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Finansal varlık ve borçların gerçeğe uygun değeri ile gösterilmesine ilişkin açıklamalar (Devamı) b) Gerçeğe uygun değer sınıflandırması:

Belgede 2020 Faaliyet Raporu (sayfa 110-116)

AİT KAR DAĞITIM TABLOSU

DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

VII. Finansal varlık ve borçların gerçeğe uygun değeri ile gösterilmesine ilişkin açıklamalar (Devamı) b) Gerçeğe uygun değer sınıflandırması:

A partir do tipo ideal democracia de público proposto por Manin é possível destacar outra faceta das implicações da tecnologia sobre a política: a mudança de significado dos conceitos de público e privado ao longo da história. A esse respeito, John Thompson desenvolveu a teoria da visibilidade.

Em “A Mídia e a Modernidade”, Thompson pontua que “antes do desenvolvimento da mídia, os líderes políticos eram invisíveis para a maioria das pessoas que eles governavam.” (THOMPSON, 1998; p. 109), embora a administração da visibilidade sempre tenha feito parte da própria arte de governar. Este autor aborda como a transformação da natureza da visibilidade e, ao mesmo tempo, das concepções de público e privado, apresentam como consequência positiva a expansão da esfera pública e como desdobramento negativo as gafes e escândalos no meio político.

“Não há nada de novo na preocupação de governantes e líderes políticos em cultivar a própria imagem pessoal e controlar sua exposição ao público: a administração da visibilidade é uma arte política antiga. Mas o desenvolvimento dos meios de comunicação, e a consequente transformação da natureza da visibilidade, mudaram as regras práticas desta arte”. (THOMPSON, 1998; p. 122)

Ainda que o autor seja contrário a dicotomia estabelecida entre público e privado, no sentido de que estas são esferas inter-relacionáveis, Thompson inicia essa sua discussão pela distinção clássica oriunda da interpretação da filosofia do direito de Hegel, na qual público se define por aquilo que é relativo ao Estado e privado por aquilo que é da esfera da sociedade civil, das organizações econômicas e das relações familiares.

Este debate se desdobra em um resgate histórico da dicotomia entre público e privado no pensamento social e político ocidental, no qual o autor volta à pólis grega. Na pólis o sentido de público estava relacionado às decisões orientadas para o bem comum, para o interesse coletivo. Posteriormente, com o direito romano se realiza a primeira separação entre lei pública e lei privada a partir da concepção de res pública (coisa pública). No entanto, segundo Thompson, é na modernidade que “as fronteiras entre o público e o privado se tornaram cada vez mais tênues”, especialmente quando os Estados-nação passaram a intervir na economia, no sentido tanto de auxiliar empresas privadas em crise e de estimular o mercado, quanto de compensar socialmente as consequências negativas do liberalismo econômico.

Ademais, o autor atenta também para o surgimento nos últimos anos das organizações intermediárias, que são instituições privadas não estatais, mas não operam como organizações com fins lucrativos. São exemplos de organizações intermediárias as ONGs, as instituições de caridade e os clubes.

Um segundo sentido apontado pelo autor dessa dicotomia é o do discurso sociopolítico ocidental, no qual “público significa aberto ou acessível ao público (...) e privado, é ao contrário, o que se esconde da vista dos outros, o que é dito ou feito em privacidade ou segredo entre um círculo restrito de pessoas”. (THOMPSON, 1998; p. 112).

Ao trabalhar sob essa perspectiva do discurso, Thompson resgata o exercício do poder político na pólis grega, onde nas assembleias todos partilhavam da isonomia na manifestação de suas ideias com o propósito de se chegar a um consenso. Entretanto, o autor faz uma ressalva importante de que “a assembleia grega era uma esfera pública de acesso restrito”, já que dela só podiam participar os homens atenienses acima de 20 anos. As mulheres, os escravos e os estrangeiros eram excluídos dos processos deliberativos da pólis.

