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FISH Yönteminin Optimizasyon Çalışmaları 1. FISH yönteminin uygulanması

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3. MATERYAL ve YÖNTEM

3.2.2. FISH Yönteminin Optimizasyon Çalışmaları 1. FISH yönteminin uygulanması

Silvia é uma cabeleireira de 32 anos, natural de uma cidade do interior de São Paulo. Ela se define como transexual e, atualmente, está “casada” com um rapaz. Eles coabitam em um relacionamento de cinco anos. Ela já pensou em realizar a redesignação sexual e até buscou por isso em um período de sua vida, mas hoje não vê mais como uma necessidade.

No início de nossa conversa pergunto o seu nome e ela logo rebate questionando se seria o nome de registro. Coloco então que ela poderia se sentir a vontade para me dar o nome de sua preferência e ela me diz o nome de “quem vive” 7

, isso é, o feminino. Com isso, ela estabelece o sujeito do seu roteiro interpessoal, a sua porção feminina, adaptando o sujeito cultural que seria o “do registro” e se afastando totalmente deste nível. Contudo, quando questionada a respeito de sua orientação sexual, Silvia aí se volta para o cenário cultural e define:

Enquanto mulher, hétero, né? (risos) (silêncio) É aí que eu me perco. Que orientação sexual tem o trans? Se eu me sinto uma mulher eu me sinto hétero. Ou bi... (risos) Não, porque mulher não rola. Gay? Tanto faz...

E: Tanto faz? Hétero ou gay...?

C: É porque se eu me coloco na condição de heterossexual, eu sou hétero.

Nesse momento, ela faz o movimento oposto, buscando elementos do cenário cultural para construir seu nível intrapsíquico de roteirização como mulher, uma “mulher de verdade” que, por definição, tem de ser heterossexual. No entanto, ainda nota-se um nível de dúvida a respeito do que ela realmente seria. Como colocado por Bento (2006), é difícil para a transexual concretizar uma definição de “quem sou eu”. De acordo com a autora, elas acabam construindo suas identidades baseando-se no que “não sou” e no que “quero ser”. Aparentemente, tal dúvida se dá para Silvia pela tentativa de harmonizar os elementos dos cenários culturais, que trazem em si a definição de como deve ser uma transexual, uma mulher e um gay, e os elementos intrapsíquicos, trazendo a formação de um roteiro mais flexível, de um trânsito entre os elementos abstratos do gênero. Esse trânsito com um lugar de

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ambiguidade vai ficando mais claro ao longo da entrevista, mas logo no prosseguir da conversa, quando lhe é pedido para se definir, ela já afirma esse lugar de dualidade que vai passar a ser seu sujeito no roteiro interpessoal:

Em relação a rótulo eu me considero mulher. Ou transexual. Não me considero homem, nem gay. Porque eu sei o que é um gay e eu sei o que é um homem, né? Eu acho que eu me considero uma transexual real mesmo. Porque eu também olho pras mulheres e eu sinto que não tem uma identificação... Exata... Total. Me considero transexual mesmo.

O duelo entre cultural e intrapsíquico aparece ainda quando ela fala sobre suas razões para não querer mais realizar a cirurgia. Ela coloca uma contraposição entre o desejo e a culpa, quer dizer, a cirurgia seria apenas uma maneira de adequar seus desejos (esfera intrapsíquica) ao ditado pela sociedade como “normal” (esfera cultural) e o fato de não estar adequada cria o sentimento de culpa. Ela ainda coloca a cirurgia como uma mudança unicamente física, mas mantenedora de diversas outras questões psicológicas e de preconceito na vida da pessoa, ou seja, uma mudança que pode ter o poder de interferir drasticamente nos três níveis de roteirização vai apenas resvalar nos três, sem, contudo, trazer muitas mudanças ao roteiro existente.

