O Portal Transparência do Governo Federal foi criado para tornar públicas as informações sobre a administração pública federal na esfera do Poder Executivo, e agrega várias fontes de dados sobre os servidores públicos civis e militares, o patrimônio, as receitas e despesas, as naturezas mais gerais dos gastos públicos, etc. Entre todas as fontes de dados, foi usada nessa pesquisa, como fonte, uma planilha única, com informações sobre todos os servidores federais do poder executivo. Esta planilha pode ser baixada no referido Portal. O demonstrativo da remuneração de cada servidor federal não consta desta planilha e pode ser conhecido neste mesmo Portal, mediante consulta on line em um banco de dados próprio, em pesquisa nominal ou pelo CPF. Para esta pesquisa foi utilizada a planilha relativa ao mês de março de 2013.
A pesquisa na planilha merece comentários. As informações sobre os servidores públicos federais encontram-se reunidas em uma única planilha eletrônica com 718.317 linhas que correspondem a cada um dos servidores, e 38 colunas, cada uma indicando um aspecto funcional no serviço público federal. A quantidade de dados funcionais e as relações internas inerentes da sua estruturação dificultaram o seu manuseio. As configurações de hardware dos computadores disponíveis para esta pesquisa, apesar de serem computadores atuais, se mostraram insuficientes para usar todos os recursos da planilha e com a agilidade desejada. O tempo de abertura, estabilização e exibição do arquivo era grande, bem mais que dez minutos. A duração das operações de abertura do arquivo, de salvamento, de encerramento do seu uso variava também em função da execução simultânea de outro arquivo. Na maioria das vezes foi imprescindível manter em uso, simultaneamente, mais de um arquivo (de texto, outra planilha, etc), o que aumenta a carga de processamento do computador e alarga os tempos das operações citadas. Um desses arquivos foi o próprio texto usado para construir esta dissertação. Outro fator de retardo no uso foi a execução concomitante de outros programas como os usados para manusear números e construir gráficos, os antivírus e outros.
28O Censo dos Profissionais do Magistério da Educação Básica de 2003, na seção de Notas Técnicas, comenta alguns aspectos da metodologia e frisa as implicações das taxas de respostas que teve média nacional de 61% neste ano, com limites de 41%, no Distrito Federal, e 84%, em Tocantins. A adesão individual e institucional interfere diretamente nas taxas de resposta, e por consequência, prejudica o caráter censitário pretendido.
Uma simples operação como, por exemplo, a ordenação alfabética dos registros (linhas) dos nomes dos professores, ou a ordenação numérica crescente em função das datas de início do exercício no cargo de professor federal, demandava um tempo de processamento muito grande e uma carga de processamento que tornava impossível qualquer outro uso do computador por um tempo precioso. A solução encontrada foi o emprego de dois computadores, um deles apenas para a execução da referida planilha, o qual funcionava sem executar programas como antivírus ou funções do próprio sistema operacional.
O estudo da planilha mostra que a União contava, em março de 2013, com 718.317 servidores civis e militares vinculados ao Poder Executivo, entre efetivos, substitutos e temporários. O CEFET-MG, neste mês, tinha 1.798 servidores no quadro de pessoal, divididos entre docentes e administrativos e que estavam distribuídos pelos Campi da capital e do interior de Minas Gerais. O total de professores era de 972 que foram classificados como professores permanentes, substitutos e temporários, tanto na Carreira da Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT) quanto na Carreira do Magistério Superior (MS).
Os professores federais são distribuídos em duas carreiras profissionais que correspondem ao nível de ensino para o qual cada um foi selecionado em concurso público ou em processo seletivo simplificado. Na carreira da EBTT estão posicionados todos aqueles contratados para atuar nos cursos da EPTNM qualquer que seja a natureza da disciplina. Nesta pesquisa, são esses professores os sujeitos focalizados. A localização destes sujeitos entre as duas carreiras considerou as categorias Cargo/Emprego, Classe e Nível, conforme a organização da administração pública federal - elas permitem separar os docentes quanto à carreira profissional. O recorte feito para esta pesquisa abrangeu os professores da EBTT que ministram disciplinas técnicas ou profissionais na Unidade BH que inclui os Campi I, II e VI, porém, inicialmente, eles serão situados no universo dos docentes da EBTT, ou seja, no conjunto de todos os professores que atuam na EPTNM, considerando a Unidade BH do CEFET-MG.
Nesta planilha, a diferenciação entre os professores de disciplinas técnicas ou profissionais, e de disciplinas propedêuticas foi possível selecionando-os pela unidade de lotação na instituição que são as coordenações de curso, as coordenações de área e os departamentos aos quais os professores são vinculados.
O Gráfico 5 e a Tabela 8 mostram a distribuição dos professores da EPTNM no CEFET-MG, unidade BH, em março de 2013, em função da natureza das disciplinas e da
situação funcional.
O Gráfico 5 e a Tabela 8 mostram que o número de professores nas disciplinas técnicas (253 ou 55%) era maior do que nas disciplinas propedêuticas (210 ou 45%). Essa diferença parece ser consequência do grande número de disciplinas técnicas de caráter prático e experimental, ministradas em oficinas, laboratórios ou em ambientes necessários para a aprendizagem profissional. Nestas disciplinas é comum que as turmas convencionais, que normalmente têm pouco mais de 40 alunos, sejam divididas em subturmas, reduzidas numericamente, requerendo, por isso, mais professores neste segmento da EPTNM. Esta situação ou qualquer outra que provoque esta diferenciação merece atenção quando se olha para a docência da EPTNM. Isso porque elas significam diferenciações entre grupos de professores e, por consequência, podem produzir subcategorias de docentes num mesmo local de trabalho. Aulas com turmas reduzidas podem ser entendidas por alguns como sendo um privilégio, no sentido de condições desiguais de trabalho entre docentes da mesma instituição, curso ou ambiente, provocando conflitos e cisões.
