possibilidades de edificação do lote urbano tem para a consecução dos interesses da iniciativa privada.
O princípio econômico da busca do máximo benefício atribui ao solo valor de troca e não de uso. Esse valor de troca é comumente justificado mediante investimentos de capital e trabalho, geralmente convertidos através de obras de urbanização e edificação. Dessa forma, o solo integra a categoria de mercadoria. O solo urbano gera lucro para quem o detém, por meio do processo de valorização simbólica que ocorre nas relações de troca. A propriedade imobiliária converte-se, então, em capital imobiliário. Porém, esse é um falso capital, pois não é gerado pela inserção de trabalho, mas provém do monopólio ao acesso de condições privilegiadas à produção capitalista. No padrão da reforma urbana redistributiva, o entendimento acerca da distinção entre ganhos lícitos e ilícitos na produção da cidade baseia-se nessas interpretações.
A cidade gerada segundo essa lógica é tanto meio, quanto fim. Ou seja, tanto possibilita a apropriação do solo urbano produzido, como a própria realização do processo produtivo. A ocupação da cidade, segundo essa dinâmica, gera o mercado de terras, produto de políticas de investimento e de sua regulação. Os maiores investimentos, muitas vezes, provêm de recursos públicos e a regulação, nesse caso, é feita através de orientações do poder público que determinam aonde e como os investimentos serão aplicados. Um dos principais meios para ordenar e distribuir os investimentos públicos e privados é o plano diretor de um município. Como relatado anteriormente, no Brasil, a prática dos planos diretores calcados no zoneamento monofuncional e nas normativas correspondentes iniciou
a partir da década de 1950. Desde então, a elaboração de legislações urbanísticas de zoneamento continua a viabilizar a valorização imobiliária de partes das cidades, segundo interesses dos empreendedores privados28.
As possibilidades de obtenção de lucro, através da valorização do solo urbano, geram a especulação imobiliária. O mercado de terras configura-se, assim, como elo entre as relações sociais de produção e o uso e a ocupação da cidade. O valor do solo urbano gera cotação de preços cambiantes, determinados tanto pelos elementos inseridos no solo urbano como também em função de sua localização comparativa no todo. O mercado de terras gera a produção das localizações, áreas mais ou menos valorizadas na cidade. Essas áreas podem rapidamente ganhar ou perder valor, pois são constantemente reconsideradas, face ao conjunto de variáveis incidentes no momento de sua avaliação. Elementos materiais e/ou simbólicos determinam o valor e o preço de uma determinada localização, tais como: a potencialidade para a obtenção de lucro momentâneo ou futuro; a disponibilidade de infra-estrutura e de serviços; a sua posição relativa a outras variáveis consideradas importantes; as relações entre oferta e procura, dentre outros.
Assim, é gerado um quadro dinâmico de áreas hierarquicamente valoradas como melhores ou piores, no tocante à localização. As piores áreas, destinadas à camada de menor renda, geralmente apresentam-se deficitárias, no tocante à provisão de infra- estrutura e serviços, e frequentemente são suscetíveis a diversos tipos de riscos ambientais. As melhores áreas, por sua vez, destinadas à camada de maior renda da população, geralmente são dotadas de melhores infra-estruturas, serviços, espaços livres públicos qualificados e menos suscetíveis a riscos. Essa lógica produz um ciclo vicioso que permite que determinados agentes possam constantemente acumular capital, através das ações de urbanização, edificação ou re-edificação de novas e/ou antigas propriedades imobiliárias, as quais serão sempre adquiridas por um preço inferior ao de sua venda, pois embutirão a parcela de lucro adicional aos gastos com investimentos realizados, em termos de capital e trabalho. Todavia, esse ciclo vicioso exclui grandes parcelas da população que não conseguem desembolsar os valores estipulados pelo mercado de terras.
Para o padrão da reforma redistributiva, estes são outros argumentos que configuram um ganho ilícito na produção da cidade e denotam a desigualdade e a exclusão
28 Maricato (2000, pg. 122) observa o desencontro existente entre as orientações que fundamentam o planejamento e a legislação urbana no país e a realidade das cidades brasileiras, aonde grande parte da população não consegue ser beneficiada. A autora aponta que o urbanismo brasileiro “não tem comprometimento com a realidade concreta, mas com uma ordem que diz respeito a uma parte da cidade apenas”, aquela composta por uma elite minoritária.
social, através da provisão diferenciada dos direitos sociais às condições adequadas de moradia e ao acesso às benesses da urbanização. Tais constatações justificam a elaboração de políticas voltadas às camadas populares neste padrão. Como visto, o objeto de intervenção, a fim de promover essas políticas, é a propriedade privada da terra, o uso do solo urbano e a participação direta das camadas populares e/ou sociedade civil na gestão da cidade. O Estatuto da Cidade adota essa abordagem na estruturação dos princípios, das normas e dos instrumentos que dispõe na Carta Magna.
O estabelecimento dos preços das localizações fragmenta tanto a cidade como a sociedade – mediante seu poder aquisitivo - pois determina quem pode adquirir o solo urbano e aonde. Mesmo que haja piores localizações, as quais são comercializadas por preços menores, ainda há um enorme contingente de pessoas que não consegue inserir-se no mercado de terras ditado pelos incorporadores.
