1.3 Moleküler Sistematik
1.3.4 Filogenetik Analiz
1.3.4.1 Filogenetik Ağaç
1.3.4.1.1 Filogenetik Ağaç Oluşturmada Kullanılan Yöntemler
1- Introdução
Coloco este encontro com a teoria num segundo momento do texto desta tese porque ele, de fato, aconteceu propositalmente num segundo momento do estudo. Nos estudos de casos o pesquisador atravessa, num primeiro momento, uma etapa exploratória na qual vai determinando quais os limites, as dimensões, do seu objeto de análise. Isso é o que foi feito no Capítulo 1, tentando evitar que as leituras ex post atrapalhassem o relato – não menos informado, mas sim menos teorizado – que foi construído no começo deste trabalho.
Nesta segunda parte, então, pretendo mapear algumas teorias que podem ser puxadas pelos temas que foram surgindo no decorrer da reconstrução do caso, assim como por aquilo que na introdução chamei de hipóteses intuitivas: hipóteses que não foram formuladas com base num esquema conceitual específico, mas como produto de minha própria vivência como membro desse movimento, e informado – informalmente – por leituras teóricas que foram ficando na lente com que olho o mundo. Essas conjecturas guias, e o próprio relato empírico do capítulo anterior, colocam a necessidade de discutir e delimitar teoricamente os seguintes conceitos: movimento social transnacional84 (MST), identidades político-sociais (e sua relação com a estrutura/realidade), ação coletiva transnacional (repertório de ações e estratégias), e momentos/ciclos de mobilização.
E é justamente através do percurso desse mapa de regiões teóricas que pretendo obter uma construção analítica do próprio caso. A escolha de permanecer em uma ou outra região vai fazer com que tenhamos um caso de um tipo ou outro. Nesse percurso, que evidentemente implica uma decisão, passearemos também pelas regiões do fenômeno que já foram eventualmente reconstruídas como caso de algum tipo. Desse modo, o mapa fica conformado por algumas áreas, digamos, com população já estabelecida – em certos casos muito populosas – e outras menos habitadas onde ainda há espaço para assentamentos de novos famintos do saber.
Não seria apropriado dizer que o mapa tem nitidez total, ou que as regiões do mapa são compartimentos estanques. Os limites das regiões às vezes são difusos e alguns marcos
84 Vou utilizar essa denominação provisoriamente até consolidar outra com base na discussão que aqui apresento com as teorias.
teóricos confundem-se ou pegam sub-regiões de outros; às vezes encontramos tentativas de uniões regionais explícitas para tratar algum tema, assim como podemos encontrar áreas teóricas que se afundam em conflitos internos, ou ainda, claramente, teorias que brigam entre si. Este texto não é uma tentativa de pacificar teorias, e sim de – continuando na metáfora do mapa – contribuir com uma reflexão a mais para a geografia teórica das ciências sociais.
O caso sob análise, “o movimento anti livre comércio das Américas”, ocupa vários campos das ciências sociais. Evidentemente, o primeiro campo atingido é o das “teorias dos movimentos sociais”, das quais pretendo partir nesse Capítulo 2 para começar o trabalho conceitual da categoria de “movimento social transnacional”, da questão das identidades político-sociais e sua relação com as oportunidades/ameaças estruturais; da idéia de estratégias e repertório de ações coletivas e, finalmente, a noção de momentos ou ciclos de mobilização. Nesse campo, há uma “região” que às vezes entra e às vezes sai e que é preciso discutir neste trabalho: são as teorias sobre redes, e em particular “redes sociais”, que podem ajudar a pensar sobre a própria categoria geral de MST, sobre as estratégias organizativas e as coalizões, e sobre o papel específico dos “motores de transnacionalização”.
Um segundo campo é o das teorias das relações internacionais, dado que estamos tratando de um movimento que vai além das fronteiras dos Estados nação. Sem pretender polemizar sobre o tema, exporei o que considero o marco conceitual que define essa arena política, que excede o nível do Estado nação, e não é limitado pela interação entre eles. Analiso, no Capítulo seguinte (3), algumas questões sobre as idéias de
internacional/transnacional e outras que tratam a questão dos níveis doméstico e
internacional na análise das relações internacionais. Algumas pinceladas sobre as mudanças relacionadas com o fenômeno da globalização são apresentadas nos Capítulo 5 e 6, no contexto da relação estrutura/identidade.
