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4. Finansal Eğitimin Faydaları Nelerdir?
5.3. Finansal Eğitim Programlarının Hazırlanması ve Değerlendirilmesi:
O deserto econômico prevaleceu mesmo depois dos empreendimentos levados a efeito ao tempo do estado colonial submisso à Corte portuguesa, inclusive, quando da administração pombalina. No caso particular da capitania de São José do Rio Negro, durante muitos anos subordinada ao governo do Grão-Pará, o cenário não foi diferente. No império, somente em 1850, a região do Amazonas foi constituída como província autônoma e assim como as demais, submetida à estrutura unitária do governo central regido pelo Imperador e pelo Conselho de Ministros. Na época, a região do Amazonas, que se circunscreve na atual Amazônia Ocidental, não alcançou transformações expressivas.
A economia da hévea ao final do século XIX e início do século XX propiciou um período de riqueza, e “a Amazônia tornou-se de súbito, uma das regiões mais rentáveis do mundo. Mas a renda da borracha esteve sempre canalizada para setores econômicos muito específicos e restritos”, tais como bancos financiadores, casas exportadoras, empresas de transporte e concentrada nas mãos da oligarquia regional exploradora da mão de obra nordestina no interior das matas.502 Mesmo assim, ocorreu o crescimento sem capitalização, com a destruição dos recursos naturais nativos e não renováveis a curto prazo e, como consequência, aquele período de apogeu de negócios decairia pouco tempo depois. Com isso, a Amazônia voltaria a ser uma região de reduzida importância econômica e política, vivendo do extrativismo e da agricultura de subsistência.
501 REIS, Arthur Cézar Ferreira. A Amazônia e o seu desenvolvimento, op. cit., p. 15.
502 LOUREIRO, Violeta Refkalefsky. A Amazônia no século XXI – novas formas de desenvolvimento. São Paulo: Empório do Livro, 2009. p. 40.
Ao tratar aquela fase do desenvolvimento amazônico, Reis,503 afirma que o primeiro ciclo do processo econômico do Amazonas foi marcado pela corrida incessante à floresta, o que foi ampliando a base física do Estado. Trata-se do que ele considera peculiar em relação às demais regiões do país, embora igualmente registre a ausência de planejamento e programas, com empresas privadas, com o Estado assegurando condições de segurança. Nesse contexto, o Estado era mero expectador da exploração privada, entretanto, beneficiava-se com a arrecadação de impostos elevados.
O período de relevância econômica da exploração da borracha em seringais nativos na Amazônia, tomados os parâmetros de 1880 a 1912, considerado de modo menos amplo do que o comumente utilizado, provocou aparente processo de desenvolvimento, seja pela expansão de negócios e pelo surto de melhoramentos urbanos, seja pelo enriquecimento de uma minoria e pelas relações internacionais com o comércio local, notadamente de Belém e Manaus. A esse curto período convencionou-se denominar de belle époque amazonense.
Vários fatores internos e externos influíram para que aquele ciclo fosse abreviado. Para Samuel Benchimol, 504 o período seria mais amplo, se considerado desde 1850, quando foi iniciada a extração da borracha em escala comercial, até o que ele denomina de segunda batalha da borracha, compreendida de 1941 a 1945. Ao mesmo tempo, o autor reconhece que a partir de 1910 a produção amazônica sofreu o impacto da heveicultura do Ceilão, Malásia, Cingapura e outras colônias da Grã-Bretanha, determinantes para o que qualifica de “depressão e decadência”, daquela atividade na região brasileira. De fato, a partir de 1860, com as experiências em outras regiões do mundo para a produção racional de plantas gumíferas, o sucesso da produção da hevea brasiliensis nas colônias inglesas na Ásia (Ceilão, Malásia, Indonésia, dentre outras) mudou o perfil da oferta do produto no mercado internacional.505 Veja-se que em 1910 a produção amazônica correspondia a 50% da produção mundial, caindo em 1926 para pouco mais de 5%, sendo que já em 1919 a produção asiática era dez vezes mais que a local.506 507 Esses dados mostram que a atividade de exploração
503 REIS, Arthur Cézar Ferreira. Amazônia e a integridade do Brasil. Manaus: Edições Governo do Estado do Amazonas, 1966. p. 300.
504 BENCHIMOL, Samuel. Amazônia. Um pouco antes-além depois. 2. ed. Manaus: Edua, 2010. p. 832-833. 505 Em 1876, Henry Wickham, inglês, fez uma coleta de 70 mil sementes de hevea basiliensis, remetendo-as a Kew, na Inglaterra e mais de 7 mil delas brotaram em viveiros, sendo transplantadas para o Ceilão e outras colônias inglesas, demonstrando serem adaptáveis e onde foi implantado um sistema de cultivo racional, com maior produtividade que a nativa, passando os ingleses a dominar a produção mundial de borracha. 506 OLIVEIRA, Adélia Engrácia de. Ocupação Humana. In: SALATI, Enéas (Org.) et al. Amazônia:
Desenvolvimento, integração e ecologia. São Paulo: Brasiliense; Brasília: Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ, 1983. p. 245.
nativa da Amazônia, sem aplicação de métodos racionais e científicos, não teria condições de concorrência com o produto asiático.