Ao relatar seus primeiros relacionamentos e sua primeira relação sexual, Silvia nos mostra uma divisão feita entre o sexual e o sentimento, fato inclusive verbalizado por ela em um momento da entrevista. Para ela o sentimento, em um primeiro momento, está presente em dois níveis somente: o cultural e o intrapsíquico. No nível cultural existe o conceito de amor romântico, buscado e almejado por todas as pessoas, e no nível intrapsíquico está a relação de amor, a interpretação do que poderia e deveria ser esse amor. Na esfera intrapsíquica esse amor é, às vezes, voltado a ela mesma por não existir nenhum objeto ao qual ele pode ser direcionado, mas quando esse objeto existe, como com seus primeiros namorados, o amor é revertido à eles. Todavia, o fator interessante é que esse amor não existe na esfera interpessoal (no significado mais etimológico), pois mesmo quando há um relacionamento instaurado, esse amor é uma via de mão única, ao contrário do sexual:

A minha vida... Sexual começou de uma maneira que eu considero muito apressada, muito afoita, muito inadequada para os dias de hoje PRA MIM, né. [...] Muito vaga essa questão da primeira vez sexual. A primeira vez sentimental, os meus primeiros sentimentos foram todos sozinha... Sozinho, né. [...] O meu primeiro relacionamento que eu senti que ERA um relacionamento, mas que NÃO... Nenhum dos meus relacionamentos foram estruturados na vida... É... Foi com um cabeleireiro que eu

conheci num salão que eu entrei pra trabalhar como auxiliar, né. Ele se encantou comigo, deu em cima de mim, tudo. Novinha, solteira, doida pra arrumar alguém. Fiquei com ele. A gente acabou ficando dois anos, acabamos tendo um negócio junto, mas ele nunca me assumiu, prontamente. Pra todos os efeitos sempre eu era SÓcia dele, amiga, colega, nunca namorada. Eu abri minha família... Como todos. Eu ofereci muito, mas me ofereceram pouco. Ou então, do que me ofereceram era bem limitado... Até onde eu podia ir na vida deles. [...] Eu esperando sentimento, esperando envolvimento, esperando algo mais humano da pessoa, oferecia sexo. Eu oferecia sexo para os homens buscando ter companhia, afetividade...

A divisão entre amor e sexo e a busca desse sentimento embutido de uma aceitação, levam Silvia a criar até um termo: “pseudorelacionamentos”. Para ela, só foram relacionamentos os namoros nos quais o sujeito a aceitou na sua vida em alguma instância, mesmo que isso o levasse a ter presente em seu roteiro atitudes agressivas para com ela. Ela por sua vez, incluía em seu roteiro interpessoal a reciprocidade dessa aceitação, em níveis diferentes, ou seja, ele “foi até o mercado comigo” mostrando aceitação e eu me submeto ao que vier dele, mesmo que seja quando ele “chegasse em casa e resolvesse me bater”.

Ao descrever seus relacionamentos, ela marca a presença dos cenários culturais nos roteiros interpessoais quando relata que seus namorados, com exceção do seu relacionamento atual, buscavam sempre firmar uma masculinidade heterossexual saindo com mulheres e, com isso, demonstrando o lugar de não-pertencimento dela no papel feminino. Apesar dela buscar modificar seus roteiros para que sua feminilidade fosse legitimada, eles o foram no sentido oposto, pois no primeiro relacionamento ela afirma “nunca tive um orgasmo” por não se masturbar durante a relação; enquanto no segundo o namorado passou a masturba-la durante o ato sexual. Essa mudança de roteiro e, consequentemente, de práticas sexuais agia como legitimador, senão de uma masculinidade, pelo menos de uma dualidade, indo contra sua tentativa de se posicionar como “mulher de verdade”.

Apesar desse ato do namorado masturba-la ter sido visto com surpresa e dela ter exemplos dos roteiros de outras pessoas onde tal atitude causou asco, ela não o interpretou dessa maneira. Tal explicação, de certa forma, demonstra um primeiro momento no qual o sentimento e o sexual se aproximam, pois se existe amor eu posso me permitir explorar o sexual e uni-los dentro de um único roteiro. Isso, levando-se também em consideração o fato da dualidade já ser um elemento intrapsíquico. Contudo, quando o rompimento é relatado, essa modificação do roteiro é questionada por ela e o ex-namorado é colocado em uma posição “inferior” na hierarquia do gênero. Ele deixa de ser o homem hétero e passa a figurar como um dos “anormais”, já que a prática do sexo oral por parte dele existia:

Foi um relacionamento que me deixou profundamente abalada no rompimento por que... Eu amava muito, ele... Eu amava? Eu acho que eu amava sim. E eu era muito inocente, né. [...] Ele dizer pra mim que eu sou anormal. O cara ter... Me comido, me chupado, só faltou dar pra mim durante esses dois anos e depois o cara vem falar pra mim que EU sou anormal?