Na relação dos dois campos, e sem dúvida como conseqüência da ação dos movimentos, é constatada a consolidação de um espaço de reflexão que vem se desenvolvendo ativamente nos últimos anos em cima da questão da transnacionalização da mobilização social. Esta tese se localiza nesse espaço e pretende contribuir a ele. Aqui, a noção de MST é fortemente discutida junto com a de rede, que entra, mesmo que por vezes sem aprofundamento, como umas das formas de definir essa mobilização social que ocorre para além das fronteiras do Estado nação.
A idéia é partir desse debate, atravessar as diversas regiões do mapa para chegar ao Capítulo 4 munido de conceitos do percurso prévio de forma tal que seja possível ver o quadro geral do debate e consolidar o esquema teórico a ser utilizado nas análises específicas
das partes do fenômeno estudado.
2 – Conceitos chaves para a abordagem dos movimentos sociais.
A literatura sobre movimentos sociais na arena transnacional vem sendo desenvolvida com certo rigor acadêmico desde metade dos anos 90, quando o fenômeno dos chamados novos movimentos sociais começou a se estabilizar, e a reflexão sobre os mesmos deixou de chamar a atenção dos cientistas sociais, pelo fato mesmo dessa rotinização do movimento. Por esses anos também começaram a surgir com maior força expressões trans-fronteiriças de ativismo social85. Digo com maior força porque, de fato, essa reflexão puxada pela expressividade das ações desses ativistas no seu esforço por dimensionar o fenômeno confirmou que as relações entre atores sociais de diversos países e suas ações transnacionais também não era uma novidade absoluta, e que, igualmente à globalização, que também não o é para alguns autores86, tinha uma história prévia87.
Há alguns fatos estruturais que são assinalados pela maior parte dos autores como sendo os facilitadores desse novo ímpeto de ativismo transnacional. Eles seriam: a generalização da aplicação de políticas neoliberais e os seus efeitos sobre as sociedades nacionais e sobre a economia global; a multiplicação de âmbitos e organizações oficiais no espaço internacional que ofereceram novos espaços de convergência ou oportunidades aos atores sociais (as conferências da ONU são citadas muitas vezes com exemplo)88; o fim da polarização da guerra fria que imprimia uma lógica de ordenamento político no mundo que influenciava a ação dos ativistas sociais89; e, finalmente, a evolução da estrutura das comunicações que acelerou os tempos e barateou os custos, seja das comunicações, seja das viagens, facilitando a crescente mobilidade de dados e pessoas90.
A intensificação das expressões da sociedade civil no âmbito transnacional, que captura a atenção de pesquisadores das ciências sociais, dispara a produção de estudos e análises sob os mesmos em duas áreas: por um lado o debate sobre a “sociedade civil
85 Por exemplo, Anheier et al (2001:3) fazem uma análise dos dados da União de Associações Internacionais que registra que um quarto das 13.000 organizações não governamentais internacionais (INGOs) foi criada depois do ano de 1990, o que mostra a aceleração do ritmo de criação desse tipo de organizações.
86 Hirst & Thompson, “Globalização em Questão” (1996)
87 Anheier et al (2001), Keck & Sikkink (1998), Tarrow (2005), Keane (2003)
88 Em relação a isto, Anheier et al (2001) assinalam o fato de que “only in the 1990s that both international governmental summits and parallel summits gathered pace as a normal way of doing politics”.
89 Held (2003) coloca o fim da Guerra fria como um dos “deep drivers” da globalização e o aprofundamento da democracia no mundo. Héctor de la Cueva (entrevista 2007).
90 Muitos autores assinalam esse fato, é de destaque a trilogia de Manuel Castells “A era da informação: economia, sociedade e cultura” (1996) (2000), na qual o autor avalia os impactos da revolução das informações no conjunto da economia e das sociedades.
global”91, por outro sobre a natureza dessa nova mobilização social da perspectiva dos movimentos sociais.