O apogeu econômico da produção gomífera na floresta amazônica, através de estradas de seringais nativos, segundo Benchimol,508 teria propiciado além da “aventura de colonização e povoamento” a “formação e a acumulação de capital que bem podem ser medidas pelo valor dos 350 milhões de libras esterlinas que aqui foram gerados durante o ciclo (1821/1947).” Destaque-se que no ano de 1912 a oferta amazônica alcançou o seu nível máximo oferecido ao consumo mundial, com 42.286 toneladas, entretanto, já naquela época a demanda mundial era de 103.740 toneladas.509
Mesmo sendo relevante a observação de Benchimol com cifras consideráveis, o cenário posterior ao declínio é por demais crítico. Para compreendê-lo melhor é preciso registrar que não havia no País uma “política de desenvolvimento econômico que considerasse a necessidade de intervir para incentivar o processo industrial”, como ressalta Furlan510 e aquele surto da economia da borracha se efetivara de forma improvisada. No período entre 1912 e a Segunda Guerra Mundial, foram propostas mais duas tentativas de desenvolvimento regional para a Amazônia: o Plano de Defesa da Borracha,511 iniciado em 1912 e de curta duração; e a Batalha da Borracha, de 1942 até 1947, em razão dos Acordos de Washington (1942), firmados pelo governo brasileiro. O plano foi vitimado pelo insucesso, notadamente pela falta de investimentos privados, inexistência de técnicos e o conceito dominante de produção da borracha, não conseguindo ultrapassar o ano de 1914.512 Estabelecia estímulo à produção e industrialização da borracha, migração, saúde, transportes, produção agrícola e pesca em toda a região das árvores produtoras da goma elástica. Era a valorização da borracha extrativa, promovendo em ampla escala a cultura da hévea, como ressalta Reis. 513
O que ocorreu até 1912 pode ser compreendido, em síntese, pela referência de Thomas E. Skidimore, que, ao tratar do desenvolvimento desigual do Brasil ressalta ser a Amazônia uma região à margem do desenvolvimento que
507 BENCHIMOL, Samuel. Amazônia. Formação social e cultural. Manaus: Editora Valer, 1999. p. 211. 508 BENCHIMOL, Samuel. Amazônia. Um pouco antes-além depois, op. cit., p. 833.
509 BENCHIMOL, Samuel. Amazônia. Formação social e cultural, op. cit., p. 209-211. 510 FURLAN, Valéria, op. cit., p. 25.
511 Lei n.° 2.543-A, de 5 de janeiro de 1912, governo marechal Hermes da Fonseca.
512 MAHAR, Dennis J. Desenvolvimento econômico da Amazônia. Relatório de Pesquisa: IPEA/INPEA. Rio de Janeiro, 1978. p. 10.
havia desfrutado de um boom baseado na borracha natural, mas a bolha estourou em 1912 quando fontes concorrentes da borracha chegaram ao mercado mundial. A região retornou então a uma economia de coleta de baixa produtividade, praticamente por uma população amplamente dispersa e desnutrida. 514
A travessia política e econômica de 1914 a 1930 foi longa e sofrida sendo um período que se denominou de débaclê, com profundo esvaziamento humano da região. Falências de empresas em Belém e Manaus eram significativas diante do sistema de aviamento abalado, desemprego em massa, com fechamento dos seringais, migração de retorno ao Nordeste e a frota fluvial, que já havia sido conceituada como a maior do mundo, ficou totalmente paralisada.515
A partir de 1930, com a posse de Getulio Vargas na presidência da República, o País vivenciou processo de grandes transformações visando o fortalecimento da economia nacional, com base na ideologia desenvolvimentista. No primeiro governo Vargas (1930-1945), foram formulados programas de desenvolvimento que incluíam a Amazônia, considerada grande problema a ser enfrentado pela administração pública federal.516 Entretanto, foi no período de 1938 a 1945, com a segunda guerra mundial, que cresceu o interesse da União Federal pela Amazônia, principalmente, voltado para a implementação de um esforço de guerra que exigia o incremento da produção da borracha. Na ocasião aconteceu a chamada “Batalha da Borracha”, que reincentivou os seringais nativos, ativou a formação de núcleos populacionais rurais, parecendo ressurgir a economia da região.