Em seu terceiro relacionamento, novamente o nível interpessoal é unilateral: enquanto o namorado a trata de maneira ruim, traindo-a com diversas mulheres e não assumindo-a como um relacionamento, ela lhe dá o amor e o roteiro de “uma vida sensata” o qual, segunda ela, ele consegue assimilar e utilizar em seu relacionamento recente. No relacionamento atual passamos a ver a união dessas duas esferas, em um roteiro cujo nível cultural parece possuir lugares habitados pela dualidade (ela como transexual e ele como bissexual), no nível interpessoal uma troca igualitária e no nível intrapsíquico um reconhecimento mais essencial. Como ela mesma define:

Eu grito pro abismo e volta o mesmo timbre de voz do meu, simplesmente repetindo as sílabas. Não volta nada mais de distorção. Um relacionamento que eu sinto que eu posso entrar, que eu sinto que eu posso vivenciar, uma pessoa que me assume e que não tem uma série de problemas que os outros relacionamentos anteriores tiveram. Essa nova configuração de relacionamento parece permitir que Silvia passe no nível intrapsíquico de um papel passivo, no qual ela só colhia e assimilava para si os conteúdos provenientes dos cenários culturais, para um papel ativo, onde ela passa a filtrar esses conteúdos e interpreta-los de uma maneira própria, criando assim um novo roteiro. A base mais forte no nível interpessoal também abre uma nova possibilidade de experimentações para ela. Todavia, esse novo roteiro não é acompanhado pelo namorado, ou seja, ele não consegue adaptar e modificar seus roteiros para alcançarem uma conduta harmônica. Por esta razão eles se separaram por um tempo e ela assimilou um movimento de novamente dividir sexo e sentimento, mas dessa vez experimentando o lado do sexo por sexo.

Do sexo por sexo? Foi uma maravilha! Foi o fim da toalhinha, foi o fim do travesseiro... Na frente da genitália. Entendeu? Foi o momento em que eu comecei a exPOR mesmo “Olha, tá aqui. Ai, ficou duro? Legal, aproveita... Tá calor, pega. Aproveita que você tá aqui, você tem mão também. Tem duas, ó, tá sobrando mão”. Foi um momento de total perda de inibição. [...] Foi um momento que eu comecei a exigir algumas coisas dos homens porque eu criei perfis na internet em que eu exigia “eu preciso disso, disso e daquilo num homem”, né.

Enquanto ela experimentava o sexo, ele também fazia experiências com seus roteiros sexuais, chegando até o ponto de experimentar a transexualidade, com tomada de hormônios e utilização de um nome feminino. Tal comportamento, no entanto, é interpretado por Silvia como “problemas de identificação entre eu e ele”. Após experimentações e reelaborações de roteiros e condutas, os dois voltaram a se relacionar, estando agora mais flexíveis em seus roteiros sexuais, que incluíam até a possibilidade de uma performance ativa por parte dela na relação, posto que ser “ativa” durante a relação, ou melhor, tomar as rédeas da situação durante o ato sexual já era um papel presente nos roteiros sexuais de Silvia. Apesar de toda essa renovação e cumplicidade entre os dois e seus respectivos roteiros sexuais, ela ainda dá indicações de uma conduta unilateral no nível interpessoal:

Agora ele me aceita inteira, em tudo, corpo, alma, mente, tudo. Tudo que se passa por mim ele tá aceitando pra tá dentro dessa relação.

É uma coisa bem assim: eu uso o teu corpo e você usa o meu.