Já na Idade Média, se inverte a concepção de público pois as decisões políticas passam a ser conduzidas “nos círculos relativamente fechados da corte, de modo

completamente invisível à maioria da população” sob a justificativa do recurso ao

arcana imperii. As aparições públicas dos governantes eram eventos “cuidadosamente

encenados”, cheios de pompa, que tinha por objetivo exaltar a figura dos monarcas. Com a formação dos Estados modernos e a liberalização dos regimes a partir do século XVIII se impuseram alguns limites a invisibilidade do poder. Conforme observam Tavares e Bachini,

“A instauração do parlamento substitui o gabinete fechado, a doutrina do arcana imperii dá lugar ao Segredo de Estado, restrito a questões consideradas de segurança e estabilidade nacionais, e o princípio da liberdade de imprensa, ao pressionar pela difusão de informações de interesse social exerce as primeiras formas de controle público do governo. Todas essas questões representam profundas alterações no exercício do poder, contudo, os efeitos do rádio e principalmente da televisão sobre a visibilidade do poder vão reconfigurar completamente as ações dos governantes.” (TAVARES e BACHINI, 2011; p. 75)

Os acontecimentos que antes tinham a observação restrita a presença física agora podem ser compartilhados por milhares de pessoas através dos veículos de comunicação. A ligação entre publicidade e visibilidade se estreita. Torna-se público não somente aquilo que é presenciado, mas o que pode ser noticiado. Este fenômeno Thompson define como publicidade mediada. Entretanto, o caráter dialógico e a interatividade possibilitados pela publicidade de copresença, pré-requisitos fundamentais para a definição do conceito de esfera pública burguesa dado por Harbermas, são anuladas na segunda hipótese.

Segundo Habermas, a esfera pública burguesa do século XIX se definia como um espaço institucionalizado onde os indivíduos debatem e deliberam as questões de interesse coletivo. Contudo, a legitimidade desse processo se dava pela presença física dos indivíduos, que sustentavam suas opiniões tanto nos cafés, nos salões, nos clubes quanto na imprensa política. Com a introdução dos meios de comunicação de massa na política a partir do século XX, esse debate passa a ser mediado pelos veículos de comunicação, o que Thompson caracteriza como uma reconfiguração da esfera pública.

A difusão da televisão só intensifica a associação entre visibilidade e publicidade. Segundo Thompson, “a publicidade de eventos, ações e pessoas é religada à capacidade de serem vistas e ouvidas por outros. Na idade da televisão, a visibilidade

no estreito sentido da visão – a capacidade de ser visto com os olhos – é elevada a um novo nível de significado histórico” (THOMPSON, 1998; p. 117)

Todavia os meios de comunicação, e em especial a televisão, tragam a informação daquilo que não pode ser presenciado, reduzindo o fator distância, o campo de visão limitado pelo enquadramento23 é definido pelo emissor e não pelo receptor. Isso significa que os media não apenas publicizam os acontecimentos, mas os constroem e os reproduzem de acordo com seus interesses.

A esse respeito, a teoria da visibilidade de Thompson corrobora com a teoria do agendamento e com a teoria do homo videns de Sartori (2004). De acordo com a noção de agenda setting, as informações selecionadas e veiculadas pelos meios de

comunicação de massa (agenda da mídia) correlacionam-se com os temas prioritariamente abordados pela opinião pública (agenda do público) e com a hierarquia e valor a estes atribuídos socialmente. Sob essa perspectiva, a mídia pauta a discussão política na esfera pública. A convergência dessas agendas na formação da agenda

setting de um determinado período, prova empiricamente os efeitos da comunicação de

massa sobre “a preferência política e eleitoral do público”. (McCOMBS e SHAW, 1972 apud AZEVEDO, 2004 e WOLF, 2010)

Já para Sartori, essa concepção de publicidade reflete o processo de transformação da natureza humana pelo vídeo, no qual a “uma espécie de predomínio do visível sobre o inteligível que conduz para um ver sem entender”. Assim o homo

sapiens, cuja capacidade cultural se baseava na escrita, se transfigura em homo videns.