Como mencionado, o mercado de terras é produto de políticas de investimento e de sua regulação. Essa última é estabelecida através de parâmetros, que determinam: como, onde, o que e o quanto é possível edificar, por meio de regulamentações urbanísticas na forma de lei, estipuladas pelo plano diretor. A denominação cunhada por Ribeiro e Cardoso (1996) de reforma urbana redistributiva provém da necessidade de redistribuição dos investimentos de urbanização no território pelo poder público, através da regulação do uso do solo urbano e da propriedade privada da terra, como sugere a lógica desse padrão.
Por outro lado, áreas que não prometem valorização imediata porque não possibilitam valorização ficam relegadas a segundo plano por parte de investidores. Geralmente, porções de terra que apresentam maior fragilidade sob o ponto de vista biogeofísico, tal como áreas de mata ciliar às margens de rios, áreas de banhado, encostas e topos de morros, acabam sendo ocupadas de variadas formas e por várias camadas sociais, não só as mais carentes. Como essas localizações apresentam restrição quanto ao uso e ocupação, em muitos casos fixada por lei, não são alvo de especulação direta. Por esse mesmo motivo, incide sobre elas grande pressão por ocupação, e como não estão sob a vigilância de um proprietário privado, essa ocupação seja por populações carentes ou mais abastadas também acaba sendo facilitada por intermédio de “grileiros”, loteadores que procedem trâmites legais em instância municipal29 ou pelo próprio incentivo e interesse de grupos ligados ao ramo imobiliário.
29 Fato que se torna contraditório e inconstitucional perante uma legislação de instância superior, no caso a Constituição Federal. Há, todavia, diversos casos tal como o citado, nas cidades brasileiras, sobretudo quando datam de situações anteriores à formalização de leis urbanísticas municipais.
Neste último caso, Silva (2000) constata que o incentivo à ocupação de áreas com restrição ambiental é uma prática recorrente e antiga por parte de incorporadores imobiliários para que, com o passar do tempo, as mesmas sejam inseridas no mercado de terras regulamentado, sob o argumento de que já que estão ocupadas e consolidadas, que assim fiquem. O incentivo à ocupação de áreas impróprias, às vezes, também é direcionado pelo próprio poder público através de provisão de infra-estrutura, como vias de acesso e ligação, e da criação de vazios urbanos. Em muitos casos, verifica-se a associação de interesses particulares entre o poder público e o ramo imobiliário, na expectativa especulativa30.
As áreas não autorizadas à ocupação humana, e assim definidas por lei, não podem ser providas de infra-estrutura e serviços, tais como rede de água, esgotamento sanitário, energia elétrica, arruamento, etc. Fato que caracterizará os assentamentos que nela se realizam inevitavelmente como precários, provocando maior pressão sobre o meio biogeofísico.
Se pensarmos neste ciclo vicioso, presente em praticamente todo o território nacional, aliado: (i) à histórica incipiência das políticas públicas orientadas ao ordenamento territorial sobretudo no âmbito habitacional; e (ii) às pressões dos interesses corporativos de mercado na produção do espaço necessário aos capitais, tal como avaliado por Santos (2005, pg. 113-125), verificamos como se dá, dentre outros fatores, o agravamento e a proliferação dos problemas urbano-ambientais nas cidades brasileiras.
Passa a haver, então, a produção de carências generalizadas para uma maioria excluída, perceptível pela falta de habitação adequada, de saneamento, de transporte público, de serviços, de áreas qualificadas para o uso coletivo, dentre outras. As localizações privilegiadas transformam-se em ilhas de riqueza nos mares de pobreza.
A possibilidade de inserção ou não no mercado de terras e no setor produtivo (obtenção de trabalho que gere renda) determina movimentos de atração e repulsão emitidos pelas localizações. A constante e cada vez mais difícil busca pela inserção nesses mercados fragiliza a possibilidade de práticas participativas na estruturação e estabilização de experiências de um ordenamento territorial que seja fruto de uma governança democrática.
A partir de uma análise sistêmica dos problemas urbano-ambientais, o debate entre “cidade formal/legal x cidade informal/ilegal” (MARICATO, 2000, pg. 122) colocado de
maneira dualística, nos parece preocupante, pois pode levar a reafirmação do status quo que sua teorização de base tenta criticar e se opor. A ênfase sobre o aspecto da legalidade e da malha normativa, encarada de maneira dual, pode levar à suposição que a “cidade ilegal” seja o problema e a “cidade legal” seja a solução dos problemas sócio-ambientais, mesmo que as práticas sociais, políticas, econômico-produtivas e instrumentais continuem as mesmas. Acreditamos que, se não for acompanhada de mudanças qualitativas nos diversos âmbitos citados, a promoção da cidade legal não garante a inclusão social de populações menos favorecidas. Essa crítica que tecemos será aprofundada nos capítulos III e IV deste trabalho.
Uma abordagem dialética, por sua vez, procurará compreender os processos sociais que se dão no e através do espaço (SANTOS, 1985, pg. 2). De modo que a questão legal também deve ser analisada como mais uma instância da sociedade e entendida segundo uma análise relacional. Desta forma, exploraremos a seguir as dinâmicas territoriais na economia global, a partir de um olhar mais atento às transformações mundiais do segundo pós-Guerra até a virada do século XXI, a fim de refletirmos sobre os fatores que influenciam o agravamento dos problemas urbano-ambientais nas cidades brasileiras, além de dificultar a efetivação de políticas públicas de cunho territorial. Buscamos, assim, inter- relacionar a compreensão dos processos de transformação territorial e de produção dos problemas urbano-ambientais através de uma análise trans-escalar.
1.4 AS DINÂMICAS TERRITORIAIS NA ECONOMIA GLOBAL E OS DESAFIOS