Ela também se utiliza de elementos dos cenários culturais heteronormativos para definir sua relação como um casamento que eles pensam em oficializar em cartório, posto que pretendem “continuar com a vida a fora juntos” (um ideal derivado do mito do amor romântico) e para falar da posição de não-homem adquirida por seu marido ao se incluir na categoria de ginandromorfófilo8. Por se colocar como alguém que sente atração por pessoas

Trans e, consequentemente, atração por determinados aspectos da anatomia e do gênero masculino, exprimindo certos atributos tidos pelas normas de gênero como pertencentes ao feminino, o namorado de Silvia deixa de ser homem, com h maiúsculo, passando a ser um indivíduo dual e fora da heteronorma.

As experiências e o relacionamento trazem, contudo, uma mudança definitiva em seu roteiro sexual quando se trata de relações interpessoais. O homem hétero deixa de ser o público alvo, abrindo espaço para os homens cujos relacionamentos já incluíram outros homens. O cenário cultural que trazia a figura do homem hétero como necessário para a afirmação de sua feminilidade, dá espaço ao homem que traz consigo uma “evolução”, entrando com a parte sentimental, afinal “vai ter uns 20, 30% aqui [de características

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O termo ginandromorfofilia surgiu na década de 1990, cunhado por Blanchard e Collins para nomear homens que se interessam sexualmente por travestis, transexuais e homens feminilizados (Soares & Bruns, 2010; Soares, 2012).

masculinas] que você vai TER que lidar e não adianta e eu não jo... Eu não vou trancafiar parte de mim na gaveta por dificuldade sua, não”.

Entrando no campo das práticas sexuais, Silvia coloca o seu prazer somente no físico, negando ser o cérebro o maior órgão sexual do corpo e que exista um fator psicológico no prazer, não internalizando assim o cenário cultural, que afirma ser esse aspecto psíquico extremamente importante para o sexo. Porém, isso é contradito por ela mesma ao afirmar que sua maior fonte de prazer durante o ato sexual é “o que tá na minha cabeça”. O prazer, no entanto, está totalmente ausente de sua primeira experiência sexual, ocorrida nos seus 15 anos e tida como “algo mecânico”. Além disso, ela assimila os cenários quando o assunto é a importância do sexo para a vida, afirmando que o orgasmo é imprescindível. O mesmo ocorre quando conversamos sobre como ela imaginava sua primeira vez. Ela relata um quadro baseado no conceito de amor romântico, com trocas de olhares e flertes. Quando falamos das práticas propriamente ditas, sexo oral e anal são as mais constantemente citadas, sendo incluídas algumas práticas fetichistas relacionadas ao universo da dominação/submissão, que nos direciona novamente ao pensamento da via de mão única na esfera interpessoal.

O universo da fantasia também é mencionado, se confundindo e se mesclando com o do fetiche, tornando-se um o sinônimo do outro. Nesse universo, ela se mostra bem aberta a novas experiências, contanto que elas só aconteçam até certo ponto. A possibilidade das fantasias passarem ao plano do real se mostra aberta, porém acontecendo no momento certo:

Porque a fantasia é muito gostosa, mas ela é muito gostosa pra te levar até um certo ponto. Depois que chegou naquele certo ponto é o trivial que vai te satisfazer. Se não for o trivial que vai satisfazer você AINDA tá na fantasia. Eu acho que a fantasia não é sexo... A fantasia não é sexo... Eu acho que a fantasia é fantasia mesmo... O sexo é real, a fantasia não. Às vezes, a fantasia é boa pra te excitar, mas, às vezes, ela não é boa. [...] Então eu acho que a fantasia é muito legal enquanto ela tá lá na fantasia, lá no terreno da fantasia. Já vi muito caso de gente que tenta trazer a fantasia pra realidade e tem problemas seríssimos com isso. Então, às vezes, a fantasia é bom porque é FANtasia. Sabe?

