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Finansal tabloların sunumuna ilişkin esaslar (devamı) 5 Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (devamı)

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2. Finansal tabloların sunumuna ilişkin esaslar (devamı) 5 Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (devamı)

O presente capítulo visa analisar especificamente as prisões preventivas decretadas na Operação Lava Jato sob a perspectiva constitucional processual penal, no sentido de verificar a se a imposição de tais prisões processuais foi respaldada em fundamentos idôneos, e reputou-se como essencial garantia do normal desenvolvimento da instrução criminal e dos processos criminais instaurados em face das investigações que envolvem o caso.

Para esse estudo, fora feita a escolha de decisões prolatadas pelo Juízo Criminal da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, por meio do juiz federal Sérgio Fernando Moro, e a razão da seleção de tais julgados foi justamente a repercussão que as decretações das prisões preventivas, dispostas nas decisões, causaram tanto no meio social quanto no meio político.

Nesse sentido, analisar-se-ão as prisões preventivas decretadas em face de Alberto Youssef, Pulo Roberto da Costa, Marcelo Odebrecht e Nestor Cunat Cerveró.

Sob esse prisma, tendo em vista a extensa quantidade de prisões preventivas decretadas em face dos investigados da referida operação, torna-se necessária a escolha de decisões em que a decretação da preventiva proporcionou maior impacto, de modo a analisar, com fundamento nos critérios autorizadores da imposição da medida extrema, a aplicação da referida custódia nos casos em questão.

4.1 - Entendendo o caso

A Operação Lava Jato é uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal do Brasil que visa apurar um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, envolvendo a empresa Petrobrás, grandes empreiteiras do país e políticos, que movimentou ilicitamente bilhões de reais no Brasil e no exterior.

A investigação teve início em vista da realização de operações de lavagem de dinheiro, tendo por antecedentes crimes contra a Administração Pública, por Carlos Habib Chater, operador de mercado negro de câmbio, e que se consumaram na cidade de Londrina/PR. Ainda no curso da investigação, restaram constatados indícios de operações de lavagem de dinheiro, tendo por antecedentes crimes de tráfico de drogas, que se consumaram na cidade de Londrina, o que justificou a competência do Juízo Criminal da 13ª Vara Federal

de Curitiba/PR, que tem por objeto a apreciação de crimes de lavagem de dinheiro consumados no Estado do Paraná.69

Dentre os acusados de envolvimento no esquema criminoso objeto da referida investigação estão executivos de alto escalão da Petrobrás, a maior empresa estatal do país, bem como políticos, executivos de empreiteiras e os chamados doleiros.

O grande esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro na Petrobrás, apontam as investigações, incluía o pagamento de propina, dinheiro obtido de forma ilícita em atos de corrupção, pelas empreiteiras organizadas em cartel aos altos executivos da estatal, bem como a políticos, por meio da assinatura de contratos superfaturados entre as empresas e a petrolífera. Esse suborno era distribuído através de operadores financeiros do esquema, os doleiros, atuantes no mercado de câmbio negro.

Ao contrário do que ocorreria em um cenário normal, em que empreiteiras concorreriam entre si, em licitações, a fim de conseguir firmar contratos com a Petrobrás, e a estatal contrataria a empresa que aceitasse fazer a obra pelo menor preço, conforme dispõe a Lei 8.666/93, as empreiteiras se cartelizaram em um esquema para substituir uma concorrência real por uma concorrência aparente, fictícia.

Nesse contexto, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, as empresas se reuniram no que denominavam de “clube”, ajustavam previamente entre si qual delas iria sagra-se vencedora das licitações da Petrobrás, manipulando os preços acertados no certame, inflado em benefício privado e em prejuízo dos cofres da estatal, caracterizando fraude à licitação.70

Ao que consta, as licitações eram tomadas de irregularidades, haja vista que eram feitas negociações diretas e injustificadas, eram celebrados aditivos desnecessários e com preços excessivos, justamente para superfaturar os contratos, eram aceleradas negociações com supressão de etapas importantes e informações sigilosas eram vazadas em favor das empreiteiras pertencentes ao cartel.

