6.3. ANALİZ BÖLÜMÜ
6.3.3. Finansal Analiz
Entender como se deu o processo de organização de um hospital, fez-se necessário para esclarecer fatores de influência cultural existentes na organização. Antes do século XVIII, o hospital era apenas uma instituição de assistência aos pobres. Estes indivíduos quando estavam doentes eram considerados perigosos, membros inúteis para a sociedade. Assim, a função essencial dos hospitais figurava em dar apenas assistência material e espiritual, portanto, bastava dar os últimos cuidados e o último sacramento para esperar a morte chegar. Nesta época, as pessoas que trabalhavam nos hospitais eram leigas ou religiosas que iam fazer caridades, assegurando a salvação eterna aos doentes. O hospital era uma mistura de exclusão, assistência e transformação espiritual, da qual a função médica não fazia parte (FOUCAULT, 2006). Portanto, os hospitais surgiram com uma ideologia religiosa e filantrópica.
Diante dessa realidade cultural vinculada ao hospital durante o século XVIII, por volta de 1780, o hospital passa a ter uma nova concepção destinando-se à cura dos enfermos. Segundo Foucault (2006), nessa época o hospital possibilita a visita e a observação sistemática e comparada dos pacientes. Para tanto, dois processos foram imprescindíveis para originar essa nova ideologia que foram: o deslocamento da intervenção médica e a disciplinarização do espaço hospitalar.
Foi, então, possível compreender várias características necessárias ao hospital para que essa concepção de cura viesse a se tornar realidade: a localização do hospital, que precisava está situado no esquadrinhamento sanitário da cidade; a distribuição interna do espaço, individualizando-o pelas características da doença; a responsabilidade do médico na organização hospitalar, no ritual da visita com os assistentes necessários; e, um sistema de registro permanente dos pacientes, para que fosse capaz de monitorar a doença de cada paciente portador. Essas características básicas asseguravam a higienização e o controle das doenças tanto em relação aos pacientes e quanto aos funcionários, que se sentiam mais seguros em realizar seu trabalho.
De acordo com Bittar (2001, p. 24), os hospitais são organizações complexas, em virtude de “inúmeras peculiaridades inerentes aos programas, serviços, influências externas, internas e condições de trabalho, geralmente em emergência/urgência ou mesmo da ansiedade e pressão, por parte de pacientes, familiares e profissionais”. Portanto, torna-se evidente que algumas de suas características são difíceis de serem mensuradas, em decorrência dessa complexidade inerente a sua estrutura, ao número de cargos e funções e a diversidade de unidades organizacionais presente nesta organização.
Bittar (2001) apresenta algumas das áreas internas ao hospital que são caracterizadas pelas estruturas de recursos. De acordo com o auto,r existem quatro estruturas que são o de recursos humanos, o de materiais permanente e de consumo e o de utilidade pública. Nos recursos humanos estão os recursos financeiros, recursos de informações e os recursos empregados em serviços terceirizados e quarteirizados. Nos recursos de materiais está o permanente como os equipamentos, edificações, utensílios, veículos, dentre outros; e o material de consumo que são os medicamentos, as roupas, os gêneros alimentícios, etc. Já com relação aos recursos de utilidade pública, o autor aborda os tipos de energia utilizada, a parte sanitária, como água e esgoto e a comunicação realizada entre os atores organizacionais, como, por exemplo, o telefone, a intranet e o correio.
Essa estrutura também pode ser subdividida para explicitar melhor as particularidades inerentes a cada área, como os modos de trabalho, as relações e os contatos diretos estabelecidos entre clientes e usuários, como também a sua cultura. A imensidade de diferenças de materiais de consumo, de recursos humanos, englobando a diversidade de especialidades e subespecialidades nas áreas médicas, de enfermeiras, entre outros, incorpora a multiplicidade de hábitos e conhecimentos diferenciados. Com essa diversidade, iniciam-se
as dificuldades apresentadas nas relações interpessoais, no trabalho em equipe e na interação interdisciplinar (BITTAR, 2004).
Essas dificuldades, também estão vinculadas aos processos de produção de cada área/subárea. Bittar (2004) aborda que esses processos estão distribuídos em todas as áreas, porém eles podem ser divididos em dois tipos: os que serão úteis para o suporte e atendimento entre as áreas/subáreas e os que diretamente são aplicados aos pacientes. O autor também ressalta que ao especificar os turnos, as cargas horárias e os plantões para todas as categorias profissionais, isso acabam dificultando a fluidez dos processos, por não haver uma integração entre todos, e o doente não ser entendido de forma holística. Segundo Bittar (2004, p.11), “a multiplicidade de áreas e subáreas, incluindo a diversidade de profissões, cria estruturas administrativas ou organizacionais superdimensionadas horizontal e na vertical, principalmente nos hospitais públicos, piorando a divisão interna e aumentando as dificuldades para se obter uma assistência conforme determinados padrões de qualidade”.
Seguindo essa complexidade Dussault (1992) aborda algumas características peculiares dos hospitais que necessitam de certos cuidados perante à organização. O autor afirma que esse tipo de organização atende a necessidades complexas e variáveis, pois estas necessidades estão vinculadas ao problema de saúde do paciente e até a sua condição sócio- econômica. Como a diversidade de diagnóstico é cada vez maior, os pacientes sentem dificuldades em entender seu problema de saúde, por falta de informações e conhecimento, fazendo com ele fique subordinado ao profissional de saúde que está lhe atendendo.
Outra característica ressaltada pelo referido autor é o conflito de interesses entre os autores envolvidos no processo, que são os usuários, os fornecedores, os profissionais e os diretores. Cada um deles apresenta um interesse próprio dentro de um hospital, como os pacientes querem qualidade no serviço; os fornecedores almejam realizar bons negócios; os profissionais procuram desenvolver seu trabalho obtendo renda justa e os diretores querem benefícios financeiros. Portanto, a complexidade vinculada ao contexto hospitalar refere-se também ao conflito de interesses dos atores e os laços que eles apresentam entre si.
3 METODOLOGIA