Na abordagem da perspectiva dos movimentos sociais há um destaque para ao menos dois olhares. Um é o que nos anos 90 foi denominado escola “hegemônica”92 dos movimentos sociais, o pensamento fundamentalmente norte-americano consolidado em volta da produção de Tilly, McAdam, Tarrow, Snow e outros que seguiram as trilhas por eles abertas. Num segundo olhar, a meu ver muito menos desenvolvido, que acrescenta a herança da tradição das análises dos novos movimentos sociais, que prioriza variáveis culturais e enfatiza o papel do discurso na formação dos movimentos sociais e que se junta à tradição neo-gramsciana fazendo uma análise que foca nas relações de dominação explicitadas nos conflitos sociais emergentes da globalização e na construção de novos sujeitos políticos a partir dos mesmos93. Por fim, uma literatura irregular com foco nas redes também trabalha o tema da ação coletiva no âmbito internacional, e o faz a partir de suas duas vertentes, uma já muito sistematizada enquanto metodologia de análise que estuda a natureza dos vínculos entre os indivíduos ou grupos94, e outra menos formalizada que coloca as redes sociais no centro de um novo tipo de organização social próprio das sociedades contemporâneas95.
Embora, como podemos ver, a literatura e as diversas abordagens já sejam numerosas, não encontrei estudos que aprofundassem a questão da transnacionalização dos movimentos da perspectiva das identidades, sendo que no tratamento dos novos movimentos sociais esse enfoque foi largamente difundido. Neste sentido, pretendo trazer, a partir da análise que apresento aqui, e da pesquisa em torno do movimento contra o livre comércio nas Américas, uma contribuição original para esse campo recentemente aberto. Trarei, para tanto, no Capítulo 4, elementos teóricos construídos a partir da reflexão de Melucci, Pizzorno e outros, assim como, e fundamentalmente, do chamado pós-marxismo de Laclau e Mouffe; e autores que trabalharam a questão da Identidade partindo da visão da teoria política.
Trabalho o movimento social contra o livre comércio a partir das questões colocadas pela problemática das identidades sociais porque considero que ela ajuda a entender vários aspectos da dinâmica de construção político-social desse processo social. A Identidade, como
91 Com base na London School of Economics, um grupo multidisciplinar de pesquisadores publica desde o ano 2001 o Global Civil Society Yearbook que recolhe estatísticas, dados qualitativos, estudos e análises sobre este debate, além de varias publicações autônomas que trabalham esse tema.
92 Goodwin e Jasper (2004)
93 Ver Dagnino (1998), Escobar (2004), Cox, Gill (2000), Louise Amoore (2005), Massicotte (2004).
94 No Brasil, pesquisadores como Adrian Gurza Lavalle et al (2004) e Marisa Von Bülow (2007) utilizam essa abordagem metodológica.
95 No Brasil, por exemplo, essa perspectiva menos formal tem o trabalho pioneiro de Ilse Scherer-Warren, já no mundo, Castells é umas das principais referencias.
será aqui apresentado, configura os elementos do eu político do ator coletivo, que faz com que ele aja num cenário que é configurado com base na sua leitura da realidade social, da identificação do adversário e da ativação de elementos duros dessa realidade em oportunidades políticas. As identidades, mesmo elas tendo aparentemente, algumas vezes, uma atrelagem a realidades sociais duras, são complexas, e só são ativadas e existem para a política a partir das enunciações discursivas. Elas, no registro deste estudo, podem ser identidades Primarias (IdP) ou Secundarias/Complexas; dependendo do cenário da sua constituição, elas podem ser domésticas ou transnacionais (Tabela 1). A questão da Id é discutida com o intuito de entender essa última configuração e a relação entre os níveis apresentados. Neste quadro, a identidade aparece como elemento constitutivo de movimento social sem se reduzir ao mesmo.
Tabela I. Níveis de Complexidade e Constituição das Identidades sociais, exemplo.