No mesmo sentido de Debord, para o autor trata-se da emergência da chamada geração- tv no mundo cuja cognição se baseia na passiva absorção de imagens sem reflexão crítica. Isso para o autor traz uma série de consequências negativas, como a perda da capacidade de abstração já referida, a multiplicação e empoderamento do denominado homo insapiens e, por fim, o fenômeno da emotivização da política.

“Em suma, o visível nos aprisiona no visível. Para o homem diante da televisão é suficiente o que vê, e aquilo que não é visto não existe. Tal amputação é colossal. E se torna ainda pior pelo motivo e pela forma com

23 A noção de enquadramento ou framing é definida por Mauro Porto como “os princípios de seleção, ênfase e apresentação” utilizados pelos jornalistas para a composição do noticiário que tende a se refletir na visão da realidade da audiência. (Ver Porto, 2001 e Chaia, 2004).

que a televisão escolhe aquele detalhe visível, entre centenas ou milhares de outros eventos igualmente dignos de consideração” (SARTORI, 200 1; p. 71)

Dessa maneira, tanto os representantes do Estado quando os grupos de oposição passaram a se utilizar primeiramente da mídia impressa e depois do rádio e da TV para, além de transmitir ao público os acontecimentos que os indivíduos não puderam presenciar fisicamente, também para publicizarem sua visão a respeito dos fatos e se autopromoverem, especialmente nos períodos eleitorais. É desse modo que se iniciou a construção das imagens políticas pelos meios de comunicação unidirecionais.

Por outro lado, o autor faz uma observação interessante ao recapitular a teoria de Foucault sobre o panopticon24, argumentando que a manifestação espetacular do poder soberano da Idade Média foi substituída pelo poder do olhar na sociedade disciplinar moderna”. (THOMPSON, 1998: 120)

Sob esta perspectiva, os indivíduos, inclusive os políticos são submetidos a um novo sistema de poder no qual a visibilidade se apresenta como uma forma de controle. Para Thompson, há uma inversão do que indica a teoria de Foucault no sentido que os meios de comunicação permitem a reunião de informações dos poucos governantes pelos muitos governados, tornando os políticos reféns da exposição nesses meios, já que por eles é possível não apenas exaltar a imagem do soberano, mas também difamá-la.

O bom exercício da visibilidade se torna indispensável a política contemporânea e renunciar a ela é um “ato de suicídio político”. No caso brasileiro, observa-se no acompanhamento das campanhas eleitorais que os políticos se utilizam da visibilidade midiática na tentativa de seduzir o eleitor pela subjetividade, comportamento esse que converge com um dos efeitos da videopolítica apontado por Sartori, a personalização das eleições.

Segundo Azevedo esta prática desencadeia um processo de despolitização da política, onde a argumentação racional que deveria orientar as escolhas políticas é substituída pela “adesão afetivo-emocional estimulada por apelos publicitários, redundando, deste modo, no empobrecimento ou mesmo na eliminação do debate político na cena democrática contemporânea” (1998; p. 3). Entretanto, ao resgatar a

24 Panopticon – estado de permanente visibilidade que garante o funcionamento automático do poder (Foucault, 2002; p. 120).

literatura sobre o tema, o autor bem recorda, assim como já observara Manin, que este não é um comportamento totalmente novo:

"Nos finais do século XVIII, as elites incitavam os eleitores a votarem de acordo com o caráter dos candidatos e não de acordo com determinados temas ou interesses. O que hoje é criticado era considerado como um ideal na época colonial e nacional” (SCHUDSON, 1978 apud AZEVEDO, 1998; p. 5)

Sobre a transformação da subjetividade deste cidadão-eleitor pela condicionante dos mass media no que se refere à cultura política dar-se-á continuidade na próxima sessão. Em especial, este trabalho se dedicará às mudanças e permanências decorrentes do uso da internet e das redes sociais nesse âmbito. Após essas reflexões será retomada no subcapítulo 1.4 a discussão a respeito das implicações dos meios de comunicação, nos sistemas políticos representativos, nos concentrando em uma das principais instituições que os sustentam e no seu principal instrumento para obter sucesso nessa empresa: o processo eleitoral e as campanhas políticas.

Belgede 2020 Faaliyet Raporu (sayfa 110-116)