A frequência a lugares como dark room, saunas e cinemas9

, locais nos quais o corpo é exposto e explorado, é relatada como nula e não incitadora de vontade pelo fato de nesses

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O dark room é um quarto ou sala com iluminação muito baixa ou totalmente escura que existe em alguns bares, boates ou saunas, voltado para atividade erótica e/ou sexual entre os presentes que é quase anônima por causa da escuridão. Saunas gays são lugares para encontros, frequentemente anônimos, de homens que buscam sexo com outros homens e que possuem além da parte de sauna propriamente dita, cabines privativas para encontros particulares. Cinema pornô é um cinema que passa filmes com conteúdo pornográfico e no qual as pessoas vão para assistir ao filme ou mesmo ter relações sexuais com os outros frequentadores, seja na sala de exibição ou nos banheiros.

ambientes nada ser “humanizado” e a pessoa passar a ser um “pedaço de carne”. A pornografia está presente na vida de Silvia e para ela é tida como um cenário cultural, assim como a masturbação “Acho que todo mundo vê. Todo mundo vê. Quem não vê tá...”. Os filmes com conteúdo gay atraem mais por conta dos corpos dos atores e a masturbação é definida por ela como uma relação “perfeita”, posto que é uma relação sem o outro, pertencente apenas à esfera intrapsíquica onde a fantasia domina a realidade. É interessante notar como a contradição aparece novamente em seu discurso quando ela afirma que a fantasia só é boa quando vai até certo ponto, mas valoriza e caracteriza como perfeita uma prática que permite às suas fantasias não terem limites. O sexo oral é tido por ela como a prática mais prazerosa e as preliminares também são colocadas em um patamar alto de importância (“é básico... É básico”), mas não em 100% do tempo, pois, às vezes, a famosa “rapidinha” se faz necessária. A interação pós-relação também é apontada como muito importante e um momento onde a afetividade se torna presente, tornando até o fluxo de pensamentos diferente.

O uso do preservativo é relatado como nulo já que o parceiro é fixo, porém tal decisão só foi tomada pelo casal depois de uma conversa e exames. Essa questão ainda levantou outro ponto durante a entrevista. Silvia relatou ter tido um episódio no qual houve a possibilidade de ela estar infectada com o vírus HIV, por conta de um relacionamento anterior e que, nesse momento, seu namorado atual trouxe de seu roteiro o cenário cultural do amor que supera todas as dificuldades da vida, dizendo-lhe que ficaria com ela mesmo se ela estivesse doente. Na questão de problemas relacionados à sexualidade, ela relata problemas de ereção devido ao uso de hormônios, colocando tal fator como um cenário cultural dentro do universo Trans:

Problema de ereção pra transexual [risos], vamos rir, né. Vamos rir porque todas têm problemas de ereção. Todas têm problemas de ereção.

Ela também coloca a dificuldade de falar sobre a sexualidade como outro cenário cultural do Universo Trans. Ao final da entrevista ela aponta dois fatores que trabalham, segundo ela, como modificadores dos roteiros sexuais: o hormônio, regulando a excitação sexual e a colocação de si no papel feminino, necessário, segundo ela, para a vivência de sua sexualidade em toda sua extensão. Esses dois fatores estão intimamente relacionados com o conceito de transexual e também com o conceito de travesti. Contudo, o papel feminino é colocado como importante para a vivência de “tudo”, não só na esfera sexual. Por esse fator, o

termo transexual se torna mais sensato de ser utilizado, posto que os estigmas de marginalidade não estão contidos nele.

Podemos notar que o fato de Silvia assimilar elementos de ambiguidade para suas esferas intrapsíquica e interpessoal afastam-na, em certos momentos mais, em outros menos, dos cenários culturais. Contudo, tais cenários se fazem presentes como parte de seus roteiros, passando às vezes despercebidos. Isso acarreta na criação, por parte dela, de um roteiro ambivalente onde, ao mesmo tempo em que busca assimilar o discurso cultural heteronormativo, procura também transforma-lo e remolda-lo no intuito de incluir a dualidade existente nela (transexual não operada) e no namorado (bissexual e ginandromorfófilo).

6.2. Bárbara – Se eu amar a pessoa, eu vou querer compartilhar inclusive da AIDS

Belgede 1. G İ R İŞ (sayfa 38-41)

Benzer Belgeler