Identidades Sociais Id Primaria Id Secundaria ou Complexa
Id Domésticas Movimento de Trabalhadores
Sem Terra
Rede Brasileira Pela Integração dos Povos
Id Transnacionais La Via Campesina Rede Nosso Mundo Não Está
à Venda
Como adiantei na Apresentação desta tese, preciso de um esquema conceitual que me ajude a entender o surgimento do movimento social continental contra o livre comércio como uma das expressões da reação às mudanças políticas ocorridas a partir da década de oitenta, e como fruto da convergência da dominância do neoliberalismo e o desmembramento da dualidade imperante durante o período da guerra fria, sendo que esses processos têm uma relação de simbiose e mútua alimentação. Para tanto, proponho o seguinte arcabouço com o intuito de consolidar no decorrer desse capítulo.
1. As mudanças estruturais, ou duras – implementação de políticas dos governos, mudanças de leis ou constitucionais, o fim do regime soviético – são lidas, interpretadas e dotadas de sentido pelos atores sociais que fazem com que elas se tornem oportunidades políticas no esquema de configuração da identidade desses mesmos atores sociais. A partir dessa leitura, estes levam a cabo estratégias políticas e ações coletivas que visam consolidar e estender essa identidade na luta contra a identidade hegemônica, geralmente em posse do aparelho estatal e de outros recursos
de poder (econômicos e de acesso à mídia).
2. Uma identidade social disponibiliza leituras da realidade que constituem a plataforma da ação coletiva. Dentre essas ações, algumas alvejam a própria expansão da identidade – enquanto recurso de força e supervivência da Id – que é feita de forma voluntária, através de estratégias explícitas, ou através de mecanismos de difusão que fogem do controle dos seus atores centrais. Chamaremos aqui de trajetórias lineares o primeiro caso, e de não lineares o segundo.
3. Uma das estratégias de reposta é a formação de coalizões sociais. A coalizão social apresenta desafios às identidades primárias (os grupos de mulheres, consumidores, trabalhadores, camponeses, indígenas, jovens, ecologistas, etc.) que, na criação da coalizão, contribuem para o surgimento de uma nova identidade, ao mesmo tempo em que transforma a sua própria (identidades domésticas complexas - IDd).
4. A transnacionalização da ação do movimento surge como estratégia complementar à formação da coalizão nacional, e é nesse segundo passo que tem início o momento de transnacionalização novo que se estende até hoje. Nesse nível extra-nacional configuram-se novas identidades transnacionais, produto do encontro de IDds, que, por sua vez, terão parte dos seus componentes identitários alterados como efeito desse encontro.
5. As estratégias de transnacionalização são construídas sobre a base da experiência nacional, por isso reproduzem o modelo de coalizão multi-setorial agora no nível internacional. Nesse passo, e como possível padrão de transnacionalização dos movimentos sociais, ocorrem dois processos: a- o papel de pessoas chave sustenta a transnacionalização (motores de internacionalização), que b- envolve poucas pessoas e não atinge, se não de forma muito indireta (via IDd) ou ocasional (via eventos), as organizações na base local.
6. Ao longo desse jogo de intercâmbio transnacional, são desenvolvidos diversos modelos de ação coletiva específicos do movimento social anti livre comércio, que conformam um repertório particular de ações passível de ser reproduzido a escala continental e imitável até fora da região. Nessa terceira etapa, quando, junto com o
repertório, os fios da transnacionalização já estão operando, as estruturas lineares de transnacionalização são desbordadas e fazem com que: 1- as ações se espalhem de cima para baixo e, 2- elas fujam do controle das organizações “fundadoras” configurando já não uma rede, coalizão ou organização, mas um verdadeiro
movimento social transnacional. E, logo, uma reivindicação complexa, porém, comum
de todos.
Não faço nesta tese, como já fiz em outras oportunidades96, um trabalho restrito à uma única tradição teórica. Tento aqui, ao contrário, tirar elementos das várias tradições que trabalham o tema e construir um arcabouço analítico orientado pela observação do meu objeto. Fiz isto com a certeza de que nas ciências sociais a diversidade teórica e a observação empírica constituem não só um valor positivo, mas também que uma fonte de inspiração e luz sobre a realidade.