Gráfico 5 Professores da EPTNM no CEFET-MG, BH e a natureza das disciplinas
Professores do CEFET-MG, Unidade BH, integrantes da Carreira da EBTT. Fonte: Portal Transparência do Governo Federal, em março de 2013.
Tabela 8: Professores da EPTNM no CEFET-MG – BH e a natureza das disciplinas
Disciplinas Técnicas - Total 253
Temporários e Substitutos 31%
Efetivos 69%
Disciplinas Propedêuticas - Total 210
Temporários e Substitutos 39%
Efetivos 61%
Professores do CEFET-MG, Unidade BH, integrantes da Carreira da EBTT. Fonte: Portal Transparência do Governo Federal, em março de 2013.
Os índices de 31% e 39% de professores Substitutos e Temporários exibidos na Tabela 8 indicam uma educação precária devido a um corpo docente esfacelado e que se renova parcialmente a cada dois anos, prazo correspondente à duração máxima dos contratos de trabalho, e um prejuízo nas relações profissionais de caráter duradouro uma vez que cabe aos professores a reconstrução cotidiana da instituição escolar que tem como objetivo uma sólida formação humana e profissional, porém sem a solidez e permanência dos seus quadros profissionais.
As Tabelas 9 e 10 mostram algumas características gerais dos professores de disciplinas técnicas no CEFET-MG.
Tabela 9: Professores efetivos de disciplinas técnica e sua formação - CEFET-MG29
Licenciado Bacharel Mestre Doutor Sem informação
29 114 126 52 27
Professores do CEFET-MG, Unidade BH, integrantes da Carreira da EBTT.
Fontes: Portal Transparência do Governo Federal, em março de 2013, Plataforma Lattes.
Tabela 10: Professores de disciplinas técnica e Regime de trabalho - CEFET-MG
Regime de trabalho Professores
20 hs 3
40 hs sem DE 3
40 hs com DE 168
Total 174
Professores do CEFET-MG, Unidade BH, integrantes da Carreira da EBTT. Fonte: Portal Transparência do Governo Federal, em março de 2013.
29Na construção dessa tabela, consideramos todas as formações em nível superior uma vez que a intenção foi mostrar a variedade de formação e as suas ocorrências. Só assim seria possível perceber e evidenciar a ocorrência de professores licenciados e também bacharéis.
Consideramos relevante, nessa etapa da pesquisa, focalizar a formação dos professores das disciplinas técnicas por serem os sujeitos da pesquisa. Além disso, resolvemos excluir os Substitutos e Temporários em razão do seu vínculo eventual e por não haver políticas de formação específica para eles.
A Tabela 9 mostra a formação dos professores efetivos (do quadro permanente) na Unidade BH do CEFET-MG. Em março de 2013 foram registrados 29 professores licenciados e 114 bacharéis, entre os 174 professores efetivos de disciplinas técnicas na Unidade BH. Registraram-se alguns casos de dupla formação, havendo bacharéis que retornaram aos estudos em outra graduação e também aqueles que obtiveram a licença em cursos de complementação docente. Isso parece significar uma preocupação com uma melhor formação para o magistério ou uma necessidade de sair da excepcionalidade e de se adequar à legislação que prevê a obrigatoriedade de licença para exercer o magistério.
O levantamento sobre a formação acadêmica teve como fonte a Plataforma Lattes, o que provocou alguns problemas; um deles foi a ausência de informações exatas sobre o tipo da formação e outro foi a inexistência de currículo de professores na plataforma. Neste caso, somente foi possível identificar a formação acadêmica de 143 professores em um total de 174 professores efetivos que atuam em disciplinas técnicas no CEFET-MG, unidade BH. Interessante também verificar que 72,41% dos professores eram Mestres ou Doutores. A coluna Mestre indica que 126 docentes tinham esta formação e, que todos os Doutores fizeram também estudos de mestrado, sendo, por isso, incluídos na coluna Mestre. Considerando a tradição do ensino no CEFET-MG e que todos eles foram contratados na carreira da Educação Básica (EBTT), um registro de 72,41% dos professores com titulação de Mestres ou Doutores é algo significativo da importância da formação acadêmica para eles. Não deve ser ignorado o fato de haver recolocação na carreira e um diferencial remuneratório em função do título, muito menos os incentivos institucionais do CEFET-MG e as pretensões institucionais em tornar-se Universidade Tecnológica.
A Tabela 10 mostra que a grande maioria dos professores trabalha em regime de 40 horas semanais com dedicação exclusiva, havendo 3 professores como 40 horas sem dedicar- se exclusivamente ao CEFET-MG, situação funcional em extinção, e outros 3 em regime de 20 horas semanais. Qualificação e dedicação é uma forte marca da docência na EPTNM na instituição e deve certamente ter influência nas identidades dos seus docentes. A dupla formação em graduação também parece produzir processos identitários diferentes entre os professores. Lembrando Dubar (1997), afirmamos que a trajetória escolar é um determinante
nas experiências e nas conformações das identidades. Arriscamos em acrescentar “forte determinante”, considerando que a segunda formação geralmente acontece após a sua entrada como docente no CEFET-MG e de maneira voluntária.