Uma correta apreensão do pensamento coletivo como objeto de investigação sustenta uma escolha que valoriza a apreensão de significados contidos em discursos e narrativas. De acordo com Jodelet (2001) o foco das pesquisas que tratam das representações sociais são: as considerações da particularidade dos objetos e a dimensão social suscetível de modificar a atividade representativa e seu produto.
Para esta pesquisa, foi realizada uma pesquisa de campo, com aplicação de entrevista. A pergunta central levantada como objeto de análise foi: qual é a compreensão que avaliadores do MEC, dirigentes de instituições particulares de ensino superior e bibliotecários têm sobre a biblioteca universitária no processo de avaliação, tendo em vista que ela é um dos grandes elementos de avaliação existentes no SINAES? A questão foi respondida a partir do conhecimento que cada sujeito participante tem sobre a influência da biblioteca universitária no seu processo avaliativo.
O objetivo desta análise é perceber o entendimento que esses atores presentes no ambiente acadêmico possuem do processo de avaliação da biblioteca universitária, obter sua opinião com relação ao papel que essas unidades de informação desempenham no processo de ensino-aprendizagem e a importância que tem na estrutura organizacional acadêmica. Para tanto, buscou-se seguir as etapas de: análise nos documentos oficiais produzidos pelo poder público do que é cobrado das bibliotecas universitárias no momento de sua avaliação; distinção no discurso dos avaliadores do MEC, dos dirigentes de instituições de educação superior e bibliotecários de instituições privadas, pontos que reflitam o grau de importância que cada um deles atribui as bibliotecas universitárias e suas funções no ambiente acadêmico e; trazer a visão desses atores quanto ao papel das bibliotecas universitárias no processo de avaliação do ensino superior e sua influência na avaliação in loco.
Considerando o intuito de conhecer as representações manifestadas pelos atores envolvido na pesquisa, este estudo se realizou com a adoção de uma abordagem qualitativa. A pesquisa qualitativa se preocupa com níveis de exploração da realidade que não podem ser quantificáveis (MINAYO, 2009). De acordo com esta autora a pesquisa qualitativa [...] trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2009, p. 34).
A escolha dessa abordagem teve em vista que tanto o construcionismo como as representações sociais consideram que é no ambiente da subjetividade humana que se definem as relações humanas entre iguais, caminhando na construção do pensamento coletivo. Neste sentido, esta pesquisa teve caráter qualitativo pelo tratamento, análise, interpretação e apresentação dos dados de forma não estatística, utilizando a técnica do Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC). De acordo com Lefèvre e Lefèvre15 (2003, p.15-16), a técnica do DSC consiste na organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos através de depoimentos, artigos de jornal, revistas, cartas, etc. “[...] que visa dar luz ao conjunto de individualidades semânticas componentes do imaginário social”.
Ao teorizar sobre o pensamento coletivo, Lefèvre e Lefèvre (2003) afirmam que este pensamento precisa sempre ser pesquisado qualitativamente, porque ele é uma variável qualitativa que, ao contrário de variáveis quantitativas, não é pré, mas pós-construída, ou seja, não se configuram de fora para dentro, mas de dentro para fora da pesquisa. Conforme os autores supracitados
[...] o pensamento de uma coletividade sobre um dado tema, pode ser visto como o conjunto dos discursos, ou formações discursivas, ou representações sociais existentes na sociedade e na cultura sobre esse tema, do qual, segundo a ciência social, os sujeitos lançam mão para se comunicar, interagir, pensar (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2003, p.16).
Conhecer como uma ideia é expressa a partir das manifestações discursivas dos atores sociais implica em adentrar, a partir desses discursos, os universos de significados, de interação social, em um modo de ver a realidade, isto é, suas representações que podem ser consideradas sociais.
Neste contexto, a fundamentação teórica e metodológica deste estudo mostra uma forma de estudar a realidade social, sendo que, a partir dos objetivos desta pesquisa, permite identificar as qualidades de um discurso em torno das representações que os avaliadores do INEP, dirigentes de instituições de ensino superior privada e bibliotecários tem sobre a biblioteca universitária no momento da avaliação externa.
Entendendo que, de acordo com Lefèvre e Lefèvre (2003, p.30) “conceber as representações sociais consiste em entendê-las como a expressão do que pensa ou acha determinada população sobre determinado tema”, as representações sociais sobre o que pensam os avaliadores do INEP, dirigentes de instituições de ensino superior e bibliotecários a respeito da biblioteca e de sua contribuição no processo avaliativo institucional foram
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Ana Maria Cavalcanti Lefevre e Jorge Juarez Vieira Lefevre da área de saúde, filiados a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). É derivado das teorias da semiótica peirciana e da teoria das representações sociais.
resgatadas a partir de suas manifestações discursivas. Os discursos, conforme Lefèvre e Lefèvre (2003, p.31) são compostos de atributos qualificáveis, os quais foram tratados pela técnica do DSC. Essa técnica “procura resgatar as representações sociais, conhecimentos construídos pelos sujeitos em interações sociais, as quais proporcionam o fundamento da ação dos sujeitos”. Portanto, esta possui conceitos e ferramentas que possibilitaram a viabilização das análises necessárias para se alcançar a resposta para a questão levantada na pesquisa.