O Presidente Vargas visitou a Amazônia e proferiu discursos públicos proclamando a sua importância estratégica, acenando com medidas que denotavam interesse no desenvolvimento regional, que afinal de contas, não se concretizaram. Em Manaus, em 1940, falando no Teatro Amazonas para as elites, e para uma multidão pelas ondas de emissora de rádio, Vargas517 chegou a afirmar de forma entusiasmada: “Todo o Brasil tem os olhos voltados para o Norte, com o desejo patriótico de auxiliar o surto de seu desenvolvimento”. A partir de então, tentou executar na região políticas desenvolvimentistas, apesar da carência de recursos decorrente do momento recessivo da II Guerra Mundial.
514 SKIDMORE. Thomas E. Uma historia do Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1998. p. 144. 515 OLIVEIRA, Adélia Engrácia de, op. cit., p. 248.
516 Ibid., p. 263.
517 VARGAS. Getúlio. Discurso do rio Amazonas. Proferido em Manaus, em 10 de outubro de 1940. In: FURLAN, Valéria, op. cit., p. 28.
Havia novo ânimo na Amazônia com a possibilidade de reaquecimento econômico mais uma vez em razão da exploração do látex, que deveria contar com o esforço especial do Governo Federal em abrir e assegurar postos de trabalho, com estímulo à migração de nordestinos para o interior da Amazônia. Esse esforço decorria dos “Acordos de Washington” firmado com o governo americano, que previam o fornecimento de borracha para suprir as necessidades das grandes potências em guerra, em decorrência da ocupação japonesa dos seringais malaios. A esse respeito, Miranda Corrêa518 ressalta que os relatórios da comissão especialmente nomeada pelo Presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, para estudar a disponibilidade de materiais para a guerra destacavam que o estoque de borracha era o “most critical problem” e a perda das regiões produtoras da Ásia teria sido o golpe mais duro sofrido pelos Estados Unidos e aliados naquele embate, o que influenciou o interesse americano na Amazônia. Iniciou-se assim um período conhecido como a “Batalha da Borracha” que, embora tenha possibilitado a criação de uma infraestrutura de integração regional,519 acarretou graves problemas sociais com mortes e doenças, especialmente para os nordestinos que se deslocaram para a região, entre 1942 e 1945, atendendo ao estímulo governamental.
Apesar de um aparato complexo, que reunia variáveis de crédito, apoio técnico- agrícola, enfrentamento das questões agrárias, transporte e sistema portuário, os resultados daquelas ações do Governo Federal na Amazônia não foram os desejados, acentuando-se logo depois novo período de perda do interesse internacional pela região, notadamente depois do fim da guerra. 520 O fato é que as mudanças esperadas na ocasião não ocorreram e o Estado do Amazonas (e a Amazônia com um todo) permaneceram, durante longos anos, da queda da economia da borracha, por volta de 1912 até 1946, em graves dificuldades econômicas e sociais, sem perspectiva de mudança de cenário. Em síntese bastante apropriada para o que antes foi descrito, cabe a observação de Violeta Loureiro
518 CORRÊA, Luiz de Miranda. A borracha da Amazônia e a II Guerra Mundial. Manaus: Edições Governo do Estado do Amazonas, 1967. p. 27.
519 Nesse período foram criados ou ampliados na região pelo governo de Getúlio Vargas: Banco de Crédito da Borracha – BCB; Serviço Especial de Saúde Pública – Sesp; Rubber Reserve Company, posteriormente, Rubber Development Corporation (RDC); Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta); Superintendência do Abastecimento do Vale Amazônico (Sava); Comissão Brasileiro- Americana de Produção de Gêneros Alimentícios; Colônia Agrícola Nacional do Amazonas; Instituto Agronômico do Norte; Aeroporto de Ponta Pelada, em Manaus; ampliação do Aeroporto de Val-de-Cans em Belém; incorporação da Amazon River Steam Navigation integrando-a ao Serviço de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará; além da criação dos Territórios Federais do Amapá, Rio Branco (atual Estado de Roraima) e do Guaporé (atual Estado de Rondônia).
nas duas fases de produção intensiva da borracha o Governo Federal [...] concentrou seus incentivos e ações financiando a simples produção de bolas de látex para exportação [...] e deixou de aproveitar o impulso para fundar, desde aquela época, marcos iniciais de um desenvolvimento durável e com maior distribuição de renda.521
A autora salienta, ainda, que “privilégios, concentração de renda e excludência social estiveram sempre colados às políticas do Estado e ao modelo de exploração da região, como marcas permanentes, seja antes da borracha, seja depois dela”.522 Restou fortalecida a tese muitas vezes anunciada da necessidade de uma política de longo prazo para que os resultados possam ser favoráveis para o desenvolvimento regional amazônico, como reafirma Mahar. 523