Para garantir o sucesso da prática criminosa, ou seja, para assegurar que somente as empresas pertencentes ao cartel participassem das licitações, as empreiteiras corromperam agentes públicos da estatal, em especial os funcionários de alto escalão, que, além de se

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BRASIL, 13ª Vara Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Busca e Apreensão Criminal nº 5001438-85.2014.404.7000/PR, Juiz Federal Sergio Fernando Moro, julgado em 17/02/2014, disponibilizada em <http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/decisoes-da- justica/documentos/01-1438-85_evento-24-desp1_decisao-das-prisoes-e-buscas-da-operacao-lava-jato>, acesso em 21/12/2015

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omitirem em relação ao cartel, do qual tinham pelo conhecimento, o favoreciam, restringindo convidados e incluindo a empresa ganhadora dentre as participantes, tal qual um jogo de cartas marcadas, e recebiam, em contrapartida, propina.

Para viabilizar o esquema criminoso, recursos obtidos com crimes de cartel e licitatório eram submetidos à lavagem de dinheiro, desenvolvida pelos operadores financeiros, atuantes no mercado de câmbio negro, para posterior pagamento da propina aos executivos de alto escalão da Petrobrás. Nesse sentido, evidencia-se que os doleiros eram responsáveis não somente pela intermediação do pagamento da propina, mas principalmente pela entrega das vantagens indevidas disfarçadas de dinheiro limpo aos beneficiários.

Em um primeiro momento da Operação Lava Jato, foram identificados quatro grupos criminosos dedicados principalmente à prática de lavagem de dinheiro e de crimes financeiros no âmbito do mercado negro de câmbio. Os quatro grupos seriam liderados pelos supostos doleiros Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour.71

Entre os grupos criminosos merece destaque o dirigido por Alberto Youssef. No decorrer das investigações, foram descobertas relações de Youssef com Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de Abastecimento de Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás. Em razão disso, foram ambos acusados no âmbito da ação penal nº 5026212-82.2014.404.7000, que tem por objeto crimes de lavagem de dinheiro desviados de obras da Petrobrás, especificamente da Refinaria Abreu e Lima.

As investigações apontaram que os valores desviados das obras, em montantes milionários, tendo por origem recursos da empresa estatal, eram repassados sucessivamente pelas empreiteiras responsáveis pelas obras, destas para empresas fornecedoras de materiais, e destas para empresas controladas por Alberto Youssef, especialmente a MO Consultoria e GDI Investimentos, em pagamentos simulados de serviços por estas prestados.

Em decorrência, foram decretadas prisões preventivas em face dos doleiros e seus subordinados, bem como do ex-Diretor da estatal, Paulo Roberto da Costa. A descoberta do envolvimento de Paulo Roberto no esquema de desvio de recurso da Petrobrás condicionou o ex-diretor a optar pelo acordo de delação premiada.

Em um segundo momento, foram aprofundadas investigações sobre ex-diretores da estatal, como Renato de Souza Duque e Nestor Cunat Cerveró, bem como grandes construtoras do país, por crimes de corrupção, formação de cartel, fraude a licitações, lavagem

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Ministério Público Federal, disponível em <https://www.tjpr.jus.br/consulta-1grau-criminal>, acesso em 19/12/2015

de dinheiro e organização criminosa, o que resultou na decretação de prisão cautelar de dirigentes de empreiteiras e de prisão preventiva dos ex-diretores, sendo decretadas ainda inúmeras medidas de busca e apreensão nas empresas investigadas.

Pela extensão das investigações, evidenciou-se ainda a participação de agentes políticos no sistema criminoso objeto da Operação Lava Jato, são pessoas que integraram ou estariam relacionados a partidos políticos responsáveis por indicar e manter os diretores da Petrobrás participantes do esquema de corrupção na estatal. Os agentes políticos indiciados que detêm prerrogativa de foro serão investigados perante o Supremo Tribunal Federal. A primeira instância investigará os agentes políticos por improbidade, na área cível, e na área criminal aqueles que não possuem prerrogativa de função.