Apresentarei o debate com algumas das noções centrais do pensamento norte- americano em relação às categorias centrais que, como veremos no Capítulo 3, foram transportadas para a análise dos fenômenos de ação coletiva na arena transnacional. Depois algumas idéias em torno da discussão sobre o caráter estrutural ou não das identidades, entendendo por isto a noção de que há atributos reais, de algum modo essenciais, que determinam a pertença de um indivíduo a tal ou qual identidade coletiva. Essa questão envolve a pergunta pela origem da divisão no interior do social. A partir daí, naturalmente, entrarei na discussão dos mecanismos que atuam na “ativação” da identidade, seja esta ativação um ato de fundação ou a posta em funcionamento de algo que jaz na estrutura do social. Darei em cheio então com a politicidade da identidade, entendendo-a como a forma em que a identidade está expressando um conflito entre vontades que, em última instância, é um conflito por ver quem hegemoniza o conjunto do espaço social. Nesse ponto analiso a identidade e sua dupla natureza política: como forma de dominação e, ao mesmo tempo, como forma de emancipação/autonomia. Verei então qual é o papel que cumprem, por um lado, as idéias e, por outro, o que denominaríamos as formas estruturais do poder. Finalmente, não poderia deixar de lado os sujeitos individuais e seu papel no processo da identidade coletiva. Abordaremos também a relação que existe entre estratégia, ação coletiva e identidade.
A lógica de apresentação que aqui utilizo é a seguinte: colocarei os conceitos citados acima, com a complexidade que eles têm nessa ordem que propus, em um diálogo a trois com
o nosso objeto de estudo e as principais questões de cada campo ou área para, no final, apresentar a escolha de elementos teóricos que terminam por se mostrar úteis e pertinentes para a consolidação, complementação ou descarte das minhas hipóteses intuitivas no estudo do movimento contra o livre comércio nas Américas.
a- A escola norte-americana
A partir dos anos 60, e em parte como reação às grandes mobilizações sociais que agitavam os Estados Unidos e a Europa, houve um aumento da atenção dos cientistas sociais para esses fenômenos coletivos. Assim, dito de forma muito esquemática, pode-se dizer que se desenvolveram vários caminhos teóricos com raízes nas culturas e ambientes científicos específicos. Compartilhamos da divisão que faz Maria da Gloria Gohn (1997) porque, sendo que ela não é absolutamente esquemática, serve como ferramenta de análise para as várias teorias que surgiram nesses anos. Ela divide em duas vertentes que chamará de “paradigma norte-americano” e “paradigma europeu”, incluindo neste último as chamadas teorias dos Novos Movimentos Sociais, e a neo-marxista.
A análise desse corpus através do funil de nossas necessidades práticas fez com que adotemos como referência na discussão o aparelho desenvolvido nos Estados Unidos, por duas questões centrais: 1- com o tempo ele acabou se impondo e alguns até o chamam de paradigma hegemônico; a produção européia diminuiu e muitos pesquisadores do velho continente iniciaram pesquisas com o arcabouço norte-americano, enquanto o sentido inverso tem sido menos freqüente; 2- ele apresenta, de uma ou outra forma, os principais elementos que decidimos trabalhar ao começo deste trabalho. O conhecido pragmatismo estadunidense mostrou-se útil para essa escola que num período de aproximadamente trinta anos foi aprimorando um esquema através da absorção das principais críticas que lhe foram feitas. Construiu certa dominância teórica sem precedentes no campo cuja vantagem é, sem dúvida, sua abrangência temática e sua simplicidade empírica.
O pensamento da escola norte-americana do que aqui pensamos como um segundo momento começa a se afastar da dimensão individual da ação coletiva para se situar nesse segundo nível de análise, o nível que pressupõe a pré-existência de formas de engajamento dos indivíduos em ações coletivas.
Nos primeiros empreendimentos teóricos e de pesquisa nos Estados Unidos sobre a “ação coletiva”, é observada uma trajetória que vai do estudo do comportamento individual para o do comportamento coletivo como fenômeno próprio de disfunções ou alterações dentro do sistema social, ou, em outros casos, fazendo simplesmente uma categorização de
fenômenos como a propagação de boatos, manifestações, passeatas e outro tipo de expressões. Foi nesse mesmo berço, agora influenciado pelo pensamento econômico, que surgiu a