Alguns acusados foram condenados, mediante sentença prolatada pelo Juízo a quo, passíveis de recurso, portanto. Dentre os condenados, destacam-se o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o também ex-diretor da estatal Nestor Cunat Cerveró.

4.2 - Análise sob o aspecto constitucional

Tendo em vista que a custódia preventiva é a medida cautelar mais extrema do ponto de vista da incidência de constrição da liberdade pessoal do indiciado ou do acusado, evidencia-se que a sua aplicação deve guardar correspondência com os princípios constitucionalmente assegurados.

Nesse sentido, a decretação da preventiva é medida excepcional, devendo ser adotada nos casos em que estejam presentes os pressupostos e fundamentos legais, autorizadores de sua imposição, e desde que se mostre adequada e necessária ao caso concreto.

Acerca do aspecto constitucional das prisões preventivas decretadas em face dos investigados na Operação Lava Jato, serão analisadas as decisões que impuseram o encarceramento preventivo, no sentido de aferir se tais julgados adequam-se ao princípio constitucional da presunção de inocência, bem como se encontram-se amparados pelos princípios da jurisdicionalidade e da proporcionalidade.

4.2.1 - Princípio constitucional da presunção de inocência

A constituição Federal, ao consagrar o princípio da presunção de inocência, em seu art. 5º, LVII, determinou certa restrição interpretativa à imposição de prisões cautelares,

na medida em que tornou exceção a segregação do indiciado ou do acusado antes do trânsito em julgado de sentença condenatória.

Desse modo, esse caro princípio deve ser aplicado à prisão preventiva, que somente será admitida para fins processuais, não sendo legítima a sua aplicação como forma de antecipação de pena, posto que, para sua decretação, devem estar preenchidos os requisitos do art. 312 do CPP.

A prisão preventiva, por se tratar de medida cautelar e excepcional, que tem por escopo precipuamente, a garantia do resultado útil do processo, da investigação, do posterior processo-crime, ou, ainda, da segurança da coletividade, impondo o encarceramento do acautelado, somente poderá ser decretada quando evidenciados os pressupostos autorizadores de sua aplicação, o fumus comissi delicti e o periculum libertatis, e desde que tal medida extrema mantenha sua qualidade instrumental e se mostre essencialmente necessária e adequada ao caso a que se pretende aplicá-la, sob pena de desrespeitar o princípio constitucional da presunção de inocência.

Nessa linha, tendo em vista que, para torna-se legítima a imposição da custódia preventiva, o preceito constitucional da presunção de inocência exige a efetiva demonstração dos pressupostos fumus comissi delicti e periculum libertatis, serão analisadas as decisões que decretaram as prisões preventivas em face dos investigados da Operação Lava Jato, no sentido de se aferir se tais decisões encontram-se legitimadas em face do referido princípio constitucional.

4.2.1.1 - Fumus comissi delicti

Trata-se de fundamento indispensável à decretação da segregação cautelar, consubstanciado na necessidade de se demonstrar, ainda em cognição sumária, os indícios suficientes de autoria e de materialidade delitiva.

As decisões que impuseram o encarceramento preventivo em face dos investigados da Operação Lava Jato, apresentavam os indícios de autoria e materialidade relacionados, principalmente, aos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, tanto ativa como passiva, bem como de crimes contra a Administração Pública, entre outros.

Ao analisar, especificamente, a decisão que impôs o encarceramento preventivo do doleiro Alberto Youssef, verifica-se a presença dos indícios suficientes de autoria e materialidade delitivas, no sentido de que o investigado estaria envolvido na prática de crimes de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro, atuando no mercado negro, enviando dinheiro

para exterior e trazendo dinheiro do exterior por meios fraudulentos, utilizando, no Brasil, pessoas interpostas e empresas em nome de pessoas interpostas, no exterior, contas em nome de off-shores.

Sob esse prisma, o doleiro fora apontado como o principal operador no esquema de desvio de recursos da Petrobrás. No aprofundamento das investigações, foram obtidas provas no sentido de que os valores desviados das obras, em montantes milionários, tendo por origem recursos da empresa estatal, eram repassados sucessivamente para as empreiteiras responsáveis pelas obras, destas para as empresas fornecedoras de material para as obras, e destas para as empresas controladas por Alberto Youssef, em pagamentos simulados de serviços por estas prestados.72

Por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal, constatou-se que as contas das empresas movimentavam valores muito significativos, e que grandes empreiteiras do país realizavam vultuosos depósitos nas contas bancárias em nome do investigado.

Por meio das medidas de busca e apreensão, foram colhidas provas significativas no sentido de que as empresas controladas por Youssef eram meramente de fachada, de que não teriam prestado serviço algum, sendo, portanto, os contratos celebrados e as notas fiscais emitidas fraudulentamente, a fim de servirem de subterfúgio para a lavagem de dinheiro, tornando evidentes indícios de autoria e materialidade dos crimes.

Além disso, no curso das investigações foram ouvidas testemunhas e os próprios subordinados e associados ao doleiro admitiram que as empresas em questão seriam, na maioria, de fachada e que não teriam prestados os serviços supostamente contratados pelas empreiteiras clientes, tendo os contratos e notas sido elaboradas fundamentalmente para justificar os vultuosos depósitos bancários.

Portando, diante das provas colhidas durante as investigações, evidenciam-se preenchidos os pressupostos de indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes de lavagem de dinheiro de recursos obtidos da empresa petrolífera, imputáveis ao doleiro.

Quando à segregação cautelar do ex-Diretor de Abastecimento do Petrobrás, Paulo Roberto Costa, cumpre esclarecer que esta fora imposta por duas prisões cautelares específicas. De início, em razão da constatação dos indícios de que o imputado teria envolvimento com condutas criminosas, haja vista a sua comprometedora relação com o

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BRASIL, 13ª Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Busca e apreensão criminal nº 5073475-13.2014.404.7000/PR, Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, julgado em 10/11/2014, disponível em < http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/decisoes-da- justica/documentos/07-73475-13_evento-10_decisao-de-buscas-e-prisoes-contra-empreiteiras>, acesso em 21/12/2015

doleiro Youssef, fora autorizada pelo juízo criminal medidas de busca e apreensão a serem executadas na casa do ex-Diretor, restando comprovada que no curso do cumprimento das medidas em questão houve alteração de provas por seus parentes, o que motivou a decretação de prisão temporária do investigado, por cinco dias, na expectativa de que a medida fosse suficiente para impedir novas perturbações das provas, bem como para permitir a devida localização das provas desviadas.73

Decorrido o prazo da prisão temporária, coube ao julgador decidir acerca da manutenção ou não da constrição de liberdade do indiciado. Nesse sentido, por vislumbrar presentes os pressupostos de materialidade e de autoria do crime de corrupção passiva, o juízo criminal decretou a prisão preventiva do investigado, fundamentando a sua decisão no potencial risco à instrução criminal.

Quanto aos indícios de materialidade e autoria, restou evidenciada prova de que Alberto Youssef teria ‘doado’ um veículo de luxo ao ex-Diretor da estatal, merecendo destaque ainda provas indicativas de que Paulo Roberto teria recebido vultuosas quantias de executivos das empresas participantes do cartel, justamente no período em que o investigado figurava como Diretor de Abastecimento da Estatal.74

Ademais, no cumprimento das medidas de busca e apreensão, além do veículo adquirido pelo doleiro Alberto Youssef, fora apreendida grande quantidade de dinheiro em espécie, evidenciando, em cognição sumária, a prática de lavagem de dinheiro. Agregou-se a esse fato a constatação “de que Paulo Roberto seria titular de contas secretas no exterior, com saldos milionários e aparentemente incompatíveis com a prévia condição de emprego público, ainda que em cargo de diretoria.”75

Sob esse prisma, os pressupostos em questão consubstanciavam-se presentes, autorizando, nesse ponto, a decretação da custódia preventiva em face de Paulo Roberto Costa.

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BRASIL, 13ª Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Prisão Preventiva Nº 5014901-94.2014.404.7000/PR, Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, julgado em 19/03/2014, disponível em <http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/decisoes-da-justica/documentos/05-14901- 94_evento-4_prisao-prc>, acesso em 21/12/2015

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BRASIL, 13ª Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Prisão Preventiva Nº 5014901-94.2014.404.7000/PR, Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, julgado em 24/03/2014, disponível em <http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/decisoes-da-justica/documentos/06-14901- 94_evento-58_prisao-prc >, acesso em 21/12/2015

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BRASIL, 13ª Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Prisão Preventiva Nº 5040280-37.2014.404.7000/PR, Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, julgado em 11/06/2014, disponível em <http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/decisoes-da-justica/documentos/10- 4028037_ultima-prisao-de-prc>, acesso em 21/12/2015

No curso das investigações, em decorrência da evolução das apurações, foram colhidas provas indicativas de que grandes empreiteiras do país, incluindo a Odebrecht, teriam formado um cartel, através do qual, por ajuste prévio, teriam sistematicamente fraudado as licitações da Petrobrás para contratação de grandes obras, e pagariam propinas a dirigentes da empresa estatal calculadas em percentual sobre o contrato superfaturado.

Em confissões obtidas por meio de acordo de delações premiadas, o também investigado Paulo Roberto Costa declarou ter recebido propina da Odebrecht e o doleiro Youssef, que intermediava o pagamento das propinas, incluindo as relacionadas à Odebrecht, declarou que a empresa lhe repassou parte dos valores mediante depósitos em contas no exterior. Nessa linha, foram obtidas provas materiais e documentais que expunham o intenso fluxo financeiro, em dezenas de transações milionárias entre contas controladas ou alimentadas pela Odebrecht e contas secretas mantidas no exterior por dirigentes da Petrobrás.

Tendo em vista que, além da constatação de prova material dos crimes de cartel, fraudes a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, evidenciaram-se extensas provas no sentido de que a autoria dos crimes, em âmbito da Odebrecht, recairia, especialmente, sobre Marcelo Bahia Odebrecht, fora decretada a sua prisão preventiva.

Fora constatado, nesse sentido, que as propinas eram pagas não somente pela empresa Construtora Norberto Odebrecht, mas também Bakskem Petroquímica, empresas pertencentes ao Grupo Odebrecht, o que indica, em análise sumária, a responsabilidade de alguém com poderes de gestão sobre as duas empresas, no caso o presidente do grupo empresarial, Marcelo Odebrecht, que atuaria orientando os executivos dirigentes das empreiteiras pertencentes ao grupo na prática dos crimes.

Em seguida, pela exposição de provas supervenientes, que reforçaram o entendimento, em análise sumária, de responsabilidade direta de Marcelo Odebrecht pelos fatos delitivos executados no âmbito do esquema criminoso da Petrobrás, bem assim pelos atos de seus subordinados, o Juízo Criminal renovou a sua prisão preventiva.76

Sob esse prisma, quanto à existência da materialidade delitiva e dos indícios de autoria dos crimes de cartel, ajuste de licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Odebrecht, evidencia-se que a decisão que decretou, bem como a que renovou a prisão preventiva em face de Marcelo Odebrecht fez a análise detida dos elementos probatórios

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BRASIL, 13ª Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, Pedido de Busca e apreensão Criminal Nº 5024251-72.2015.404.7000/PR Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, julgado em 24/07/2015, disponível em <http://s.conjur.com.br/dl/moro-renova-prisao-preventiva-marcelo.pdf>, acesso em 13/01/2016

expostos naquele momento, restando preenchidos, no caso em questão, os pressupostos

Benzer Belgeler